Dia sorteado pelas mafiosas para fazer um diário de bordo. Murphy está sempre pendurado no meu ombro, então meu cabelo acordou terrível, e minhas olheiras lá na bochecha. So Good. Por esse motivo o vídeo que eu fiz durante o dia vai ficar só em off, porque eu ainda não estou com toda essa disposição para jogar minha imagem no ralo. Por aqui, vamos de relato mesmo. Quem sabe contando eu não consigo refletir sobre o dia?
6h30 o despertador tocou doído. Tinha ficado rolando na cama até por volta das 2h30. Ninguém merece. Alguém precisa avisar pra insônia que ela só é poética de sábado pra domingo, quando a gente tem a madrugada toda pra ouvir música e pensar na vida, sem ter que acordar. Levantei. Entre trancos e barrancos, tentando disfarçar a olheira com rímel e dar um jeito no cabelo, que fica um ó com essa umidade. Tomei meu Toddy sagrado de cada dia de manhã. Faço isso desde que larguei a mamadeira. Meu pai me pergunta quando é que eu vou crescer e tomar uma xícara de café. Sei lá. Gosto do achocolatado.
Fui pra faculdade morrendo de frio E de sono, ouvindo desde Kid Abelha a Fernando & Sorocaba no carro, passando até por Balão Mágico. Estava uma chuvinha irritante do lado de fora. A aula foi no auditório, estava escuro, o computador travou… Boring. Finalmente chega a hora da carta de alforria, viemos pra casa, com direito a um belo cochilo no carro. Abri a porta com câmera em punho, toda felizinha, mas a Kimmy não quis me fazer festa. Nem pegar a bolinha quando eu joguei. Traidora.
Me joguei na cama pra começar a dar uma olhada nos vídeos e capotei. Dormi tão fundo que perdi o almoço. Não sei de onde tirei forças para levantar as 14h e ir fazer unha. Deve ser só porque eu adoro a minha manicure. O nome dela é Elizabeth, gente, muito chique. Ela escolhe meu esmalte sozinha, e super bota banca. É carioca e eu morro de rir com ela. Hoje eu pedi pra ela nunca voltar pro Rio de Janeiro. Quando ela me perguntou porque eu disse que é porque eu me apego muito fácil. Ela parou de tirar minhas cúticulas para me dar um abraço. Dou sorte com as pessoas.
Cheguei em casa e fui digitar o texto adaptado da peça, enquanto me emputecia cada vez mais com o meu cabelo, sem ter mais tempo de lavá-lo antes de ter que sair de novo. Fui pra psicóloga. Já contei? Pois é, eu vou na psicóloga agora, porque eu morro de medo de agulhas (?). A psicologia é engraçada. Sei que a gente acaba descobrindo uma porção de coisas. De lá, fui pro Cena Hum e me enfiei uma sala pra terminar de digitar texto. Cansei de digitar sozinha e fui chamar minha amiga pra me ajudar, e ela veio toda contente, de muletas. O Murilo veio também, e ficamos os 3 no chão da sala. Elô ditando, eu digitando, Murilo espiando. O texto ficou pronto 10 minutos antes da aula, deu tempo de imprimir e entregar na mão da diretora! Lemos um pedaço dele hoje. E conversamos bastante sobre que caminho queremos tomar na peça. Como é uma metáfora do nazismo, falamos bastante sobre ditadura, política, métodos de tortura, e até Jogos Vorazes entrou na dança. Tá, fui eu que falei dos Jogos Vorazes, mas a professora super se interessou, viu? No meio do caminho eu encontrei a Mayra, claro. Fiz a bichinha aparecer no vídeo. Fofinha.
Na hora da saída eu esqueci de ligar pra minha mãe, e fiquei encostada na mureta da escola, olhando o movimento da rua e o céu, enquanto minha mãe não chegava. Até que ela me ligou, e eu me toquei de que não tinha pedido pra ela ir, então ela não ia chegar, obviamente. Sendo assim, pedi, e fiquei esperando ela vir, enquanto rolavam uns diálogos bem inusitados naquela calçada, num fim de sexta-feira.
Finalmente em casa, nem acreditei que lavei meu cabelo. Ele estava me incomodando desde às 6h da manhã, gente. Adoro me enfiar no pijama e nas meias. Sentei no tapete, joguei o meu Felicidade Clandestina no meio do tapete, e fui tentar tirar a foto do dia pro Projeto 366. Comecei a soprar bolhas de sabão, e consegui umas fotos bem legais, até que tinha uma aranha minúscula andando na minha perna e eu fiz um escândalo, até que minha mãe procurou tamanha enormidade de inseto no meu quarto e matou.
Aí eu sentei pra editar vídeo e escrever esse relato. De um dia extremamente trivial e sem graça, com olhos cheios de areias e nada refletivo saiu desse texto hoje, apesar de eu estar com uma vibe feliz! Às vezes a Felicidade tem cara de Clandestina. Ou eu é que ando lendo Clarice Lispector demais. Minha orelha esquerda está pegando fogo. Acho que tem alguém falando mal de mim por aí. Deixa eu morder essa gola e terminar esse relato.