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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Maria vai com as outras

Eu já contei que eu sou facilmente impressionável e influenciável, né? Quero dizer, calma. Tudo tem limite. Minha mãe me falou a vida inteira que eu não era todo mundo quando eu pedia para fazer algo que todo mundo fazia e eu até guardei isso no íntimo do meu ser para usar em casos mais graves. Não tenho vontade de fazer tudo o que ~todo mundo faz~, mas quando a bobagem provavelmente não vai me render consequências sérias e as minhas amigas começam a entrar na onda fica meio irresistível.

Foi assim que a mais ou menos 2 horas atrás eu li o post da Anna Vitória falando sobre newsletters e divulgando que tinha criado uma que deu a louca nas migas e resolvemos sair criando newsletters adoidadas. Nem sei o que eu vou falar. Nem sei qual vai ser a periodicidade. Mal estou conseguindo manter esse blog, mas aparentemente folia errada é meu nome do meio e eu não podia ficar de fora dessa.

Pra que serve uma newsletter? Do que ela se alimenta? Bem, juro que a Anna explicou melhor lá no post dela, mas vou resumir ao meu entendimento: para contar causos, problematizar e discutir sobre as aleatoriedades da vida sem a pompa de estar escrevendo em público na internet. Continua sendo público? Razoavelmente, mas a pessoa que assinar recebe a asneira bonitinha lá no e-mail dela (ainda por cima é vintage!) ao invés dela ficar piscando em neon na cara da sociedade em uma página aberta do blog que todo mundo pode acessar a hora que quiser. Pelo menos eu acho.

É quase como trocar cartinhas!

Aviso de antemão que a linha editorial será quase a mesma que a desse recanto virtual semi-abandonado: nenhuma. Vou falar sobre o que me der na telha. Inclusive, como eu sou péssima para criar títulos, fiquei mais de 40 minutos pensando em um e no fim das contas decidi, meio mal humorada, que era bacana ela ter o nome que refletisse da forma mais clichê possível o seu próprio conteúdo. Migas, migos, sejam bem vindos à Me deu na telha. Pretendo falar umas bobagens a cada quinze dias; se eu estiver inspirada vocês começam a receber notícias semana que vem. Vamos ver se o ishquema realmente funciona. Alguém aqui ainda gosta de receber e-mail?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

E esse ano que tá voando?

Parece que foi ontem que pulamos ondinhas vendo os fogos e olha aqui de repente já é fim de janeiro tô brincando. É que ainda não ouvi nenhum comentário sobre a suposta velocidade com a qual o novo ano está passando mas pouco falta né? Com carnaval logo no comecinho do ano então parece que tudo passa mais rápido e em questão de alguns minutos vai ter alguém dizendo que “já passou a páscoa meu Deus já estamos no fim do ano!!!”.

Como este blog é contra essa ideia de começar a se despedir do ano antes de, sei lá, novembro, vim contar que eu vi sim cada um desses 19 dias e meio se passarem. Alguns com mais agitação, outros com menos, mas quem foi que disse que passar a tarde assistindo seriado não é viver?


Os primeiros cinco dias passei, como de praxe, flanando na cidade natal (mais conhecida por aí como Vitória) mas segurei o boy comigo porque não sou besta. Na verdade desde antes de a gente começar a namorar oficialmente já tínhamos decidido que íamos passar o réveillon juntos (toda aquela história de que você vai passar o ano do jeito que passou a virada e blablabla queria meu bichinho pra beijar à meia noite mesmo porque sou dessas) e deu tempo até de levar o menino para conhecer os parente no interioR. Brincadeiras a parte, rolou muito sorvete, uma banho de piscina, um de mar e mais um punhado de tempo deitados na frente do ventilador assistindo seriado (e dando uma lidinha também porque eu não sou de ferro).

De 4 ele voltou pro Rio e dia 5 eu fui atrás. Foram mais sete dias muito gostosos – teve mais seriado, teve pizza, teve piscina, teve um filme ruim de Disney (O Bom Dinossauro, sugiro que evitem), teve até um domingão em Ipanema com direito a Couth e Passarinha e teve muito ninho, amor e grude. Foi tanto que deixou até ressaquinha: dia 12 de janeiro eu voltei pra casa e parecia que estava faltando um pedaço. Já seria tão ruim dormir sem a minha conchinha que o universo resolveu dificultar ainda mais e mandar um nariz entupido que eu achei que seria passageiro mas até hoje me restam resquícios.

Arraso no Paint

Como nem só de saudades sobrevive um ser humano, eu mal tinha esquentado lugar nas terras curitibanas e no dia seguinte à minha chegada estava novamente no aeroporto – dessa vez para resgatar Anna Vitória e nossos prometidos dias de emergency dance parties  de janeiro. Como ela mesma disse lá no blog dela, é muito bom quando nossos planos aleatórios acabam se tornando reais e durante esses quatro dias a gente aproveitou bastante do nosso jeitinho: teve Friends, teve livro, teve gravação de vídeo e teve jogo de Charadas. A gente até conseguiu sair pra dançar no sábado (na base do Tylenol Sinus) mas não foi o sol de domingo que vimos nascer – às vezes rola de ver o dia raiar da pista de dança, às vezes é de dentro do quarto mesmo. De sexta pra sábado a gente conversou tanto, jogou tanto e riu tanto que de repente o quarto estava claro e a gente estava ali.

Domingo ela foi embora e se vocês pensam que se despedir do namorado e da melhor amiga na mesma semana é fácil vocês estão enganados. Fiquei empurrando a vontade de chorar até de noite porque entre as 15h e o fim do dia eu ainda tinha um aniversário super especial parar ir. Foi belo, deu pra comemorar, mas era perto de 21h quando consegui sair à francesa, chegar em casa e dar uma boa chorada. Alguns fatores ajudaram porque de vez em quando acontecem coisas, mas o que importa é que tudo está bem quando acaba bem.

De domingo até hoje, confesso, só senti saudade, assisti seriado, assisti novela, assisti Big Brother , assisti o RIP da minha vida de blogueira quando ninguém comentava meu último post e terminei um bom livro. Foi um punhado de aventuras em 19 dias e meio, vai dizer?

sábado, 16 de janeiro de 2016

Aquele com o vídeo sobre Friends

Hoje já é o 16º dia de 2016 e nenhum texto foi postado nesse blog ainda mas, vejam bem, como quase tudo na vida tem solução eu resolvi aparecer em grande estilo: com uma ótima dupla e falando sobre aquele assunto eterno que vocês já devem ter captado pelo título do post. Peguem a pipoca, se aprocheguem (e eventualmente continuem o diálogo porque a gente tá carente).

Eu sei que já não adianta prometer que EU VOLTO e volto direito, com texto bom e coisas do tipo, mas quem sabe os astros não se alinham qualquer dia desses e as coisas comecem a acontecer novamente? Cruzemos os dedinhos. Enquanto isso deem um pouco de risada com a nossa falta de dignidade.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Acordem a blogosfera quando setembro acabar–31/31

Muito provavelmente eu deveria começar esse texto em cima de um pódio, com as minhas migas tudo, tomando um belo banho de champanhe para comemorar o campeonato vencido, a glória alcançada, o título adquirido: CUMPRIMOS O BEDA. Mas como acabei falando sobre esse assunto antes e a Couth, hoje, fez isso muito melhor que eu (LEIAM!), hoje vou fazer só um parágrafo de resumo geral e curtir a minha link party!

Bom, como foi? Foi escrevendo todos os dias durante 31 dias, isso vocês já sabem. Foi martelando a cabeça e tentando tirar água de pedra para colocar algo decente aqui, acontecimento que nem sempre se concretizou: foi colocado algo aqui todos os dias, se foram decentes já é outra história. Teve texto que eu odiei antes de publicar, teve lista que eu não queria fazer, teve mixtape que já ouvi rumores de que ficou pela metade porque eu tive preguiça de conferir música por música. Teve de tudo. Teve, inclusive, muita disposição e muita paciência no início e muita falta de vontade no final, mas acho que cada sentimento foi importante para eu fixar que dá pra escrever mesmo quando eu acho que não dá, e que às vezes um texto feito meio nas coxas é, sim, melhor que texto nenhum. Como costuma dizer a Anna, uma linha escrita já é melhor que uma folha em branco.

