sábado, 19 de novembro de 2011

Vitrola da Cultura

Eis que o trabalho final de telejornalismo era montar um programa de estúdio. A professora falou, e então eu entendi um pouco sobre J. K. Rowling. Sabe, quando ela contou em milhares de entrevistas que a história do Harry Potter caiu inteirinha na sua cabeça, assim, poft, como se fosse mágica? Estou bem longe de receber uma entidade me contando uma história tão perfeita quanto Harry Potter, mas juro que o que aconteceu com o Vitrola da Cultura foi algo parecido. A professora falou: Montem um programa de estúdio. Eu virei pro lado e falei para os meus amigos: Venham aqui. Vamos montar o Vitrola da Cultura.

O programa apareceu montado na minha cabeça, como mágica. E aconteceu, cara. É tão bom sonhar com alguma coisa e ela acontecer. Melhor. Sonhar com alguma coisa e FAZER ela acontecer. Pois foi o que fizemos. Ignoramos tudo o que podia dar errado e fizemos. Nossa reportagem principal mesmo, tinha que ser filmada em um domingo. Era dia 6 de novembro, adiaram pra 13, véspera de feriadão. Dois amigos que iam comigo, sendo que uma ia ser a repórter, foram viajar. A PUC não empresta câmera filmadora aos domingos. Nem liguei. Passei a mão na minha Elizabeth, chamei outra colega pra ir, falei com meus amigos (era uma reportagem sobre o grupo de teatro voluntário de uns amigos meus!) e fui convidada para ir no carro deles, ainda por cima. Fui com eles cantando, nadando nas janelas, num espírito delicioso. Filmei a peça, mas infelizmente tive que excluir a primeira metade dela, pois os depoimentos de todos eles não iam caber no cartão da câmera! Quase chorei, mas tudo bem. Apaguei a primeira parte, gravei TODOS os atores e a diretora falando coisas sobre o processo, e até que tremi pouquinho! No final, tivemos uma conversa deliciosa, eles choraram, eu quase embarquei junto, minha colega se encantou pelo teatro, disse que agora me entende, e depois ainda me enfiei no carro deles e ficamos num barzinho até 22h30. Chato, né?

Depois a colega que foi viajar editou a reportagem, minha entrevistada in loco desmarcou pois teve um compromisso, e praticamente nos 40 do 2º tempo, meu colega de teatro me salvou ligando para o amigo dele, que também fez a peça, para ir lá dar entrevista in loco, e foi a coisa mais deliciosa! O programa foi uma delícia, eu me surpreendi com a minha calma pra falar na frente da câmera. (Eu e o Gus éramos os apresentadores, bafo, fala sério).

VC 009

Filmar foi fácil. A hora que o programa passar na sala de aula eu desmaio, mas aí são outros 500.

O Gus virou pra mim e falou: Se você estiver com vergonha de ser apresentadora de TV, finja que é uma atriz interpretando uma apresentadora de TV, ué. E aí, já sabem. Galharufa no pulso, paixão no peito, e tá tudo certo!

Eu, Gus e Rudi fizemos o primeiro bloco INTEIRINHO com uma tomada. Não erramos nenhuma vez. A diretora, dona  Rhaíssa, que ordenou que eu fosse de vestido e bota, e estava desfilando de terninho, ficou toda orgulhosa. Depois ficamos lá, batendo papo e dando risada no sofá, com a Nathy, produtora, que estava de câmera, até podermos gravar o segundo bloco, porque nosso entrevistado número 2 estava fazendo prova. Eu ainda tive um minuto de bobeira delicioso e falei:  “GENTE! Eu estou realizando um sonho”. Perguntaram o que era, e eu: “Quando eu era criança, eu morria de vontade saber o que o pessoal do programa ficava fazendo na hora do intervalo comercial. Agora eu sei. Dando risada no sofá”. Que delícia foi pensar isso, de verdade. Me aqueceu tanto o peito lembrar das minhas vontades de menina de 5 anos ali, quando eu estava com aquela roupa, aquelas botas, aquelas câmeras e aquele IPad na mão, pronta para chamar o segundo bloco.

