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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Alemanha 7 x Brasil 1, eu vi isso acontecer

Uns dois dias antes de disputarmos as oitavas de final contra o Chile eu sonhei que tínhamos perdido de 6 a 1 para o Uruguai. Acordei desesperada e aliviada ao mesmo tempo: graças a Deus era só um pesadelo. Mal sabia eu que, dias depois, a realidade se revelaria ainda pior. Não foi de 6 que tomamos. Foi de 7.

Acho que a gente sente o peso da idade bater quando vive algum acontecimento marcante. Depois do jogo do Chile, enquanto voltei à pé, para a casa do meu tio, enrolada na bandeira, pensei que iria amar contar para os meus netos que eu estava lá em 2014 e vi o Brasil ganhar uma Copa nas oitavas de final, batendo (e pegando) pênaltis. Ontem eu fui obrigada a perceber que o que vou ter que contar para os meus netos é que eu estava lá em 2014, no dia que o Brasil perdeu uma semifinal de 7 a 1 e não se iludam, queridos netos, só fizemos 1 gol porque a Alemanha ficou com dó.

Desde que eu entrei em estado de choque quando a Alemanha fez 4 gols em 6 minutos (sim) que eu fiquei imaginando o que me sobraria para escrever, já que não poderia usar o texto do hexa que veio pronto na minha cabeça outro dia. 

Até agora, confesso, não descobri o que escrever. Mal dormi a noite, tive febre (sim), sonhei com futebol a madrugada inteira. Talvez meu problema tenha sido levar essa Copa a sério demais. Porque eu levei, sabe. Antes do nosso segundo jogo, minha tia disse, em um almoço em família, que a Dilma tinha comprado a nossa vitória. Eu, do alto da minha falsa maturidade, disse que era melhor perder então, porque ganhar comprado seria um absurdo. Dias depois, enquanto morria do coração no jogo contra o Chile, juro que cheguei a rezar: Dilma, se você não comprou, compre. Eu quero ganhar.

Hoje, depois de tomar de 7, apesar de estar sofrendo, retorno ao meu pensamento anterior: ganhar comprado realmente não seria justo. É duro admitir mas não estamos jogando bola e o país do futebol não merecia levantar a taça do Hexa em casa sem ter jogado bola o suficiente para isso. Quem sabe em 2018, quem sabe em 2022 ou 2026, quem sabe quando ele voltar a dar show em campo e honrar exibir a taça ele o faça de novo. Está doendo, e muito. Me senti atropelada pelos alemães ontem mas, venhamos e convenhamos, é muito mais bonito vencer na raça do que vencer na sorte. 

A Alemanha está jogando tanta bola que eu nem consigo sentir raiva dos caras. Muito pelo contrário: Agora que o Brasil não está mais brincando, torcerei pela Alemanha com toda a força que me restou. Não antes, claro, de torcer para o Brasil levar o terceiro lugar. Não que eu acredite que, depois desse atropelamento, aqueles meninos, tão desgastados emocionalmente, consigam jogar alguma coisa. Mas jogando alguma coisa ou não, torcerei. Torcerei sábado, torcerei daqui há 4 anos, torcerei sempre. "Pior do que sofrer seria não ter copeado", disse minha sábia amiga Amanda quando eu disse que não brincaria de Copa nunca mais. Não sei quem eu queria enganar. Claro que brinco. Brincarei sempre. Brincarei tanto que hoje ainda estou com a blusa do Brasil que vesti em cada um dos jogos. Brincarei tanto porque sempre aprendi que não pode descer pro play quem não sabe perder. Sei perder, por mais que doa. Sei chorar por ter tomado de 7. Nunca vou esquecer desse dia mas, trocadilhos à parte, vamos tocar a bola pra frente e lembrar que nossos avós viram o Maracanazo em 1950, antes de comemorar o tetra em 94 e o penta em 2002 e que, por isso, nunca vamos perder a esperança de comemorar um hexa e um hepta (!), mesmo depois de termos sido atropelados no Mineirão, em 2014. 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ganhamos, mas perdemos

Desde que a euforia do jogo passado passou, por volta de domingo à noite, que eu estava tentando esconder de mim mesma o medo terrível que eu estava de, pela terceira vez seguida, ser eliminada nas quartas de final.

