Tudo começou quando surgiu uma corrente no facebook onde todos deveriam colocar imagens de personagens de desenhos animados no lugar de suas fotos em seus avatares. De primeiro não quis entrar na dança, mas de repente estavam pipocando várias miniaturas de personagem, e quando dei por mim estava conversando com a Docinho, a Sam e o Dexter, e já estava morrendo de vontade de ser um desenho também.
Pra falar a verdade, eu nem pensei no assunto. Decidi que iria colocar um desenho no avatar, corri no google, joguei o nome da Dee Dee, e voi lá, estava eu no facebook com as maria-chiquinhas loiras e o olhão azul arregalado.

Oi.
E lá fiquei eu, feliz e saltitante exibindo a minha Dee Dee por aí. Até que dei de cara com alguém que tinha lembrado dela. Ela. A Alice. E então eu quase me afoguei em um copinho de coca-cola de tanta culpa pelo meu descuido. Como assim, gente, eu coloquei a Dee Dee e deixei a Alice a ver navios? Minha Alice! Me veio aquele sentimento de culpa, eu olhava pra Dee Dee, olhava pra Alice, olhava pra Dee Dee, olhava pra Alice. Dee Dee sorria pra mim com uma cara de: Não me troque. Alice olhava pra mim com aquele olhar doce, exibindo seu arquinho preto com lacinho no cabelo, e por fim eu conclui: Fica a Dee Dee. E eu explico.
Sabem Freud e sua teoria do ato-falho? Ele diz mais ou menos que você erra de propósito, de acordo com o que você realmente é/quer. E então eu tive que engolir seco para os olhinhos de Alice e assumir: Eu estou muito mais para Dee Dee.
Alice é uma criatura doce. Ela gosta de acariciar o pelo de sua gatinha, cantar para as flores, seguir coelhos brancos e entrar numa toca só dela. Ela tem uma voz encantadora, de quem carrega uma maturidade escondida nos olhinhos tenros. Alice é pura leveza. Ela procura o caminho de casa, encontra um monte de malucos no meio, e fica puta quando o coelho cisma em chamá-la de Ana Maria.
Tá, eu até tenho bastante de Alice. Uso lacinhos no cabelo de vez em quando, converso com meus botões, acredito que tenha uma maturidade escondida nos olhos que brilham e entregam pra quem quiser perceber que sou uma boba alegre que acredita no mundo. Cantarolo o dia inteiro, e fico puta quando escrevem meu Luísa com Z. Assim como Alice, eu também sento e abro a boca pra chorar quando não vejo nenhuma solução mais fácil. Mas Alice é sinônimo de leveza. Alice flutua por aí, dança nos seus próprios sonhos e se enrosca com as flores sem tirar umazinha do lugar, e discute com seres de outro mundo sem ao menos levantar o tom de voz. É aí que eu assumo que eu só podia ser a Dee Dee.
Dee Dee é estabanada que só ela. Ou melhor: Que só EU. Ela derruba metade das coisas que vê pelo caminho, já quebrou um milhão de vasos de plantas e vive explodindo o laboratório do pobre do Dexter. Eu nunca tive um laboratório pra explodir, mas teve um natal que eu quebrei 4 tulipas do meu avô. Em 2 dias.
Dee Dee não anda, ela corre. Ela saltita. Mas não é um saltitar flutuante como o de Alice. Ela saltita estrondosamente, enquanto cantarola BERRANDO com sua voz de taquara rachada, se bate nas portas e paredes, e faz muito barulho. Detalhe: Ela com certeza acha que faz isso de forma tranquila e doce, como a Alice. Porque ela deve acreditar que é uma criatura doce e meiga. (Viram, não percam as esperanças, a essência é boa!). Ela é inocentemente e deliciosamente inconveniente às vezes. Essa sou eu.
Eu tento flutuar como Alice, mas estou mais pra Dee Dee. Porque eu tropeço nas coisas, dou de cara com paredes, tento rodopiar e acabo caindo no chão. Canto o dia inteiro na orelha das pessoas, e isso é porque sou cara-de-pau mesmo, porque nem lá no fundinho do meu sub-consciente inocente eu consigo acreditar que tenho voz de Alice. Sou taquara rachada tal e qual Dee Dee. Além disso, enquanto Alice conversa sentadinha, sem quase se mexer, e serve seu chá delicadamente pegando a alça da xícara com 2 dedinhos, Dee Dee gesticula loucamente, dando um tapa na cara da pessoa ou derrubando algo que está na frente. Incontáveis vezes, gente. Não digo que dou na cara das pessoas, mas que já devo ter metido a mão no ombro delas um milhão de algumas vezes, ah isto é fato. Uma vez derrubei o óculos do meu padrinho, judiação. Isso sem falar no dia que derrubei a caixinha com sachês de açúcar da mesa da cantina no Cena Hum.
E ah, o mais importante, claro. A porcaria do tom de voz. Eu falo alto pra caramba. Do ponto que em dia de peça eu preciso ficar longe da cantina, porque ela fica do lado do teatro e tem que se conversar em silêncio, e eu juro que começo em silêncio, mas aí eu me empolgo, e vai subindo, subindo, subindo, até que de repente já escuto algum: “Fala baixo, Aninha!”. Claro, já falam até rindo, e eu fico roxa de vergonha. Até que começo a sussurrar de novo, e de repente estou gritando, e isso vira um looping eterno, até que eu desisto e chamo a pessoa pra conversar bem longe de um lugar onde eu não possa fazer barulho.
Conclusão: Quem nasce pra Dee Dee não vira Alice, gente. Mas eu juro que tento! Quem sabe um dia eu chego lá!
EXPECTATIONS

REALITY

Ah, vai, ela é fofinha também!