terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Procurando o SAC do roteirista

Ou: Porque eu tenho certeza que sou uma personagem de um filme de comédia romântica

Outro dia estávamos eu e minha fiel parceira para teorias desnecessárias confabulando sobre nossas histórias de vida. Não temos material o suficiente para sairmos lançando biografias aos 20, é claro. Mas já temos uma quantidade interessantíssima de dados que nos permite concluir que certamente estamos envolvidas em algum roteiro (esperamos que clichê) de comédia romântica. Lembrem das que vocês já assistiram na vida. Com certeza algum dos elementos estará incluído:

A personagem é desastrada/atrapalhada ao extremo. Vive atrasada ou lutando contra os deadlines. Geralmente ela é jornalista, design, ou alguma outra coisa envolvida com o âmbito de comunicação e artes. Ela leu demais sobre contos de fadas e vive sonhando com um final feliz. Ela tem um melhor amigo gay. Ela ama se aprontar para a balada em cima de um salto 15, e depois de meia hora de festa já está chorando o fato de ter insistido no erro ao invés de assumir de vez que rasteirinhas e sapatilhas são amor purinho. Ela morre pela boca, porque vive não se contendo e falando umas besteiras. Ela insira aqui mais algum elemento que eu tenha deixado passar.

Gente, prestaram atenção no parágrafo anterior? É basicamente a descrição da minha vida. Suponhamos que o ~céu~ seja um elenco de alminhas esperando para reencarnar em roteirinhos pré estabelecidos. Eu devo ter ficado 2 horas de joelho tesando a paciência de um roteirista de comédias românticas, com toda a certeza desse mundo. Ele, então, pensou: Você quer tanto? Então vai, nega. Eis que aqui estou. Lutando bravamente para sobreviver com todas essas características erradas enquanto ele tira umas boas com a minha cara e eu fico pedindo a ele, novamente de joelhos, que não demore muito para o desfecho da história me entregar uma cena assim:


E que não seja no final, porque vamos combinar, ser mocinho de 99% das histórias de ficção desse mundo é uma sacanagem absoluta: Ficar se dando mal o roteiro inteiro para ficar feliz por 10 minutos e levar um THE END na cara deveria ser proibido.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ricardo,

você já tem 10 meses! 
Você já tem 5 dentes, você já ama a galinha pintadinha, você já sabe sentar, você já sabe rolar, você já sabe se arrastar, você quase sabe engatinhar. 
O que você ainda não sabe: Como a minha vida é bem melhor desde que você chegou.
Ontem eu vinha andando à pé do trabalho e pensando que como era bom esse meu novo horário de trabalho, porque agora eu chego mais cedo em casa, a tempo de te pegar acordado, veja só! 
E eu andei todo aquele caminho de mais ou menos 20 minutos pensando em você. Pensando que eu ia chegar e não ia nem passar em casa: ia direto te dar uns beijos. E aí eu apressava o passo.
Eu amo te dar uns beijos. Isso você já sabe. E é por isso que mal fica no meu colo e já começa a reclamar: "Tirem essa maluca de perto de mim, ela me amassa demais". Justo, meu amor, que você reclame. Mas se olhe no espelho para ver se me entende um pouquinho. Você é gostoso demais, é praticamente impossível não querer te amassar e te encher de beijos. E isso tudo enche um pouco o saco, mas (infelizmente) você ainda vai descobrir que tem coisas muito mais chatas que avalanche de amor, tá bom?
Ah, você ainda não sabe o quanto ser adulto cansa. Tentar ser adulto cansa mais ainda. A vida cansa um pouco também, mas nunca deixe ela te cansar muito. Se a gente aprende a renovar ela, ela renova a gente também. É sempre uma via de mão dupla, tá bom? Ah, chegar em casa e poder dar uns beijos em você renova muito a minha vida. 
Agora vou te falar uma coisa que eu tenho certeza que você já sabe muito bem, apesar de ter (só) 10 meses:
Eu te amo.
Da sua dinda.



Inspirado nesse blog aqui, que é tão lindo e recheado de amor que me deixou com vontade escrever cartas também. 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Não é recalque

Aliás, tocando nesse assunto do recalque, preciso deixar registrado que fico deveras incomodada em lembrar do fato de que desde que essa palavra virou moda ninguém nunca mais pode desgostar de outrém. Virou uma lei. É tipo assim: “Ai, não gosto dessa cantora, acho desafinada” e aparece alguém pra gritar “RECALQUE!” ou então “Nossa, que atriz horrível” e logo então “RECALQUE!”. Acho tudo isso um saco e acho que a patrulha do recalque devia sossegar um pouco a chatice e entender que temos o direito de não gostar das pessoas deliberadamente, e não apenas porque não tivemos a sorte (??) de sê-las e ocupar seus lugares.

