quinta-feira, 9 de maio de 2013

Te amarei de janeiro a janeiro

Todo mundo tem seus dias “uma nota só”. A Anna postou agora a pouco sobre uma música que ela ouviu seguidamente e eu pensei que precisava pegar carona porque estou desde cedo ouvindo a mesma música e pensando que ela é tão linda que merecia um post.

Eu acho interessante parar pra pensar no poder de uma música. Pensando friamente, é somente palavra ritmada. Como pode ser algo tão incrível? As músicas são a prova cabal de que as invenções mais geniais do mundo são bem simples. As músicas mandam nas pessoas. Ou você nunca ficou horas a fio cantando a mesma coisa,  mesmo que tentasse insistentemente tirá-la da cabeça?

Eu tanto não consigo tirar da cabeça que a minha foi pro título direto. Porque tinha tempo que eu não assistia novela, sabe. E eu sou noveleira, estava com saudades. E em meio a monografia, trabalho, musical, livros, falta de sono, eu ainda resolvi que merecia um tempinho pra ver uma novelinha, e estou vendo “Sangue Bom”. Que é um bocado errada, na verdade. Isabelle Drummond só reclama, Sophie Charlotte nunca me convenceu e Malu Mader fazendo papel de suburbana é algo bem questionável. Mas a escolha do elenco masculino, vejam vocês, anda muito correta, com Jayme Matarazzo, Humberto Carrão, Marco Pigossi, Bruno Garcia, e eu disse que ia falar de música, né. Então, a trilha sonora da novela me parece bem correta também. Agora me ocorreu que nunca vi a abertura e não tenho ideia de qual é a música. Mas o que importa é que toda vez que a Sophie Charlotte e o Marco Pigossi resolvem chorar um pelo outro, embora eu preferisse que Marquinho estivesse chorando por mim toca "De Janeiro a Janeiro” e fica tudo muito bem.

E eu queria dizer que hoje eu passei o dia ouvindo e cantando essa música, e ela me traz coisas boas. Ela me acalma. Porque me faz lembrar que muita coisa é pequena e passageira nessa vida, e que acima disso tudo está o amor, que pode não ser! Piegas, eu sei, mas dane-se, porque Nando e Roberta me encantaram com a melodia, com a doçura da voz, com as palavras dançando nos meus ouvidos. E que eu só tenho a dizer que no fim das contas, o que fica é que o universo conspira a nosso favor e a consequência do destino é o amor! Boa noite.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Quando nada (realmente) terrível acontece

Como uma amiga minha disse no blog dela uma vez, o câncer do vizinho não cura o seu resfriado. Cada um sempre sabe o tamanho dos seus pepinos e o quão é pesado (ou não) enfrentá-los e o fato do carma do outro ser maior não tira o direito de preocupação e sofrimento dos que carregam um "menor". Como eu falei, em um post passado, sobre algo que Hazel disse, todas as coisas são lidáveis. E se cada um tem que lidar com o seu fardo, que cada um tenha também o direito de sofrer por ele.

Fiz essa introdução só para poder contradizê-la durante o post, deixando claro que ele não tem intenção nenhuma de dar lição de moral. É só uma reflexão que está sambando na minha cabeça e que eu não quero deixar passar, mesmo estando ciente de que esse blog, ultimamente, não está passando dessas minhas filosofias de botequim. Acho que devo estar vivendo coisas bem pouco interessantes e pensando demais. Mas melhor não pensar nisso e falar logo do que eu vim falar.

Tem um episódio de Grey's Anatomy, por sinal um dos que mais me marcou, que diz o seguinte:

‘Eu tive um dia terrível.’ Nós dizemos isso o tempo todo. 
Uma briga com o chefe, enjoo, engarrafamento… 
É isso o que descrevemos como terrível, quando nada de terrível está acontecendo.
Essas são as coisas que imploramos para ter: 
um canal, uma auditoria federal, café espirrando nas roupas. 
Quando o terrível acontece,
 imploramos um Deus que não acreditamos para resgatar os pequenos horrores.
E levar isso embora.
Parece fácil agora, não parece? 
A cozinha inundada, a madeira podre, a briga que lhe deixa com raiva. 
Ajudaria se soubesse o que estava por vir? 
Saberíamos que estes seriam os melhores momentos da nossa vida?


Eu nunca consegui esquecer dessa quote. Ela é dita em um momento onde aconteceu um acidente com uma família, e uma menina de uns 15 anos tem que ser a forte do momento e dizer para os irmãos mais novos que sua avó e seus pais faleceram. É um daqueles casos onde a cena não precisa de mais nada pra te fazer ter dor de barriga de nervoso. Eles não eram personagens fixos, nunca tinham aparecido e tampouco tornaram a aparecer, e isso não mudou o meu desespero frente àquela situação. Porque seria com certeza uma daquelas onde eu pensaria que, meu Deus, eu realmente tinha coragem reclamar de coisas banais?


