sábado, 8 de outubro de 2011

Uma pergunta.

Não sei se você sabe, mas meu peito infla de tanta alegria cada vez que você vem correndo até mim, com sorriso maroto, e pula no meu pescoço para me dar um abraço. Nessa fração de segundo entre a sua carinha de quem vai vir correndo e o momento em que você chega, eu consigo pensar milhões de coisas. Penso no quanto você é linda, especial, e no tanto que eu te amo!

Hoje quando fomos buscar você pra dormir aqui em casa você já estava com pijama da Minnie, mas tinha muito laquê no cabelo. Foi daminha de honra! Tão chique! Você me olhou e deu um sorrisinho leve por trás da chupeta. Estava com os olhinhos caídos de sono. Veio para o meu colo segurando um brigadeiro como se ele fosse a coisa mais importante do mundo. E naquele momento, aquele brigadeiro deveria sim ser a coisa mais importante do mundo pra você. E eu te entendo, afinal de contas, brigadeiros são brigadeiros! Eu entrei no carro com você no colo e você se aninhou em mim. Vi que estava com muito sono pra comer aquele brigadeiro naquela hora, e falei que era melhor você comer quando chegasse em casa. Você fez que sim com a cabeça e me entregou o brigadeiro. Falei contigo que ia pedir para a Helena segurar, e você apertou ele na sua mão, fazendo biquinho de choro. Eu olhei pra você sorrindo e falei: Eu prometo que a Helena não vai comer o seu brigadeiro. Você sorriu de volta e me entregou.

Isso pareceu tão simples e banal, mas pra mim foi incrível. Você mostrou com olhinhos e um sorrisinho que confiava em mim. Entregou o seu brigadeiro pra Helena só porque eu te prometi que ela não ia comer. Você sabe, mesmo com apenas 2 aninhos, que o que eu te prometo, eu cumpro. E eu fiquei pensando, durante o caminho até em casa, enquanto você ia se entregando ao sono devagar, no quanto eu quero que você tenha certeza de que o que eu te prometer eu vou cumprir. Tem coisas que são bem mais difíceis do que impedir a Helena de comer um brigadeiro, mas mesmo que seja quase impossível, eu vou fazer de tudo pra cumprir, meu amorzinho. Quero que você, aos 15 anos, olhe pra mim com essa mesma cumplicidade. Essa mesma certeza de que eu sempre estarei ali para você. Porque eu prometo. Eu sempre estarei.

Agora já são quase 2h da manhã, e você dorme no meu quarto enquanto eu fico na sala filosofando. Eu olhei pra foto que tirei de você e só consigo pensar em uma pergunta.

A 002

Como pode caber tanto amor numa coisinha tão pequena?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Assumindo meu alter-ego.

Tudo começou quando surgiu uma corrente no facebook onde todos deveriam colocar imagens de personagens de desenhos animados no lugar de suas fotos em seus avatares. De primeiro não quis entrar na dança, mas de repente estavam pipocando várias miniaturas de personagem, e quando dei por mim estava conversando com a Docinho, a Sam e o Dexter, e já estava morrendo de vontade de ser um desenho também.

Pra falar a verdade, eu nem pensei no assunto. Decidi que iria colocar um desenho no avatar, corri no google, joguei o nome da Dee Dee, e voi lá, estava eu no facebook com as maria-chiquinhas loiras e o olhão azul arregalado.

  deedee

Oi.

E lá fiquei eu, feliz e saltitante exibindo a minha Dee Dee por aí. Até que dei de cara com alguém que tinha lembrado dela. Ela. A Alice. E então eu quase me afoguei em um copinho de coca-cola de tanta culpa pelo meu descuido. Como assim, gente, eu coloquei a Dee Dee e deixei a Alice a ver navios? Minha Alice! Me veio aquele sentimento de culpa, eu olhava pra Dee Dee, olhava pra Alice, olhava pra Dee Dee, olhava pra Alice. Dee Dee sorria pra mim com uma cara de: Não me troque. Alice olhava pra mim com aquele olhar doce, exibindo seu arquinho preto com lacinho no cabelo, e por fim eu conclui: Fica a Dee Dee. E eu explico.

Sabem Freud e sua teoria do ato-falho? Ele diz mais ou menos que você erra de propósito, de acordo com o que você realmente é/quer. E então eu tive que engolir seco para os olhinhos de Alice e assumir: Eu estou muito mais para Dee Dee.