Engraçado que, um pouquinho antes da bola rolar no campo, eu acalmei. Assisti ao começo de jogo limpa e leve. Quando o Brasil fez o primeiro gol eu acreditei que estava ganho, tentando apagar da mente a tal ideia do jogo só acabar quando terminar. Depois do gol da Colômbia eu confesso que ameacei perder o prumo. Por outro sufoco de prorrogação nós não merecíamos passar, pensei. Antes tivéssemos merecido.

Ganhamos. Ganhamos no tempo normal, embora o juíz tenha dado os cinco minutos de acréscimos ~mais longos da minha vida~ #copadrammaqueen.. Ganhamos e eu comemorei mesmo confessando que antes de comemorar essa vitória eu já estava chorando de medo da seminfinal contra a Alemanha. Aprendamos a aproveitar o presente. Ganhamos! Ganhamos e eu me emocionei com David Luiz, aquele maravilhoso, trocando de camisa com o Jamez. 

Consolidada a vitória, joguei futebol no corredor com meus priminhos e ganhei de 8 a 4. Decidi acabar com a bagunça antes de derrubarmos um quadro e a coisa ficar preta. Mal desconfiava eu que meu aperto no peito queria dizer que a coisa já estava preta.

"Neymar está fraturado e fora da Copa", disse minha mãe enfiando a cabeça no quarto, como quem diz que está indo na padaria porque o queijo acabou. As palavras "Neymar" "Fraturado" "Fora" e "Copa" não podiam habitar o mesmo parágrafo. Muito menos a mesma frase. Mas estão habitando e, embora eu não queria acreditar, temos que lidar com os fatos.

Vamos jogar as semifinais contra a Alemanha. Sim. Jogaremos sem Neymar e sem Thiago contra Muller e Podolski. Se perdemos a esperança? Não, não perdemos. Mas perdemos uma boa parte de nosso brilho. Acho que fico mais triste de imaginar que jogaremos uma final sem nosso craque do que qualquer outra coisa. Se espero que ganhemos? Espero. Mas espero que ele entre em campo pra levantar a taça. Ele não é nem nunca foi meu favorito (David, Thiago e Julio, confio em vocês), mas merecia estar ali. Força, Neymar. Agora a gente tem que jogar pra você. Nunca pensei que podia existir uma vitória tão amarga. 

Joga pra ele, Brasil

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Te passei Copa

Já falei nesse blog algumas vezes sobre como eu acho que a paixão é um troço sensacional. De toda essa blogosfera cheia de textos bacanas, de longe os que mais gosto de ler são aqueles apaixonados: por uma banda, por um livro, por um hobbie, por uma pessoa. O efeito que a paixão causa em quem a sente é sensacional, e por isso mesmo não deixa de ser interessante para quem lida com pessoas apaixonadas.

Uma vez eu li um texto que dizia que a gente só deve se apaixonar por uma pessoa cheia de paixões próprias, e eu achei brilhante. Cada pessoa é, realmente, um universo, e é isso que é divertido. Compartilhar paixões.

E eu pensei em escrever isso e deixar registrado nessa semana de crônicas da Copa porque eu assisti o tão falado jogo Brasil X Chile com 3 amigas e garanto-lhes que duas dentre elas, no início da Copa, mal queriam saber do assunto. Milena já tinha dito, inclusive, que Copa para ela era como os dias de chuva em Cuiabá: como ela mora no Rio, não podia se importar menos com as alterações pluviométricas do Mato Grosso e era exatamente assim que se sentia a respeito do mundial. Giu tinha ficado com estafa do assunto depois de tanta polêmica em torno dele. O fato é que nenhuma delas estava se importando com os homens correndo atrás da bola até que, no dia das oitavas de final, estavam de pé, comigo e com Paloma (que já era entusiasta do assunto desde o início, como eu), enrolada na bandeira do Brasil no meio de uma lanchonete, rezando para a bola balançar a rede.

