segunda-feira, 24 de maio de 2010

A melhor matéria

Bem antes de entrarmos no jardim de infância, as crianças já aprendem um monte de coisas. Aprendem a comer, a sorrir, a falar. Aprendem por instinto, e por imitação. Experimente pegar um recém-nascido no colo e ficar fazendo caretinhas pra ele. Se você der sorte de ele estar animadinho na hora, fará uma careta bem parecida. As primeiras palavras, as crianças também soltam de tanto repetirmos.
Como poderia então ser diferente com o amor? Amor também se ensina, gente. E é a matéria mais gostosa de ensinar, e ver os frutos!
E acho que por aqui somos bons professores.
Todos somos loucos por cada pessoinha que nasce na nossa família. Mas o motivo do post é essa bonequinha bochechuda aí da foto. O que nós damos de amor pra ela, não tá escrito. Nem vou falar da mamãe apaixonada, do papai babão, da titia chameguenta, dos avós corujas.. Porque senão ficaria dias aqui. O que importa é que a gente não cansa de dar carinho pra ela. De beijar, de amassar, de falarmos no seu ouvidinho o quanto a amamos. Ela aprendeu direitinho. Do alto de seu 1 ano e quase 1 mês, Anna aprendeu a dar beijos! A Cínthia (mamãe coruja!) me contou, e eu fiquei toda serelepe, esperando ganhar um tão sonhado beijinho da pequena. Estávamos então na cozinha com ela, querendo transformá-la de macaquinho de circo, pra mostrar o novo 'truque' só porque a tia Mônica tinha chegado. Eu tava sentada na banqueta, com ela, e disse: Anna, mostra pra titia que você sabe dar beijo! Ai ela me olhou. Eu disse: Me dá um beijo, Anninha! Pedi 1. Ganhei VÁRIOS. Ai desembestei a pedir, e ganhei muitos, e muitos! E cada um que eu ganhava, eu amassava mais um pouco. As vezes não dava nem tempo de eu revidar um nela, que ela já me dava outro! É a coisa mais maravilhosa do mundo ver ela mostrando que já sabe demonstrar o amor. Prova que todos estamos ensinando direitinho, e que ela já entende como isso é legal!
Sei que se existisse um boletim com a matéria AMOR, nossa Anna tiraria 11!
E se tivesse um de BABONA, eu tiraria 100. Aliás. Todos nós!

domingo, 23 de maio de 2010

Para quem tem uns 13 anos.

Você está iniciando agora um período de muitas mudanças. Muita coisa vai acontecer. No seu corpo, e na sua mente. Essa fase nova se chama adolescência, mas você já deve saber. Nessa fase, as coisas ficam complicadinhas, e vamos do riso às lágrimas com muito mais facildade. Achamos que somos donos de nossos narizes, e qualquer coisa é motivo para que fiquemos à beira de um ataque de nervos. Mas não é bem assim. Pra começar, muita gente ainda vai te ver como criança.. Principalmente os seus pais. Isso é, na hora que eles bem entendem. Por exemplo: Se você quer ir na balada, eles vão dizer que você mal saiu das fraldas. Agora, se querem que você vá no supermercado para eles, você já é um(a) mocinho(a). Aí fica ainda mais difícil, pois além de vc estar numa fase bipolar, o mundo parece bipolar.
Outra coisa que está em alta na adolescência: Tecnologias e afins. Principalmente a internet.
E a internet é muito legal. Mas não é tudo. Quando você for um pouco mais adulto, vai se arrepender se deixar de sair com seus amigos pra ficar no facebook. Vai por mim.
Outra coisa: Ipods e afins são muito bons. Mas quando estiver num parque, ao ar livre, com seus amigos, desligue vai. Prefira ouvir a voz deles. Os passarinhos. E com um bônus: Você não vai correr o risco de ficar surda por causa dessas coisas.
Esse conselho aqui vai ser o mais difícil: Escute seus pais.
Nessa fase, sempre pensamos que eles estão errados. Na verdade, é porque acontece dessa forma: Quando somos crianças, eles são nossos heróis. Na adolescência, descobrimos que não são perfeitos. Mas não é por isso que devem passar a ser monstros, como na maioria das vezes acontece. Eles não são. São apenas imperfeitos, como todos nós. E como já diz Renato Russo, são crianças como nós. E por mais que errem, estão sempre querendo acertar, pois somos as coisas que eles mais amam na vida. Lembre-se disso antes de magoá-los.
Ah, outra coisa que é chata. Não adianta querer ferrar a sua vida para atingí-los. Fazer greve de fome, por exemplo, além de te deixar com fome, só vai mostrar para eles o quanto você é imaturo. E com pais não é assim que funciona o jogo, ok?
Por último, CURTA a sua adolescência.
Pois ela vai passar voando. E quando você menos esperar, você já virou um adulto.
Só lembre-se de, em nenhuma fase, deixar a criança morrer.
=)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Atrás das grades