A melhor parte disso tudo além de eu mesma ter conseguido? A oportunidade que tive de acompanhar de perto um monte de blogs que também acreditou que era uma boa ideia essa história de BEDAr e que encheu o meu feed por 31 dias com um monte de textos ótimos. Cilada só tem graça quando a gente está bem acompanhado. Uma andorinha só não faz verão e uma doida só não faz BEDA, e é por isso que eu agradeço às minhas amigas que estiveram coladas comigo em todos esses dias, à Passarinha que sugeriu a loucura toda, e às outras blogueiras que eu já conhecia ou conheci esse mês e que, atualizando seus cantinhos diariamente e passando aqui para dar um alô também tornaram o sonho possível. Acordei piegas, vamos às fias de fato.

mafia

A Anna provou de uma vez por todas que já saiu do útero escrevendo quando conseguiu manter assustadoramente a qualidade de seus textos MESMO escrevendo todos os dias no meio da correria e praticamente por obrigação. Se vocês não acreditam, deem uma olhada aqui, onde ela fala sobre ser da Corvinal. Ou aqui, onde ela esmiuçou a long list of ex-lovers de nossa melhor amiga famosa com direito a análise dos relacionamentos e fotos dos casais com os rostos trocados. Aqui ela falou sobre gente que escreve e, aqui, me convenceu a começar a fazer Blogilates (se eu não levantar da cama amanhã de tanta dor muscular podem botar na conta dela). Aqui ela falou sobre o casamento da Couth e sobre A Gente e aqui respondeu a uma entrevista de emprego sincera. Se ainda falta um dedinho de prosa para que você esteja apaixonado tudo o que ela escreve assim como eu é só clicar aqui e descobrir porque ela foi o melhor texto de abertura possível para o BEDA.

A Sharon arrasou elencando vilãs da Disney, mas mandou melhor ainda quando escreveu uma carta para ela mesma daqui a 10 anos dizendo que se ela colocar a cabeça no travesseiro no fim do dia e tiver certeza de que é feliz, então tá tudo bem. Ela contou também de quando fomos para a balada de coroa na cabeça e de quando um cara falou para ela que ela iria para o inferno por estar de shorts.  Mas nada superou o texto emocionante e sincero que ela fez para dizer que seu pai nunca foi um herói, mas é seu pai mesmo assim e ela o ama. Espero de coração que um dia ele tenha a oportunidade de lê-la.

A Couth comemorou o aniversário da filha canina mais amada desse mundo e encheu meus olhos de lágrimas mais uma vez falando do Tatau. Depois disso ela ainda arranjou um jeito de me matar de rir contando o causo da estante do Renne e me fez voltar a chorar quando falou da vovó. Também escreveu um desabafo sobre a fase da vida em que está e que se encaixa muito bem para todos nós, de 20 e poucos, chorarmos umas pitangas juntos. Lá no primeiro parágrafo do meu texto eu mandei vocês largarem o que quer que estivessem fazendo e lerem o texto que ela fez hoje para finalizar seu BEDA. Portanto, caso ainda não tenham feito isso, corrão.

A Passarinha viajou para Kansas no meio do BEDA e virou blogueira de viagem por um dia, eu adorei. Ela também usou seus 31 dias de texto para escrever coisas tipo uma ode às havaianas que eu acho que todo mundo deveria ler porque acho que o mundo seria um lugar muito melhor se todo mundo andasse só de chinela por aí. Ela ainda conseguiu deixar todo mundo com a pulga atrás da orelha achando que tinha errado a crase em algum momento (leiam os comentários e morram de rir) e pariu uma resenha belíssima para um livro que eu ainda não li,  mas lerei em breve por causa dela. Ah sim, ela também falou sobre a Po, sua cacatua de estimação que ela chama de pássaro mimado e que é um bichinho incrível.

A Iralinha presenteou a internet com várias pérolas durante esse mês, incluindo o melhor vídeo de resposta para a tag 50,5 que alguém podia ter feito, um texto sem pé nem cabeça onde ela não conseguiu explicar porque 29 é seu número favorito, uma bronca para os pais malucos de seus alunos e uma carta para a Gabriela de 30 anos pedindo que ela esteja viva. Endosso esse pedido com muito apelo porque não sei viver sem essa menina.

A Rafinha não chegou até o fim, mas foi até onde aguentou e nem por isso deixou por menos. Escreveu um texto lindo sobre seu pai, falou sobre representatividade usando uma selfie da Kim Kardashian como mote e chutou a cara da sociedade resenhando um livro que eu não faço ideia de por que ainda não li. 

A Alê falou sobre uma coisa que eu adoro: o pertencer. Ela também escreveu um conto lindo sobre um casal apaixonado e me fez rir um tanto com sua indignação direcionada às pessoas que não ligam em sair passando o CPF delas por aí – eu super sou uma dessas pessoas, ué. Quando perguntam nosso CPF para cadastro a gente não tem que passar? Segundo ela, não.

A Nana se declarou lindamente para a avó de seu marido, que ela adotou. Ela também escreveu uma carta para sua futura filha e inovou no projeto 1001 pessoas falando de alguém que ela não conhece assim, pessoalmente, mas que não deixa de ter marcado sua vida.

A Ana Cláudia mandou muito bem respondendo o meme das 5 coisas que ela nem tchu, escreveu uma ode às batatas (!!!!!) e lembrou à galera de parar com essa palha assada de dizer que mulher tem que ser rival de mulher. Somos amigas, não vadias.

A Amanda falou sobre Infinitos (outro assunto que eu amo), crises sem sentido que geralmente fazem todo o sentido na nossa cabeça e narrou sua primeira experiência com uma baladinha, já que recém completou 18 anos.

Para completar, a Yuu, fofíssima, que eu conheci durante o BEDA mesmo, nos apresentou à arte de “introduzir mesmo estando no meio”, escreveu uma carta para sua melhor amiga e falou também sobre seu amor aos seus felinos. 

FOI ISSO, galera. O BEDA acabou e foi ótimo e cansativo enquanto durou. Se sobrou fôlego de alguém para escrever em setembro é uma pergunta que eu não estou preparada para responder, mas podemos usar esses próximos dias para botar as pernas por alto e dar uma cochilada – outubro pode até tardar, mas não há de falhar. Até mais e obrigada a todo mundo que acompanhou!

sábado, 15 de agosto de 2015

Aquele em que elas ficaram acordadas a noite inteira - 15/31

Ou: Aquele em que elas conseguiram ir para a balada

Eu e as minhas pessoas nos conhecemos pela internet. Isso vocês já estão carecas de saber, mas achei importante frisar mesmo assim para todos acompanharem o raciocínio. Nos conhecemos pela internet porque nosso primeiro contato foi através dos blogs. Nós somos bem aquele tipo de pessoa que lê, escreve e troca, fácil, um par de sapatos de salto por um pijaminha com o livro da vez. Book lovers never go to bed alone and stuffs like that.

Acontece que toda amizade tem fases e, embora a gente esteja em lua-de-mel há quase 4 anos, desde o terceiro encontrão que sentimos que faltava alguma coisa. Por favor, que grupo de amigas nesse mundo ainda não conseguiu ir para a balada juntas?

A questão é que, via de regra, a gente passa meses programando o que gostaríamos de fazer e... acabamos deixando metade dos planos de lado. Foi assim que nossa primeira tentativa de balada miou, mesmo depois de passarmos dias planejando o local, as roupas e ter gastado espaço na mala com sapatos altos. Em nossa defesa eu tenho a dizer que, dessa específica fez, a folia realmente talvez não valesse o esforço: dependeríamos de transporte público, a balada era super longe, só poderíamos voltar depois das 5 da manhã quando o ônibus voltasse a circular e todas tínhamos acordado em horários nada ortodoxos para viajar. Colou para vocês a desculpa? Pois para a gente colou. Bastou uma dar a ideia de trocarmos tudo por pijamas e um tabuleiro de Imagem & Ação que em 5 minutos colocamos os planos da festa por terra – e felizes da vida.

Só que a lacuna continuou lá e no nosso subconsciente permanecia martelando aquela falha. Como assim ainda não conseguimos ir para a balada juntas? A gente ia se divertir demais! Pois é.

Chegou dezembro de 2014 e, com ele, a formatura da Passarinha. Sim, viramos a noite. Sim, dançamos muito. Sim, bebemos, sim nos divertimos. Sim, chegamos em casa mais de 7 da manhã, MAS éramos somente 6 aquele dia. Ainda não era encontrão, mas foi a prévia que faltava: depois que 6 de nós conseguiram entender como era maravilhoso quando conseguíamos largar o pijama e cair na night, não deixaríamos mais que as ideias miassem.

Foi assim que, desde que começamos a planejar o encontrão de maio deste ano, eu coloquei no topo de lista que dessa vez ia ter balada e que não deixem a balada morrer, não deixem a balada acabar.  E deu certo.