Sei que foi uma delícia. Que deu certo, que o grupo trabalhou em sintonia mesmo, tudo funcionou, demos boas risadas, e saímos nos abraçando, com aquele orgulho delicioso de nós mesmos, que só sentimos no final de algo que foi muito gostoso!

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Rudi é o entrevistado mais fofo da cidade, eu de vestido roxo e botas, Nathy-produtora-contra-regra-de-moletons, Gustavo com seu cabelinho, Fer sentada no nosso amado chão que pensamos que não íamos conseguir comprar, Rhai diretora metida de terninho verde, Alan entrevistado que tocou violão no programa e tudo, Helô e Gleize que tiveram que ir apresentar trabalho de outra matéria mas ficaram ali em pensamento, e de pé, atrás, professora toda orgulhosa, que não fica junto na gravação, mas chegou no finalzinho pra elogiar o cenário e dizer que está doida pra assistir.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O dia em que meu Google Chrome morreu

Amanheceu gelado em Curitiba, mas eu nem sabia, porque estava no décimo sono enquanto amanhecia. Era mais ou menos 14h quando eu finalmente abri os olhos, e ainda enquanto me espreguiçava escutei meu celular apitar. Era a Gabi me mencionando no twitter, enquanto confabulava com a Marie sobre o sorteio do amigo secreto mafioso. Meio minuto depois, enquanto eu ainda decidia se realmente ia acordar ou não, lá veio outro apito no celular. Dessa vez era a Isadora, no GTalk, querendo saber onde diabos eu tinha me enfiado. Resolvi abrir os olhos. Sentei. Puxei meu notebook, liguei, e lembro vagamente do anti-vírus perguntando alguma coisa, que eu, ainda com sono e com um monte de meninas me apressando, cliquei no “não” sem querer. Gelei a espinha na hora. Sabia que tinha feito merda, mas não sabia o tamanho dela. Até que tentei usar o google chrome e ele não funcionou.

Entrei em pânico. As meninas me apressavam para fazer o sorteio do amigo secreto, e eu continuava em pânico. Desliguei e liguei computador. Reiniciei. Alterei configurações. Limpei disco. Desinstalei e instalei o programa. Restaurei sistema. E nada. O meu google chrome continuava sem funcionar. Nesse meio tempo fiz sorteio de amigo secreto, reclamei da falta do meu google chrome no facebook e no twitter, almocei, tentei mais um milhão de coisas pra ressuscitar meu navegador. Por fim, lavei a louça, tomei banho, e desci pro ponto de ônibus porque tinha duas peças para ver no Cena Hum.

Fiquei 40 minutos CONGELANDO em pleno novembro no ponto de ônibus. Vinham 500 ônibus, menos o meu. O Santa Felicidade passou 3 vezes. Eu já estava chutando calçada, comendo o resto da unha que me sobrava (porque segunda-feira, depois de 1 mês e com unhas grandes e fofas, eu fiz o favor de comê-las), com ódio da cidade, do frio, do ser maligno que tinha me roubado o google chrome, e morrendo de vontade de chamar um táxi. Aí o ônibus chegou.

Fui pro Cena Hum, bati papo em ótima companhia, assisti “Quando Romeu partiu”, chorei, saí pensando que Romeu não devia ter partido e que meu Google Chrome não devia ter morrido. Bati mais papo com a mesma ótima companhia, agora com mais um integrante. Assisti outra peça: “Estação 2412”, saí com a linda música na cabeça, e pensando em quando diabos o meu navegador voltaria a funcionar. Bati mais papo em ótima companhia com mais um integrante até minha mãe chegar, e fui lamentando no carro sobre a morte do meu Google Chrome. Cheguei em casa e tentei milagrosamente ligar o meu notebook e vê-lo funcionando, mas ele não estava. Jantei e tomei sorvete enquanto pensava no assunto e tentava arduamente usar o Internet Explorer.