Meu pai vive abrindo a janela do meu quarto no inverno, para o ar circular. Além disso, ele se tornou apaixonadamente adepto do livro e da revista digital: Só lê pelo IPad e me chama de retrógrada (!) pelo amor que cultivo aos meus livros. Critica minha estante, vejam só. Minha mãe é daquelas que sempre arranja algum motivo pra se estressar, na falta de um motivo realmente estressante. Se não estivermos, por exemplo, atrasados, ela reclamará da roupa que eu escolhi usar. Ou do meu cabelo. Ou ainda vai dizer que eu não passei batom. Ah, e ela sempre diz que a chave de casa não está com ela e joga a culpa em alguém pelo sumiço, até que a encontra dentro de sua própria bolsa. Minha irmã sempre desamola os alicates, entra no chuveiro na hora que eu quero tomar banho e nunca fecha a porta do meu quarto quando sai dele. Minha avó? Minha avó sempre defende os mais novos e já me "expulsou" da casa dela quando eu revidei um tapa na minha irmã depois que ela já tinha me dado 3 deles por pura provocação.

O inferno são os outros, né, Sartre? São. As pessoas e suas manias e cotidianices, sempre trabalhando par arranjar o melhor jeito de nos tirar do sério. Mas isso é tão, tão pequeno, quando a gente se imagina no lugar da menina, tendo sobrado praticamente sozinha, e ainda por cima carregando o fardo de avisar aos irmãos pequenos que a família inteira estava morta. Essa cena, sim, me dá muita vergonha de mim só de lembrar. Porque numa hora dessas eu só choro abraçada na almofada, olho pra menina e agradeço infinitamente por levantar da cama e ir fechar a janela que meu pai abriu pela milésima vez.

Ah, essas chatices da vida. Grey's Anatomy acertou mais uma vez. São sempre por elas que imploramos quando algo realmente chato acontece. Essas cotidianices chatas não deixam de fazer parte dos melhores momentos de nossas vidas. 

domingo, 5 de maio de 2013

Quatro de maio de dois mil e treze

Partindo do princípio de que um dia começa à meia noite, e não na hora que você acorda, meu dia começou num fim de sexta feira animado. Quero dizer, animado para os meus padrões, e não para o dos baladeiros, até porque, eu estava em casa. E apenas digo que foi animado porque há algumas horas tínhamos saído da aula com a primeira coreografia de nosso musical marcada. Anyway, quando deu meia noite eu estava na cama com o computador, e assim fiquei até mais de 3h, por motivos de “estava com preguiça de desligar tudo, virar para o lado e dormir”. Quando resolvi desligar tudo, virar para o lado e dormir, a insônia resolveu se vingar e essa se tornou uma tarefa intempestiva, onde eu virava de um lado pro outro, acendia e apagava as luzes, lia, jogava candy crush, e todas as coisas do tipo, menos conseguir dormir.

Já eram quase 5 quando eu resolvi levantar, vestir a roupa que usaria na manhã seguinte, e voltar para a cama, para pelo menos um cochilo rápido. Me vesti, deitei, e mais ou menos meia hora depois eu consegui dormir. Quando eu acordei com o despertador às 8h queria chorar. Pra completar, vi que meu pai não tinha saído da cama, o que significava que eu não ganharia minha carona. Liguei para o táxi bem mau-humorada enquanto tomava um toddinho.

Quando entrei no Taxi e falei o endereço ele não sabia onde era. Todo mundo sempre sabe onde é, então eu nunca me preocupei. Pra completar, ele já tinha começado um caminho diferente do que a minha mãe faz no carro, e não dava mais pra entrar na rua onde eu saberia guiá-lo, o que o deixou bravo quando eu disse que não sabia o que fazer. Perguntei se ele sabia ir para o shopping, que fica bem perto, e ele disse que sim. Quando chegamos perto, eu fui ditar as ruas para as quais ele deveria entrar e ele foi grosso (!) soltando umas ironias ridículas.

Cheguei ao destino, entrei na escola com óculos escuros e bem mau-humorada, mas a manhã foi produtiva. A maioria das crianças estava de bom humor e afim de ensaiar a peça direitinho. Quando acabou, fui fazer o ensaio de fotos de dois colegas para a peça deles, e voltei pra caçar assunto. Acabei indo almoçar com 4 amigos, e foi bem gostoso. Depois meus pais me pegaram, eu ainda enrolei um pouco em casa e tomei um longo banho ao som de Taylor Swift antes de irmos para o aniversário de 7 anos do meu priminho.

O aniversário do Gu incluiu no pacote, logicamente, Anninha, Nina e Rico, o que faz tudo ficar lindo. O Gu estava feliz da vida, com as bochechas cor-de-rosa, correndo de um lado para o outro. Anna chegou vestida de onça e me deu aquele abraço que é sempre o melhor do mundo. Nina pediu meu colo e ficou comendo bolinhas de queijo. Rico chegou um tempo depois e passou 90% do tempo dormindo, mas com uma camisa xadrez incrível e um tênis da Ralph Lauren, porque ele é um cara fino!