Nem acreditei quando, depois de um dia no qual não tínhamos dormido nada a noite, feito festa de manhã e ido à praia a tarde, conseguimos sair felizes da vida para desbravar a night carioca, perto da meia-noite, de coroa na cabeça, depois de comer muita pizza e sem nem ter cogitado desistir. E que bom que conseguimos.

Poucas noites de festa da minha vida se igualam à madrugada do dia 2 de maio. Não era, ainda, o casamento da Couthinha – mas foi um excelente Test Drive. Nós estávamos tão felizes, tão infinitas e nos divertimos tanto que tinha gente que parava para nos assistir. Eu vi. E vi também que a gente chamou atenção pacas porque no dia seguinte tinha um tal de “João João” perguntando no evento do facebook quem eram as meninas da despedida de solteira.

Nessa festa a Gente pulou. A Gente se abraçou. A Gente pulou abraçada e se abraçou enquanto pulava, também. A Gente deve ter bebido mais de 30 garrafas de água. A Gente gritou. A Gente cantou. A Gente foi A Gente: se amando e se divertindo como sempre, mas dessa vez com o adicional de estarmos numa balada, ainda por cima cheia de músicas icônicas.

As fotos da festa ficaram tão ótimas que até quem não foi convidado apareceu

A promessa era ver o sol raiar da pista, mas era pouco mais de 5 quando os pés de muitas começaram a pedir arrego e decidimos que tinha chegado a hora. Até que a Anna comentou, já no táxi, que “tinha pagado para ver o sol nascer e queria ver o sol nascer”. Achei que foi um excelente comentário e concordei com a proposta na hora, ainda sem saber onde essa ideia nos levaria. E ela nos levou (mesmo que não todas) à praia de Copacabana. Sentamos na areia abraçadas e só levantamos de lá quando o sol já estava dominando o dia, mesmo que o vento estivesse frio e que estivéssemos com muito sono.

Naquele momento, com aquele sol nascendo, depois de uma madrugada daquelas, depois de um dia daqueles, com aquelas pessoas, eu lembrei daquele detalhe de que qualquer chatice é sempre pequena demais frente a tudo o que realmente importa na vida.

sábado, 8 de agosto de 2015

I get drunk on jealousy - 08/31

Olha, eu nunca escrevi um tratado antes. Já achei pitoresco me atrever a ensaiar certa vez, mas quando a Passarinha chegou me pedindo que tratasse a minha vontade era entrar embaixo da cama e fingir que eu não tinha nada a ver com isso. Até porque, não só ela me pediu que viesse aqui no blog para TRATAR algo como me deu um tema delicadíssimo: ciúme.

Brinquei com minhas amigas, inclusive, que o subtítulo do meu BEDA vai acabar sendo “como perder um homem em 31 posts”, porque quando peço dicas de temas elas me aparecem com esse tipo de coisa: “Carta para sua futura filha” (aguardem) e “Tratado sobre o ciúme”. Tudo bem, a gente respira fundo e lembra que nosso lema é perder o bofe mas não a amizade e seguimos em frente.


Deixa eu contar uma coisa para vocês, caso não tenham percebido ainda: eu sou ciumenta. Muito. Mas sabe quando a gente diz que uma coisa é tão tão tão ruim que é boa? Então. Eu sou tão tão tão ciumenta que isso sai do âmbito da doença (?) para virar comédia. Você nunca vai me ver dando escândalo por causa de ciúme. Ou brigando de verdade. Ou parando de falar com alguém. E isso não acontece simplesmente porque não há necessidade.

Quando busquei no google a definição do que exatamente era um tratado, ele me deu a seguinte sugestão: Convenção entre dois ou mais países referente a comércio ou paz. E então eu entendi tudo. E descobri porque que eu não dou piti, nem brigo, nem viro a cara para ninguém por causa de ciúmes. É porque meu ciúmes já é praticamente uma convenção.

Minhas amigas estão carecas de saber que ele existe. Elas sabem que quando elas se abraçarem na minha frente, vão precisar me abraçar também. Sabem que quando dizem na conversa em grupo que estão com saudades umas da outras eu vou logo perguntar porque ainda não ouvi ninguém dizer que está com saudades de mim também. E aí elas vão rir, vão dizer que CLARO que estão com saudades de mim também (porque elas sempre estão) e tudo vai ficar bem.

Eu sou tão ciumenta e minhas amigas já entenderam tão bem a dinâmica que até criaram um verbo: bussularizar. Desde então, todo mundo que tem crise de ciúme em algum momento a gente diz que está bussularizando. Eu fiz escola. Eu fiz escola porque minhas amigas acharam divertido eu ter tanto ciúme que transformei eu mesma em piada, para não sofrer e nem tesar a paciência de ninguém com o assunto. Eu sinto ciúmes, dou risada de mim mesma, finjo que faço bico, elas fingem que se importam, a gente dá muita risada e pronto, passou.


Eu sou ciumenta, nasci ciumenta e muito provavelmente morrerei ciumenta, mas sei, bem lá no fundo, que isso é um problema meu. Sou eu que tenho que aprender a lidar com esse desespero que consome o peito só de imaginar uma melhor amiga dando mais trela para uma recém conhecida, ou uma prima escolhendo outra para ser madrinha do seu filho. Eu tenho que dar conta disso, não as pessoas. Aí na frente delas eu faço piada e depois eu tento, fingir sozinha, que está tudo bem – e que se não está, vai ficar em breve. Enquanto isso, meus amigos brincam com o assunto postando no meu mural, junto com emotions de coraçõezinhos, memes que dizem coisas do tipo “AMIGOS, VOCÊS NÃO PRECISAM DE OUTROS AMIGOS, VOCÊS SÓ PRECISAM DE MIM” e dizem que é a minha cara... e que eles me amam justamente por isso. Dei sorte na vida, vai dizer?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

De boas intenções o inferno está cheio (?)

Esses dias essa frase me veio na cabeça assim, aleatoriamente. Eu pensei rapidamente sobre, talvez, não concordar com ela. Mas desisti do pano pra manga e mudei de pensamento. Agora ela me veio na cabeça outra vez.

Tudo porque eu estava lembrando de um livro que terminei de ler recentemente. “Azul da cor do Mar”, da Marina Carvalho. Nunca tinha ouvido falar da autora e confesso não ser uma exímia conhecedora da literatura contemporânea brasileira. Me fale de literatura brasileira e eu só vou saber citar nomes das antigas e um ou outro mais recente que acabou virando hype, tipo o Antônio Prata, a Paula Pimenta ou a Martha Medeiros. Mas li infinitamente mais livros gringos e tenho mais preguiça de arriscar em títulos duvidosos quando eles são daqui. Preconceito idiota. Enfim.

Ganhei esse “Azul da Cor do Mar” em fevereiro do ano passado, de uma grande amiga minha. Eu estava me formando em jornalismo e ela teve todo um cuidado de pesquisar para me dar de presente um livro que fosse protagonizado por uma jornalista. Fala sério, vai. Sabendo que eu gosto de ler, ela podia ter entrado na livraria e pegado o primeiro best seller que pulou na sua frente, para não ter trabalho. Mas não, ela foi carinhosa o suficiente para arriscar em um livro desconhecido e pouquíssimo cotado só porque a protagonista era uma jornalista e ela achou que esse seria um presente incrível de formatura.

E foi. Toda vez que penso nessa história eu me emociono pensando em como as pessoas sabem ser lindas. Mesmo assim, deixei o livro de escanteio, empilhado na fila de “não lidos” e passando tudo que eu comprava na frente dele. Nem entendi direito o que tinha me dado na telha quando, esse mês, finalmente resolvi pegar o coitado ali e dar conta de descobrir o que ele tinha pra mim.

Acabou que minhas previsões preconceituosas estavam corretas: o livro é bobo; imaturo. Não consigo pensar em outras palavras para descrevê-lo senão essas. Personagens completamente surreais, histórias de amor que nascem do nada, supostos adultos que agem todos como adolescentes, a utopia do mercado de trabalho onde a estagiária chega abalando e no seu primeiro dia de trabalho escreve uma matéria que supera a do jornalista estrela da redação e é publicada na primeira página... deu pra entender, né? Se ainda não deu, eu conto um spoiler: a protagonista estava na mira do revólver de um traficante, tendo sido feita refém e, ignorando toda a negociação da polícia, believem-me, o cara só resolveu soltá-la quando ela implorou pra não morrer virgem. Ou, respeitando as palavras da autora, quando ela disse que não poderia morrer sem nunca ter tido uma noite de amor, se é que ele entendia. Gente.

