sábado, 23 de agosto de 2014

Marina,

você tem os olhos da sua mãe. Azuis. Feito duas bolas de gude. Feito os meus, também. Seus olhos são lindos, mas não é por causa da cor, não. Cor é exterior, sabe? Quem quiser compra uma lente azul, coloca e fim: olhos azuis. Os seus são bonitos por um milhão de outros motivos e o maior deles é o fato deles serem seus.

Você tem os olhos da sua mãe, e é a cara do seu pai, Nina. Tirando, é claro, os cabelos lindos e ruivos que você puxou de algum outro canto. Seus cabelos são finos, maravilhosos, laranjas e únicos, como você. Eles são fininhos e vivem embaraçando. Como os meus.

Você tem os olhos da sua mãe, é a cara do seu pai e acorda mau humorada. Tira seu soninho da tarde e aparece no meio da sala em algum momento, após acordar, onde todos estão conversando, fazendo barulho, rolando no chão. Você observa a cena de longe, com os olhos entre abertos e um bico bem sério. Os cabelos bagunçadíssimos.

Outro dia você acordou de um sono desses e apareceu na sala. Me viu, veio correndo, deitou no meu colo, enfiou a cabeça no meu braço, fechou os olhos de novo e miou. Miou com seu jeitinho de miar. Eu miei de volta, porque não tinha outra expressão melhor para mostrar o quanto eu te amo. O quanto eu amo você enfiando a cabeça nos meus braços para se esconder do mundo.

Marina, você tem os olhos da sua mãe, é a cara do seu pai, acorda mau humorada, tem quase 3 anos e é um bebezão. Como eu amo isso. Sua irmã, aos 10 meses, vinha correndo até mim e me chamava de Lu. Com 1 ano e 2 meses me chamava para brincar, usando o português quase correto. Você, com 10 meses nem me dava bola. Com 1 ano e 2 meses, pouco se entendia do que você tentava falar. Você é um bebezão, e puxa, que delícia é você, com quase 3 anos, roçando o rostinho na gente com chupeta na boca. Aliás, chupeta não: peta di cuúja, por favor.

Cada pessoa tem uma função na nossa vida, Nina, saiba desde já. Sua irmã é minha melhor amiga; meu porto seguro. Ela me re-ensinou a sorrir quando os músculos da bochecha pareciam mais pesados que o normal. Ela me puxa pelos cabelos, grita no meu ouvido, parece um furacão e vira tudo do avesso. Ela nasceu de olhos abertos e acorda pulando. Seu priminho é o dono do meu coração; eu esperei por ele a minha vida toda e isso é muito tempo. Ele nasceu com os olhos meio abertos e ele passeia entre a agitação e a preguicinha. Você é diferente. Você se aninha em mim quando tem vontade, passa as páginas do livro devagar, grita quando é contrariada. Você nasceu de olhos fechados e demorou dias para se convencer a abri-los. É isso também que você faz quando acorda: demora a se convencer de que a vida está aí. A Anna é minha melhor amiga. O Ricardo é o dono do meu coração. Você é o meu xodó. E enquanto você comemorar minhas chegadas, lamentar minhas saídas e se aninhar em mim quando está de preguicinha, enquanto tudo isso acontecer, meu amor, eu saberei que está tudo indo muito bem. 


8 comentários:

  1. Ai meu deus, como não amar as crianças de Analu? Todas tão lindas e tão únicas. Adoro conhecer um pouquinho delas através de ti, Analu.
    Marina é uma princesa, essa coisinha ruiva que da vontade de apertar.
    E pfvr, ABINHO pra sempre. <3
    Beijo!

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  2. Eu já li seu blog de cabo a rabo (sério) e apesar de amar seus textos de forma geral, quando você tira pra falar sobre as crianças eu me derreto toda. E olha que eu nem sou assim tão fã de crianças. Sou a Ana não-quero-ter-filhos Luíza e no entanto, quando venho aqui e leio um texto desses, fico com vontade de parir um monte de pirralhinhos. O amor transborda aqui pro outro lado, sabe? É lindo, igual a Marina ♥

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  3. Que coisa linda esse seu texto! Cara, eu juro que eu me emocionei. Parabéns!

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  4. Que texto absolutamente delicioso!
    Tava sentindo falta desses nenéns Bussular por aqui <3
    (é muita loucura eu dizer que fico imaginando como vão ser as coisas que você vai escrever pra Clarinha? HAHAHA)
    te amo <3

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  5. Ai que texto mais lindo Ana!
    Li sentindo uma doçura aqui no coração incrível.
    Nina, você é linda!
    Ana, você tem sorte, e a Nina, o Ricardo e a Anna também.

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  6. Sim essas mini-jóias entram na nossa vida sem pedir licença alguns entram batendo delicadamente na porta e outras simplesmente arrombam e entram na nossa vida sem ao menos pedir licença hahaha

    Entendi o seu texto anterior e repito:"Não existe neutralidade... "

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