domingo, 6 de maio de 2012

Clandestina e efêmera… Ah, a vida!

Era madrugada, eu tinha acabado de ler o conto “Felicidade Clandestina” pela milésima vez. Eu amo. Para mim, aquele conto é o melhor de Clarice. Mas eu estava lá, lendo Clarice, depois de ter guardado um pouco o Jogos Vorazes. Estava lá, deitada embaixo do edredom, com meia luz, felicidade clandestina e muita insônia. Eram 3 horas da manhã, e eu me deparei com um vidrinho de bolhas de sabão, lá longe, na minha estante. Anna Beatriz tinha esquecido aqui. Mas o vidrinho começou a me chamar, eu levantei da cama, peguei, e ainda deitada, fiquei soprando bolhas enquanto pensava no quão clandestina pode ser a felicidade.

Não contente em filosofar, de madrugada, sobre a felicidade, eu fiquei ali olhando aquelas bolhas tão bonitas estourando tão rápido, e comecei a pensar em como a vida é efêmera. Efêmera, bela, e clandestina. Como a felicidade. Como uma bolha de sabão.

Uma bolha de sabão é a metáfora perfeita da vida, na minha humilde opinião. Porque ela é linda. Extremamente linda. Ela reflete. Reflete cores e sombras misturadas. Ela hipnotiza. Hipnotiza quem tiver coração para enxergá-las. Ela é escorregadia. Voa com a direção dela, ninguém doma uma bolha de sabão. Só ela sabe o seu sentido. Você pode até achar que pode pegá-la, mas ela dá um jeito de se mandar. É clandestina porque sempre vai estar por ali de passagem.. sem pagar.. e vai sumir sem deixar vestígios. Sim, porque se você piscar, ao abrir o olho, ela pode não estar mais lá. Uma bolha, aliás, é um verdadeiro ensinamento às pessoas sobre a vida. Porque ela é leve e transparente. Como todos deveriam ser.

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Que felicidade clandestina e efêmera essa de viver.

sábado, 5 de maio de 2012

Quatro de maio de dois mil e doze

Dia sorteado pelas mafiosas para fazer um diário de bordo. Murphy está sempre pendurado no meu ombro, então meu cabelo acordou terrível, e minhas olheiras lá na bochecha. So Good. Por esse motivo o vídeo que eu fiz durante o dia vai ficar só em off, porque eu ainda não estou com toda essa disposição para jogar minha imagem no ralo. Por aqui, vamos de relato mesmo. Quem sabe contando eu não consigo refletir sobre o dia?

6h30 o despertador tocou doído. Tinha ficado rolando na cama até por volta das 2h30. Ninguém merece. Alguém precisa avisar pra insônia que ela só é poética de sábado pra domingo, quando a gente tem a madrugada toda pra ouvir música e pensar na vida, sem ter que acordar. Levantei. Entre trancos e barrancos, tentando disfarçar a olheira com rímel e dar um jeito no cabelo, que fica um ó com essa umidade. Tomei meu Toddy sagrado de cada dia de manhã. Faço isso desde que larguei a mamadeira. Meu pai me pergunta quando é que eu vou crescer e tomar uma xícara de café. Sei lá. Gosto do achocolatado.

Fui pra faculdade morrendo de frio E de sono, ouvindo desde Kid Abelha a Fernando & Sorocaba no carro, passando até por Balão Mágico. Estava uma chuvinha irritante do lado de fora. A aula foi no auditório, estava escuro, o computador travou… Boring. Finalmente chega a hora da carta de alforria, viemos pra casa, com direito a um belo cochilo no carro. Abri a porta com câmera em punho, toda felizinha, mas a Kimmy não quis me fazer festa. Nem pegar a bolinha quando eu joguei. Traidora.

Me joguei na cama pra começar a dar uma olhada nos vídeos e capotei. Dormi tão fundo que perdi o almoço. Não sei de onde tirei forças para levantar as 14h e ir fazer unha. Deve ser só porque eu adoro a minha manicure. O nome dela é Elizabeth, gente, muito chique. Ela escolhe meu esmalte sozinha, e super bota banca. É carioca e eu morro de rir com ela. Hoje eu pedi pra ela nunca voltar pro Rio de Janeiro. Quando ela me perguntou porque eu disse que é porque eu me apego muito fácil. Ela parou de tirar minhas cúticulas para me dar um abraço. Dou sorte com as pessoas.