Cheguei num nível da leitura que eu devorava o livro e dava risada com a quantidade de clichês, falta de profundidades, diálogos ridículos e declarações de amor baratas. Até com o nome dos personagens eu já estava me irritando: as melhores amigas da protagonista se chamam Alice e Sofia e eu quero ver alguém da década de 90 ter duas melhores amigas com esses nomes. Na época existiam Marianas, Fernandas e Jéssicas, Marina. Não Alices e Sofias assim, a rodo. É por isso que insisto na falta de maturidade para descrever o que senti lendo a história. Se tivesse sido escrita por uma menina de 14 anos eu ia botar bastante fé. Meninas de 14 anos talvez acreditem em toda essa mentira-cor-de-rosa que Marina tentou me fazer engolir. Enfim.

A intenção dela com certeza foi boa. Ela quis lançar um livro, tinha essa história na manga, mandou pra editora que achou a ideia o máximo, fez o favor de casá-la com uma capa tão brega quanto e voi lá, o livro foi para as prateleiras e acabou na minha mão, por mais uma grande dose de boa intenção da minha amiga que, tudo o que queria, era encontrar uma obra com protagonista jornalista e conseguiu.

Porque que eu disse tudo isso? Sei lá. Pra dizer que talvez eu não concorde mesmo com essa história de que de boas intenções o inferno está cheio. Porque, sei lá, às vezes tudo o que a gente quer ver nas pessoas é que a intenção delas era boa. Se o bolo solou, se o presente foi repetido, se o livro era ruim... é realmente, sempre, o resultado final que importa? Acho que não, de verdade. As pessoas tem essa cisma meio inconsequente de só se importar com os finais das histórias. Todo mundo quer um final feliz, a qualquer custo. Mas o meio, gente, o meio. O meio é o caminho. O final só acontece no final, o meio dura muito mais tempo e talvez seja muito mais importante. Nem só de resultados totalmente positivos são construídas as histórias felizes. O livro era bizarro – e foi um dos presentes mais lindos que já ganhei de uma amiga na vida. A boa intenção vale sim. Talvez, em determinados casos, ela seja o que mais vale. 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

- Você faz novos amigos!

Foi com leveza, simplicidade e um enorme tom de condescendência que PAI, Meu me soltou duas vezes na vida a frase que intitula esse texto. Das duas vezes ele estava me colocando na bagagem ao mudar de cidade. Se eu estivesse no olho dessa situação, como foi há 15 e 5 anos, diria que fui carregada como um dos móveis. Não deixa de ser, não é como se eu tivesse tido escolha. Mas a raiva e a tristeza do momento acabam passando e a gente volta a si e aceita minimamente que os pais fazem conosco o que dá pra fazer. Com 7 e 17 anos não existia a opção deles me deixarem para trás, por mais que doesse. O problema nunca foi esse. O problema era a sua insistente mania de minimizar o que era importante no meu mundo.

"Você faz novos amigos". A frase ecoa na minha cabeça. Gostaria de saber quem foi que decidiu que amigos eram descartáveis. Feito móveis. Feito livros. Você lê um, curte um bocado, põe na estante de volta e vida que segue. Rio pensando: se até dos livros eu demoro a me desapegar, imagina das pessoas.

Essa história de que nenhuma pessoa é insubstituível pode ser confortadora em muitos casos, mas bater na tecla de que tudo bem precisar perdê-las porque existem novas para você conhecer me parece um descaso absurdo. E os laços? E os abraços? E as histórias? Calma aí, cara, não é só trocar por novos.

Acho que o sonho do meu pai, quando eu era mais nova, era me fazer entender que amigos eram sempre passageiros, que não tinham tanta importância assim. "Sério que você tá chorando desesperada desse jeito por deixar os amiguinhos para trás?", ele perguntava. E prosseguia: "Você pensa demais com a emoção, tem que pensar com a cabeça" (?). 

Pai, desculpa, eu dei errado na vida. Dei errado na vida porque dou risadas contidas ao pensar nos seus conselhos. Dei errado na vida porque acho tão mais bonito e mais acertado pensar com o coração que ainda tatuarei cuor agire em algum lugar do corpo. Para não esquecer nunca do que é importante, sabe?

Sem mágoas - são apenas as minhas conclusões. Só estava lendo Nós, do David Nicholls, ontem, na cama, e de repente ele me soltou um trecho que resume tudo o que eu sempre confabulei a respeito dessa história de dar valor aos amigos. A sociedade num geral dá pouca importância a isso com essa história de "é só fazer novos". É como se a família ficasse em um patamar inalcançável, porque não se faz família nova. Trabalho também a gente tem que levar super a sério, porque é o sustento, Amigos são só amigos; devem ser tratados como só amigos. Só, como se eles fossem pouca coisa; como se fossem coadjuvantes facilmente substituídos, e não, não tem que ser assim.

Já tive que substituir meus melhores amigos da vida algumas vezes nessa vida, em duas delas de forma compulsória e ó, vi o mundo acabar. Tudo bem, após algumas tantas manhãs seguintes, acaba ficando tudo bem, afinal de contas. Mas entre o mundo acabar e a manhã voltar a ficar boa demora um bom bocado de dias que eu pretendo não ter que experienciar de novo. Talvez eu tenha aprendido tão bem a lição, inclusive, que ao invés de permitir que a uma distância imposta acabe me afastando naturalmente dos amigos feitos com a proximidade, resolvi subir uma fase na dificuldade inicial e acabei fazendo amigas JÁ a distância. Se a distância não foi capaz de atrapalhar, nada no mundo será.


Meus amigos não são substituíveis.
Meus amigos não são SÓ amigos.
Deêm uma olhada nesse abraço e vocês vão entender porque.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Gratidão

Perder as palavras vem sendo um sintoma padrão que me assola sempre que eu volto de um encontro com as minhas pessoas. Dessa vez, particularmente, com um casamento de uma de nós envolvido não tinha como ser diferente. Sobre minha insistência em falar mesmo sem encontrar as palavras? Freud deve explicar. Talvez seja a pura vontade de registrar o irregistrável. Essa palavra existe, irregistrável? Sei lá. O fato é que as milhões de fotos tiradas, as palavras soltas do texto que estou tentando fazer, isso tudo nunca vai fazer jus e quem não estava lá nunca vai conseguir entender, mas quero falar mesmo assim.

Para começo de conversa (e talvez para a conversa inteira), falar desses últimos dias é falar de gratidão. Gratidão, gratidão e gratidão, e já que é assim, vou começar a agradecer. Agradeço pela contagem regressiva que fazia todo o resto da vida fazer sentido mesmo quando ela insistia em não fazer. Agradeço pelos convites belíssimos que recebi. Agradeço pelas amigas maravilhosas que eu tenho, pela amiga noiva mais linda que esse mundo já viu, pelo fato do coração dela ter escolhido um marido que faça jus ao que ela merece e nos deixa babando de tanta felicidade. Agradeço por cada segundo. Agradeço pelos voos tranquilos, pelos abraços de chegada nos aeroportos, pela cantora que infernizamos pedindo músicas, pela noite cearense que não estava preparada para nós mas nos aguentou. Agradeço pela praia que pegamos, pela escultura que formamos. Agradeço até pelo torrão que levei nas costas e que acabou enfeiando meu decote, mas que prova que eu vivi um momento eterno rolando no sol com elas. 

Agradeço pelo buquê branco de dama, agradeço pelo caderninho, pelas declarações, pelas chaves, pelo drink que levava nosso nome, pelos brindes com uma bebida azul que eu até agora não sei o que era, pela tequila que bebi com o noivo, pela pista de dança que não deixamos vazia, pelo DJ que nos aguentou pedindo pra tocar Taylor Swift, pela Beyoncé, pelo Legião Urbana, pelo "a semana inteira fiquei esperando pra te ver sorrindo pra te ver cantando" que sempre toca para que todo mundo se abrace e pule.

Agradeço pela avó da noiva (que virou vovó de todas nós) que apertou nossas bochechas e nos agradeceu, com os olhos cheios de lágrima, por fazermos a neta dela feliz. Vovó, como eu te disse, ela me faz mais feliz ainda e eu que tenho que agradecer. Agradeço pelo buquê da noiva que eu não consegui pegar, mas que uma de nós pegou, e se é de uma é de todas. Agradeço pelos 3 meninos que minhas amigas escolheram para elas, porque eles as fazem felizes e com isso nos fazem felizes também. Agradeço pelo menino que foi jogado nos meus braços na dança do acasalamento mais engraçada que já vi, inventada pelo noivo só para juntar, ao menos por uma noite, um casal que ele achava que podia dar em boa coisa. Deu.