Mas usar o Internet Explorer me dá raiva. Porque toda hora eu lembrava que era o Internet Explorer. Via aquele E lá em cima, via as coisas demorando pra carregar, facebook com outra fonte, e me irritava profundamente. Estava prestes a entrar em depressão. (Minha mãe diz desde que eu tenho 4 anos eu devia ser atriz.)

Minha irmã chegou no quarto pra tomar meu texto do teatro, e eu fui dando as falas enquanto batia papo com a diva Sabine no facebook e continuava matutando sobre o meu navegador em coma. Editei as rifas do teatro no computador (Falando nisso, alguém quer comprar?), e fui imprimir. Adivinham? A impressora não quis imprimir. Aquilo foi minha gota d’água. Juntei o frio, a chuva, o fim do feriado, a impressora que se recusava a imprimir minhas rifas e o meu google chrome quebrado. Entrei em crise. Comecei a dar socos na minha irmã e perguntar: “POR QUE EU, PORQUE EU?”, e ela se matava de rir, até que ela calmamente reiniciou o computador a impressora funcionou como mágica. Eu cheguei a falar: “Ok, agora clica no ícone do google Chrome. Se ele funcionar eu te dou 10 reais”. Mas nem funcionou.

Depois de um longo e tenebroso inverno, onde eu baixei vídeos, picotei rifas, entrei no tumblr e reclamei do IE no ouvido da Helena, ela resolveu ir dormir e eu fiquei forever alone na companhia do Internet Explorer. Meu anti-vírus está vencido tem 60 dias, e eu preciso renovar. Aí entrei pela ENÉSIMA vez do dia nas configurações de firewall do meu computador, e não consegui alterar, porque dizia que o anti-vírus é que mandava naquilo. Acontece que o anti-vírus está vencido. Ele bloqueou meu google chrome e ficou lá de cima, no seu patamar vencido e inabalável. Era eu contra o anti-vírus pela vida do meu google chrome e pela minha sanidade mental. Afinal de contas, mais um dia usando IE e eu ia pirar.

Olhei bem nas fuças do meu anti-vírus. Cliquei em desinstalar. E agora o meu google chrome funciona. MAN, I WON!

megustachrome

P.S.: Mãe, por favor, precisamos sentar no computador e encomendar o anti-vírus novo. Agora ele não está mais VENCIDO. Ele está INEXISTENTE. E isso é tenebroso. (Mas agora eu tenho meu google chrome de volta, não é lindo?)

domingo, 13 de novembro de 2011

Meu infinito particular

Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te Amo (221)

Daí que essa semana eu me peguei no twitter na maior conversa de decidir quem era o Beatle preferido de cada uma das envolvidas no papo. E eu estava me divertindo com os argumentos e com nossa babação em cima dos quatro rapazes e de suas músicas, e enquanto eu cantarolava “Lucy in the sky with diamonds” mentalmente, eu pensei, de novo, em como o teatro é algo fantástico.

Estar no palco é maravilhoso. É mágico. Entorpece e dá forças. Ao mesmo tempo que dá pra se pensar que nos tornamos vulneráveis, lá em cima também somos intocáveis. Porque sim. Só quem vive isso consegue explicar. Ou melhor, não consegue explicar. Consegue sentir, que é o importante.

