(Esse post tem o “oferecimento” da Del Lang.)
Quando eu era criança mal podia ver uma lona que já saia perguntando para os meus pais quando poderíamos ir ao espetáculo. Daquelas que tremia só de ouvir o famoso “Respeitável Público” do início, de tanta alegria. Sabe aquela emoção de criança mesmo, de sorriso que não cabe no rosto, de quicar na cadeira? Era eu no circo.
Acho que a última vez que fui em um circo comum, por assim se dizer, foi quando eu tinha por volta de 11 anos. Acho. E não lembro se gostei. Mas continuem achando lonas fantásticas.
Aos 12, entrou na minha sala de aula uma colega circense! Ela era contorcionista, tinha nascido no circo! Era mágico! Um dia fomos fazer trabalho de português na “casa dela”, lê-se: o pavilhão do circo. Falamos por uns 5 minutos sobre o trabalho, é claro, e corremos pro picadeiro. Conversamos deitadas no picadeiro. Pulamos na cama elástica. Demos mortais e pegamos no trapézio. Eu, empolgada do jeito que sou, aposto que saí dali querendo morar no circo.
Aos 15, nos Estados Unidos, resolvi de última hora assistir La Nouba, do Cirque de Solei. Só que eu sentei sozinha, num canto péssimo do TEATRO onde ocorria a apresentação. Era uma pilastra, eu, e um casal de adolescentes americanos que se pegou a apresentação inteira. Eu estava sem pipoca, sem refrigerante, e sem pessoas conhecidas, olhando para seres minúsculos em um palco. Me arrependi em 5 minutos, não achei aquilo nada mágico, e preferia mil vezes ter ficado fazendo compras na maior loja da Disney de todas, que era onde minhas amigas tinham preferido ficar. Quando terminou eu saí tão irritada, que preferia esquecer.
Aos 18, já morando em Curitiba, fui pra São Paulo passar uns dias e minhas amigas me esperavam com um ingresso surpresa do “Quidam”, se não me engano. Nos atrasamos horrores e chegamos 10 minutos antes do intervalo. Eu passei o caminho inteiro tentando ficar animada, e achando que não deixariam a gente entrar. Já me emocionei quando cheguei lá e vi uma lona, e não um teatro. Todos aqui sabem do meu amor eterno pelo teatro. Mas teatro é teatro, circo é circo, e eu não sei pra vocês, mas só o fato de existir uma lona já faz uns bons 50% da minha alegria. Eu amo olhar a lona colorida e entrar embaixo dela, já mencionei esse dado?
Então. Era uma lona. E tinha pipoca. E eu tinha minhas amigas. E aquilo tinha cheiro de perfume misturado com circo. Era cheiro de glamour. Cor de glamour. E eu assisti aquilo como se eu fosse a mesma menina de 5 anos: embasbacada. Com os cotovelos apoiados nas coxas e o rosto apoiado nas mãos. Boca aberta, claro, e princípio de torcicolo.
Desde então eu não fui ao circo de novo, mas já ouviu de más línguas que o “Varekai” vai chegar em Curitiba um dia. E já vou avisando que se quiser saber pra onde eu vou, aonde tenha lona, é pra lá que eu vou. Se for em teatro eu nem me arrisco.
P.S.: E não, esse post não é assim completamente aleatório. É que eu estou lendo Água para elefantes. É legalzinho. Tô quase terminando. Ele é sobre circo, apesar de mostrar um lado que eu não esperava encontrar dentro de um. Os típicos mal-tratos com animais, que me deixam doente, e além disso, pessoas sendo jogadas de trem, e coisas do tipo. Acho que faltou uma narração perfeita de um espetáculo que fosse. Queria sentir o cheiro de pipoca. Ouvir o “Respeitável público”. Me sentir acolhida pela lona. Isso não rolou, mas é um livro bonito, que eu indico, apesar de ainda não ter terminado e não ter certeza de ter descoberto o porquê do título, hahaha.