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segunda-feira, 9 de março de 2015

Dia da mulher

Esse post faz parte da postagem coletiva de março do RotaRoots

Vou começar dizendo que não, não estou um dia atrasada com esse post. Hoje, 9 de março, é dia da mulher. Amanhã, 10 de março, também será. 19 de abril, 30 de agosto, 11 de dezembro, todos os dias são dia da mulher e hoje eu resolvi aparecer para dizer que rosas são um gesto muito bonito. Posso ganhá-las no meu aniversário ou em um pedido de namoro, por exemplo, mas não por ser mulher. Por ser mulher eu só gostaria de ganhar direitos iguais mesmo.

Por ser mulher eu prefiro que parem de me passar cantadas nas ruas. Que parem de regular o tamanho de minha saia ou a quantidade de maquiagem que eu uso. Que parem de recriminar os palavrões que eu profiro quando estou afim e ao invés disso se preocupem em me dar crédito pelo conteúdo sobre o qual eu também sei falar.

Você já assistiu a esse discurso da Chimamanda Ngozi Adichie? Deveria.

Nele, entre outras coisas, ela conta que certa vez, ao sair de um restaurante com um amigo, abriu sua bolsa para dar a um flanelinha o seu próprio dinheiro, fruto de seu próprio trabalho. Ao receber o dinheiro de suas mãos, o flanelinha olhou para o amigo e disse: “– Obrigado, senhor.” Por que? Porque a sociedade está culturalmente incentivada a concluir que todo o dinheiro deve vir do homem. Porque é o homem que trabalha; o homem que é o líder. Nos dias de hoje parece piada. Infelizmente não é.

“De um modo literal, os homens comandam o mundo, e isso fez sentodo, há milhares de anos atrás. Porque então os seres humanos viviam em um mundo em que a força física era o atributo mais importante para a sobrevivência. A pessoa mais fisicamente forte era mais apta para a liderança, e os homens, em geral, são fisicamente mais fortes. [...] Mas hoje nós vivemos em um mundo completamente diferente. A pessoa mais apta para liderar não é a pessoa fisicamente mais forte. É a pessoa mais criativa, a pessoa mais inteligente, a pessoa mais inovadora, e não há hormônios para esses atributos. Um homem é tão apto quanto uma mulher para ser inteligente, para ser criativo, para ser inovador. Nós evoluímos, mas me parece que nossas ideias de gênero não evoluíram.”

Ainda em seu brilhante discurso ela diz que a sociedade acha trivial seguir esses padrões porque foi tudo culturalmente estabelecido. Mas cultura a gente muda. Seu exemplo é o de suas duas sobrinhas gêmeas que hoje têm uma vida linda que não seria possível há algumas décadas atrás onde gêmeos eram sacrificados ao nascer porque isso não tinha como ser algo aceitável e natural (?). A mesma coisa penso eu ao tentar conceber a polêmica que era, há não muitos anos, o fato de um casal ser formado por um negro e um branco. Cultura, concordo plenamente com Chimamanda, a gente muda sim. Principalmente para evoluir e aumentar os direitos de quem os merece.

O título de sua palestra diz que todos deveríamos ser feministas. Feminista. Ta aí um título polêmico e complicado. “São todas loucas, lésbicas, de sovaco cabeludo que querem andar nuas por aí”. Pode até ser que algumas de nós sejam assim, e daí? Nenhum problema, cada um é como quiser. A generalização sim é que, em qualquer âmbito, é extremamente problemática. Não sou louca (ao menos acho), não sou lésbica, não tenho sovaco cabeludo e não quero andar nua por aí, e vejam só, dizia que não era feminista.

nash

Dizia que não era feminista mas sempre achei um absurdo o fato dos homens não lavarem a louça ou não trocarem as fraldas. Dizia que não era feminista mas sempre achei que o lugar das mulheres é onde elas quiserem. Dizia que não era feminista mas dei uma bronca na minha prima quando seu pai reclamou do comprimento de seu vestido e ela disse que quem tinha que se importar com isso era seu marido. Não é seu marido que tem que se importar com tamanho de vestido nenhum, Cínthia – eu disse – só quem pode se importar com isso é você.

hermione

Eu dizia que não era feminista, mas eu sou, porque, veja bem, eu acredito em direitos iguais entre os gêneros. Eu acredito que merecemos as mesmas chances, os mesmos salários, o mesmo respeito. Não quero e nem nunca quis ser maior do que ninguém (ou do que um homem) e nem mais importante. Só quero ser respeitada por ser igual.

Se não existe diferença nenhuma entre os gêneros? Claro que existe. Citando Chimamanda novamente digo que homens e mulheres são biologicamente diferentes, têm hormônios diferentes, orgãos diferentes e os homens geralmente são fisicamente mais fortes. As diferenças acabam aí , enquanto o mundo proclama que as mulheres se dão melhor ao preparar comida porque tem o gene da culinária (e não porque são arremessadas no fogão com maior frequência que os homens). Bem, sobre isso só faço questão de acrescentar que aqui em casa sou eu que abro a garrafinha de suco concentrado todos os dias porque meu primo não consegue. Depois que eu termino de abrir, ele vai lá e dosa a quantidade de açúcar porque eu sempre erro. Após essa singela amostra, te pergunto: quem é o forte e quem é o cozinheiro aqui, cara pálida?

Não faço tudo o que os homens fazem, mas tudo o que eu quiser fazer eu farei e ainda por cima de salto alto. Até xixi em pé, se eu realmente me esforçar. Não deve ser impossível. Ah, eles também, é claro, podem fazer tudo o que fazemos. Inclusive de salto alto, se preferirem. Não deixe os absurdos publicitários te enganarem: o poder de limpeza profunda está no amaciante, e não na mulher.

Sobre a mulher que eu sou e quero me tornar? Bom, eu sonho desde pequena em casar de vestido branco com o amor da minha vida e ter pelo menos meia dúzia dois filhos. Isso não me faz mulherzinha frente a causa de feminismo nenhuma e tampouco mulher de verdade frente à sociedade hipócrita: só me faz EU.

