segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A luz das Auroras

Desde que eu li esse post da Anna Vitória que eu comecei a matutar na minha cabeça se eu tinha uma palavra preferida. Pensei em várias, mas nenhuma fazia meu coração ter certeza de que aquela era a preferida. Sempre desconfiei que essa história de "preferência" a gente realmente não escolhe, a gente descobre. Resolvi então sossegar e parar de pensar no assunto. Se um dia fosse para eu ter uma palavra preferida, ela apareceria na minha frente e eu saberia que era ela. E foi assim mesmo que aconteceu.

A primeira pontada foi, de novo, no blog da Anna. Ela fez um post de dia das crianças chamado: Aurora da minha vida. Esse também é o nome de uma peça teatral, que por acaso foi encenada na minha escola no fim de 2010, mas infelizmente eu não pude assistir. Quando vi o título do texto da Anna, me emocionei. E não sabia porquê. Li o texto, achei lindo, mas continuei aficionada pelo título, a ponto de deixar o blog aberto só para ficar olhando para o ele. Sim, sou dessas. No fim das contas, eu deixei escorrer uma lágrima por causa do tal do título, e eu não conseguia saber porquê. Desisti de pensar no assunto e "fui seguindo minha vida", até que, se não no mesmo dia, no dia seguinte, abri meu oráculo (lê-se: Florbela Espanca) e li o seguinte:

"Saudades e amarguras
Tenho eu todas as horas.
Quem só noites conheceu,
Não pode cantar Auroras."

Outra pontada. Mas dessa vez eu reli, e percebi qual era a boa. Aurora, gente! Aurora! A palavra que faz meu coração bater toda vez que aparece na minha frente. Aquela que eu leio por vezes seguidas, repito em voz alta e demoro a criar coragem de mudar de página. Depois disso, eu ainda lembrei que a Airen (que tinha um jeito carinhoso de chamar cada um de nós) me chamava de "Aurora das minhas manhãs", e eu sempre ficava encantada quando escutava isso. Aurora, gente! Aurora!

Aurora, segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa:
  1. Claridade que aponta o início da manhã, antes do nascer do sol.
  2. O despontar da vida; Infância
  3. As primeiras manifestações de qualquer coisa.
Pronto. Meu coração me avisou, minha cabeça concordou, a sonoridade me encantou, e o dicionário oficializou! Uma palavra que significa começo, infância, lembra sol, e ainda por cima é nome de princesa, não podia ser menos prestigiada! E o título do post foi escolhido pelo mesmo motivo: Não acredito que tenha outra palavra nessa língua portuguesa com tanta, tanta luz!


Aurora, gente! Aurora!

sábado, 15 de outubro de 2011

Não é um drama Nelsonrodrigueano.

ipod

Já vi gente que saiu concluindo que eu amo Nelson Rodrigues. Não, gente. Não. Quando eu criei esse blog eu tinha 16 anos e nem sabia quem era Nelson Rodrigues, e muito menos que o cidadão tinha um famoso texto de teatro chamado: “A vida como ela é”. Hoje, não só eu sei que esse texto existe, como já o vi encenado. E isso foi só uma das muitas coisas que mudaram de 15 de outubro de 2008, dia em que eu cliquei em CRIAR BLOG, até hoje, dia em que ele completa 3 anos. 36 meses. 156 semanas. 1095 dias. 26280 horas.

Em 3 anos eu conheci muita gente, e infelizmente desconheci algumas. Eu ganhei uma priminha que é a doçura da minha vida, e estou prestes a ganhar outra. Eu passei no vestibular, mudei de cidade, descobri a grande paixão da minha vida, comecei a fazer estágio, ganhei um presente muito especial, descobri que grandes amizades também podem ser construídas pelo computador e que elas podem se transformar em abraços reais.

