sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O dia que durou mais de 24h (parte 3)

Vocês talvez tenham se perguntado ok, provavelmente não, mas vou dizer mesmo assim como foi que eu acertei de cara quem era nosso Marcelinho sendo que ele estava de camisa preta e quem procurávamos, teoricamente, estava de camisa cinza. Acreditei que homens eram daltônicos,  e foi por isso que acertei o menino. Mas o problema da coloração nem estava com ele, coitado. Milena que entendeu errado. Na verdade ele usava uma BERMUDA cinza. Enfim,  importante é que achamos, e enquanto ele fazia o reconhecimento das duas doidas que devia levar para sua própria casa, nós continuávamos nos apoiando uma na outra de tanto que ríamos.

Sorte que, pessoa do bem que é, Marcelinho não só percebeu (thanks God!) que não era da cara dele que tanto ríamos, como achou que nós éramos divertidas e quis entrar na nossa onda. Quem olhasse pra nós 3 depois dos primeiros 10 minutos, certamente acreditava que tínhamos sido os 3 desde sempre, tamanha a desenvoltura da conversa. Andamos todo aquele mundo de espaço até o ônibus, e depois andamos todo o trajeto de ônibus mais uma vez na vibe sardinha enlatada, e tudo isso deve ter durado bem 1 hora. 1 hora essa que aproveitamos para ~colocar em dia o papo que nunca havíamos tido~ com Marcelinho, e acertar os ponteiros em relação ao que pensávamos dele e o que ele realmente era.

Um diálogo interessante foi enquanto estávamos sentados no ponto de ônibus esperando o Santo tio Marcelo nos buscar. O ponto de ônibus fica na frente do finado parque “Terra Encantada”, e tudo o que sobrou dele foi a montanha russa branca, há anos desativada. Montanha russa branca esta, pelo visto, extremamente conhecida dos meus companheiros cariocas, que rapidamente se puseram a falar dela, até que Mimi falou que nunca tinha andado nela porque tinha medo, ao que Marcelinho rebateu que tinha andado várias vezes. Um segundo de silêncio introspectivo dos dois lados (e eu no meio), até que Milena rebate, surpresíssima: “Como assim você andou na Monte Makaya? Quantos anos você tem?”, e ele foi obrigado a alegar novamente os seus 18 anos, frente aos tão maiores 19 de Milena. Tudo isso porque ela ainda tinha na cabeça a ideia de que, por ser o “irmãozinho da Paloma", Marcelinho devia estar, obrigatoriamente, zanzando por volta dos 12. O que me intriga até agora é o que ela tinha na cabeça para pensar que um menino de 12 anos iria sem acompanhamento de maiores ao Rock in Rio e ainda por cima estaria levando suas marmanjas pra casa.

Tio Marcelo chegou mais ou menos ao fim do diálogo, entramos tagarelando e rindo ainda mais, e devia ser bem quase umas 4h da madrugada quando chegamos “em casa”.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Finding Marcelinho

Ao fim de Halo ainda rolou um pequeno espetáculo de fogos de artifício ao som daquela musiquinha do Rock in Rio que eu e Milena amamos cantar (tem até vídeo, vocês tinha que ver, só que não). Mas enquanto isso acontecia, já estávamos de costas para o palco caçando um lugar mais vazio para podermos resolver nosso “fim de show”, que significava conseguir chegar até em casa em tranquilidade. Isso envolvia, em primeiro lugar, encontrar Marcelinho, o irmão da Palo, que também estava no show e que, portanto, seria nosso guia de volta. Encontrem alguém dentro da Cidade do Rock lotada. Encontre alguém que vocês nunca viram na vida dentro da Cidade do Rock lotada. Chalenge Accepted! Go!

E lá fomos nós. O primeiro passo foi o contato telefônico. Milena conversava com ele enquanto eu chorava de rir do lado. Após a ligação, ela encostava em mim e era sua vez de rir. Juro que não entendemos até agora porque diabos estávamos rindo tanto. Ou era a vibe do lugar, ou era resquício da galera que ficou praticamente o show todo fumando uma do nosso lado, ou somos nós que somos retardadas mesmo. Eu sei que olhávamos uma pra cara da outra e ríamos como se a situação toda fosse realmente muito engraçada.