Uma sociedade ideal é aquela que dá a todos o pleno e indiscutível direito de escolha. Eu uso o meu para escolher quem sou e quero me tornar, sem barreiras e sem limites. Todos devem poder fazer o mesmo. Isso é feminismo.

“For most of history, anonymous was a woman”
Virgínia Woolf

Estamos todos cansados de mulheres anônimas.
Isso é feminismo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

E nessa loucura de dizer que não te quero

                                                                                                                                                            Esse post faz parte do meme  de setembro do Rotaroots 

Quando eu era pequena, karokê para mim era símbolo de festa de aniversário particular. A pessoa alugava o aparelho, os microfones, instalava na própria teve e voi la, passava-se o dia – quiçá o final de semana todo – cantando.

Durante uma época da minha vida, mais ou menos dos 9 aos 11, meus pais tinham um casal de amigos cujos pais da moça tinham um sítio em uma cidade a mais ou menos 2 horas de São Paulo. Passávamos longos feriados lá. Tinha piscina, fogão a lenha para fazer pizza e, impreterivelmente, se alugava um aparelho de karaokê. Fazíamos maratona. E a primeira coisa que me vêm à cabeça quando lembro disso era do Guto (o moço do casal) gritando:

- Não é possível que vocês vão cantar Falamansa de novo.

Quanto mais ele fingia reclamar, mais cantávamos Falamansa em looping. A música preferida do momento era o Xote dos Milagres, seguida sempre por Rindo a toa. Fora isso, eu sempre cantava Maria Chiquinha, e amava a parte que dizia “- o resto? Pode deixar que eu aproveito!” sem entender absolutamente a malícia da frase. Que tempos, senhoras e senhores.

 Um tanto mais velha, minha amiga marcou o aniversário dela num karaokê. Isso para mim era um universo distante, de televisão e filmes, onde alguém ficava bêbado, subia no palco e cantava. Nunca imaginei que era um lugar divertidíssimo e acessível a ~pessoas normais~ - não, é claro, que eu e meus amigos fôssemos normais.

Essa experiência já contava com o palco – o que me deixou roxa de vergonha para pegar o microfone pela primeira vez na noite, mesmo sabendo que depois da primeira a coisa anda. Mesmo assim, a sala do karaokê estava reservada para a aniversariante, de forma que o máximo de vergonha que tive foi alguns outros poucos amigos dela que eu não conhecia. Minha turma era a maioria, e entre nós não tinha grilo.

A outra história é a que acabou me ensinando a minha teoria sobre karokês – teoria essa que rege a minha ideia de lista de músicas para karaokê que o meme do RotaRoots sugere. No primeiro encontrão da máfia nossa programação contava com bienal do livro e karaokê de noite. E lá estávamos, no karaokê, em uma sala com mais dois grupos. Nós, em torno de 13 meninas barulhentas e eufóricas. Eles, dois grupos de mais ou menos 8 pessoas, conversando normalmente e.... se levando a sério demais.

Nós ríamos umas das outras, cantávamos tudo em coro, principalmente Assererrê e aquela do Kid Abelha, com toda a inserção necessária de trocadilhos que vocês conhecem muito bem. Cantávamos sertanejo e dançávamos forró. Inventávamos, inclusive, o espanhol que não sabíamos para cantar Shakira. Tudo isso revezando palco e microfone com os outros grupos que... cantavam solos de (juro) músicas dramáticas do Evanescence. Óbvio que teve muito mais coisa, mais o fato que mais me vem à cabeça quando eu lembro da cantoria dos outros grupos era do moço, sozinho no palco, com cara de sofredor apaixonado, cantando My Immortal e, adivinhem... se levando a sério demais.

Foi ali que eu descobri que se você quer se levar a sério demais você deve cantar no próprio chuveiro ou na aula de canto. Karaokê não é lugar para isso. Karokê é para fazer folia, mesmo que seja em cima de sofrimento. Está chateadíssimo e desiludido? Cante evidências! Abuse das caretas, convide os amigos para sofrer juntos. Música de karokê é música que todo mundo sabe cantar. É música que vai envolver a sala toda. Essa é a graça.

Participação especial da menina do Agora moro na Lua

E é por isso que na minha visão, a lista de músicas que não devem faltar em um karaokê – quer você esteja com o microfone na mão ou apenas apoiando o coro – é uma coletânea de todas as coisas erradíssimas e divertidas que eu fui citando acima: Falamansa e seus xotes, Sandy e seus chicletes apaixonados, Balão Mágico, Lua de Cristal, Estoy aqui querendo-te e tudo mais o que for desse gênero. E perdoem-me a repetição, mas preciso deixar bem claro: Uma noite de karaokê sem Evidências é uma noite de karaokê jogada no lixo. A propósito: chega de mentiras, de negar o meu desejo, eu te quero mais que tudo, eu preciso do teu beijo, eu te entrego a minha vida pra você fazer o que quiser de mim, só quero ouvir você dizer que sim! Diz que é verdtá bom, parei.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Stop the beauty madness

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva de setembro do Rotaroots 

Quando eu e minha irmã éramos pequenas, minha mãe sempre nos maquiava nas festas juninas. Como eu amava essa data. Ganhava pintinhas, sombra nos olhos e um batom vermelho. Era uma vez no ano. Dentro de casa, eu via minha mãe se maquiar só quando íamos ao aniversário de alguém e/ou sair para jantar a noite. Daquelas maquiagens de criança, provavelmente cheguei a ter alguma, mas minha irmã era tão alérgica que um dia se lambuzou com uma dessas, ficou inteira inchada e nunca mais essas coisas apareceram lá em casa.