Paixão é vírus, gente. Do bom. Não tem outra explicação. Só gente apaixonada consegue motivar os outros e da mesma forma que já li livros só porque alguém apaixonado me indicou e ouvi músicas só porque algum outro apaixonado me deu um toque, elas só estavam ali pulando GOL de mãos dadas porque eu passei um pouco de Copa para elas. Achei divertido. Venhamos e convenhamos, passar paixão é muito melhor que passar gripe.

torcida
Isso muda o jogo

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Se eu fosse o técnico

Na Copa de 2006 minha amiga dizia que torcia para a Inglaterra só por causa do Beckhan. Achei que torcer para outro país só porque o jogador era gato seria demais para mim, mas não deixei de querer pagar de descolada e "assistir" a Inglaterra jogar só para ficar de olho no moço. Mesmo assim, lembro de lances onde eu estava sentada no sofá, dizia que o Beckhan era lindo por 2 segundos e voltava a ler meu gibi. "Não troque de canal, estou assistindo" eu dizia. A-ham.

Para essa Copa eu achava que estava com o mesmo ânimo que para as outras: Eba, vai ter Copa, vai ter folia, vai ter Gol. Achei que ia sentar para ver os jogos do Brasil e que ia ficar tudo bem. No entanto, como vocês já perceberam, viciei nessa Copa de uma maneira que possivelmente nem Freud explique, estou assistindo tudo o que posso e, inclusive, aproveito mais os jogos que não são do Brasil. Pimenta nos olhos dos outros é refresco e possibilidade dos outros perderem e continuarmos lindos e classificados também é um refresco gigante. Tudo bem a Grécia ir para os pênaltis, tudo bem a Bélgica se virar na prorrogação. Nada bem o Brasil indo para pênaltis e meu coração entrando em colapso. Tem jogo do Brasil sexta-feira e desde segunda-feira que eu martelo esse fato na minha cabeça sem conseguir relaxar. Minha vida era feliz quando eu não era envolvida com essa brincadeira de Copa, mas tudo bem, não foi disso que eu vim falar.

Vim falar que então, eu ando assistindo muita coisa, levei meu álbum (sim) super a sério e coisa e tal. Com tudo isso, confesso, ando aproveitando horrores as beldades que o mundial anda colocando na minha televisão principalmente aquelas vestidas com uniforme da Puma. Pensando nisso, vasculhando meu álbum e lembrando que quando a Espanha foi desclassificada eu fiquei boladíssima por ter que dar adeus a Jordi Alba, decidi montar o time com meus 11 favoritos. Não dá para levar totalmente a sério uma semana inteira de posts sobre a Copa. Decidi que eu também sou filha de Deus e que posso brincar de objetificar homens por pelo menos um texto.

Para começo de conversa, quero deixar claro que não levei em conta atacantes/zagueiros/centro-avantes/volantes e posições do gênero porque ia dar trabalho demais. Tentei escolher apenas 1 goleiro entre eles mas não consegui, módique vocês podem e devem ignorar táticas de jogo e focar no fato de que o time foi montado pelo meu útero (pedreira) e não pela minha cabeça. E sim, eu sei que muita gente na internet já deve ter feito lista com os mais gatos da Copa, mas tô nem aí e quis brincar disso também. Não está em ordem nenhuma, muito menos de preferência, porque já foi difícil escolher só 11, imagina elencar. Vamos lá.