Alice é uma criatura doce. Ela gosta de acariciar o pelo de sua gatinha, cantar para as flores, seguir coelhos brancos e entrar numa toca só dela. Ela tem uma voz encantadora, de quem carrega uma maturidade escondida nos olhinhos tenros. Alice é pura leveza. Ela procura o caminho de casa, encontra um monte de malucos no meio, e fica puta quando o coelho cisma em chamá-la de Ana Maria.

Tá, eu até tenho bastante de Alice. Uso lacinhos no cabelo de vez em quando, converso com meus botões, acredito que tenha uma maturidade escondida nos olhos que brilham e entregam pra quem quiser perceber que sou uma boba alegre que acredita no mundo. Cantarolo o dia inteiro, e fico puta quando escrevem meu Luísa com Z. Assim como Alice, eu também sento e abro a boca pra chorar quando não vejo nenhuma solução mais fácil. Mas Alice é sinônimo de leveza. Alice flutua por aí, dança nos seus próprios sonhos e se enrosca com as flores sem tirar umazinha do lugar, e discute com seres de outro mundo sem ao menos levantar o tom de voz. É aí que eu assumo que eu só podia ser a Dee Dee.

Dee Dee é estabanada que só ela. Ou melhor: Que só EU. Ela derruba metade das coisas que vê pelo caminho, já quebrou um milhão de vasos de plantas e vive explodindo o laboratório do pobre do Dexter. Eu nunca tive um laboratório pra explodir, mas teve um natal que eu quebrei 4 tulipas do meu avô. Em 2 dias.

Dee Dee não anda, ela corre. Ela saltita. Mas não é um saltitar flutuante como o de Alice. Ela saltita estrondosamente, enquanto cantarola BERRANDO com sua voz de taquara rachada, se bate nas portas e paredes, e faz muito barulho. Detalhe: Ela com certeza acha que faz isso de forma tranquila e doce, como a Alice. Porque ela deve acreditar que é uma criatura doce e meiga. (Viram, não percam as esperanças, a essência é boa!). Ela é inocentemente e deliciosamente inconveniente às vezes. Essa sou eu.

Eu tento flutuar como Alice, mas estou mais pra Dee Dee. Porque eu tropeço nas coisas, dou de cara com paredes, tento rodopiar e acabo caindo no chão. Canto o dia inteiro na orelha das pessoas, e isso é porque sou cara-de-pau mesmo, porque nem lá no fundinho do meu sub-consciente inocente eu consigo acreditar que tenho voz de Alice. Sou taquara rachada tal e qual Dee Dee.  Além disso, enquanto Alice conversa sentadinha, sem quase se mexer, e serve seu chá delicadamente pegando a alça da xícara com 2 dedinhos, Dee Dee gesticula loucamente, dando um tapa na cara da pessoa ou derrubando algo que está na frente. Incontáveis vezes, gente. Não digo que dou na cara das pessoas, mas que já devo ter metido a mão no ombro delas um milhão de algumas vezes, ah isto é fato. Uma vez derrubei o óculos do meu padrinho, judiação. Isso sem falar no dia que derrubei a caixinha com sachês de açúcar da mesa da cantina no Cena Hum.

E ah, o mais importante, claro. A porcaria do tom de voz. Eu falo alto pra caramba. Do ponto que em dia de peça eu preciso ficar longe da cantina, porque ela fica do lado do teatro e tem que se conversar em silêncio, e eu juro que começo em silêncio, mas aí eu me empolgo, e vai subindo, subindo, subindo, até que de repente já escuto algum: “Fala baixo, Aninha!”. Claro, já falam até rindo, e eu fico roxa de vergonha. Até que começo a sussurrar de novo, e de repente estou gritando, e isso vira um looping eterno, até que eu desisto e chamo a pessoa pra conversar bem longe de um lugar onde eu não possa fazer barulho.

Conclusão: Quem nasce pra Dee Dee não vira Alice, gente. Mas eu juro que tento! Quem sabe um dia eu chego lá!

EXPECTATIONS

alice2

REALITY

deeee

Ah, vai, ela é fofinha também!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Porque tem coisas que mudam. E coisas que não.

Era 3 de outubro de 2007 quando aquele telefone tocou e eu vi a minha mãe chorar quando atendeu. Eu me atirei na cama e chorei alto. Chorei gritando, chorei de soluçar, chorei de desespero. Eu ainda não sabia como ia ser isso, porque nunca tinha perdido ninguém. Só sabia que nunca mais ia te ver. E que isso ia doer pra caramba.