Lembro de uma vez que eu tinha 11 anos, era de noite e estávamos indo para um aniversário. Minha mãe me chamou no banheiro e perguntou se eu queria passar uma sombra. Me senti adulta. No ano seguinte, minha amiga me chamou para fazer chapinha no meu cabelo. Feita a chapinha, ela pediu para passar um lápis no meu olho. Nunca aguentei nada dentro do meu olho e quando descobri que o lápis se passava do lado de dentro foi um calvário. Lembro até agora da gente sentada no sofá, ela vindo com o lápis e eu me encolhendo. Demoramos no mínimo meia hora para ela conseguir pintar – bem mal e mal – UM olho. Ficou tudo preto, borrado e esquisito. Jurei que nunca mais ia passar lápis.

Não demorou e a moda do lápis preto ganhou força na escola. Outra das minhas amigas passava muito bem, de forma que aprendi a deixar ela passar em mim. Quando ela levava o lápis para a escola, íamos para o banheiro, ela passava em mim e tudo não passava de uma brincadeira muito divertida. A partir daí, quando saíamos juntas, sempre deixava ela me maquiar. A parte mais legal de sair era quando nos arrumávamos.

Ilustrei o post com essas lembranças só para deixar bem claro que eu cresci achando que maquiagem era coisa que as mulheres adultas usavam para sair em ocasiões especiais e não faço ideia de em que momento do universo o mundo resolveu pensar todo de outra forma e as meninas começaram a usar maquiagem para viver, todos os dias.

Juro que quando comecei a ver pipocarem nos instagrans as legendas da tal da terça sem make eu dei risada e pensei que sério mesmo que as pessoas estão definindo um dia na semana para sair de casa sem se maquiar, meu Deus? Eu nunca me maquio!

Pronto. Confessei. Essa é a verdade dos fatos: pareço legal, mas gente, eu não me maquio cotidianamente e sou feliz assim, tirando momentos em que eu me revolto comigo mesma e meu sonho passa a ser ter paciência para me maquiar todo dia e andar sempre na linha.

Eu lembro de uma vez que fui de surpresa na casa de uma amiga minha e nós devíamos ter uns 16 anos. Eu cheguei lá e tomei um susto repentino: aquela era a cara da minha amiga? Nos conhecemos quando eu tinha 11 e ela 10 e a vida era leve e de cara limpa, mas tão logo começamos a crescer (e ela tentou passar lápis no meu olho) ela começou a se maquiar e nunca mais parou. Tomei um susto quando olhei pra ela aquele dia e a vi sem maquiagem, porque me toquei que não a via assim há muito tempo.

Cada um tem a sua relação com a maquiagem e não estou na posição de julgar ninguém. Como eu disse, eu também tenho os meus momentos de me julgar completamente errada de não fazer o mesmo que a maioria e sair parecendo uma boneca. Não posso julgar ninguém, mas posso dar uma julgada na sociedade que quase não me pegou, mas que aprisiona muitas mulheres todos os dias? Posso julgar sim. Posso julgar tudo isso porque se as pessoas inventaram uma terça sem make, para começo de conversa, é porque elas adoram ter um dia para sair de casa com o rosto leve sem ter que se esconder ou morrer de vergonha. E aqui eu reitero, não condeno absolutamente o uso diário da maquiagem por quem realmente ama fazer isso – mas duvido que a maioria não se sinta escrava dessa brincadeira e é isso que me incomoda. Quem foi que decidiu que sair de cara limpa é crime?

Passada um pouco a história da terça sem make, chegou ao meu contexto aquele desafio de postar uma foto de cara limpa na internet. A Anna foi a primeira amiga minha que eu vi fazer – e não me convidou. Fui tirar satisfações, porque sou dessas, e ela rebateu dizendo que eu nem usava maquiagem cotidianamente. Disse que não usava mesmo e ri, mas que obviamente as fotos que eu postava na internet tinham maquiagem ou pelo menos filtro de luz. Ela então voltou lá e me indicou para o negócio. Levantei a câmera, dei um sorriso, bati a foto e postei. Sem delongas ou preliminares – não tive que tirar nada, porque já estava sem maquiagem, e confesso que não fiquei com vergonha, tampouco.

Olhando as fotos de quem participou, percebi que a maioria das pessoas saía meio séria. Quando muito com um meio-sorriso. Eu, apesar de não ter mostrado os dentes, sorri normalmente, e cheguei a pensar – juro – se não tinha sido um truque para a foto ficar um pouco mais bonita e que eu tinha roubado (percebam). Logo espanei o pensamento pensando que o problema era postar foto com make (e filtro!) e não foto bonita. Meu sorriso, ao meu ver, deu conta da foto muito bem. E é por isso que eu acho que o estado de espírito é a maquiagem mais linda que temos para usar todos os dias.

Isso não é demagogia: todos temos nossos dias ótimos, nossos dias bons, nossos dias ruins e nossos dias péssimos. Eu durmo pouco, acordo com olheiras, passo o dia mau-humorada, olho no espelho e quero chorar. Ou eu posso também acordar animada, com as mesmas olheiras, mas cheia de vontade de viver, passar o dia sorrindo, olhar no espelho e pensar “nossa, como eu estou bem hoje”. Tem dias que eu quero me jogar inteira fora. Tem dias que eu casaria com meu reflexo em Vegas. Todas temos esses dias. E o que eu mais queria para todo mundo é que todo mundo aprendesse a casar consigo mesma em Vegas sem precisar de rímel para isso – se você não estiver afim de passar rímel naquele dia!

Quando eu estou muito bem maquiada, não nego que me sinto linda: tiro selfies, olho por horas no espelho, sorrio para o reflexo, fico encantada. Enrolo para tirar a maquiagem: quero me ver linda por mais tempo. Quem não quer? A diferença é que quando eu pego o algodão, encho ele de demaquilante e arranco aqueles quilos a mais do meu rosto, eu não tenho receio nenhum de sair na rua e tudo o que eu queria com essa ideia do Stop Beauty Madness é que fosse assim para todo mundo.