  • Miguel Veloso, Portugal. Confesso que nem tinha percebido esse ser humano enquanto figurinhas eu colava, mas foi só o bichinho dar as caras no primeiro jogo de Portugal para eu ficar abobalhada com tamanha saúde e me oferecer de coração para consolá-lo após à goleada que eles tomaram. Às vezes faz umas escolhas erradas de penteado, mas acho que podemos ignorar esse detalhe e focar na barba, no sorriso e nos braços. Eu casaria com Miguelzinho em um campo de futebol.
  • Thomas Müller, Alemanha. Se me mandassem imaginar um Alemão, eu certamente imaginaria Thomas Müller, exatamente como ele é. O moço é desengonçado, o cabelo dele fica todo desmantelado quando ele sua, ele tem um sorriso todo torto e mal diagramado e certamente passa o domingo de bermudas com meião até o joelho e um tênis esquisito. Sem ser nenhuma Brastemp, Thomas é certamente a Eletrolux que mais conquistou corações nessa Copa. Difícil ver esse homem sem seu sorriso errado no rosto ou sofrendo legitimamente por uma bola que não entra. Roubou meu coração quando, ao levar uma cabeçada do absurdo do Pepe no jogo de estreia, fez a maior cara de perdido do século, que me pareceu ter o seguinte subtexto: "Credo, que que é isso, tão me batendo, que gente ruim". Müller é todo esquisitinho. E por isso mesmo dá vontade de pegar ele no colo. 
  • Robin Van Persie, Holanda. Esse aqui certamente é unanimidade. Não encontrei uma alma feminina no twitter que, durante algum jogo da Holanda, não tivesse comentado sobre ele. O homem tem um sorriso maravilhoso, um corpão, e um cabelo rajado de grisalho que esbanja classe e seriedade. Na triste derrota do México, a única coisa que me consolou foi que eu continuaria tendo Van Persie na minha televisão por pelo menos mais 90 minutos. Morrerei de saudades de tamanha ostentação de beleza. 
  • Álvaro Rafael González, Uruguai. Fiquei profundamente decepcionada comigo mesma por só ter descoberto González no último jogo do Uruguai, quando apenas assisti ao moço voltando para casa. Foi um encontro muito rápido, o nosso, mas não deixa de ter sido marcante. Amores de Copa vem e vão, são aves de verão, já disse o sábio twitter. Além da barba e do olhar marcante, menino González contava com o advento do uniforme da Puma. Preciso dizer mais nada, né? 
  • Cláudio Marchisio, Itália. Imagino que seja outra unanimidade, porque não se ouve falar de Itália sem ouvir falar de Marchisio e olha que a Itália nos fornece infinitas possibilidades de paixonite aguda. Em uma seleção que conta com nomes como Rossi e Buffon, elejo Marchisio como meu favorito e reitero que sinto profundas saudades desse elenco que iluminou meus olhos por apenas três jogos (mesmo ficando aliviada de eles não terem a chance do Penta). 
  • JUUUUUUUliocesar, Brasil. Piadas a parte, o grito de Galvão Bueno no jogo contra o Chile é meu bordão favorito dessa Copa. Na falta de gritos de gol, nosso chato e empolgado narrador aproveitou para narrar um não-gol do Chile cantando o nome de nosso goleiro como se um aclamado gol ele fosse. Sempre confiei e amei Júlio César, mas terminei o exausto jogo de sábado ainda mais apaixonada por ele. Amo seu formato de rosto, seu olhar, sua entrega, e até o choro de garra que aconteceu enquanto ele defendia os pênaltis. Vai que é tua, Júlio!
  • Niko Krajcar, Croácia. Moço Niko fez o maior sucesso na internet após ser fotografado no banco da Croácia no primeiro jogo. No meu caso, digo que foi paixão à primeira vista ou, para formular melhor, à primeira figurinha. Desde o dia que tirei a figurinha deste ser humano do meu pacotinho que pensei que o mundo estava mais lindo com sua presença. Niko é tão bonito, mas tão bonito que eu juro que nem sei o que comentar sobre o assunto. 
  • Jordi Alba, Espanha. Quem me falou desse moço foi a dona Paloma. Enquanto todo mundo pirava com a seleção da Itália no álbum de figurinhas, essa sensata menina mandou que eu fosse prestar mais atenção na Espanha que não somente contava com Xabi Alonso e Gerard Piqué, mas com Jordi Alba. Alba me encantou, também, na primeira figurinha e vê-lo em campo só me deixou chateada por notar que a Espanha tomaria um cacete e sairia, zonza, na primeira fase. Um ano é da caça, outro do caçador, realmente. Mas Jordi bem que podia ter ficado um pouquinho mais de tempo.
  • James Rodriguez, Colômbia. Confesso que estou ansiosa para ver o moço chorar na noite de sexta-feira após perder do Brasil. Mesmo assim, não posso deixar de citar o então artilheiro da Copa que de tão novinho parece um neném e tem um dos sorrisos mais meigos dentre essa macharada toda. 
  • Sokratis Papastathopoulos, Grécia. Precisei abrir o google no mínimo 3 vezes para conferir se estava escrevendo direito esse sobrenome, mas cartórios à parte, moço Sokratis tem uma garra para jogar e um olhar tão lindo que me encantou, principalmente quando eu descobri que ele tinha marcado seu próprio casamento para o dia em que possivelmente a Grécia jogaria as quartas de final. Okay que não é nada romântico não acreditar na própria seleção, e fosse eu a noiva estaria em cólicas, mas achei isso tão lindo e atrapalhado (?) que me apaixonei. Me deixem.
  • Gonzalo Higuaín, Argentina. Óbvio que é contra os meus princípios torcer para a Argentina, mas não tinha nada escrito no contrato que me impedisse de me apaixonar por alguns deles. Para começo de conversa, os sobrenomes argentinos são bonitos demais. Eu assinaria Rojo, Aguero, Romero, Messi e Higuaín sem pensar duas vezes. Além de agregar valor ao cartório, Gonzalo ainda faz meus olhos se emocionarem com tamanha beleza. Alguma coisa no jogo da Argentina tem que valer a pena. 
  • Guillermo Ochoa, México. Outro menino de nome chique e, tudo bem que eu passaria horas tentando convencê-lo a cortar esse cabelinho desnecessário, mas o fato é que foi Ochoa que me impediu de seguir minha regra inicial de escolher um goleiro só. Não só ficou famoso por ser um verdadeiro muro dentro do gol, Ochoa encantou meu coração e sinto pena dele até agora pelo pênalti holandês que ele não conseguiu pegar. Minha torcida era toda sua, seu lindo. 
Talvez vocês não tenham percebido o lapso, mas eu pensei, pensei, pensei, achei que tinha fechado em 11, sofri por deixar o lindo goleiro Karnesis de fora e, ainda assim, depois de escrever tudo, contei e percebi que tinha escolhido 12 nomes. Deixamos o Ochoa na reserva do gol então e tá tudo certo, a gente faz de conta que ninguém percebeu o ato falho. Um beijo para vocês.