Agradeço pelas cantorias na calçada, na van, no barzinho, na livraria e em qualquer outro lugar. Agradeço por ficar jogada no chão do quarto, agradeço pela folia no salão de beleza, agradeço por ter invadido a suíte da noiva. Agradeço, até, pelos abraços de despedida, porque se eles não doessem tanto talvez significasse que a vontade de estarmos juntas não é tão grande assim. Agradeço por cada um dos segundos que nos dão aquela certeza de que o tempo que temos nunca será suficiente porque gostaríamos de viver para sempre. Em suma, agradeço por ter vivido um dos dias mais felizes da minha vida só porque era o dia mais feliz da vida de uma das minhas tantas melhores amigas. Garanto pra vocês: esse negócio de ver radiantes pessoas tão importantes na sua vida é tão incrível quanto ver a própria felicidade estampada num espelho.

Gratidão: aquilo que faz você deitar para dormir arrasada por tudo ter passado como um flash e você ser obrigada a voltar para a realidade dos dias comuns mas, ao mesmo tempo, estar tão infinitamente feliz a ponto de nem conseguir fechar os olhos. Abusando das palavras de Alice Ruiz, não tem como não encerrar esse post dizendo pra vocês que olha, realmente, a cada mil lágrimas sai um milagre. Vocês são o meu.


Obrigada pelos momentos tão bons que parecem mentira
Obrigada por eles não serem mentira.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

As coisas mais legais do meu mundo

Meia-noite de segunda-feira e aqui estou eu. Eram pouco mais de 22 de domingo quando eu decidi que era uma boa ideia me aninhar no edredom e me perder nos 250 aplicativos do celular antes de encerrar o dia e fechar os olhos para acordar numa semana que vai ser maravilhosa. Só que aí a Anna gritou no grupo da Máfia que tinha postado no blog e eu senti que precisava ligar o computador para ler e mimar decentemente, tendo em vista que eu tinha feito a egípcia em relação ao último post dela e não tinha mimado só porque falava de filmes. Enfim, o tal post novo dela era um meme  e ela estava me indicando. E eu poderia ter achado bacana, sorrido, acenado, comentado no dela e deixado para fazer o meu em algum horário mais propício – o que qualquer ser humano normal faria – mas se vocês forem lá ler, e vocês deveriam, vão entender porque eu estou aqui agora, postando ao invés de dormir. Spoiler da resposta: porque uma das coisas mais legais do meu mundo é a amizade. Um brinde.

By the way, o meme se chama AS COISAS MAIS LEGAIS DO MUNDO e foi criado pela Karol Pinheiro. Aí vão as minhas respostas.

1) Decoração: Objetos significativos


Parece meio óbvio e clichê, mas toda decoração que me encanta (e que eu sonho em fazer na minha futura casa) é composta de detalhes que representam as pessoas. Sabe aquela coisa totalmente moldada por arquiteto? Então, admiro o trabalho mas acho que fica tudo meio que “virgem” demais, sabe? Tipo na minha casa. No reck da sala tem um vaso preto com uma flor do jeitinho que a arquiteta sugeriu. E em cima da cama da minha mãe tem um quadro com uma paisagem meio sinistra, tipo uma árvore no inverno. Meus pais nunca foram de deixar a gente colocar coisas em paredes. A gente fazia quadrinho de dia dos pais e dia das mães na escola e ficava tudo socado dentro do armário. Minha casa definitivamente não vai ser assim. Dentro do meu quarto eu já quebro as regras. Colei um adesivo da moldura de Friends na minha porta, tem polaroids coladas pelas paredes, desenhos da minha prima colados em outra parede e por aí vai. Isso sem falar na porta dos meus armários que são de vidro e todas cheias de escritos e desenhos (meus e das visitas!) porque fiz questão de comprar canetas que escrevem no vidro. Pra mim, casa tem que refletir a gente que mora nela. O dia que eu tiver a minha casa quero fotos, posters de filmes que amo, de uma peça que amei fazer. Quero quotes espalhadas, poesias, adesivos, mensagens, livros em lugares estratégicos. Quero uma parede com tinta de quadro negro e giz à disposição. Em suma, quero uma casa que faça com que eu me sinta em casa e quero que as pessoas entrem nela e saibam que é totalmente minha – e delas também. Se eu quisesse morar em catálogo pagaria aluguel pra Tok & Stok.

2) Livro: Coisas que ninguém sabe


O livro da minha vida. O que eu mais tenho vontade de reler e mais morro de medo, ao mesmo tempo. Tenho medo de ler de novo e não amar tanto, apesar de achar difícil que isso aconteça. Só sei que esse livro diz muito sobre meu gosto literário num geral: a narrativa, pra mim, conta muito mais do que a história. Quem realmente tem o dom de escrever pode escrever sobre o assunto que for e transformar isso numa obra de arte. Alessandro D’Avenia sabia muito bem o que fazia quando fez “Coisas que ninguém sabe” e eu agradeço todos os dias por isso. Mandei fazer um colar dele porque acho que o livro da minha vida merecia andar colado no meu peito vez ou outra.

3) Viagem: Nova York


Não satisfeita em gostar muito de São Paulo, sou doidinha para pisar na mãe de todas as metrópoles do mundo, ela, Nova York, que é cheinha de gente, luzes, brilhos, ritmos e tudo o mais. Quero fazer compras, quero assistir musicais, quero sapatear na quinta avenida e abraçar os postes. Ainda antes de tudo isso, quero começar tirando uma foto bem clichê, minha, de costas, com os braços para o alto e a legenda “The lights are so bright but they never blind me”, não sem um pouco antes postar uma foto da janela do avião pousando com a legenda “Welcome to New York” porque ser discípula de Taytay é preciso e porque eu planejo momentos da minha vida pensando no Instagram sim, acho lindo, seu julgamento bate no meu bloquinho de ideias de legenda e volta em dobro.

4) Música: Enchanted, Taylor Swift.


Essa música é tão eterna e praticamente um estado de espírito que Taylor sabe muito bem disso e carregou a danada pra 1989 World Tour, mesmo ela sendo do Speak Now. Enchanted dói e emociona na mesma proporção, me faz imaginar o cenário, cora as bochechas, deixa o coração meio-quente-meio-assustado e me faz deixar escapar sorrisos só de pensar em como são reais as noites onde a gente volta pra casa dançando sozinha pelos cantos e torcendo pra pessoa que nos causou isso também tenha ficado encantada de nos conhecer. Ah, Taylor Swift, essa voz na minha cabeça.

5) Sapatos: Nude


No meio do ano passado eu botei na cabeça que sapato nude era a coisa mais linda do mundo e resolvi que precisava de um. Aí a minha amiga resolveu marcar casamento, me chamou pra ser dama, escolheu “coral” para a palheta de cores dos vestidos e enfim, achei que ficaria maravilhoso com sapato nude e que seria a oportunidade perfeita para eu comprar um. Comprei em dezembro do ano passado e desde então o sapato está guardadinho numa bolha de amor dentro do meu armário, para que não sofresse nenhuma lesão até a data do casório. Faltam só 5 dias e eu não vejo a hora de colocar aquela maravilha no pé. Ele é bem mais bonito que esse da foto, que só coloquei aí para ilustrar. Aguardem os registros.

6) Maquiagem: Batom Líquido Rosadili, da Quem Disse Berenice?


Olha, essa única foto que achei está numa qualidade tão péssima e eu tô tão brava com a QDB? (QUE TIROU MEU PERFUME DE LINHA, VOU SAIR NA AVENIDA PAULISTA COM CARTAZES PEDINDO O IMPEACHMANN) que definitivamente não deveria estar fazendo jabá gratuito no meu blog (?) mas fazer o que, né? Desde que saiu essa série de batons líquidos da QDB que eles começaram a usar exatamente essa foto aí nos totens da loja e eu chegava seca pedindo “a cor da foto, moça” e estava SEMPRE esgotado. Aparentemente todas as mulheres do mundo que queriam o batom queriam o da cor da foto. Sei que depois de muito procurar, consegui o dito do batom e… desde o dia que comprei que ele está fechadinho dentro da sacolinha da loja, no meu armário. Morro de medo de usar e descobrir que não deu em boa coisa porque a minha boca está longe de ser bem desenhada e delicadinha como essa da moça da foto. Enfim, acompanhemos. Quando eu acordar inspirada eu tento e a gente vê no que dá.

7. Ídolo: Hehe, sério mesmo?



8) Doce: Crème Brulée


Não poderia concordar mais com Amélie Poulain: poucos prazeres pequenos dessa vida se comparam ao momento maravilhoso de quebrar uma casquinha de crème brulée recém servido. E o cheiro desse doce, senhoras e senhores, meu Deus. Só de pensar eu águo. Quando eu engravidar terei que comer isso todo santo dia ou  periga minha filhota (eu sei que será uma menina) nascer com cara de casquinha queimada. Judiação!

