domingo, 27 de maio de 2012

De sombras e pérolas.

Uma frase que me defina? “O melhor da festa é esperar por ela”. Sim, eu sou ansiosa. Desde sempre. Isso é bom, e é ruim. É bom porque eu curto as coisas muito antes delas chegarem. Tipo curtir uma viagem e uma festa desde muito antes delas realmente acontecerem. É ruim porque eu também sofro as coisas muito antes delas acontecerem. Tipo chegar chorando em casa no dia da incrível estreia da peça mais amada do mundo, pensando que agora que o primeiro dia já tinha ido, faltariam só mais 3, e depois, acabaria. Só depois. E eu já tinha começado a chorar.

Eu vivo as coisas antes delas acontecerem. O que significa que pra mim, o momento mais cansativo da semana, com toda a certeza, é segunda-feira às 6h30 da manhã. Que é quando eu tenho que acordar pra tudo o que vem pela frente. É tanta coisa pra vir, mas tanta, que eu morro de cansaço. Aí as coisas vão acontecendo, e quando chega o sábado de tarde e todos os “compromissos sérios” da semana passaram, eu já até esqueci do cansaço e estou feliz e tranquila, como se nada tivesse acontecido.

Sei que hoje, sábado de tardezinha, apenas alguns minutos após o “momento da liberdade”, minha amiga resolveu ter a brilhante ideia de ir caminhar sem rumo, só pra tomar um sol na cabeça. Afinal de contas, o dia estava inusitadamente muito bonito para ser desperdiçado. E lá fomos nós. Eu, ela, e mais uma. Em um modelo que a gente quase não gosta: A ídola e suas fãs carrapatinhas.

As 3, batendo papo de baixo do sol. No meio disso começamos a falar de trabalho e estudo. No nosso caso, tudo envolvendo processos teatrais. E aí no meio de falações, dramas e desesperos das pupilas, a mestre resolve abrir a boca, com toda a calma e divisse desse mundo, pra fazer mais uns de seus discursos que todo mundo deveria parar para ouvir. Aí ela falou que a gente trabalha e estuda muito nessa vida. E que no meio disso, as coisas acabam se tornando triviais e normais. Orgânicas. E por isso não serão mágicas all time long. Serão únicas. Boas ou ruins, mas sempre dentro da magia do contexto, que nunca podemos nos esquecer. Porque só se estivermos dispostas a viver o contexto todo é que vamos encontras as pérolas! Sim, as pérolas! As pérolas são especiais. E elas aparecem de repente, bem ali, no meio do todo. “Se tudo fossem pérolas, as pérolas nem existiriam!”, ela diz, sempre tão sábia. E aí cai novamente aquela ficha que já devia ter caído a muito mais tempo: Realmente! As pérolas ficam ali, escondidinhas nas ostras. O trabalho de abrir as ostrinhas às vezes pode ser fácil, às vezes difícil. Pode ser legal, ou pode ser chato. Leve ou desgastante. Mas se não toparmos a missão de abrí-las, e pagar para ver, nunca teremos a chance de dar de cara com as pérolas lá dentro!

Possivelmente, e provavelmente, haverão muitas ostras vazias no caminho. Mas as pérolas encontradas, com certeza, compensarão tudo! Assim como 3 sombras amigas caminhando juntas em um dia de sol são capazes de compensar toda a semana chuvosa!

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De luz e sombra: Três mocinhas elegantes e quase filósofas…

12 comentários:

  1. Que delicia de post Nalu! Tambem sou daquelas que sofre por antecipação, mas pouco a pouco eu vou vivendo um dia de cada vez, mas sem nunca deixar de pensar no futuro, mas acho que a gente é mais feliz quando sabe aproveitar o momento né?
    Acho que vou parar de filosofar agora XDD

    beeeeeeeijo

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  2. Me identifiquei muito com sua personalidade, sou bem parecida em ser feliz e ser triste antes das coisas acontecerem de verdade. Bem, e isso é relativo, porque tudo acontece dentro de minha cabeça, e quando não sai do jeito esperado me frustro duas vezes mais, mas quando dá certo, meus sorrisos são dobrados também. E sim, as melhores coisas são as mais difíceis na hora da conquista, mas você sabe que quando conseguimos aquilo que tanto almejamos, a sensação de auto-reconhecimento é realmente reconfortante.
    Gostei do seu blog, e estou ficando por aqui se não se incomodar.