Aniversário de criança, além das crianças, significou muitas bolinhas de queijo, batata frita e brigadeiro. No fim da história, voltei pra casa rolando, por volta das 21h, e lembro da minha amiga estar agitando um skype no whatsapp. Lembro que respondi que queria, enquanto colocava o pijama e escovava os dentes. Deitei na cama, coloquei o computador no chão, apaguei e só acordei hoje às 11 da manhã. É. Dificilmente eu apronto uma dessas de dia de semana, mas no sábado, o dia em que eu posso dormir tarde sem culpa, eu morri de cansaço e dormi antes das 21h30. A vida tem dessas coisas.

*Texto postado para o meme “Um dia”, que começou no dia 4/05 do ano passado. Acho que percebi que esse meme não me dá muita sorte. Ano passado eu narrei o dia bem mau humorada e hoje estou no mesmo clima. Sai, uruca!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Minha vontade de ser bicho

Esse título é só pra comprovar que esse texto todo vai ser só mais uma fraude. Porque não dá pra começar uma tentativa de não-lirismo e não-poesia usando da mesma. Pra começo de conversa, o título não é meu. É de uma peça que eu nunca assisti, mas que sempre me chamou atenção por ter o nome que tem, embora eu não fizesse ideia do porquê. E talvez ainda não faça.

Eu leio demais. Desde pequena. Não assisto tantos filmes, mas ouço músicas o dia inteiro, e das parcas séries que vejo, guardo muita coisa. Tenho um caderninho que, outrora branco, hoje é repleto de trechos que me marcam. Não precisa nem ser trecho, afinal. Minha irmã vive me zoando por ter achado ali escrito “É flor de maracujá”. Mas foi porque me tocou. Maracujá é meu suco preferido. E eu acho que ficaria feliz se alguém me chamasse assim, sem querer. De flor de Maracujá, eu digo.

Anoto as coisas nesse caderno alternando canetas vermelhas e pretas. Acho que é uma tentativa de tornar intenso em algum canto na minha vida algo que na verdade eu só li ou ouvi por aí. John Green diz que gênios fazem, e prodígios aprendem o que os gênios fazem. Utilizando como uma metáfora, eu sou um tico de cada coisa. Mas o problema é que tudo fica no mesmo campo: O da literatura.

Eu escrevo coisas, quando consigo. E quando não, cito trechos. E assim meu mural do facebook é alimentado: Com coisas bonitas que os outros escrevem. Claro, sempre com os créditos. Mas porque eu leio, ouço, e não consigo calar. Não consigo calar o que a dor ou a alegria dos outros causa no meu peito. Não consigo calar uma música que corta a minha alma em mil pedaços, não consigo calar o amor que alguma outra pessoa sentiu, uma vez, num livro ou num sonho.

Dia desses eu descobri que eu sou poeta e não aprendi a amar. E é duro. Minhas vivências, em sua sua maioria, são páginas de livros. As histórias de amor, quase 100% delas totalmente literárias. Eu já quis engolir histórias pra que elas acontecessem dentro de mim, e eu já quis criar as minhas próprias, e talvez seja por isso que elas demoram a acontecer.

Eu passo muito tempo criando diálogos e tornando líricas as frases que ainda não cheguei a dizer. Já ensaiei, confesso, sozinha no quarto, votos que faria no meu casamento, para alguém que ainda nem conheci. Eu tento transformar minha vida na poesia que ela não é. Antes fosse, e assim eu daria um jeito de disseminar as vírgulas, os suspiros e o ponto final conforme a minha querência.

É necessária muita iluminação pra perceber que viver de verdade não é perguntar “Posso colocar meu coração aos seus pés”, porque na vida real, a gente tropeça nas pernas da pessoa e derruba o coração, que se estilhaça, antes mesmo de se ter a chance de perguntar (a si mesmo) se queria depositá-lo ali. Quem consegue pensar na pergunta não são os humanos, são os poetas. Sou eu.

Eu penso na pergunta. Eu sei que a saudade é a saudade, e eu entendo a maioria das lágrimas que eu deixo cair. E me contaram, talvez tardiamente, talvez na hora certa, que na hora da nossa situação limite, a gente não consegue significar nada do que acontece, nem ao menos saber com qual sentimento se está lidando.

Quem sabe a vida não é sonhar. Quem sabe a vida não é tornar lírico. Porque não adianta tentar driblar as palavras e tomar cuidado com os pontos finais sendo que sei que são as vírgulas fora de hora que fazem os sentidos das coisas serem relevantes.

Porque que isso tudo é uma fraude? Porque eu estou aqui tentando confabular e poetizar com palavras escolhidas e pontuadas minha percepção tardia e vazia de que eu cheguei até aqui só pra descobrir que muito citei e quase nada vivi. E pra ser ainda mais ré confessa do lirismo que eu tento atingir inutilmente, tornando a vida vaga e o texto também, vou terminar com outra citação, pra ver se eu mesma me acordo.

Bobeira é não viver a realidade. E eu ainda tenho a tarde inteira.

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