Na minha foto do desafio, muita gente comentou: “Linda de qualquer jeito!”. Eu ri. Ri porque postar a foto de cara lavada numa brincadeira do facebook, com um texto motivacional e abraçando um movimento foi muito fácil – para mim e para todos os que comentaram. Ri mais ainda porque uma parte clara das pessoas que comentou dizendo que eu era linda de qualquer jeito são as mesmas pessoas que vivem me dizendo, quando eu estou saindo de casa: “CUSTA passar um lápis e um rímel?”. Custa sim: minha vontade de acordar mais cedo e ficar parada na frente do espelho por mais tempo do que julgo necessário para a minha existência na maioria dos dias. Comentar na minha foto apoiando a causa é muito bacana, mas apoiar a causa quando vê que eu realmente sou adepta dela desde antes de ela existir, isso parece muito mais complicado para muitas das mulheres que me rodeiam. Logo que os comentários começaram, cheguei a pensar que era hipocrisia e dei gargalhadas. Agora, refletindo, pensei que o buraco é realmente mais embaixo, porque elas realmente se sentem apoiando a falta da maquiagem – mas não devem perceber que estão indo totalmente contra isso quando reclamam porque eu saio sem ela todo santo dia para ir encarar o mundo lá fora.

Uma causa dessas não se apoia só de vez em quando, só de brincadeira, só na internet. Se apoia de verdade. Se apoia treinando o olhar para achar as mulheres lindas (o que inclui você mesma) quando elas quiserem sair de cara limpa. Não é deixando de usar a sua maquiagem que você apoia – repito: se você gosta de usar, de se arrumar cuidadosamente toda manhã, nada mais digno com você mesma do que você fazer isso. Essa causa se apoia quando você deixa de ser escrava disso – se um dia você acordar sem estar afim de passar lápis, colega, não passa! Repita comigo: você não é obrigada. O cerne da causa toda – ao meu ver – é o mesmo cerne de quase todas as causas da humanidade: a liberdade de escolha. O poder de cada uma exercer a própria liberdade no dia que acordar sem vontade nenhuma de passar base.

Usemos delineador! Usemos rímel, usemos sombra, usemos corretivos! Usemos porque amamos essas incríveis invenções, mas única e exclusivamente porque amamos e porque é legal que elas nos deixem nos sentindo mais lindas - e não porque acreditamos que não somos capazes de ganharmos o mundo sem todas essas intervenções. A parte mais bonita de nós é, sempre, o que está embaixo. Vai por mim: se você tiver que escolher entre o batom e o sorriso, fique com o segundo. Ele é bem mais indispensável. 


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

- Mas mãe, fui eu que peguei o controle!

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva de agosto do Rotaroots 

Que eu me lembre bem, nunca fui uma criança de televisão. Preferia as bonecas, os gibis e o pátio do prédio. Minha frustração, aliás, era a tal da hora do Pokemon, onde todas (e eu disse todas) as crianças subiam do pátio de volta para seu apartamento para assistir o tal do negócio e eu subia também, contrariadíssima por ninguém mais querer brincar. Até tive a fase de achar o Pikachu fofinho, mas para tirar essa conclusão eu me baseava apenas em imagens dele que apareciam em propagandas, adesivos, pacotes de salgadinhos e quem sabe até mochilas. O desenho em si, se eu tentei assistir meia vez já foi muito.

Mesmo assim, tive minhas paixões televisivas infantis e foi pensando nelas que eu resolvi escrever esse post. Talvez nem tanto pelos próprios programas, mas porque lembrar deles me fez pensar na rotina envolvida; daquilo que, há anos atrás, era repetido todo dia sempre igual. E imediatamente me veio gosto de cream-craker na boca. E imediatamente me veio a imagem do copo de Toddy gigante. E imediatamente me veio aquela certeza de saber que o dia seguinte seria exatamente igual: e não havia nenhuma crise em relação a isso.

1. Castelo Ra tim bum
Eu tinha 4 anos e já escutava da minha família: “essa menina parece neta do Sr. Ildeu, faz 20 coisas ao mesmo tempo”. E sempre foi assim mesmo. Sendo a criança elétrica que era e que vivia de canelas roxas, só assistia televisão deitada no sofá quando estava com febre. Fora isso, assistia inventando alguma outra moda. Em relação ao Castelo Ra tim bum me lembro muito de estar desenhando em quanto assistia. Por desenhando entenda uma casa sempre igual, com uma árvore de um lado, um sol do outro, uma chaminé e uma caixa d’água em cima do telhado, sempre na mesma posição. Devo ter feito esse desenho mais de 100 vezes na vida. Intercalava apenas quando resolvia desenhar bonequinhas enfileiradas com roupas diferentes. Me frustrei uma vez quando resolvi desenhá-las em um contexto praiano e desenhei a parte de cima do biquíni colada no pescoço. Minha mãe disse que pareciam binóculos. Desisti da carreira de estilista antes mesmo de pensar no caso, portanto. Mas isso não importa. O que importa é que se eu tive um verdadeiro amor televisivo na vida, esse amor foi (e é) Castelo Ra Tim Bum. E um episódio sem enquanto isso no lustre do castelo era um episódio perdido: ficava profundamente chateada quando Lana, Lara e seu mundo brilhante não apareciam. Incluo na categoria dessa fase da infância: X Tudo (minha parte preferida era a dele ensinando a cozinhar!) e No mundo da Lua (Lucas Silva e Silva, gente! Uma vez o pai dele disse “não é todo dia que se faz 10 anos” e eu, como boa criança filósofa que era, queimei miolos pensando “mas ué, nunca se faz uma idade todos os dias”. Sim. Eu era dessas.).

