sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A literatura de 2011

Iniciei o ano me atrevendo a ler Crime e Castigo. Os nomes das pessoas eram tensos ao extremo, tipo Raskolnikóv e Ivanovna. Mais tenso ainda, só o enredo. Pensei que ia demorar mais, mas passei altas tardes de tédio em uma casa de praia, sem ir pra praia, e sem internet, apenas com uma rede e o livro na mão, ou seja, li.

De Dostoiévski a Harlan Coben, o segundo livro do ano foi Não conte a ninguém, e sabe aquela coisa de achar algo onde você nem quis procurar? Pois é. Harlan Coben é o cara, gente. Aquela sensação de não conseguir fechar o livro até terminá-lo é algo que impera em suas obras. Depois disso eu fui pra Clube do filme,  de David Gilmour, bem descartável, pra falar a verdade, mas foi interessante pra passar o tempo. Fechei janeiro com Lolita, obra que estava lendo há séculos e não conseguia terminar nunca.

Fevereiro chegou com uma paródia bem tosca de Crepúsculo, chamada Opúsculo, que eu ganhei da Juliana. Foi a única vez que ela errou no presente, e coitadinha, nem sei se conte isso pra ela. Mas o livro é ruim, gente. Ruim. Sorte que depois dele já peguei Alice, que de tão doce, hoje domina o template desse blog (mais uma vez, quem fez e arrasou foi a Tary).

Alice (1)

Terminei o mês com O guia do mochileiro das galáxias, que também tinha ganhado de presente. Achei altamente dispensável, mas muita gente gosta! O que seria do lilás se todos gostassem do amarelo, afinal?

Em março eu me iniciei em Jostein Gaarder, com A garota das laranjas. Extremamente leve e doce, adorei. Depois disso me enrolei até as tampas com Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larrson, e só consegui terminá-lo em abril. Detestei.

Mas saindo dos livros, em março começou, né, gente. Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te Amo. Com isso começaram Inês Pedrosa, Milan Kundera, Tennessee Williams, Heiner Müller e seus corações, e ele, Caio F.. Com a primeira veio o sofrimento da viúva, com Milan veio o fantástico Jogo da Carona, de Tennessee Williams vieram Fala comigo doce como a chuva e Essa propriedade  está condenada, sendo que por causa da primeira nunca mais eu consegui ouvir a palavra SEDE sem sussurrar ÀGUA, e a segunda ganhou uma das marcações mais belas e significativas da peça. Heiner Müller guiava o texto todo, com o clássico diálogo do “Posso colocar meu coração aos seus pés?”, e o grande Caio entrou na dança com “Eu preciso de alguém e é tão urgente o que eu digo”, dando voz às angústias da Clara. O texto inteiro é uma obra-prima, e nisso entra toda a literatura da minha diretora e ídola, Airen Wormhoudt. (É claro que o nome dela ia aparecer na lista da literatura, ora poix.)

euteamo

Na verdade, foi em abril que a Airen entregou o texto inteiro, com a minha cena e tudo, onde apareceu meu Caio F. Mas durante abril eu fiquei só no texto mesmo, por fora eu li A menina que não sabia ler, que é uma pira, Eu sou Alice, que é a história da Alice que inspirou Lewis Carroll a escrever a história do país das maravilhas.. Amei. Mas não recomendo a quem não tenha lido a ficção ainda. Ler a biografia estraga um pouco da magia. Mas a história é tão intensa que eu jamais me arrependeria de tê-la lido. Ainda em abril, veio Jornal Nacional: Modo de fazer, bem gostosinho de ler, cheio de curiosidades e fotos.

O mês de maio eu passei abraçada com 3 livros que ganhei de aniversário em abril. O mundo de Sofia, interessante, mas precisa ter paciência com a quantidade de história da filosofia. O castelo de vidro, maravilhoso. E elas, as famosas, as Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides, que eu ganhei da Rafa, e queria tanto, mas tanto, que ela nem sabia e adivinhou. Quando eu abri o pacote eu quase desmaiei de emoção. Fiz tanto carinho no livro, e fui deixando ele pra depois, só porque ele era o melhor bombom da caixa. Li, me encantei, e, segredinho? Estou querendo montar uma peça sobre esse livro no meu próximo semestre do teatro. As meninas da turma ficaram bem animadas, rezem pra diretora topar!

