Que eu não nasci pra vida boêmia todo mundo já sabe. Gosto de dançar, é claro, e prefiro mil vezes as festas que as baladas. Mas de vez em quando, e com amigas animadas, elas acabam saindo bem divertidas. Se não, como costuma dizer a Anna, se tornam ao menos um objeto de estudo antropológico. É curioso.
É curioso porque logo na fila a gente encontra um monte de minissaias. Mesmo que esteja, sei lá, 5º de temperatura. Periguete Diva não sente frio, diz a lenda. E elas ficam lá, em grupinhos. As donas das minissaias, digo. Com suas saias tão coladas no corpo que poderiam entrar no útero, seus cabelos invariavelmente compridos e lisos, saltos gigantescos e fazendo caras de “atacar” para os homens. Principalmente aqueles que distribuem as entradas VIPS. Ainda na fila começa a pseudo-caçada. É onde a galera começa a estudar o tipo de gente que vai encontrar lá dentro, e possivelmente, já vai escolhendo seu alvo.
Quando a porta abre, todo mundo entra, e é hora de fazer o reconhecimento parte 2, agora já no terreno, e com luz apagada. Nessa hora, quem não fez esquenta ainda está bem sóbrio. Geralmente as meninas pegam os copinhos estilosos de bebidas, os meninos vão de cerveja, e vou de “um gole da bebida da minha amiga resolve”. Eu sei, mãe, que não devo beber no copo dos outros, mas eu juro que a Jéssica não iria colocar Boa Noite Cinderela no copo dela.
E eu começo dançar feliz da vida, até que dou de cara com algum gola polo azul marinho e me apaixono pra sempre, até que 2 minutos depois o vejo com alguma alisada de minissaia, enquanto aparece para me pentelhar algum regata branca. Porque eu já mencionei que sempre me lasco? É, eu sempre me lasco. Mas tudo bem, acaba sendo divertido passar o resto da noite dançando e dispensando as tentativas do regata branca, que chega a ajoelhar no meio da balada, te pedir em casamento, ligar pra mãe dele e dizer que encontrou a nora da vida dela. (Sim, isso aconteceu, enquanto o gola polo azul já tinha ido embora há muito tempo.)
Começa a dar 2h/3h da manhã, eu e minhas amigas ainda estamos no meio da pista, eu já comprei uma garrafa de água e estou com ela na mão, com o cabelo preso, morrendo de dor no pé por causa do salto, mas sem mais aquela empurração, obviamente. Isso porque a essa hora da madrugada as pessoas já arranjaram o que vieram procurar e estão se amassando pelas paredes, pelo banheiro, e alguns adiantadinhos já conseguiram levar as minissaias alisadas para os carros deles. Eu e minhas amigas continuamos dançando, e enquanto alguns já estão dando PT e colocando tudo pra fora nos banheiros, eu ainda estou na metade da minha garrafinha de água, dando é risada das investidas eternas do regata branca.
4h da manhã geralmente é a hora que a gente decide ir embora. Tem uns 5 gatos pingados na pista de dança, as paredes estão lotadas de recém-casais desentupindo as pias uns dos outros, e meu pé está no último estágio da dor absurda.
É no carro do pai da minha amiga, indo pra casa dela, que finalmente eu consigo tirar o salto e nós ficamos rindo horrores e conversando sobre a noite. Chegamos no prédio e eu, invariavelmente, estou morrendo de vontade de fazer xixi e fico dançando pelo corredor enquanto ela abre a porta de casa, ou, descobre que esqueceu a chave e liga pedindo pra mãe dela abrir a porta. A gente entra e se joga no quarto pra dar mais risada, e uma descansa os pés enquanto a outra toma banho. Depois, já de pijamas, a gente bebe mais água, tem ataques de riso na cozinha, sem motivo nenhum, e resolve que vai conversar antes de dormir. Acontecem uns 2 minutos de conversa, e então, a gente apaga. Pra acordar no outro dia, tipo 10h ou 11h da manhã, onde eu estou com rímel lá pela altura da bochecha, meio rouca, com os pés doendo, reclamando ou elogiando o DJ, e marcando a outra dessa pra daqui a sei lá, 1 ano.