Nessas 156 semanas, eu fico feliz em concluir, eu comecei a aprender a escrever. Porque quando eu criei esse blog eu achava que sabia, e fico feliz de ter achado, senão hoje eu não estaria aqui comemorando o 3º aniversário. Fato é que eu morro de vergonha dos arquivos, céus, eu escrevia muito mal. Mas no meio desse caminho consegui mandar um texto daqui direto para as páginas da Atrevida. Ah sim, em 3 anos eu também troquei a Atrevida pela TPM. Acharam que eu fosse pela Veja né? Então, menos pessoal. Acho que estou crescendo. Prossigamos.

Nesses 1095 dias e 372 posts eu ri muito, e chorei na mesma proporção. Eu acho que cresci um pouco, mas continuo sem saber se caso ou compro uma bicicleta, e ainda tenho muito medo de tomar decisões complicadas. Em 3 anos eu continuo acreditando que o amor é capaz de mudar o mundo, mesmo sem ter achado o amor da minha vida na esquina. E no final das contas, “se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi deixei tudo registrado aqui pra poder lembrar depois”.

No fim das contas, há 26280 horas, eu tinha 16 anos, achava que estava quase no fim da adolescência, escrevia “vc” ao invés de você, não justificava o texto, tinha um template de fundo laranja, usava letras roxas, e achava que estava abafando. Hoje eu tenho 19 anos, aprendi que a adolescência é uma fase que deixa resquícios em você pra sempre, parei de abreviar as palavras, justifico os meus textos, mudei de template 7 vezes, não acho mais que estou abafando e nem quero isso . Eu sou somente eu. E, já proclamou Paulo Leminski, “Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além”. Tomara.

Feliz aniversário, Minha Vida Como Ela É.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Trocando Olhares

“É só teu o meu livro; guarda-o bem;
Nele floresce o nosso casto amor
Nascido nesse dia em que o destino
Uniu o teu olhar à minha dor!”

Florbela Moutinho

F 008

E foi assinando “Moutinho” que ela começou Trocando Olhares. Quando eu abri esse livro pela primeira vez e li essa dedicatória, eu fechei o livro e engoli seco. Começando assim, o que viria pela frente? Abri, reli, reli, reli, e custei a ter coragem de virar a página. Se o livro tivesse só dedicatória e nada mais, já teria me ganhado ali. Mas não. Veio muita coisa pela frente.

Eu o li no mês passado, logo depois que fiz esse post, mas algo conspirou para que esse texto fosse escrito apenas hoje. Hoje, quando eu acordei, coloquei um casaquinho bege romantiquinho, taquei um cachecol verde por cima da blusa cinza, e conclui que a bolsa que estou usando atualmente na faculdade (que mais parece um arco-íris ambulante) não combinaria nada com o conjunto. Como faria prova e não precisaria de caderno, peguei minha bolsa preta pequena, coloquei carteira, guarda-chuva, óculos de sol, estojo, chave, celular, e faltava o livro. Sherlock Holmes é enorme, não caberia ali. Florbela me encarou da cabeceira da cama, praticamente implorando: “Me leva.” Levei.

No fim das contas, o professor tinha adiado a prova e eu era uma das únicas que não sabia. Ele resolveu dar uma revisão, e eu resolvi tirar Florbela da bolsa e colocar em cima da mesa. Abri na primeira página, e comecei a ler de novo. Enquanto o professor falava de cores primárias e secundárias, eu resolvi pegar a lapiseira e me atrever a grifar minhas estrofes preferidas. O resultado vocês podem avaliar na foto acima: Grifei praticamente o livro todo, enchi de colchetes, coraçõezinhos e pontos de exclamação.

Foi onde eu concluí que não dá, gente. Não dá pra abrir esse livro e não se encantar, se emocionar, querer morder as páginas de tanto amor, e, porque não, compadecimento. Eu queria dar um abraço na Florbela. Um abraço de meia hora, no mínimo, só pra tentar mostrar que ela tinha com quem contar. Porque, gente, tentem mensurar a dor de alguém que escreve isso:

"Coveiros, sombrios, desgrenhados.
Fazei-me depressa a cova,
Quero enterrar minha dor
Quero enterrar-me assim nova.