Em junho eu já estava tão consumida e apaixonada por Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te Amo que passei dias me deliciando com a biografia de meu novo amor: Para sempre teu, Caio F. Tanto da construção da Clara veio desse livro que nem se explicar. Ainda nesse mês li Travessuras da menina má, presentão de aniversário da Amandinha, que é fantástico e me apresentou a personagem mais perturbadora de todas.

Eu achei que ia precisar de um post só para fazer essa retrospectiva, mas já vi que gosto de falar do assunto e que vai ser melhor dividir, senão eu vou começar a me polir no final, e não quero. Tem muita água pra rolar ainda, eu nem cheguei na Florbela Espanca! Sendo assim, encerro aqui o primeiro semestre, aguardem o próximo e último capítulo sobre os capítulos de 2011!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Aniversário da melhor amiga…

… tem data reservada nesse blog, não tem jeito. Por mais que eu ache que já falei tudo o que podia, e que mais um post só vai tornar tudo bem repetitivo, o dia 8 de dezembro é da Juliana e pronto. E eu não posso nem reclamar, afinal de contas, ela que teve a ideia de criar blog, e por isso, tem grande participação nos 3 anos desse aqui. Vamos lá.

Ju, esse é o 4º aniversário seu que eu comemoro. Parece mentira. Parece mentira porque mostra que o tempo passou rápido, mas porque me mostra também que, meu Deus, é só o 4º? Como assim eu passei 15 anos sem você? Espera, eu já sei. Nós duas precisávamos de maturidade para nos encontrarmos.

Eu e você não temos nada a ver uma com a outra. Nada. E acho que essa é a magia. A gente acaba se equilibrando, e tudo dá certo. Você é minha amiga que menos tem a ver comigo, e uma das que mais me ensinou nessa vida. Você é aquela que me dá tapa na cara quando eu estou chorando demais por algo que não tem jeito. É aquela que xinga quem apronta comigo antes mesmo de eu xingar.

Ano que vem ela vai morar 1 mês aqui em casa, vai ser tipo a nossa prova de fogo: Será que vamos brigar pela primeira vez? Arrisco dizer que não. A gente sempre se entende antes de ir às vias de fato.

Enfim. Falei demais e não falei o que a data pede que eu fale: Parabéns, Juliana! Muitas felicidades, muito amor, muita paz, muita saúde, e muitos, muitos anos de amizade pra nós, porque eu não sei o que eu faria sem você, minha BFF.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Onde andará Desirée?

Cabaret Brasilis.

Cabaret

Essa peça já tinha me ganhado antes mesmo de ganhar vida. Eu lembro. Era setembro, e eu estava sentada na escada que fica na frente da minha sala no Cena, esperando minha vez de entrar para fazer o exercício. Estava conversando com a Airen, e perguntei se ela já tinha decidido o que faria com o musical que estava dirigindo. Ela deu seu tradicional sorriso enigmático, e respondeu: Um Cabaret. Eu lembro que falei,  meio que tremendo: Tia Airen!

E aí a porta abriu e minha professora foi me buscar. Pronto. O “Cabaret da tia Airen” tinha me ganhado ali. Não ia precisar de muito. Passou setembro, outubro, novembro, e eu sempre ouvindo de cá e de lá sobre essa peça, conversando com minha amiga que é dessa turma, morrendo de ansiedade só de pensar.

E estreou. Estreou, e eu estava com um frio gigante na barriga quando segurei aquele ingresso da melhor cadeira do teatro. Estava com a barriga gelada quando entreguei para o bilheteiro. Me senti aos 5 anos indo ao circo, tamanha ansiedade. Quando senti o clima que estava no teatro, subi a escada e me deparei com o palco, minha vontade era sair correndo pra subir lá junto. Cenário LINDO, com luzes amarelas e tecidos vermelhos brilhantes. Meninas de meia arrastão, sapatos pretos e corseletes, dançando em cima de cadeiras. Um bar ao fundo, cheio de garrafas.