Dada a introdução, eu me cubro com um escudo que me livrará das pedradas quando eu declarar o que vim declarar hoje: Eu tenho preguiça da Marina Ruy Barbosa.

marina

Oi?

Agora vou imitar o início do post da Anna Vitória sobre a Jennifer Lawrence: Eu não odeio a Marina Ruy Barbosa. Na verdade eu nem desgosto da Marina Ruy Barbosa. Na verdade, eu até acho a Marina Ruy Barbosa uma atriz bem competente. Mas eu não faço a menor ideia de porquê metade dos holofotes brasileiros aponta para essa criatura e a ama com tanto fervor.

Ok, gente, ela tem um cabelo maravilhoso, tem um rosto bonito também, traballha bem, e… e só. Pronto. Milhares de outros trabalham muito bem, são bem bonitas, muito mais legais e nunca tiveram holofotes (Nathália Dill, sua musa: Te amo e nunca entendi porque você não é tão citada e homenageada). Por que Marina Ruy Barbosa? E é exatamente esse o motivo da minha preguiça: Eu não consigo entender.

Tudo bem que ela tem carinha de meiga e fofa, mas pelo pouco que vi dela como Marina mesmo na televisão, não tem nem carisma pra segurar essa adoração toda. E ando achando até que os diretores das novelas concordam comigo. Observem: Ela é boa atriz, é amada pela galera, vai dar ibope e… vai funcionar perfeitamente no papel da personagem mais chata da novela. Porque sério, ou eu apaguei da minha cabeça os papéis de pessoas aceitáveis que essa menina já fez, ou ela sempre pega o papel da chata. Ou ela é mimada e coloca dreads no cabelo só pra irritar a mãe, ou ela é a estagiária prodígio que trabalha na empresa do papai mas é ótima o suficiente para se destacar pelas próprias pernas criando e gerenciando o projeto de um documentário praticamente sozinha, ou ela é a Nicole (precisa de explicação para não ter paciência nenhuma com a Nicole?).

Fica registrada aqui, aliás, minha torcida para que Marina pegue um personagem que não me faça revirar os olhos de tédio quando ela aparecer na tela. Assim talvez, quem sabe, um dia eu venha a entender o porquê de tanto amor. Até porque, adoro amar e idolatrar junto com a galera: A vida no twitter fica muito mais divertida quando a gente ama ou odeia alguém em grupo. Não curto nem um pouco ter preguiça de Marina: sempre fico sem cúmplices.

Esse post é uma invenção mafiosa da Anna, que postou sobre a Jennifer e desafiou cada uma de nós a postar algo sobre “uma celebridade que todo mundo curte… menos você”.

domingo, 12 de janeiro de 2014

O que completa e o que transborda

O ser humano é um mistério. Quando tratamos de questões mais biológicas e práticas, como, sei lá, moléculas, hormônios e órgãos, a coisa já sai do controle. Ao se falar de sentimentos então, é um completo desvario.

Estava pensando nisso dia desses quando lembrava da frase de John Green (sempre ele), dessa vez dita em O teorema Katherine, que diz que É possível amar muito alguém, mas o tamanho do seu amor por uma pessoa nunca vai ser páreo para o tamanho da saudade que você vai sentir dela.

Reza por aí a lenda de que o próprio John Green não concorda com a frase, e pode ser que para muita gente ela não faça sentido. Mas no meu caso ela é latente, e no de muitas pessoas também. Como ele mesmo já disse em A Culpa é das estrelas, o problema da dor é que ela precisa ser sentida. E, céus, como ela é sentida.

Não sei se é uma tendência do ser humano dar mais importância à própria dor do que à própria alegria, mas a minha sensação é a de que os sentimentos bons nos completam. Os doloridos nos transbordam. Não porque queremos que seja assim, mas é porque rola aquela questão de que alegria nunca vai ser demais, então por mais que seja enorme, não é excesso e não transborda. Já a dor, essa é sempre um excesso. Não queremos sentí-la, queremos nos livrar dela, e cada pontinho já é um excesso, já é transbordante. Nos dói mais ainda o fato de saber que precisamos sentí-la, e então a consciência da dor causa uma dor ainda maior.

E é por isso que eu concordo absolutamente com essa frase. O amor é a parte boa de um conjunto de sentimentos que pode doer bastante. E o amor, ele é grande. Mas ele nunca vai ser maior do que a saudade, do que a dor que a falta da pessoa nos causa. O coração, realmente, tem razões que a própria razão desconhece.