Esse post teve patrocínio de


terça-feira, 1 de julho de 2014

Só acaba quando termina,

diz meu pai desde que me conheço por gente. Acho que a lembrança mais remota que tenho dessa frase é de uma vez em que estávamos no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, assistindo algum jogo da Liga Mundial de vôlei, e eu dizia, no meio do primeiro set, que o Brasil já tinha ganhado. Lá vinha meu pai, com uma voz lenta, arrastada e bem mais sensata que a minha, repetir: Caaaaaaalma. O jogo só acaba quando termina. No caso do futebol, sei que, ao comemorar antes da hora, ainda posso contar com um sonoro: Caaaaaalma. Só acaba quando o juiz apita.

Acho que a minha memória mais impactante em relação a essa fato foi nas Olimpíadas de 2012. Não sei se vocês lembram, mas estávamos perdendo o jogo de vôlei por 2 a 1. Era só as (russas?) fecharem mais um set e pronto, levavam o ouro para casa. Elas fizeram 24 pontos, minha gente. 24. Faltava UM mísero ponto, que era só fazer sacando muito bem ou deixando o Brasil mandar uma bola para fora. UM mísero ponto que elas nunca conseguiram fazer, porque viramos o jogo, ganhamos o set e os próximos dois. Acho que foi a melhor conquista de ouro que já assisti. Oso oso oso de virada é mais gostoso. Vamos combinar que prefiro não passar pelo desespero de ter que virar um jogo, mas que é mais comemorado, isso é. 

O jogo só acaba quando termina. Foi inevitável escutar a voz do meu pai na minha mente, lenta e arrastada, quando saí para almoçar desligando México e Holanda, a 15 minutos do jogo acabar, confiando minha alma no Ochoa e feliz da vida porque alguém ia tirar a Holanda antes que fôssemos obrigados a brincar disso. Óbvio que abri o twitter enquanto estávamos no carro, para poder acompanhar o finzinho da derrota holandesa e só sei que de repente eu falei: Gente, a Holanda empatou.