Sei que no primeiro telefonema, Marcelinho disse que estava nos esperando na frente do stand da Coca-Cola. Chegamos até lá e, aparentemente, 192839183 pessoas marcaram encontro no mesmo lugar que nós, e quando Milena ligou pra ele novamente pedindo pra que levantasse a mão eu só consegui sentar no chão e rir de novo, porque tinha, no mínimo, umas 30 pessoas de mãos levantadas, e umas 15 fazendo telefonemas mandando seus procurados levantarem as mãos. Ela então resolveu pedir para Marcelinho descrever sua roupa, e entendeu “Camisa cinza e tênis branco”. Ela pergunta isso, confirma, desliga o telefone e de repente surge um sujeito na nossa frente, de camisa cinza, tênis branco, e um bigodinho muito do esquisito. Claro que sua ideia foi segurar no braço do moço e dizer: “MARCELINHO”! Enquanto eu me contorcia de rir e dizia que era impossível aquele ser o Marcelinho, porque ele continuava no telefone e nós já tínhamos desligado. Não contente com meus argumentos e com a negativa do moço em ser o nosso procurado, Milena insistiu que era ele e já estava quase mandando o moço sentar para analisar seus transtornos de personalidade, de tanto ele insistir em negar ser quem procurávamos. Quando o cara resolveu sair de perto da gente, eu consegui convencer Milena de que não era ele e após mais uma ligação descobrimos que havia outro stand da Coca-Cola e é claro que estávamos no errado.

PAUSA: Que fique registrado para os organizadores do Rock in Rio: UM stand de cada empresa, por favor. Isso facilitaria os pontos de encontro. DESPAUSA.

Andamos até o outro stand correto, que ficava no olho da Rock Street, enquanto Milena confabulava: “Como assim o Marcelinho está na Rock Street? Ele não estava vendo o show, então? Vou ligar pra Paloma e falar que não sabemos o que o irmão dela passou o dia fazendo, mas definitivamente não era o show e...” como se em todo esse tempo que passamos aprontando no stand errado o menino não tivesse conseguido andar até a Rock Street. E, claro, como se fosse de nossa conta ele não ter estado afim de assistir Beyoncé.

Devaneios a parte, chegamos ao stand novo e pescoçamos em busca de alguém de camisa cinza que, em nossas expectativas, estaria com uma garrafa de cerveja na mão reclamando com os amigos que sua irmã só arrumava encrenca mandando ele encontrar suas amigas perdidas e piradas. Obviamente não foi nessa situação que encontramos Marcelinho, que estava sentado no chão, encostado na parede do stand feito um baby, com a maior cara de desolado do universo e o braço levantado desde a hora que Milena pediu que ele levantasse, a alguns parágrafos atrás. O único porém era: Aquele menininho com cara de baby encostado na parede estava de camisa preta. E Milena negou até o fim dos tempos que aquele pudesse ser nosso Marcelinho, enquanto eu media o menino de cima em baixo e tinha certeza absoluta de que era ele quem estávamos procurando. É claro que era ele, e é claro que ficamos rodando em volta feito duas baratas tontas sem coragem de perguntar alguma coisa. Sorte que ele tem atitude, levantou e falou: “Vocês são as amigas da Paloma, né? Prazer.” It was him all the time, and I knew it.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Aventuras na Cidade do Rock (parte 2)

Descobri apenas na prática que as coisas no Rock in Rio são assim: De supetão. Não gosto dessa palavra, aliás, mas foi a única que me veio na cabeça pra definir que eles não avisam nem anunciam nada. Eu sei, vivo em outro mundo, mas realmente achava que, sei lá, 2 minutinhos antes do show escutaríamos uma chamada, no estilo: “Ivete Sangalo no Palco Mundo em 2 minutos”, mas não, isso não acontece. O que acontece é que você fica ali, deitada bem de boa olhando as estrelas e de repente escuta a batida do início do show, o que acaba sendo engraçado, porque você pula do chão e recolhe seu acampamento já cantando a primeira música e vendo a multidão se aproximar voando.

Assim foi o show da Ivete. Nunca tinha ido a um. Pulei horrores e descobri que, no fim das contas, Milena, que bradava odiar Ivete e achar inaceitável axé no Rock in Rio, sabia mais músicas que eu. Até o “grito de guerra” dos fãs pedindo mais Ivetinha a danada da menina sabia. E eu ali, boiando. Ou melhor: boiando, boiando, bobobororoboiando. (Os fortes entenderam).

Quando Ivete acabou, deitamos novamente e tantas histórias foram contadas ali naquela canga que um dos fotógrafos do evento não resistiu a registrar nossa vibe. Gente, cangas. Estrelas. Caras de cansaço misturadas com felicidade. Aposto que a foto saiu linda, quem sabe um dia eu descubra em que site eles postavam todas. Enfim, após esse intervalo, levamos outro susto com a batida que iniciava o show do Guetta, nos divertimos mais um tanto e gritamos com toda a garganta que tínhamos ao som de Titanium. Difícil conter a emoção com uma cidade do Rock inteirinha gritando: Pode mandar o fogo, nós somos a prova de balas. Só de escrever eu arrepio inteirinha.