Se o espetáculo já tinha me ganhado há muito tempo, ali eu me embriaguei. Eu fui descendo a escadas até o meu lugar sem conseguir tirar o olho do palco, sentei na cadeira e não consegui tirar o olho dali nunca mais. Foi tão bem montado, tão lindo, tão, tão! Quando a peça acabou eu tomei um susto, afinal de contas, era hora de voltar pra realidade, e eu estava tão ali, que parecia que era real. Eu fui totalmente sugada por aquele mundo, e agora estou aqui, deprimidíssima: – Como assim a Airen já montou um Cabaret perfeito? O que eu farei da minha vida quando chegar meu musical?

Falei pra minha amiga que vamos ter que pegar a Airen no musical, e ela vai ter que montar “Cabaret 2: O retorno de Desirée”. Senão eu vou ficar muito frustrada. Como isso é bem improvável, melhor eu utilizar esse 1 ano e meio que falta até a estreia do meu musical de formatura pra me conformar.

O Cabaret foi montado, e foi perfeito. E se eu tive uma vontade louca de também estar no palco de arrastão e sapatos pretos, em cima de cadeiras, procurando por Desirée, eu preciso dizer que estar na plateia foi mágico também. Porque foi como se eu tivesse saído das cadeiras do meu conhecido e amado teatro e realmente me transportado para dentro de um Cabaret.

Airen, você arrasou mais uma vez. Elenco inteiro, vocês mandaram bem demais. Fecharam com chave de ouro. Obrigada pela pouco mais de 1h incrível que passei ali.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sobre o que eu aprendi no infantil.

Posso começar dizendo que aprendi que o tempo passa rápido demais, mas isso eu já aprendi faz tempo. Mas é que eu estou me assustando ao começar a fazer esse post, visto que me lembrei do meu primeiro post sobre “Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te Amo”, e não mais que de repente, aqui estou eu fazendo o último sobre “O Submarino Amarelo”. O tempo não passa. Corre. Mas nesse meio tempo, deu pra aprender muita coisa. Vou tentar enumerar.

Nesse módulo de teatro infantil, eu aprendi que o segundo semestre tem quatro meses. Aprendi que uma peça pode ser montada em 1 mês. Aprendi que eu tenho coragem de cantar em público, e que tive capacidade pra cantar 2 solos.

Aprendi que cola quente realmente queima, e estou com uma bolha roxa no indicador da mão esquerda. Aprendi que coturnos machucam muito o pé, e tenho um calo enorme no meu calcanhar direito, que dói muito, mas no palco, eu nem sinto. Aprendi que cola de cílios é bem potente, e que se a professora usar para colar brilhos no seu rosto, você vai precisar jogar álcool gel pra tirar. Sim. Álcool gel no rosto.

Aprendi que enfiar a cabeça dentro da pia do banheiro do camarim pra lavar o cabelo com o sabonete líquido que fica lá pode ser bem interessante, ao invés de ir almoçar no shopping com a cabeça cheia de grampos e laquê. Aprendi que, mesmo com o cabelo armado de sabonete líquido e o rosto cheio de gliter, é só colocar meu óculos roxo e sair com um ar blasé do camarim que todo mundo vai me chamar de Lindsay Lohan.

No dia da banca, eu confirmei que a Airen lê pensamentos: Ela foi banca da nossa turma, e quando eu pisei no palco eu já sabia o que ela ia falar de mim. Quando eu contei pra ela, ela me abraçou, beijou minha galharufa, e disse que mães sempre sabem. É. Mães sempre sabem.

No infantil, eu aprendi que Beatles é uma delícia, e que dançar com peruca cor de rosa e figurino fofinho pode ser muito gostoso. Aprendi que não é sempre que você vai ter uma conexão transcendental com a peça com a qual você está fazendo e com o seu personagem. Aprendi que a paixão é pelo teatro, pela arte, por cada pedacinho dela, e que isso está acima de qualquer peça. Aprendi que fazer uma peça infantil, colorida e cheia de dancinhas pode ser bem mágico, gostoso, e ter um resultado bem bacana.

Sub 175

E esse está sendo o processo de O Submarino Amarelo, que termina sua temporada amanhã. Foi uma delícia, mas posso falar? Aprendi também que prefiro os dramas. Não é atoa que estou saindo tranquila desse processo, com uma sensação deliciosa de dever cumprido, enquanto não me recuperei até hoje do fim de Vamos Falar de Amor, hahaha.