Mas é incrível também o mundo que existe atrás e antes do palco! São tantas experiências, tantas “vidas”! Nessa minha “curta brincadeira” de estar no meu 4º ano de teatro, já fui uma criança que pedia histórias, já estive em lua de mel na Transilvânia perdida na casa mal-assombrada de um maluco, aprendi que meias arrastão pinicam, descobri que quando sua personagem tem que estar morta no palco você consegue se desligar tanto de si mesma que pela primeira vez na vida alguém fica sacudindo sua barriga e você não sente cócegas nenhuma vez. Semestre passado então foi recheado. Me apaixonei por Caio F., descobri Heiner Müller e seus corações, me encantei com o doce, e ao mesmo tempo, forte, jeito de Tennessee Williams contar suas histórias, e comecei a abrir um sorriso só de ver um vasinho de margaridas. Nesse semestre, não mais que de repente, me pego cantarolando Beatles por aí a torto e a direito, além de ter passado um dia inteiro camelando atrás de tecidos para o nosso figurino: Agora eu sei o que é tricoline e Oxford, gente. E nem vou mencionar o repertório que vem com a peça dos outros, só vou dizer um nome: Florbela Espanca.

E é por isso que o teatro é meu infinito particular. Porque é um mundo vasto demais para não ser chamado de infinito. E é particular porque cada um tira dali o que precisa, o que quer. Dumbledore disse que Hogwarts sempre estará lá para os que precisarem dela. Foi mais além, se corrigindo e reinteirando: “Ou melhor. Hogwarts sempre estará lá para aqueles que a merecerem”. Eu tenho que parafrasear o sábio bruxo e dizer que o teatro sempre estará lá para aqueles que o merecerem e precisarem dele. Para aqueles que souberem desvendar o infinito que existe ali. No palco, e atrás dele.

E terça feira começa a Mostra de Teatro do Cena Hum! E daqui a 13 dias estreia Submarino Amarelo! Merda Merda para todos nós! Que se faça a mágica, que se acenda a luz!

Foto da peça Vamos Falar de Amor sem dizer Eu Te Amo, tirada por Éri Buhrer.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Amor.

Eu ainda não tenho filhos. Um dia pretendo tê-los, segurar no colo, apertar contra o peito e ter certeza de que esse é o maior amor do mundo. Mas eu ainda não tenho. Eu tenho pais, tios, avós, primos, amigos, e amo muita gente. Amo mesmo. Porque eu sou dessas que me entrega, sabe? Me entrego de bandeja no primeiro abraço, no primeiro sorriso. Heiner Müller disse que a gente precisa perguntar se pode colocar o coração aos pés das pessoas. Eu não pergunto. Saio colocando. Se pisarem, eu acabo sobrevivendo. Mas eu amo.

Eu disse que ainda não tinha filhos né? Pois é. Um dia eu ouvi uma frase que dizia que irmãos mais novos nos ensinam a ser mães antes dos filhos chegarem. Juro que é a mais pura verdade.

A Helena é uma peste. Ela tirou essa casa do lugar comum quando nasceu. Ela chorava dia e noite, é birrenta, implicante, responde a minha mãe muito mais que deveria, e acha que é dona do nariz dela. E aí eu fico torcendo pra minha mãe virar a mão na cara dela. Mas é só minha mãe ameaçar que eu me fecho no quarto pra não ver, e no fim da contas, vou acabar chorando mais que a Helena.

A Helena é a pessoa com quem eu mais me preocupei na minha vida até então. De verdade. Até hoje, se eu estou sozinha com ela fora de casa e ela some 2 segundos da minha vista eu fico louca. Vai saber né? Também é da Helena que eu mais sinto falta quando eu viajo.

A Helena COM CERTEZA foi a pessoa com quem eu mais briguei na minha vida. Mas reza a lenda que a gente só briga com quem a gente ama. Então, vou te contar, deve ser amor demais!

Dia 20 de outubro de noite, poucas horas antes da Marina nascer, olhei pra Anna Beatriz dormindo no berço, meu olho encheu de água, e eu suspirei: “Mal sabe ela que ela está prestes a ganhar o melhor presente de toda a vida”. Porque é isso que a Helena é.

O melhor presente que eu ganhei na vida.

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Feliz aniversário, criança.
Mas nem precisa se meter à besta com essa minha declaração.
Amanhã acaba seu aniversário e tudo volta a ser como era antes.
(E não OUSE namorar Mateus Solano. Ele é meu.)