Faltavam CINCO minutos para o fim do jogo. CINCO. E antes mesmo de eu me preparar psicologicamente para uma prorrogação fui obrigada a descobrir que o México tinha cometido um pênalti e que o Ochoa não tinha conseguido pegar a bola. A essas alturas, eram DOIS os minutos restantes. DOIS minutos restantes e a Holanda me ganha o jogo sem nem me dar de presente uma prorrogaçãozinha para eu ter esperança. Só de lembrar meu coração se parte em cacos.

Se merricana eu fosse, até agora eu estaria sentada na frente da televisão em estado de choque absoluto. Se merricana eu fosse, nunca mais esqueceria que o jogo só acaba quando termina, e se alguém viesse me falar essa frase eu juro que lhe daria um soco na cara. Sendo eu brasileira e já tendo sofrido mais do que devia com a súbita derrota alheia, vou focar nessa palhaçada dessa frase e só vou relaxar quando o juiz fizer o favor de apitar nossa vitória, aos 45 do segundo tempo, sem prorrogação e pênaltis, porque para dois jogos seguidos eu JURO que não tenho estrutura. E tenho menos estrutura ainda para perder um jogo aos 47 do segundo tempo. Vocês se emendem.

É disso que o meu povo gosta

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Brasil X Chile, 28 de junho, eu sobrevivi

Eu falei que não ia mais tentar me controlar e não vou. Principalmente não depois de sábado. Porque algo sobre sábado está entalado na minha garganta (rouca) desde que saí na rua com a bandeira enrolada no pescoço e porque minhas dores musculares não me deixam negar que aquele jogo me atropelou como um caminhão.

No meu post passado, onde eu relatei que nos outros 3 anos e 11 meses onde não existe Copa eu não consigo entender direito a paixão das pessoas pelo futebol, minha amiga brilhantemente comentou que a magia é toda essa, porque para a paixão não existe explicação nenhuma. Achei um comentário bonito e sincero, mas nada que mudasse a minha vida. Pelo menos não até sábado, quando olhei aqueles goleiros, em câmera lenta, se dirigindo para o gol como quem se dirige para a forca.

Eu assisti ao jogo em uma lanchonete bem bacana aqui de Curitiba. Eu e minhas amigas chegamos tarde: devia faltar uma meia hora para o jogo só. Obviamente não conseguimos mesa, o que, acho eu, foi até melhor: assistimos no balcão do bar da fila de espera, NA FRENTE da televisão. Perdi a conta de quantas vezes ajoelhei na banqueta e soquei aquele balcão. Mas nada se comparou ao momento dos pênaltis.

Juro que, até agora não sei como, pelo menos ali na área do bar só estávamos eu e minhas amigas (Mimi, Giu e Palo) em pé. Não sei que tipo de torcedor tem sangue frio o suficiente para assistir sentado a uma disputa de pênaltis, mas só sei que eu estava enrolada na bandeira, de mãos dadas com minhas amigas, como se a minha vida dependesse daquela bola entrar naquele gol. E foi ali, naquela caminhada lenta dos goleiros até o gol que eu entendi tudo o que a Anna quis dizer naquele comentário anterior.

Tive uma epifania rápida e não pude deixar de rir de mim mesma. Pensei: "Engraçado pensar que daqui a 10 minutos estaremos classificados ou eliminados. Simples assim. Ou estaremos muito felizes ou muito tristes. E...? Gente, é um campeonato, que engraçado pensar em como isso mexe com a gente. É só uma bola. São só 11 homens jogando. Não vai mudar absolutamente nada prático na minha vida aquela bola entrar no gol e mesmo assim, meu Deus, não consigo deixar de rezar para que ela entre ali, balance aquela rede e me dê uma classificação." E era isso. Não existe lógica nenhuma, e acho que eu entendi que, quanto menos lógica tiver, melhor fica. Porque emoção não tem que ter lógica. Um grito de gol não tem que ter nenhum sentido. 

Eu estava posicionada de frente para a cozinha do bar. Por uma janela, ao lado de nossa televisão, podíamos ver tudo o que rolava na cozinha. E foi nesse momento que eu olhei para lá e percebi que a cozinheira comemorava o pênalti antes de mim. Claro! A televisão deles era com sinal analógico, tudo acontecia segundos antes! E foi assim que, enquanto na nossa televisão o Sanchez se posicionava para bater, que ela cornetou quase chorando e eu comecei a pular junto. Antes dele chutar. Antes daquela bola bater na trave.  E foi só ali que eu descobri que eu tava com o corpo inteiro duro há mais ou menos 20 minutos.