Cheguei em casa e fui digitar o texto adaptado da peça, enquanto me emputecia cada vez mais com o meu cabelo, sem ter mais tempo de lavá-lo antes de ter que sair de novo. Fui pra psicóloga. Já contei? Pois é, eu vou na psicóloga agora, porque eu morro de medo de agulhas (?). A psicologia é engraçada. Sei que a gente acaba descobrindo uma porção de coisas. De lá, fui pro Cena Hum e me enfiei uma sala pra terminar de digitar texto. Cansei de digitar sozinha e fui chamar minha amiga pra me ajudar, e ela veio toda contente, de muletas. O Murilo veio também, e ficamos os 3 no chão da sala. Elô ditando, eu digitando, Murilo espiando. O texto ficou pronto 10 minutos antes da aula, deu tempo de imprimir e entregar na mão da diretora! Lemos um pedaço dele hoje. E conversamos bastante sobre que caminho queremos tomar na peça. Como é uma metáfora do nazismo, falamos bastante sobre ditadura, política, métodos de tortura, e até Jogos Vorazes entrou na dança. Tá, fui eu que falei dos Jogos Vorazes, mas a professora super se interessou, viu? No meio do caminho eu encontrei a Mayra, claro. Fiz a bichinha aparecer no vídeo. Fofinha.

Na hora da saída eu esqueci de ligar pra minha mãe, e fiquei encostada na mureta da escola, olhando o movimento da rua e o céu, enquanto minha mãe não chegava. Até que ela me ligou, e eu me toquei de que não tinha pedido pra ela ir, então ela não ia chegar, obviamente. Sendo assim, pedi, e fiquei esperando ela vir, enquanto rolavam uns diálogos bem inusitados naquela calçada, num fim de sexta-feira.

Finalmente em casa, nem acreditei que lavei meu cabelo. Ele estava me incomodando desde às 6h da manhã, gente. Adoro me enfiar no pijama e nas meias. Sentei no tapete, joguei o meu Felicidade Clandestina no meio do tapete, e fui tentar tirar a foto do dia pro Projeto 366. Comecei a soprar bolhas de sabão, e consegui umas fotos bem legais, até que tinha uma aranha minúscula andando na minha perna e eu fiz um escândalo, até que minha mãe procurou tamanha enormidade de inseto no meu quarto e matou.

Aí eu sentei pra editar vídeo e escrever esse relato. De um dia extremamente trivial e sem graça, com olhos cheios de areias e nada refletivo saiu desse texto hoje, apesar de eu estar com uma vibe feliz! Às vezes a Felicidade tem cara de Clandestina. Ou eu é que ando lendo Clarice Lispector demais. Minha orelha esquerda está pegando fogo. Acho que tem alguém falando mal de mim por aí. Deixa eu morder essa gola e terminar esse relato.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ai de mim que sou romântica!

Foi na aula de cinema, hoje cedo. Aquela quarta feira cinza e fria, depois de feriadão. Sala de aula cheia e todo mundo bem empolgado. Só que ao contrário. A professora então resolveu atiçar. Era pra gente fingir que ia fazer um filme e criar um roteiro. Mandou alguém jogar um tema, a menina falou AMOR, todo mundo riu, eu resolvi fechar meu livro e ver o que ia rolar de interessante.

A professora falou que a história ia começar na primeira carteira e terminar na última, do outro lado da sala. Eu sou a quarta da primeira fileira. A primeira disse amor, a segunda disse que era uma menina jovem, a terceira disse que a menina jovem estava apaixonada pelo homem mais velho, e quando a sala inteira ria e falava que eles iam casar eu acabei com a graça falando que o homem mais velho era casado e não ligava a mínima pra menina. Todo mundo riu, e a história continuou. Só que a galera pirou, claro.

Sei que quando estava na terceira fileira eu desisti de ouvir o que estavam falando. Não porque o pessoal não tivesse ideias legais, mas é porque eu já tinha criado o meu roteiro e não queria ninguém metendo o bedelho nele. A galera colocou pais, faculdade, tempos contemporâneos e drogas na história. Até sobre bissexualidade eu juro que ouvi alguém falar. E enquanto isso, a minha protagonista se chamava Alice, tinha 18 anos, tinha nascido no Brasil e mudado para Paris aos 2. Alguém tinha dito que esse cara mais velho era professor dela. Achei interessante. Sendo assim, Alice, a mocinha de 18 anos que só usava cor-de-rosa e boinas brancas, se apaixonou por seu professor de pintura. Claro, aulas de pintura! E só pintava margaridas, a Alice. Alice guardava essa paixão doce por seu professor, no maior esquema platônico way of love, até porque, ela é uma entusiasta do amor eterno. Jamais se declararia a um homem casado. E lá ia Alice, pintando suas margaridas e viajando nos olhos do professor, Pierre, enquanto ele explicava sobre tonalidades e pincéis. Até que um dia, ao sair da aula, Alice esbarra com Luca, que deixa cair seus livros. Os dois se encantam, é amor a primeira vista! Logo ela descobre que Luca é o filho do professor, e tem os mesmos olhos. Os olhos que ela tanto ama. E aí ela e Luca se apaixonam pra sempre, se casam, tem duas filhinhas (Pauline e Violeta) e são felizes para sempre. Ah, sim, o filme é todo em um tom meio sépia, algo como o efeito Anos 60 do Picasa.