9) Foto


Eu e as minhas pessoas, no nosso apartamento, fazendo o que sabemos fazer de melhor: aproveitando a vida juntas abraçadas e de coroa na cabeça. Baby, we’re the new romantics.

10) Blog: So Contagious


Por essa vocês não esperavam, hein, hein, hein? Então. Difícil falar algo do blog da Anna que ela já não tenha dito quando falou do meu. Fiz amigas incríveis que escrevem blogs maravilhosos (conferir item 9) e amo cada uma delas e cada um dos  blogs com todo o meu coração, mas se tem alguém que tá sempre abraçada comigo nessa enorme cilada chamada blogosfera, esse alguém é a Anna Vitória. Sou fã desde muito e quando eu era só fã e ainda não amiga, pensava que queria ser a Anna quando eu crescesse. Hoje em dia eu tenho certeza de que eu adoraria sê-la quando eu crescer e olha só, eu meio que sou.

Falar do blog dela é quase como falar do meu. Não escrevo tão bem quanto, porque ela já nasceu escritora enquanto eu sigo tentando aprender, mas nós somos tão parecidas e estávamos tão traçadas uma no destino da outra que praticamente tudo acontece pra gente ao mesmo tempo. Desde encontros até desencontros, de vícios até avós no hospital, o fato é que quando eu era só uma fã tímida da menina do So Contagious eu não imaginava que ela era tão melhor ainda do eu supunha e que um dia nos chamaríamos de irmãs. Desejo vida longa ao blog dela porque ele vai vencer esse tempos difíceis para blogueiros que andamos vivendo e eu ainda vou ler ali inúmeras histórias que já terei ouvido antes de todos os outros leitores porque né, irmãs sabem de tudo antes dos outros e coisa e tal. Amiga, tamo juntas. Pra sempre.

Agora chegou a hora de indicar e eu vou jogar a batata quente pra dona Milena que só me promete que vai postar e não cumpre, pra Tary, que é outra que precisa atualizar o dito do blog ou vai levar botinas na cara, pra Amandinha e pra Dani! Boa semana pra vocês, galera, porque a minha vai ser ótima. VOU CASAR UMA AMIGA! 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

4 de maio de 2015 (e a gente de novo)

Na verdade o dia não começou nada bem e tampouco resolveu ficar. Era pouco mais de meia noite quando, saindo do banho, decidi que o meu cansaço era maior que minha fome, escovei os dentes e deitei embaixo de várias cobertas. Era pouco mais de meia hora depois disso que resolvi que não, a fome era maior e foi por isso que levantei morrendo de frio e fui jantar um macarrão que devia estar maravilhoso, mas não estava, porque a pasta do dente recém escovado deixava tudo com gosto amargo. E falar que era só a pasta a razão da comida ruim é eufemismo. Eu estava era arrasada mesmo.

Assim como no ano passado, a narrativa que a vida me concedeu ao 4 de maio depende totalmente do que veio a partir de 30 de abril. Talvez, até, a partir de 15 de setembro de 2011 onde a minha vida mudou para algo muito melhor do que eu sonhava imaginar. Mas vamos no ater a 2015 mesmo. Passei a noite do dia 30, o dia 1º e o dia 2 inteirinho e meio dia 3 colada nas minhas amigas – que vejo tão pouco e amo tão muito.

Dentro desse pequeno infinito teve de tudo: apartamento carioca, chá de lingerie, canudos peculiares, homens pendurados em paredes, I was enchanted to meet you (too), praia, balada de coroa, castelo ra-tim-bum, a melhor coreografia de abre a porta mariquinha que esse mundo já viu, um cara me pedindo em namoro antes mesmo de me beijar, sol nascendo, Sparks Fly, picanha, livros,  lanche sem abacaxi, muito choro e um punhado de lágrimas, aquelas que sempre vem na hora de dizer tchau. Nunca aprendi a dizer adeus e possivelmente nunca aprenda. Mas é maravilhoso ter a certeza de como sou sortuda por ter algo que torna as despedidas serem tão difíceis.

E foi por isso que o dia 4 começou dolorido e terminou igualmente ruim: porque eu passei o dia com a cara inchada e uma ressaca de saudade que insiste em não largar do meu pé. Aquela ressaca que vem abraçada na gente quando somos obrigados a voltar de onde não queríamos ter voltado. Aquela ressaca que aparece sempre que A Gente é partida ao meio.

Passei a vida inteira escutando – de uma grande amiga minha! – que o melhor amigo da mulher é o homem. “Mulher disputa, não existe relação sincera!”. Tenho um pouco  de pena dela de se ater tanto aos falsos paradigmas da sociedade e pouco aos fatos verdadeiros: sempre fomos e continuamos sendo grandes amigas, à parte das disputinhas de adolescência que rolaram. Amizade feminina existe sim e é uma das coisas mais bonitas que venho experimentando na minha vida. Se eu boto fé em algo nessa minha jornada, esse algo é A Gente. Tenho muita fé nA Gente. Vencemos o mundo pra nos encontrarmos, isso já explica muita coisa.

Mal falei do dia 4, mas acho que consegui explicar que o dia foi, inteiro, um grande vazio. De vozes, de risadas, de gritos, de abraços, de cantar Taylor Swift acompanhada e não sozinha, dos ares do Rio de Janeiro. Mas não se enganem: foi vazio só disso aí que citei. Todo o resto continua sempre presente, porque longe é um lugar que não existe, e se você quer estar com um amigo, já está.

haunt

Obrigada por estarem. Sempre.
It’s a good life.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Acontecem coisas

Se tem um detalhe nas novelas que me deixa meio doida das ideias é esse esquema de ponte aérea. Não que algum outro autor consiga ganhar da Glória Perez, a musa dos voos internacionais a preço de banana, mas é uma regra meio que geral que viajar em novela é algo muito simples. Pra começo de conversa, decide-se viajar de avião de um dia para o outro. Você pode ser empresário de sucesso, biólogo ou professora de escola pública: a passagem relâmpago “Rio de Janeiro-Fernando de Noronha” estará sempre cabendo no seu orçamento de emergência. “Quer viajar, pergunte-me como!” dizem os autores. TÔ INDO PERGUNTAR, digo eu.

O fato é que eu viajo sim. Porque a maior parte dos meus amigos e da minha família não mora na mesma cidade que eu. Todo mundo acha que eu viajo bastante – só eu sei que mal consigo sair do lugar e que minhas pseudo viagens de fins de semana deixam meu cartão com registros de parcelas até um tanto depois que ela acabou. Quer coisa mais deprimente que aquela viagem maravilhosa ter acabado há mais de 2 meses e você ainda ser obrigado a lembrar dela na hora de pagar passagem? Então. Mas o post não é sobre isso. (Inclusive, o dia em que eu conseguir começar um post pelo tema dele de fato vocês podem estourar um champanhe).

O post é sobre esse último feriado, deliciosamente emendado, que calhou com uma promoção de passagens e me levou até São Paulo. Se você é uma pessoa razoavelmente sociável que morou 10 anos em uma cidade, sabe que a possibilidade de ter feito um punhado de amigos durante esse tempo é bem provável. Dessa forma, quando estou em São Paulo passo praticamente o tempo todo em trânsito – e não no trânsito, porque usamos metrô – ou em algum restaurante.

A dinâmica humana é muito engraçada: 90% dos encontros são em almoços, jantares, cafés, sobremesas. É um pão de queijinho com um amigo, um sorvetinho com outro, um cachorro quente com aquele outro ali. Só não voltei 3 quilos mais gorda (em 3 míseros dias) porque em São Paulo se anda tanto que dá pra comer e emagrecer ao mesmo tempo.

Olha, nem vou ficar relatando em detalhes esses 3 dias em São Paulo porque deu  pra vocês entenderem, por cima. Mas preciso relatar uma noite. Ou ainda, a tentativa de uma noite que passei ao lado de minha amiga/irmã/anfitriã Milena Martins, aquela que mora na lua. Saímos de casa às 23h (ou perto disso) com altos planos de dançar até o sol raiar. Eu sei que a ideia de dançar até o sol raiar plus um par de sapatos de salto jamais configuram uma boa ideia, mas eu sou teimosa. Sou teimosa e tenho 1,57 de altura.
- Amiga, tô pensando em ir de salto, a balada é perto do metrô?
- Analu, salto nunca é uma boa ideia.
- É perto do metrô ou não?
- É, pertinho.