Coveiros, só o corpo é novo,
Que há poucos anos nasceu;
Fazei-me depressa a cova
Que a minha alma morreu."

E, eu juro, nem me dignei a pensar para decidir que estrofes colocaria aqui, porque senão, certamente não decidiria nunca. Isso não é nem 1/10 do que está registrado nas páginas de Trocando Olhares. E é por isso que Florbela não sai da minha cabeceira desde que eu comprei. Porque não dá pra passar um dia inteiro sem ler pelo menos um pouquinho disso. É triste? É. Mas é amor. Amor. Tão desmedido e verdadeiro, como poucos atualmente. Tiro meu chapéu pra essa moça. Acho que não conseguiria amar tanto.

Flor

Florbela. Always a good idea.

"Mas nem negros nem azuis
São teus olhos, meu amor,
Seriam da cor da mágoa
Se a mágoa tivesse cor!"

Florbela Espanca

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os meus Anos Dourados

Hoje eu estava sentada na escola de teatro e vi uma menina de uns 8 anos descer a escada correndo e saltando. Os cabelos dela voavam. Foi um daqueles momentos em que eu entrei em alfa e quase deixei escorrer uma lágrima. Não por não ter tido infância, mas por ter coisa demais pra lembrar.

É que quando a gente é criança, a gente quer crescer. E parece que não vamos crescer nunca. Aí de repente você dorme, acorda, e pluft! Está crescido. E aí, quando nos damos conta disso, a vontade é se enfiar debaixo de um cobertor e chorar.

Não que “ser crescido” seja ruim, porque não é. Agora eu posso dormir a hora que eu quero e pegar sorvete na geladeira às 2 horas da manhã. Depois é só eu me entender com minhas olheiras e quilinhos a mais, afinal de contas, sou adulta e o que eu faço da minha vida é problema meu, certo? Certo. E isso dá a maior preguiça.

Quando eu penso nas manhãs que passei enrolada no edredom assistindo Scooby Doo, e nas noites sentada comendo macarrão e assistindo Laboratório de Dexter, eu juro que me dá vontade de me enfiar numa máquina do tempo pra recuperar isso. Era aquela época em que sentar para ver um desenho era apenas sentar para ver um desenho, e a única decisão a ser tomada era se o canal seria Nickelodeon ou Cartoon Network. Quando a gente cresce, parece que as decisões ficam cada vez mais complicadas, e cada vez mais elas vão repercutir no seu futuro. Aquela história do: “Caso ou compro uma bicicleta?” vai se tornando tão real que para de ser engraçadinha. Isso porque eu ainda não tenho contas pra pagar.

Tem horas que eu saio de mim, sento na minha frente, e fico me observando. É engraçado. Ser criança era um fato tão consumado, que eu realmente achava que não ia crescer. E então eu me vejo às voltas com estágio, trabalhos de faculdade, cansaço, respiro, e ufa, quando foi que isso tudo passou a fazer parte da minha vida, meu Deus? Não é de todo ruim, mas fala sério, dá uma preguiça…

Eu vou fazer 20 anos. 20. Tenho que roubar o título maravilhoso que a Anna usou no texto dela sobre o dia das crianças e dizer, nostalgicamente, que a Aurora da minha vida já passou. Não que o que vem pela frente não seja bom, porque eu espero que seja, e muito! Mas a inocência, o deslumbramento com a vida, o tomar banho de mangueira no quintal da vovó só de calcinha, isso não volta nunca mais.

O presente que eu desejo a todos nós nesse dia 12 de outubro de 2011, meu 20º dia das crianças, é apenas um: Que saibamos amar e preservar a infância que fica dentro de cada um. E isso não é tão difícil. É só não ter vergonha de dar as gargalhadas mais espontâneas. Não ter medo de dar os abraços mais sinceros. Não se sentir idiota por apreciar as coisas mais simples.

Os Anos dourados se foram, mas pode ter muita prata folheada pela frente! Feliz dia das crianças a todos nós!

S 051

“Se você só pensa em crescer, esquece! A infância é minha ilha!”