2. Hey Arnold!
Mudamos para São Paulo e com a mudança veio a tal da tv a cabo. Descobrimos o Cartoon Network e passamos a viver disso, afinal, era novidade. Com essas, aprendi a amar Laboratório de Dexter e tentar assistir Meninas Super Poderosas só porque elas eram fofas. Nunca consegui gostar do desenho. De manhã, passava O Pequeno Scooby Doo ou algo do tipo. Não lembro direito do título, mas era a turma do Scooby Doo criança e eu, que nunca gostei do desenho oficial do Skooby Doo, gostava bastante desse. Além disso, pensando, nos dias de hoje, metaforicamente, é um baita ensino o fato dos Monstros sempre serem pessoas, não? Na época eu não acreditava como eles caiam TODA santa vez no conto do monstro até que ele se revelasse. Mas essa é a mais pura realidade da vida, não? Antes desse, passava outro que eu não lembro direito o nome, mas era como uma Olimpíada com personagens. Não era a corrida maluca, mas tinha personagens de lá também. Eu SEMPRE amei competições/gincanas, então absolutamente amava esse desenho. Assistia durante o toddy da manhã: se tudo tivesse dado certo, no melhor lugar do sofá. Se a Helena tivesse acordado antes, no lugar reserva. Era triste. Quando, de tarde, chegávamos da escola, assistíamos Chaves tomando o toddy da tarde, antes do banho. De noite, na hora da janta, passava Johnny Bravo às 20h e Laboratório de Dexter às 21h. Lembrar disso chega me dar o gosto do miojo de tomate na boca (miojo de tomate este que jamais falta em meu armário até hoje). Mas falei, falei, falei e não citei o título do tópico. Demoramos um pouco mais para descobrir a Nickelodeon. Eu, quando descobri, fiquei encantada: existia outro canal para crianças. Minha irmã, apegada às raízes, não queria saber de outra coisa que não fosse o Cartoon. Acontece que eu fui pesquisar e comecei a gostar justamente de Hey Arnold. Qual era o problema? Ele passava exatamente no horário do Johnny Bravo, modisque ficou decidido que era um dia o Johnny, um dia o Arnold (~le mãe fazendo o possível para agradar gregas e troianas). Tudo o que é difícil é mais gostoso, e talvez seja por isso que eu tenha me apegado tanto ao Arnold. Só de pensar escuto “Se manda, seu cabeça de bigorna”, quase morri de alegria quando descobri que tem no netflix, e foi com esse desenho que eu aprendi também a diferença entre gostar de alguém ou gostar gostar de alguém. E, vocês sabem, isso faz toda a diferença.

3. Carinha de Anjo
É claro que as novelinhas para crianças do SBT não poderiam ficar de fora. Assisti partes de Chiquititas, ainda em Vitória, porque minha melhor amiga amava, ela falava sobre o assunto e eu me forcei a ver porque precisava saber conversar. Lembro do dia que decidi começar a assistir: liguei a televisão, sentada no sofá, me forçando a prestar atenção enquanto na realidade, pensava “meu Deus, estou vendo novela, e estou gostando, como sou adulta!”. Não estava gostando, mas acabei aprendendo a gostar. Assisti também Luz Clarita, Diário de Daniela e, gente, Carinha de Anjo. A melhor de todas. A menina chamava Dulce Maria, morava num internato, usava boina pink, a cachorrinha falava, a tia usava uma peruca diferente cada dia para combinar com a roupa, e ao invés de responder “sim”, ela sempre respondia “simpirilim”. Não tinha como ser mais perfeito que isso e achei no netflix e quando lembro assisto um capítulo. Achava que essa novela era eterna quando lembrava dela, mas na realidade ela só tem uns 120 capítulos. 120 capítulos de pura devoção infantil: acho que essa foi a primeira novela que me fez perder noites de sono com o coração apertado, pensando se o casal conseguiria ficar junto no final. Depois que aprendi, foi ladeira a baixo.

4. Kenan e Kel
Daí que depois do Hey Arnold mudávamos para o Cartoon de novo para assistir o Dexter e, por causa disso, não consigo me lembrar como foi que descobrimos Kenan e Kel na ordem da vida. E ainda mais: não me lembro como descobrimos que era bom, porque meu eu de 8/9 anos de idade jamais pararia a televisão num canal com dois moços whatever. Acontece que paramos. E de repente estávamos eu, Helena e mamãe chorando de rir daqueles dois pirados. O primeiro episódio que assistimos foi o que o Kel procura um tratamento de hipnose para se curar do vício em refrigerante de laranja e acaba pensando que é um cachorro porque o Kenan trocou os prontuários. Costumávamos ir para cama às 22h, mas depois que descobrimos Kenan e Kel, combinamos com mamãe que passaríamos a ir dormir às 22h30, e aposto que isso só deu certo porque ELA gostou de Kenan e Kel também. #parcialidades #abusodepoder

Engraçado. Fiz toda uma introdução para dizer que não era uma criança de televisão e de repente listei mil programações. Mesmo assim, como eu disse, assistia a todas essas coisas enquanto desenhava, montava lego, lia gibis, amamentava uma boneca ou outra (sim) e coisa e tal. O meme dizia para listar 5, mas como eu não tenho limites, falei de vários em cada um dos tópicos e vou terminar a contagem no 4 mesmo, não sem antes deixar bem claro que tive uma infância recheada de Disney e que me orgulho de ter visto a quase todos, modisque fico deveras surpresa quando encontro amigas (corto o meu pescoço mas não digo quem é) que nunca assistiram a Bela  e a Fera, por exemplo. Meus pais, minha tia e meus avós adoravam nos dar VHS de presente e nós tínhamos milhões delas e eu tenho certeza que minha vida seria muito incompleta se eu não tivesse chorado tantas vezes vendo Dumbo ou Rei Leão, ou rido tantas outras vezes com Mulan e Monstros S.A. Obrigada, Walt Disney. 

Passarinho, que som é esse? 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Bring on all the pretenders, I'm not afraid

 Esse post faz parte da Blogagem Coletiva de Julho do Rotaroots

A ideia da postagem coletiva desse mês era falar sobre a primeira vez que a gente ouviu nossa banda favorita. Logo descartei: acho muito complicada essa história de banda favorita e acho que não tenho. Mas vi um monte de gente por aí fazendo de cantor favorito e resolvi que então talvez eu podia brincar sim.