Toda santa vez que eu vou pra alguma festa/balada eu juro pela minha próxima geração que na vez seguinte não usarei salto (rssssss). Da última vez que eu precisei de Milena para me guiar em uma cidade grande ela nos fez dar uma volta no Rio de Janeiro para chegar a um lugar que era relativamente perto de onde estávamos. O prognóstico geral da ideia não era nada boa.

Andamos até o ponto de ônibus. Deu tudo certo. Pegamos o ônibus. Deu tudo certo. Pegamos o metrô. Deu tudo certo. Descemos na estação de metrô que era perto da balada. Saímos pela estação e eu já fui esticando o pescoço procurando a dita cuja que, se vocês recordam (e eu recordava muito bem) era PERTINHO. Não encontrei de cara, mas pensei que tudo bem vai, ainda é pertinho se for na quadra seguinte. Estávamos no meio da quadra seguinte e meus pés já estavam querendo doer quando resolvi abrir minha boca pra perguntar se faltava muito. “Claro que não, amiga” ela disse. E eu, louca para levar uma resposta negativa seguida de risadas, insisti: “Falta mais de uma quadra dessas?” ao que ela me respondeu, rindo: “Nossa amiga, muitas dessa ainda”.

chocked

Meu mundo começou a cair ali e não terminou de cair nunca mais. Porque a gente andava. Andava. Andava. E a balada simplesmente não aparecia. No fim das contas, o pertinho de Milena queria dizer que a estação de metrô era mais ou menos o número 1500 e a balada, o 600. Eu estava de peep toe, gente. E enquanto eu andava, além da dor do salto vinha aquele roçar do sapato nos dedos e isso configura uma tragédia irrecuperável. Era perto da meia noite quando FINALMENTE chegamos na tal da festa e acontece que a fila dava volta no quarteirão. Ficaríamos pelo menos 1 hora paradas na fila – e meu pé não aguentava nem 5 minutos.

O que fizemos em relação a essa situação? Se você pensou que demos meia volta e fomos embora você está corretíssimo. Não tenho cara de quem luta a esse ponto por uma balada na sexta-feira a noite, guardo minhas lutas para guerras muito maiores #momentoautoajuda. O detalhe ainda não mencionado é que o metrô fecharia antes de conseguirmos chegar na estação de Mimi, que infelizmente ainda não é na lua, mas é bem perto. Solução? Pararmos no meio do caminho, lógico, na casa da amiga da minha mãe onde ela, por obra do divino, estava hospedada porque, vejam só, também achou promoção de passagem.

Sei que pegamos um táxi para voltarmos até a estação do metrô (aquela que devia ter sido pertinho), entramos no metrô, pedimos informação para uns garotos sobre a baldeação e eles erraram a linha, de forma que pegamos sentido contrário, e a essas alturas a gente não conseguia mais fazer nada além de rir (e eu chorava junto pelo estado do meu pé). Entre mortos e feridos e depois de atravessarmos o viaduto da Sumaré COMPLETAMENTE DESERTO (#aventureiras) à 1 da manhã, chegamos ao prédio da amiga de mamãe e dissemos para o porteiro, com a maior cara de acabadas com roupa de festa: Oi, vamos no apartamento X. “Ok, quem são vocês?” disse o porteiro. No fim das contas ele interfonava e ninguém atendia – mas ficou com tanta dó do nosso estado que nos deixou subir. E foi assim que chegamos na residência, recebemos comida, lavamos o pé e dormimos – com roupa de festa e tudo – em duas no colchão de solteiro que estava do lado da cama que minha mãe estava usando. Acordei perto das 10 sem saber nem onde estava, o que me fez pensar que talvez dormir fosse tudo o que eu precisava mesmo ter feito naquela madrugada, ao invés de festar.

Se vocês acham que a dignidade já tinha diminuído o suficiente, não queiram imaginar a cena de voltar ~para casa~ as 11h da manhã de domngo COM ROUPA DE SÁBADO A NOITE, resto de maquiagem – e havaianas, porque não colocarei um salto nesses pezinhos tão cedo. E tenho dito.

As coisas, elas acontecem.
Autor desconhecido

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Das epifanias

Vocês sabem que dificilmente eu gosto de uma música na primeira vez que escuto, vide os dois posts completamente controversos que fiz sobre 1989 né. Então. Agora devo prolongar a história dizendo que, mesmo depois de passar a amar o álbum num conjunto, sempre sobram aquelas musiquinhas, geralmente as do meio pro fim, que ficam no maior estilo ~bombom fim de caixa~. Demorou pouco tempo para que eu me apaixonasse por New Romantics, até porque, ‘cause baby I could build a castle out of all the bricks they through in me não deixa margem para muita coisa além do amor.

Mesmo assim, confesso que garrei uma birra enorme com Wonderland e You are in love. Acontece que mesmo quando eu garro birra eu continuo escutando, pra ver se o negócio deslancha (e porque tenho toc mesmo, se resolvo ouvir o cd inteiro não fico pulando músicas, enfim). E foi justamente ontem, por um acaso do destino, que Wonderland me pegou.

Terminei meu banho e continuei pelo banheiro, pendurando toalha e ajeitando o cabelo enquanto o final da música tocava e foi no meu caminho até a área para pôr a roupa no cesto (#detalhes) que a letra ecoou nos meus ouvidos pela primeira vez: life was never worse but never better.

E desde então essa frase, tão clichê, coitada, não parou de ecoar na minha cabeça. Porque, gente, se vocês já estão nessa fase deliciosamente horrível entre os 20 e os 30 vocês sabem muito bem que a vida nunca foi pior, mas nunca foi melhor também.

Eu e minhas amigas, embarcadas nessa fase, não poderíamos estar melhor representadas por Wonderland. Vivemos chorando pitangas sobre confusões de identidade, paixões mal resolvidas, saudade, nostalgia e os dramas da vida adulta. Mas basta uma oportunidade para que joguemos, mesmo que por pouco tempo, tudo para o alto, embarquemos para o Rio de Janeiro e fiquemos muito ocupadas dançando para dar ouvidos para a parte chata do mundo.

Essa fase onde a gente já é adulto, mas não é, realmente não tem como ser pior – e nem melhor. Porque é bem nessa fase, mesmo que no meio dos enroscos, que a gente pode se dar ao luxo de fazer o que nossas próprias perninhas querem e começamos a entender que, realmente, the best people in life are free – e que nós somos essas pessoas.

taytay

No fim das contas estamos todas enfiadas até o talo no país das maravihas e, repito, a vida nunca foi pior. Mas nunca foi melhor também.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aquele com o Djavan

Tem quem diga que não existe coincidência. Eu fico meio que sentada em cima do muro para concluir meu posicionamento. Acho que nas grandes questões da vida a coincidência não existe mesmo: a gente certamente encontra os grandes amigos (e os grandes amores!) que tem que encontrar. Ligações de alma são destino. Estão cruzadas há muito mais tempo. Mas tem outras coisas, as pequenas, quase que irrelevantes, mas muito engraçadas, que não tem como deixar de ser coincidência – com um empurrãozinho piadista do universo.

Teve uma vez que A Gente estava na balada. Vejam bem, EU mesma não estava, mas é que quando A Gente está junto, todas estão, mesmo quando não, entendem? Então. Aí A Gente estava na balada e começou a tocar Djavan. Tudo bem que era uma balada tropicália, mas Djavan, DJ? Sério? Cruzamos os braços e ficamos olhando pra ele com cara de reprovação. Uma bronca levamos: apareceu um moço na pista e disse que o DJ só estava fazendo o trabalho dele na humildade e estávamos sendo desagradáveis cruzando os braços na pista. Respondemos que não éramos obrigadas a ouvir Djavan na balada e que cruzaríamos os braços quantas vezes fosse necessário. Logo ele percebeu e trocou a música.

Um tempo passou e A Gente (dessa vez eu estava!) saiu para o grande agito do ano. Era a formatura da menina passarinha, depois de infinitas contagens regressivas. E lá estávamos na pista, esperando ansiosamente a oportunidade de descer até o chão, quando a banda surge cantando... isso mesmo, Djavan. Aparentemente todas as bandas e DJs do Rio de Janeiro acham conveniente tocar Djavan nas festas.

Não que A Gente não goste de Djavan. As músicas deles são gostosinhas. Para ouvir na praia, num fim de tarde, olhando o mar e querendo tirar um cochilo, não no meio da pista de dança. Ninguém dança Djavan até o chão, a menos que já tenha passado das 5h e todos já tenham mais álcool que sangue correndo nas veias. Às 5h da manhã já estão todos carimbados, com as pernas doendo, e felizes o suficiente para dançar o que tocarem. Ao som de Djavan, às 5h da matina, nos abraçaríamos e ecoaríamos tranquilamente que o luar, estrela-do-mar, o sol e o dom. Mas não à 1h. Zoamos. Cruzamos os braços. Demos gostosas gargalhadas da perseguição Djavanesca que nos abatia. Passou.