É isso. Enquanto a galera criava confrontos matrimoniais, pais entrando na briga, professor pegando outro homem e clínicas de reabilitação, eu já estava com a cabeça encostada na janela, sonhando acordada com a história da minha Alice, suas margaridas e seu Luca.

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Ai de mim que sou romântica!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Colcha de retalhos

Sabe aquela pessoa que tem gostos super específicos e sempre acaba gostando de coisas que tenham a ver umas com as outras? Aquelas que têm sempre o mesmo humor, seguem sempre o mesmo estilo, usam sempre as mesmas palavras? Então, eu não sou assim. Meu sonho já foi ser uma pessoa assim, meio continua, feito um edredom. Mas acabei concluindo que minha sina, que hoje eu já acho deliciosa, é ser uma colorida colcha de retalhos.

Por exemplo, se você ligar o meu IPod despretensiosamente, vai encontrar de tudo. Tá. Funk e Heavy Metal você não vai encontrar. Mas de Avril Lavigne a Balão Mágico, passando por Cazuza e sertanejo universitário, ah, você vai. Desde uma Adele super fossa até um Black Eyed Peas ligado no 220V. Porque certamente eu terei momentos em que  precisarei ouvir cada um desses tipos, ué.

Na minha prateleira de livros, vish. Vai de Harry Potter a Vinícius de Moraes, com Meg Cabot no meio, uns dedos de Clarice Lispector e um cheirinho de contos de fadas. Vai ter Lolita e vai ter Alice no País das Maravilhas. Vai ter A Sangue Frio ao lado de Para uma menina com uma flor. E eu acho isso fantástico. Pra que diabos eu tenho que sair por aí me dizendo a CULT do pedaço, com um Dostoiévski em baixo do braço, enquanto escondo o Jogos Vorazes em baixo do travesseiro? De jeito nenhum. Esfrego qualquer um na cara da sociedade sem um pingo de vergonha. Até contos de fadas eu já levei pra faculdade.

Já quis ter um estilo de roupas pra chamar de meu também. Não funcionou. Tem dia que eu vou acordar inspirada e ir pra faculdade de bota, rímel, brinco grande e cachecol. No dia seguinte, vou querer me enfiar no moletom cinza, com a calça jeans mais confortável e um tênis.

Acho incrível pessoas que tem um perfume marcante. Sabe aquela que chega e você sabe que chegou? Quando eu estava no colegial, pegava carona com meu vizinho, e só de entrar no elevador eu sabia se ele já tinha descido pra garagem ou não. Decidi que ia escolher um perfume só pra chamar de meu. Falhei. Tenho uns 5 dentro do armário e cada dia gosto mais de um.

Quando eu ganhei a Elizabeth (minha câmera, para os não íntimos), eu fiquei toda supimpa e metida da besta, pensando que ia criar a minha identidade fotográfica. Até que talvez eu tenha criado minha identidade… preferindo não ter identidade nenhuma! Você provavelmente não vai olhar uma foto minha e saber, de cara, que é minha. Porque elas não seguem um padrão. Uso efeito Lomo em uma, anos 60 na outra, e ainda vai ter aquela lá em tons pastéis. Vou tirar foto de um livro em um dia, e foto de uma criança emburrada no dia seguinte. Foto desfocada e foto com foco. Foto escura e foto estourada. E eu adoro.

Faço amizades com as pessoas mais diferentes do mundo. Desde a quietinha que só usa roxo/rosa e mal fala em público até a que mal penteia o cabelo e grita dentro do shopping. A gente vive experiências tão diferentes e divertidas com cada uma delas!

Adoro porque eu acho que a gente acaba refletindo no que fazemos a fase que estamos vivendo, as vontades que vamos tendo, o estado de espírito do dia. Sou apaixonada pelo meu edredom inteiro lilás, mas quando se trata de mim, prefiro ser essa colcha de retalhos, com pedaços de rosa, azul, um vermelho escuro ali, e até um branco com bolinhas amarelas na ponta esquerda.

Ah, sim, sou sempre a mesma quando se trata de comida. Minha pizza vai ser sempre de calabresa. E meu sundae vai ter sempre uma bola de sorvete de creme, a outra, de morango. Meu au-au vai ser sempre um duplo especial sem salada e sem mostarda, só que com milho. O suco, vai ser sempre o de maracujá. E se eu for numa trattoria, sempre vou pedir um spaghetti ao molho branco. E nunca, nunca experimentarei jiló.

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De Sapatilhas-cor-de-rosa a Florbela Espanca, prazer, Ana Luísa.