Continuo achando delicadíssimo escolher um favorito porque provavelmente daqui a 1 ano (e sendo otimista ao chutar tudo isso de tempo!) vou ler esse post e rir saudosamente dessa época, como faço ao pensar que minhas cantoras favoritas já foram Sandy, Avril e Colbie. Mesmo assim, acho que vale a pena falar sobre o assunto, porque tudo que é favorito alguma vez na vida, permanece quentinho no coração. Pelo menos é o que eu acho. Enfim.

Eu devia ter uns 16 ou 17 anos e minha irmã não parava de ouvir uma música insuportável no quarto dela E quando estávamos no carro, para o mal dos pecados. A tal da música falava alguma coisa sobre Romeu e Julieta e eu achava um saco do nível "tapando os ouvidos quando ela toca". Acho tão divertido cuspir pra cima e cair na testa porque lembro nitidamente de estar descendo o cacete nessa música e falando para a minha irmã caçar algo melhor pra ouvir e, no entanto, Helena já superou Taylor Swift ao mesmo tempo enquanto eu devo ter, no mínimo umas 40 músicas da menina no meu IPod.

Amo Taylor Swift. Amo. Não a pessoa, dizem por aí que ela é entojadinha e não sou ninguém pra discordar porque não pesquiso muito sobre o assunto. Me contento em sentir e gritar as músicas a plenos pulmões, principalmente quando tô sozinha no quarto. Que atire a primeira pedra a fã de TS que NUNCA, com portas fechadas, encenou o clipe de You belong with me, de joelhos em cima da cama e usando uma escova de cabelos como microfone. Ok, exagerei nos detalhes, vamos fingir que isso não aconteceu.

Eu apenas gostei de Taylor Swift por muito tempo, sem perceber que o caso era sério. Descobrir o amor mesmo acho que só descobri quando baixei o RED inteirinho e, minha gente, baixar CD na íntegra, nos dias de hoje, é descobrir que o amor é verdadeiro. São poucos os cantores/bandas nessa vidinha que me fazem optar por uma lista non-shuffle quando quero rolar na cama ao som de algo, e TS consegue fazer isso. Simplesmente porque tem dias que eu não quero ouvir nada que não seja uma dorzinha de cotovelo adolescente pelo amor mal resolvido cantado no agudo dessa moça que eu tento E tento e não consigo imitar. 

Meu clipe favorito dela é Mine, mas eu já linkei ele aqui uma vez e não quero repetir. Tentei ir de All too well, mas apesar de eu ter o clipe inteirinho desenhado na cabeça (me deixem) eles não gravaram clipe. Vou ficar então com Everything has changed, que tem o fofo do Ed Sheeran envolvido e umas frases maravilhosas. Divirtam-se!

Come back and tell me why I'm feeling like I've missed you all this time

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Os discos que marcaram a minha vida

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva de Abril do Rotaroots

Então, na verdade vou falar de CDs e não de discos, mas acho a palavra disco mais bonita, além do que, a fonte usada no título das postagens é cursiva, e usar duas letras maiúsculas seguidas  fica bem feio, #relevâncias. Tirando esse detalhe, o título é auto-explicativo e portanto, sem mais delongas, vamos lá.


Gente, esse CD. Antes, preciso deixar claro que foi com a Sandy que eu aprendi o que era idolatrar alguém, e digo que nunca mais na vida fui tão fã de algum famoso como fui dessa menina. Eu abraçava o CD, beijava a capa, e meu sonho era ser a Sandy. Tenho vários em casa, mas esse daí me fazia ficar horas sentada no sofá pensando que ela tinha sido criança também, e que isso era muito legal. Não seria a mesma pessoa que sou se não tivesse passado muito tempo na infância ouvindo "Maria Chiquinha" e "Abre a porta, Mariquinha". Isso sem falar do "Aniversário do Tatu" uô uô o camaleão queria namorar a onça no primeiro beijo ele dançou porque uma onça apaixonada vira fera enjaulada. Ai, gente, esse CD. 


Uns bons anos depois, eu decidi que estava na hora de sair da fase Sandy e gostar de alguma internacional que me desse mais status. Sim, fui dessas. E foi aí que eu conheci a Avril. Devia saber cantar uma música, mas comecei a dizer para todo mundo que ela era minha cantora favorita, e acabou que me convenci disso. No meu aniversário de 13 anos ganhei o Under my Skin de uma amiga, e passava muito tempo ouvindo-e-lendo-o-folheto para aprender a cantar. Se eu for fazer um comparativo, gosto mais das músicas de Let Go, ou até de The Best Damm Thing e Goodbye Lullaby. É. Talvez a fase que eu menos goste da Avril foi a fase Under my skin, mas foi nela que eu aprendi na raça a gostar da moça. E não dá para a gente descartar um CD que tenha "Don't tell me", né?


Esse daí é culpa dos meus pais, que compraram o DVD e vivam colocando para rodar nas sextas-feiras a noite lá em casa, enquanto comíamos pizza. Quando percebi, sabia cantar todas e gostava muito. Até hoje tenho pouquíssimas no IPod, não sei porque nunca parei para baixar. Mas de quando em quando me dá saudade, eu tasco o DVD no aparelho e continuo sabendo cantar todas.


Papai ganhou esse CD uma vez, em um amigo secreto. Eu e Helena queríamos ouvir alguns dos nossos CDs no carro, mas ele colocou esse dizendo que tinha "Eduardo e Mônica", que nós achávamos divertidíssima. Pedíamos para repetir toda hora, mas ele não deixava, então acabamos ~nos acostumando~ com o CD todo. Nunca dei tanto valor a esse CD, exceto nas férias de verão de 2004, quando eu e minha prima decidimos que iríamos decorar "Faroeste Caboclo" a qualquer custo, e fazíamos turno de quem usaria o folhetinho. Decorei, na época. Hoje, só consigo cantar se ela estiver tocando junto. Mas o que nunca imaginei foi que anos depois eu me apaixonaria completamente por essa banda e que teria uma playlist enorme deles no meu IPod. Nem lembro das músicas que estavam nesse CD, mas ele certamente foi um começo interessante.