Hoje já é segunda feira. Eu tenho pouquíssima voz. Meu ombro e minha barriga doem como se eu tivesse passado o fim de semana fazendo abdominais. Esse jogo me atropelou como um caminhão desgovernadíssimo. E desde que aquela bola chilena não entrou que eu não consigo deixar de sorrir. Não tem a menor lógica. E essa é a exatamente a magia. Vamos para as quartas, Brasil! Joga para mim! 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Vim falar de Copa de novo

Sem nenhuma razão específica. Aliás, eu nem sei no que esse texto vai dar, nem sobre o que exatamente eu vou falar, mas é que Copa é o único assunto que ronda na minha cabeça nesses últimos dias e se Antônio Prata que é Antônio Prata e recebe para escrever já deve ter feito, se não me engano, 5 textos sobre o assunto, não sou eu, réles mortal, que vou me privar.

Durante os 3 anos e 11 meses em que somos obrigados a viver sem Copa eu juro que absolutamente não consigo entender o que as pessoas tanto veem em futebol. Gente, 22 homens brigando por uma bola. Sério? Qual é a graça disso? Qual a graça de sentar, todo ano, todo domingo a tarde, na frente da televisão para torcer, sei lá, para o Corinthians? Sim, porque eu digo que sou vascaína (e sou, tenho até camisa) mas se vi metade de 3 jogos na vida foi muito. Dou um sorriso quando ganha e no dia seguinte já esqueci. Agora, acho realmente engraçado galera soltando fogos e ficando mal humorada por causa de jogo. Até por que, uma curiosidade que me faz gastar massa cerebral às vezes é: o que significa torcer para um time?

Porque na Copa é diferente. Você torce para a seleção do seu país, fim de papo. Agora. Time. Você nasce, seu pai coloca em você a camisetinha do Palmeiras e aos 12 anos você tá gritando gol e chorando por causa do time. Acho muito engraçado. Grita que jamais seria São Paulina. E se seu pai tivesse colocado em você a camisa do São Paulo, São Paulina você seria, sem dúvida nenhuma. Fico pensando de onde veio. Será que meu bisavô, um belo dia, olhou a camisa do Vasco e pensou: Que linda essa cruz vermelha, vou torcer para ela! E isso rendeu toda uma linhagem? Não sei. Acho curiosíssimo. Algum antropólogo já defendeu tese sobre isso?

Mas então, o que eu ia dizendo é que por 3 anos e 11 meses eu acho curiosíssima a relação das pessoas com o tal do futebol mas que, durante esse 1 mês que rola entre junho/julho a dada 4 anos eu viro outra pessoa. Viro alguém que fica rouca gritando gol, que xinga juiz, que trata de relembrar o que é a regra do impedimento. Já era divertido nas outras, mas nessa Copa eu não sei o que aconteceu.

Não sei se é porque é aqui, não sei se é porque eu virei adulta (!), não sei. Só sei que eu sei nome de jogadores de outras seleções, sei quais são os mais chatinhos, sei as datas de todos os jogos e, pasmem, pessoas do meu trabalho me ligam para me perguntar se eu acho que o Brasil passa pelo Chile com tranquilidade ou não. Como otimista inveterada, gritei no telefone que passa, claro que passa, e que o Chichichilelele vai cantar a musiquinha chorando sábado a noite, comprando passagem de volta. Otimismo esse que não consegue impedir o pavor que sinto, bem lá no fundo, de sair eu chorando desse jogo e ser obrigada a amargar a dor de ver a minha Copa acabando antes do que devia.