Você já não era minha “rotina” desde que eu me mudei de Vitória aos 7 anos. Sempre que íamos embora da sua casa nas férias você chorava pra caramba. Me olhava com olhinhos que diziam que meus pais não podiam ter feito a crueldade de me levar para longe dos seus braços. Pois alguns anos depois foi pra longe dos meus braços que você foi arrancada. Sem pedir permissão, e nem te trazendo pra me visitar nas férias.

Eu sei que todo mundo tem sua hora. E sei que a sua chegou. E que você foi embora assim, de uma hora pra outra, como quem pisca. Sem sofrer, sem ficar doente, sem ficar presa a uma cama.. Com certeza você se foi do jeito que queria, porque não consigo te imaginar presa numa cama. Mas podiam ter te segurado aqui mais tempo, embora eu sabia que independente disso, seria pouco. É sempre pouco, vó.

Nesses 4 anos o mundo não parou de girar e a minha vida não parou de acontecer. A diferença agora é que você sabe de tudo o que acontece, sem eu precisar fugir da minha cama pra sentar aos pés da sua, de madrugada, e te contar um monte de coisas. Mudou que eu não consigo mais entrar na sua casa sem sentir um aperto no peito e uma vontade de sair correndo até aquele quarto e te ver sentada na cadeira vermelha. Mudou que não tem  mais você de avental lá na cozinha, me servindo bacias e bacias da melhor batata frita do mundo. Mudou que ninguém mais nunca me abraçou segurando no meu rosto e me chamando de “modesa”, aquele seu jeitinho único de falar que eu era a sua Deusa. Mudou também que ninguém nunca mais, de repente, no meio de uma conversa, me deu um tapa na cara que realmente doeu, só pra dizer: “Sua porcaria, você é a cara do seu pai!”.

Papai sempre foi o seu neném. Eu fui a neta com a qual você sonhou desde que suas filhas não chegaram a nascer. Fui o seu presente de aniversário, fui a xérox feminina do teu filho, e minha irmã diga o que quiser: Mesmo ela sendo muito mais parecida psicologicamente com você do que eu, eu sempre fui a sua pedra preciosa. É claro que você amava as duas igual, mas eu sei que sempre fui o seu xodó.

Vó, mudou também o fato de que sua neta tímida que se escondia na barra da sua saia agora sobe num palco e sai por aí dizendo que é atriz. Engraçado né? Você vivia me chamando de “bichinho-do-mato”. Em vida, você nunca viu uma peça minha, vó. Mas eu consigo te ver sentada na primeira fila. Você ia sorrir e dizer: “Sua porcaria, você era a melhor de todas.”

Mudou muita coisa, vó. Mas muita coisa não mudou.

Não mudou que eu continuo chorando quando penso demais em você. Não mudou que eu choro horrores no dia do nosso aniversário sem poder ouvir você cantar parabéns pra mim no telefone. Não mudou que eu sento na janela e canto parabéns pra primeira estrela que eu vejo à meia noite. Não mudou que eu continuo sendo a cara do meu pai e não mudou o fato de que nunca alguém vai fazer uma batata frita como a sua.

Espero que não tenha mudado o orgulho que você sentia de mim. Eu ainda quero ser tua Deusa, tua pedra preciosa, tua porcaria. O dia que eu deitar no teu colo de novo, você pode dar um tapa na minha cara de novo. Eu prometo que vou reclamar com o mesmo sorriso que fiz daquela outra vez. Porque doeu, mas porque eu sabia que era carinhoso.

Saudades de você, minha linda. Quer saber de outra coisa que não mudou? A última coisa que eu falei pra você viva foi: Eu te amo, viu, vó?

Isso nunca vai mudar.
Eu continuo te amando.
Viu, vó?

sábado, 1 de outubro de 2011

Apenas uma prece silenciosa

Pra mim, pra você, pra todos nós. Especialmente para algumas pessoas muito queridas. Faço essa “prece” parafraseando Caio F., mas é que depois desse último mês, eu precisei abusar da minha licença poética para trocar os meses da frase dele, fazendo com que ela caiba com o que eu queria deixar registrado aqui. 1º de outubro, gente. Setembro acabou. E começos, sejam eles de dias, semanas, meses ou anos, sempre nos fazem repensar e dão aquela revigorada na energia. Pois bem:

outubro

Amém.