Quando eu tinha 12 anos, ganhei meu primeiro IPod e, desde então, aboli CDs. Muitos podem considerar um ultraje, mas eu nunca tive muita paciência para ouvir um CD inteiro. Chegava na última música nervosa e impaciente, e descobri que o Shuffle musical era meu modelo de vida. Certamente um álbum completo tem seu valor, mas eu realmente não sou fã da atividade. Acontece que estava na casa da minha amiga passando férias, e ela tinha baixado o CD inteiro do Red. Coloquei meu IPod no Itunes dela e passei a pasta inteira para ele, sem pensar muito no assunto. E foi uma experiência incrível, porque eu só gostava de "We are never ever getting back together", mas comecei a descobrir as outras enquanto elas tocavam sem querer no shuffle. Quando percebi, gostava de todas, e passei alguns bons momentos ouvindo o CD inteiro de uma vez, levando um susto quando acabava, de tão delicioso que era. Foi interessantíssimo sair um pouco do modo shuffle, aliás, e essa, certamente, é minha fase preferida da TS, embora tenha muitas músicas das outras fases dela também e ser eternamente apaixonada por "You belong with me" e "Love Story".

sábado, 8 de março de 2014

Querida Ana,

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva de Março do Rotaroots.
A ideia original, de escrever uma carta para você 10 anos mais jovem, é do site Hypeness.
O tempo passa. E eu já começo essa carta utilizando esse clichê terrível de falar do tempo (que nós duas odiamos amar) porque preciso que entendamos essa máxima de uma vez por todas e sei que se você entender, aos onze anos, será muito melhor e mais produtivo para nós duas. Faça um esforço, vou repetir para fixar: O tempo passa.

foto (1)

O que eu quero dizer com isso? Bem, vamos lá. Posso parecer metida a sabichona, mas eu sei exatamente em que pé da sua vida você está, e sei tudo o que você está pensando sobre isso. Você está na sexta série e acabou de mudar de escola. Suas novas amigas não são tão amigas assim e você já está percebendo isso. Elas escondem seu estojo quando você sai da sala e fazem você se estressar procurando por ele. Já fizeram coisa bem pior que isso aí, aliás. Eu sei. Antes de mais nada, quero te dizer para não guardar rancor. Elas são adolescentes, tanto quanto você, e embora pareçam saber de tudo, não fazem a menor ideia de nada. São altas, são mais velhas, são mais espertas, mas não são superiores. Ser popular não é tão importante quanto parece. Não se acanhe, nem se julgue: você é exatamente como deveria ser. Brinque de boneca enquanto ainda tiver vontade, por favor. Não tem nada de mal nisso, eu juro. Um dia essa vontade passa, e você não será uma adulta pior por ter demorado um pouco mais que para dar o primeiro beijo.

Voltando a falar de amizade, uma dessas amigas vai sofrer na mão das outras também, tão logo você seja excluída do grupo. Isso, essa mesma, você sabia o tempo todo. Essa menina vai te ver sentada, sozinha no intervalo, lanchando. E vai te chamar para sentar com ela, porque agora ela também está sozinha. Você vai agir certinho: Não vai nem lembrar que ela também escondia seu estojo. Vai sentar para lanchar com ela como se sempre tivesse sido assim. E talvez tenha sido sempre assim mesmo. Se não foi, vai ser, por muito tempo. Você e ela vão se descabelar uma com a outra e brigar um tanto, e vai ser sempre igual: ela vai esbravejar e você vai chorar. Depois de, pelos meus cálculos, uma média de 30 minutos, vocês farão as pazes e ficará tudo bem. Sempre fica. É o que a gente espera.

Eu sei também que você quer fazer medicina, mas desmaia com sangue. Acho lindo sua perseverança, e morro de orgulho dos seus sonhos de abrir um consultório. É aí que entra uma das coisas principais que tenho a te ensinar sobre o tal do tempo e o fato dele passar: sonhar é lindo, meu amor. Há até quem diga que sonhar é fazer o rascunho da vida. O ponto é que às vezes acontece o contrário, e o que a vida te dá é um rascunho mal feito do que você sonhou. E você vai pensar que perdeu tempo demais na sua vida sonhando acordada ao invés de viver. Esse tempo que você está perdendo enquanto se estressa querendo que o futuro chegue já é a sua vida. Pare de esperar pelos 25 com essa ânsia desesperada de estar com a vida feita. Não quero te desanimar, mas é que já estamos com quase 22, e a vida não está nem perto de estar feita. E eu juro que não faço ideia de em que ponto foi que as coisas desandaram, senão eu te avisava. Eu não estou querendo te decepcionar, estou querendo te dar um conselho coerente: Se você já sabe que a vida aos 21 também não vai ser perfeita, aproveite a imperfeição dos seus 11 sem essa gana de alcançar uma idade que não vai te trazer prontos todos os seus sonhos realizados. Aliás, um adendo rápido sobre sonhos: Eles nunca estarão todos realizados, e essa é a graça. Temos que ter pelo que esperar. E curtir muito essa espera, porque ela já é a nossa vida.