É só 1 mês. Só faltam 20 jogos. VINTE jogos. E eu não faço ideia do que vou fazer quando isso acabar. Não sei sobre o que o twitter vai falar, não sei que tipos de gifs engraçados vão circular pela internet, não sei como vai ser ficar mais 3 anos e 11 meses sem gritar gol ou sem discutir possibilidades de oponentes com os amigos, sem brincar de bolão e errar lindamente quando a Espanha resolve tomar de 5. Não sei. Não quero saber. Tenho raiva de quem sabe. Emburro num canto, cruzo os bracinhos e digo pra mim mesma que ninguém vai acabar com a minha Copa, que ela deve ser eterna (Antônio Prata concorda, aliás) e que nada mais tem graça na vida.

E só para fazer um comentário sobre o post da Anna Vitória (que também não sabe falar de outro assunto): Não decoro casa, porque acho too much. Tem duas bandeirinhas no carro de mamãe e eu já acho demais, preferia uma só. Tenho uma blusa amarela escrito Keep Calm and Love Brasil e usarei em todos os jogos *simpatia*. E achei que estava tudo controlado até aí, mas quando mudei minha foto de perfil do facebook para uma foto com cartola verde de bolinhas amarelas com a bandeira do Brasil no meio… bem… fui obrigada a concluir que a Inês estava mesmo morta. Acho que dia 14 de julho passarei o dia sofrendo de ressaca moral com direito a dor de saudade no peito e tudo o mais. Quem sabe lá pelo dia 20 as coisas voltem ao normal. Ou não.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vai ter Copa até dizer chega

A lembrança mais antiga que eu tenho de Copa foi em 1998 e tudo o que eu lembro é que eu tinha 6 anos e estava correndo no micro pátio da escola onde eu estudava. Tinha bandeirinhas verdes e amarelas penduradas nele, um cartaz de bandeira do Brasil na parede e eu estava indo para casa mais cedo porque ia ter jogo. Lembro também que fecharam a rua da minha casa para as crianças do prédio poderem pintar a rua com motivos de copa. Desenharam até o Zé Carioca no chão. A Copa acabou e a pintura não. Anos depois, quando nem em Vitória eu morava mais, viajava para lá e dava de cara com meu antigo prédio, minha antiga rua, e o Zé Carioca no chão. Hoje já deve ter se apagado.

A primeira Copa que eu assisti foi a de 2002. Mas assisti naquelas: quase tudo acontecia de madrugada. Geralmente eu acordava no primeiro gol, quando minha mãe berrava comemorando da sala. A final assisti em Baixo Guandu, na área de vovó, enrolada em uma bandeira com meus primos. Minha blusa dessa copa tinha uma coreaninha desenhada, com quimono verde e amarelo. Ganhamos e foi muito divertido comemorar.

Em 2006 minha cachorrinha tinha tido lindos 4 filhotinhos e era muito engraçado comemorar o gol com cornetas, porque eles se assustavam. Acabamos assistindo jogo com filhote enrolado no colo e tomando cuidado com as comemorações. O jogo que o Brasil perdeu para a França eu estava em Vitória já, com resto de sinusite, o globo ocular queimando de dor, deitada em um sofá. Pouco antes do Brasil perder eu já tinha dormido, mas meu afilhado mais velho, que na época tinha 2 anos, pulou com tudo em cima do meu peito. Eu acordei morrendo de dor, vi que tínhamos tomado gol, que faltava pouquíssimo tempo para nos recuperarmos, fiquei puta da vida e deixei para chorar em casa, depois de enfiar a camiseta no fundo da mala.

No primeiro jogo de 2010 eu tinha acabado de ganhar meu notebook. Ele estava novinho em folha, lindo, e eu olhava para ele de canto de olho enquanto assistia jogo. No dia que o Brasil perdeu da Holanda minha amiga de São Paulo estava passando férias na minha casa. Eu também tinha cochilado um pouco no meio da tragédia (acho melhor eu parar de cochilar, sempre dá merda) e resolvemos afogar nossas mágoas indo para o shopping assistir Toy Story 3. Depois, jogamos boliche com meus primos, no maior clima de decepção.

A Copa é uma dorzinha que passa, claro. É aquela chateação de esperar 4 anos para voltar para casa nas oitavas de final, sem troféu na mão. Esse ano vai ter Copa, vai ter muita Copa, vai ter Copa até dizer chega, se reclamar vai ter duas Copas, e eu espero que tenha hexa também. Bom jogo para vocês!