Já não estava aguentando mais. Ficar presa ali era o fim. O mundo todo girava lá, do lado de fora. Ela era obrigada a ver por trás do vidro, sempre. Essa história poderia ser.. sei lá. De Fernandinho Beiramar, numa cela de cadeia.
Mas não.
É a história de Sofia, que tem apenas 8 anos. E as grades são de sua própria janela.
Só que ela nasceu no mundo como ele é hoje. Onde na verdade, ninguém tem liberdade. Sua mãe conta que podia brincar na rua até de noite. Jogar bola, empinar pipa. Ela chora, olhando os carros, ouvindo o barulho. Deseja estar lá fora, mas ao mesmo tempo tem medo.. Mal se concentra na imagem, e vê uma senhora sendo assaltada. Levaram sua bolsa, e a empurraram. Por sorte, conseguiu cair sentada e se equilibrar. Sofia derrubou mais uma lágrima. Que crime tão grave ela tinha cometido, mesmo antes de nascer, para ser punida com um mundo destes? Um mundo onde as crianças não podem correr na rua. Um mundo onde os bandidos ficam do lado de fora, e os bons do lado de dentro?
Ela chora de novo e pensa que realmente não sabe se é melhor ser obrigada a ficar do lado de dentro, ou se do lado de fora.
Se aninha em sua cama, dorme abraçada a seu ursinho. Sonha que está num imenso jardim, brincando com muitos amigos. Todos são felizes. Ela senta então e pede para nunca mais acordar. Mas seu coração sabe, que a manhã vai chegar de novo. E que um dia, o sol voltará a brilhar para todos. Do lado de fora da janela.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Você sabe a capacidade de um abraço?

Ele estava saindo do trabalho, 3h depois do horário normal. Justo no dia em que ele fazia hora extra, o carro estava na revisão, e ainda por cima havia caído um dilúvio, fazendo com que ele ficasse 1h além do esperado, preso no serviço, olhando pela janela. Apenas 2 segundos após a chuva finalmente ter parecido acabar, ele saiu pela porta igual um furacão. Claro que chegaria em casa e daria uma bronca na sua esposa. Como assim ela coloca o carro na revisão quando vai chover? Assim que sai do escritório, um menino de rua diz: Ei tio! E ele, claro, não dará trela. Apressa o passo e percebe que o menino continua atrás, seguindo-o continuamente. Ele passa então a correr, duvidando da persistência do garoto, que não desiste. De repente, tropeça numa pedra. Vendo que não vai mais ter jeito, se recupera da queda, e olha para o menino, finalmente.
- Está certo, o que você quer de mim?
- Quer comprar uma balinha, tio?
- Fala logo a droga do preço.
- Um abraço.
- Como?
- É.. você sabe a capacidade de um abraço? Eles são tão bons. Revigoram, aquecem. Protegem do frio.. Eu ganhou tão poucos.. e aliás, o Sr. também parece precisar de um hoje!
Ele, ainda meio desconfiado, vai chegando perto do garoto, que pula em seus braços e lhe dá um abraço gigante. Ele consegue sentir a respiração do garoto acalmar. Suas mãozinhas ficarem mais quente.
Sente também sua paciência com a vida parecer muito maior. Sua vontade de chegar em casa, de repente passa a ser uma vontade imensa de abraçar sua mulher. Já até esqueceu que estava chovendo, que tinha feito hora extra, que o carro estava na revisão. Isso tudo agora parecia tão pequeno.
O menino então se soltou do braço, e entregou a bala.
Ele olhou para a bala. Olhou pra frente.. E disse:
-Garoto... Garoto?
O menino já não estava mais lá.
E nem por perto.
Ele chamou mais umas duas vezes.. e nada.
Foi então andando pra casa.
Chegou em casa, pegou a mulher no colo e a girou. A abraçou forte e disse o quanto a amava.
Passou pelo quarto dos filhos e deu um beijo em cada um, que sorriram dormindo.
Deitado então na sua cama, começou a pensar com seus botões como alguém poderia correr tão rápido. Era impossível. Só se ele fosse capaz de voar. Mas.. só anjos voam..

- UM ANJO!

Quando ele olha então pela janela, vê um passarinho. Com uma bala na boca. Da mesma bala que o menino tinha vendido.
Piscou para o pássaro e voltou a dormir. Depois daquele dia, ele nunca mais dormiu sem dar pelo menos um abraço.