Depois de Guetta, mais canga+conversas+estrelas e de repente a batida que iniciou o show da Beyoncé. Esse foi o susto mais divertido, porque eu juro que achava que a atração principal atrasava horrores, e que ficaríamos bem umas 2h deitadas ali no chão, e de repente BUM, e levantamos num pulo enfiando cangas dentro da bolsa. E a diva já entrou no palco pegando pesado, iniciando o show ao som de “Who run the World”, que é praticamente a música tema da Máfia. Gritamos HORRORES.

Infelizmente, depois dessa entrada triunfal, tenho que dizer que dei uma miada. Porque queria pular e cantar, e Beyoncé trocou 8 vezes de roupa, colocando filminhos enquanto fazia isso. Fora que ela mudou o ritmo de “If I were a boy”, e eu não conseguia cantar mesmo tentando muito. Sei que entre um intervalo pra troca de roupas e outro, eu e Milena já estávamos cantando Diamonds e chorando de saudades da Rihanna. Até que a dona moça voltou pro palco e cantou Whitney Houston e aquele dia de show inteiro valeu a pena só pelo fato de termos vivido a sensação de estar no meio de um mundo de pessoas cantando “I will always love you”. E então, como se a emoção já não fosse o suficiente, ela emendou com Halo e, gente, que fim de noite!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aventuras na Cidade do Rock (parte 1)

Saímos “de casa” por volta das 15h, acredito eu. Tio Marcelo nos deixou no ponto do ônibus “Cidade do Rock”, e logo entramos em um. Andamos todo o trajeto na maior vibe Sardinha Enlatada, é claro. E tinha trânsito, é claro. A maior parte desse trânsito, logicamente, composta apenas por ônibus da Cidade do Rock, que ficavam apostando corrida. Após muito conversar (e ouvir muita conversa alheia), chegamos ao ponto final e andamos um enorme tanto até chegarmos à bilheteria, onde a Mi finalmente resgatou seu ingresso, e então, mais um enorme tanto até a entrada. Depois da entrada, ainda se anda um tanto até chegar ao local em si, mas essas andadas todas nem cansam muito, porque na ida, é claro, toda a empolgação ajuda. Parei incontáveis vezes no meio do caminho para tirar fotos da Roda Gigante, da Roda Gigante 1cm mais perto, da Roda Gigante 10cm mais perto, das pessoas andando, da gente sorrindo, da gente sorrindo em preto e branco, e coisas do tipo.

Chegamos. Chegamos e olhamos em volta. Milena com aquele olhar de gente que mata as saudades e eu com aquele olhar de “prazer em conhecer”. Mal respiramos lá dentro e já resolvemos encarar a fila da Roda Gigante. Nas 2h30 que passamos na fila o sol se pôs, conversamos com a mulher que estava em nossa frente na fila, descobrimos que, aparentemente, roda gigante é um desporto, descobrimos que se tudo der errado e o brinquedo despencar a culpa é nossa e não do Rock in Rio, passamos raiva com adolescentes que furaram a fila, arrasamos no gogó cantando Elis e, quando faltavam umas 4 voltas da roda para finalmente entrarmos no brinquedo, saímos correndo da fila ao som de “Exagerado”, porque o tributo ao Cazuza havia começado e estávamos ali por este motivo.

Corremos o trajeto Roda Gigante-Palco Mundo como se não houvesse amanhã, enquanto cantávamos Cazuzinha a todo pulmão e ouvíamos o som ficar cada vez mais alto. Fomos nos enfiando lindamente no meio da multidão e conseguimos chegar no meio da pista. E foi bem ali que curtimos o show. Gritando no meio da galera, com gente empurrando toda hora, tentando pular na ponta dos pés para enxergar alguma coisa, mas com muito amor e catarse no coração. Foi ali que ouvi Ney Matogrosso cantando Codinome Beija Flor, foi ali que vi fogos de artifício ao fim de Para o dia nascer feliz, e foi ali também que vi Bebel Gilberto bem louca, mas cantando ao vivo minha tão amada Preciso dizer que te amo. Foi ali. E foi muito bom, mas um show no meio da muvuca era demais pra nós, e por isso, ao fim dos fogos, tratamos de caçar um lugar mais tranquilo para organizar nossa vida.

Olhamos para o Bob’s, que olhou pra nossa fome, e resolvemos abrir o piquenique. Cangas no chão e lanches em mão, sentamos, comemos, e a fome era tanta que até hoje lembro do gosto maravilhoso daquele hambúrguer, que nem deve ser de fato bom. Terminamos de lanchar e arriscamos tentar encarar a fila da tirolesa que... era de 5h. Com muita mágoa no coração, tornamos a deitar e ali ficamos, falando bobagens e cantando Elis Regina até a hora que Ivete subiu no susto no palco enquanto ainda pensávamos que o segundo show seria o do David Guetta.