Depois de um dia inteiro de ressaca moral e física, era perto das 19h quando A Gente chegou ao aeroporto para levar A Gente embora. Ainda estávamos dentro do táxi, estacionando, quando de repente: MEU DEUS, É O DJAVAN.

Eu confesso que JAMAIS reconheceria o Djavan se o encontrasse dando sopa por aí. Mas as Gabrielas reconheceram. Ficaram em polvorosa dentro do carro: precisávamos fechar essa história com uma foto do Djavan.

Saímos correndo do táxi e, muito envergonhadas, decidimos que eu fingiria tirar uma foto delas e pegaria o Djavan no meio. Ríamos. Ríamos e ríamos e nos curvávamos de tanto rir. Tantas pessoas no mundo pra encontramos e fomos dar de cara logo com o Djavan. Quando já estávamos desistindo de criar coragem e ir embora, duas meninas chegaram do além e pararam o cantor para tirar foto. Resolvemos aproveitar o gancho. Enquanto as tais garotas procuravam a câmera na bolsa, já cheguei com o celular estendido. Ele disse que eu era bem eficiente. Tiramos uma selfie. E nunca mais conseguimos parar de rir.

#momentos

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

E nessa loucura de dizer que não te quero

                                                                                                                                                            Esse post faz parte do meme  de setembro do Rotaroots 

Quando eu era pequena, karokê para mim era símbolo de festa de aniversário particular. A pessoa alugava o aparelho, os microfones, instalava na própria teve e voi la, passava-se o dia – quiçá o final de semana todo – cantando.

Durante uma época da minha vida, mais ou menos dos 9 aos 11, meus pais tinham um casal de amigos cujos pais da moça tinham um sítio em uma cidade a mais ou menos 2 horas de São Paulo. Passávamos longos feriados lá. Tinha piscina, fogão a lenha para fazer pizza e, impreterivelmente, se alugava um aparelho de karaokê. Fazíamos maratona. E a primeira coisa que me vêm à cabeça quando lembro disso era do Guto (o moço do casal) gritando:

- Não é possível que vocês vão cantar Falamansa de novo.

Quanto mais ele fingia reclamar, mais cantávamos Falamansa em looping. A música preferida do momento era o Xote dos Milagres, seguida sempre por Rindo a toa. Fora isso, eu sempre cantava Maria Chiquinha, e amava a parte que dizia “- o resto? Pode deixar que eu aproveito!” sem entender absolutamente a malícia da frase. Que tempos, senhoras e senhores.

 Um tanto mais velha, minha amiga marcou o aniversário dela num karaokê. Isso para mim era um universo distante, de televisão e filmes, onde alguém ficava bêbado, subia no palco e cantava. Nunca imaginei que era um lugar divertidíssimo e acessível a ~pessoas normais~ - não, é claro, que eu e meus amigos fôssemos normais.

Essa experiência já contava com o palco – o que me deixou roxa de vergonha para pegar o microfone pela primeira vez na noite, mesmo sabendo que depois da primeira a coisa anda. Mesmo assim, a sala do karaokê estava reservada para a aniversariante, de forma que o máximo de vergonha que tive foi alguns outros poucos amigos dela que eu não conhecia. Minha turma era a maioria, e entre nós não tinha grilo.

A outra história é a que acabou me ensinando a minha teoria sobre karokês – teoria essa que rege a minha ideia de lista de músicas para karaokê que o meme do RotaRoots sugere. No primeiro encontrão da máfia nossa programação contava com bienal do livro e karaokê de noite. E lá estávamos, no karaokê, em uma sala com mais dois grupos. Nós, em torno de 13 meninas barulhentas e eufóricas. Eles, dois grupos de mais ou menos 8 pessoas, conversando normalmente e.... se levando a sério demais.

Nós ríamos umas das outras, cantávamos tudo em coro, principalmente Assererrê e aquela do Kid Abelha, com toda a inserção necessária de trocadilhos que vocês conhecem muito bem. Cantávamos sertanejo e dançávamos forró. Inventávamos, inclusive, o espanhol que não sabíamos para cantar Shakira. Tudo isso revezando palco e microfone com os outros grupos que... cantavam solos de (juro) músicas dramáticas do Evanescence. Óbvio que teve muito mais coisa, mais o fato que mais me vem à cabeça quando eu lembro da cantoria dos outros grupos era do moço, sozinho no palco, com cara de sofredor apaixonado, cantando My Immortal e, adivinhem... se levando a sério demais.

Foi ali que eu descobri que se você quer se levar a sério demais você deve cantar no próprio chuveiro ou na aula de canto. Karaokê não é lugar para isso. Karokê é para fazer folia, mesmo que seja em cima de sofrimento. Está chateadíssimo e desiludido? Cante evidências! Abuse das caretas, convide os amigos para sofrer juntos. Música de karokê é música que todo mundo sabe cantar. É música que vai envolver a sala toda. Essa é a graça.

Participação especial da menina do Agora moro na Lua

E é por isso que na minha visão, a lista de músicas que não devem faltar em um karaokê – quer você esteja com o microfone na mão ou apenas apoiando o coro – é uma coletânea de todas as coisas erradíssimas e divertidas que eu fui citando acima: Falamansa e seus xotes, Sandy e seus chicletes apaixonados, Balão Mágico, Lua de Cristal, Estoy aqui querendo-te e tudo mais o que for desse gênero. E perdoem-me a repetição, mas preciso deixar bem claro: Uma noite de karaokê sem Evidências é uma noite de karaokê jogada no lixo. A propósito: chega de mentiras, de negar o meu desejo, eu te quero mais que tudo, eu preciso do teu beijo, eu te entrego a minha vida pra você fazer o que quiser de mim, só quero ouvir você dizer que sim! Diz que é verdtá bom, parei.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nosso lar

Via de regra eu detesto os anúncios do Youtube. Eles são uma sarna quando você se prepara psicologicamente para ouvir uma música fossa e ele toca um samba de repente (ou vice-e-versa). Eu sempre pulo o anúncio, irritadíssima, quando acabam os 5 segundos obrigatórios.

Dia desses teve um que eu não pulei. Era, se não me engano, da Natura, e eu achei deveras criativo. Nele as pessoas falavam: “Meu nome é Fulana e eu tenho 32 anos”. O que me intrigou e fez com que eu continuasse assistindo sem passar era o fato de que as pessoas absolutamente não tinham a idade que diziam ter. Ou a propaganda era de algum creme milagroso ou a ideia do publicitário era genial. Fiquei feliz quando vi que era a segunda opção.

Na verdade, a idade que as pessoas diziam ter era a idade de alguma outra situação em suas vidas e só após todas terem se apresentado é que elas revelavam esse detalhe. A primeira fulana tinha 32 anos de casada. A outra, 24 anos de amizade com a melhor amiga. Um outro ainda, 3 anos de empresa.

A sacada não foi genial? Nossa vida realmente não pode ser medida somente pela nossa idade biológica: tem muitas outras idades em jogo. Idades de histórias que vão nos completando.

Eu, por exemplo, tenho 22 anos de nascida. Tenho quase 19 anos de irmã. Tenho quase 5 anos de Curitiba e tenho 7 meses de formada em jornalismo. Tenho 18 anos de leitura na babagem, 6 anos e 11 meses sem uma das minhas avós, 10 anos que virei mocinha. E hoje tenho exatamente 3 anos da amizade mais linda que eu já construí.

Em 15 de setembro de 2011 eu e uma amiga selecionamos umas blogueiras que conhecíamos, cliquei no botão “criar grupo” no Facebook e minimamente imaginei o quanto minha vida seria diferente 3 anos depois. Fica muito difícil exemplificar e contar em detalhes – quem está no meio entende tudo. Só o que posso deixar claro é que a pessoa que eu era em 2011 não faz ideia de quem eu virei em 2014. A pessoa que criou aquele grupo em 2011, na maior inocência e vontade de fazer memes não fazia a menor ideia de como a sua vida ganharia mais cor. A vida é muito melhor quando a gente pode desvendá-la bem acompanhada. É muito melhor quando a gente não é só um, e sim, A Gente.  É muito melhor quando, onde quer que estejamos, contamos com certeza de que temos um lar. Ou ainda melhor: de que somos um lar. E lar, minha gente, não preciso nem repetir: sabemos muito bem que nunca significou espaço físico e sim encontro de almas.

Andar acompanhado de ti faz meu coração se sentir melhor

Obrigada!