    Beijos, e volto.

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  3. Seu blog é uma coisa muito fofa.
    Geralmente eu sofro por antecipação ou me frustro porque alguma coisa que queria muito foi morna. Mas acho que isso é normal do ser humano, criar expectativas que nem sempre vão condizer com o acontecimento. E a metáfora da ostra foi super genial, porque é uma grande verdade.

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  4. Oi Ana. Acho que se tivesse que escolher uma palavra para me definir, seria ansiedade. Sou daqueles ansiosos que tem o tique da perna nervosa, todos percebem quando tou com algum problema ou quando tenho algo importante para fazer. Isso de viver um dia de cada vez, as vezes, é complicado para mim, simplesmente acho que se vivesse uma semana inteira, de uma vez, seria mais fácil. Mas que graça teria em perder todo o desgaste e os ganhos que um belo dia, bem lento e cheio de horas ~~ I N T E R M I N A V E I S ~~ pode nos proporcionar, não é mesmo?

    Beijo

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  5. Que coisa linda, Analu! Já disse que acho incrível suas amizades do teatro, e cada vez mais tenho certeza de que deve ser, realmente, delicioso viver algo assim.
    E, ah, eu sou IGUALZINHA no quesito ansiedade. No primeiro dia de aula esse ano, me peguei chorando pensando no último. Nas férias, chorei por saber que era minhas últimas férias escolares. E essa sou eu. HAHAHA.

    Beijos <3

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  6. Esse texto foi lindo, necessário e bem condizente com meu momento. Nunca tinha pensado nas coisas desse jeito e ah... faz tanto sentido que nem sei! Ela é mesmo mestra, diva e tudo mais e você é sortuda por podê-la chamar de amiga, rs.
    Abraços minha flor <3

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  7. Nana, que lindo esse post! Eu acho lindo o modo como você valoriza suas amizades. Por isso fico orgulhosa em poder te chamar de amiga também (:

    A mensagem aí do post é mais ou menos o que eu quis dizer naquele meu sobre as luzes. Precisamos abrir os olhos de manhã para poder encontrar as coisas maravilhosas da vida (: Senão, nunca vamos saber se estão lá, ou não.

    Beijo, te amo!

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  8. Cachinhos dourados,
    Lembre-se sempre que as pérolas só são pérolas porque são raras!!! E vc é uma delas!!
    Grata pelo sábado!
    Amo vc.
    Beijinhos.

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  9. Meu Amor de Analu, achei lindo essa nova lição da mestre.
    Sempre tentei enxergar essas pérolas, as pequenas alegrias do dia, da vida. Talvez por eu ser um pouco pessimista deixo passar algumas pérolas por mim, sem que eu as veja de fato, mas olha, as pérolas que eu vejo realmente são únicas.
    Amei demais esse texto. Me fez ficar pensando e prestando mais atenção na vida. :)
    Beijo. <3

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  10. Ai AnaLú, minha querida, toda vez que eu entro aqui penso a mesma coisa: já pensou se ela fosse minha vizinha? Sim, porque não é possível, pelo que conheço você daqui somos muito parecidas. Também sou pra lá de ansiosa, sei os prós e os contras e sou feliz e desesperada pelos mesmos... rs. Acho que você ia dar uma boa amiga sabe? Dessas assim de andar o tempo todo junta, feito filme? rs...

    e olha, quanto a esse texto todo fofo sobre pérolas e ostras é isso mesmo. às vezes a gente tem é que treinar o olho pra encontrá-las, sabe?

    beijinho

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  11. Que texto bonito, Analu. Às vezes as pérolas estão em nossa frente, olhando p/ gente, e não as percebemos. Temos é que ter o coração aberto para encontrá-las, né?

    Ah, indiquei você num meme :).

    Beijinho

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  12. Que texto gostoso de ler. Você sempre filosofando, né?
    Beijo e boa semana (:

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