Já que toquei anteriormente no assunto da sua sexta-série, sei que você morre de medo da sétima. Não tem nada de diferente das outras, tá? Você vai estudar, passar desde o terceiro semestre, e se soubesse antes não teria se preocupado tanto em decorar tudo o que tem dentro de uma mitocôndria. Não vai cair na prova. E se você quer saber mais, as coisas mais importantes da vida nunca cairão na prova. Não é um 10 em matemática que vai moldar seu caráter, e seus pais não vão te amar menos o dia que você tirar um 6. Aliás, seu 6 vai chegar esse ano. Em uma provinha mensal. E você vai chorar e pensar que seu mundo acabou. Não acaba não, eu juro! Juro juradinho e ainda te conto um spoiler: Aos 16, você vai tirar um 4 em uma prova bimestral de física e vai morrer de rir, agradecendo por não ter sido um 0. Calma, não me bate. Não foi aí que sua vida desandou, e você não virou vagabunda: Você só começou a aprender que não tem como ser boa em tudo. Em biologia e português você vai continuar tirando notas ótimas, pode voltar a respirar.

Vamos parar de falar de notas. Sei que esse é um de seus assuntos preferidos, mas está longe de ser um dos meus. Preciso falar um pouquinho de Harry Potter, porque sei que sua carta de Hogwarts não chegou. Estou com 10 anos de vida a mais na bagagem e ainda não superei o fato de ter nascido trouxa, então entendo sua mágoa. Quer um consolo? Você não sabe como a série acaba, mas eu sei, e você, tontinha do jeito que é, ia tomar um Avada Kedavra na cara no primeiro minuto de batalha. Foi melhor assim. Se você tivesse recebido a carta, provavelmente não estaríamos mais aqui.

Ana, agora eu preciso falar sério. Coisas inimagináveis vão acontecer na sua vida. Coisas boas e coisas ruins. E sobre isso, tentarei te passar como mantra uma frase que vi por aí: Deixe seu sorriso mudar o mundo, mas não deixe o mundo mudar seu sorriso. Aos quase 22, estamos, juntas, tentando acreditar no universo. Tentando acreditar que vai fazer sentido. Tentando acreditar que vale a pena. Então eu te peço: Reforce sua fé. Se você não reforçar a sua, vai acabar faltando para mim. Acredite na vida, Ana. Acredite no mundo. Por favor. Acumule fé. Ela nunca é demais, e se um dia ela nos faltar, então não nos sobrará nada.

Quero te falar mais coisas, para não te deixar sobrecarregada de pedidos doloridos. Ah sim. Tente entender seus pais, tios e avós, mocinha. Eles são bem mais vividos que você, que aliás, não está nem perto de ser dona do seu nariz. Continue batendo algumas portas e chorando de raiva porque eles não te deixam faltar aula e nem ficar no computador depois das 22h. Bater portas e chorar de raiva de quem manda em você faz parte da vida. Eu sei que você acha que eles não fazem a menor ideia do que estão fazendo, e talvez eles não estejam mesmo. Nossos adultos não sabem de tudo, Ana. Eles vão errar algumas vezes, mas vão acertar na maioria delas, e você vai ser uma pessoa muito melhor do que seria se não tivesse aprendido o que são limites.

Para além disso, sabemos que você tem a sua própria cabeça, e vai utilizá-la, o que é perfeitamente justo. Você terá ideias e convicções diferentes das deles. Quando estiver irritada achando que eles têm pensamentos ridículos, lembre-se que foram eles que te tornaram um ser humano coerente o suficiente para aprender a pensar com a própria cabeça e discordar do que eles dizem. Eles já acertaram muito, e não é porque você pensa outras coisas que tudo o que eles pensam deve ser rechaçado. Nem por isso abaixe sua cabeça. Procure o equilíbrio. E quando for começar a discordar utilizando seus próprios argumentos, tente não chorar. Nem gritar. Fale baixo, segura de si. Mostrar que você tem consciência do que diz (e do que quer) é muito mais eficiente que lágrimas e soluços, tá bom?

Ah sim. Para terminar, vou falar um pouquinho sobre medo. Você é medrosa, Ana. Eu sei que é. Nós somos. Mas aos 5, você disse para sua mãe que jamais entraria em um avião. Aos 7 você entrou e achou muito divertido decolar comendo milho, lembra disso? (Um adendo: Espero que você tenha aproveitado bastante o seu milho. Hoje em dia as companhias aéreas não servem nem amendoim mais.) A vida é uma sucessão de medos, Ana. Se eles serão enfrentados ou não, depende de você. Depende de nós. Não fuja de seus medos. Não os enterre em baixo da cama. Coloque-os na sua frente. Assuma-os. Respeite-os. E encare-os. E quando não conseguir encarar, tudo bem. Chore. Respire fundo. E vá de novo. E se estiver com medo, vá com medo. Mas vá. Eu confio em você. Confie em mim. Só nós podemos fazer isso dar certo.

foto (2)

Ah, sobre as fotos. Na primeira você está brincando com a Kimmy. A Kimmy continua conosco, cada dia mais deliciosa. Tem coisas que não mudam. Na segunda foto, sou eu mostrando a língua no nosso baile de formatura da faculdade. Sim! Nos formamos! Não foi em medicina não. Mas não vou contar o que é para não perder a graça. Você vai descobrir sozinha aos 15 anos. Prometo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

De onde eu blogo

Essa semana eu finalmente descobri o Rotaroots, grupo criado no facebook para reunir uma galera interessante que curte uma nostalgia blogueira. Boatos de que todo mês rola um tema de blogagem coletiva, e como eu cheguei atrasadíssima, estou aproveitando a saideira de fevereiro para postar a ideia do mês, que nada mais é do que apresentar meu canto, ou seja, de onde saem os posts desse blog.

Em era de notebook, duvido um tanto que todos os posts de alguém saiam sempre do mesmo lugar. Eu já postei de tudo quanto era canto e de computadores diferentes inclusive, mas postarei as fotos do QG do meu blog, ou seja, minha escrivaninha.

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Ela é assim. Com um tampo de vidro que eu exigi da arquiteta, e que amo de paixão. Mas é pequena pra mim, eu acho. O problema é que eu sou espaçosa, então se ela fosse maior, ainda seria pequena por motivos de desconheço limites, he. Os livros que ficam em cima dela são os não lidos (sim, não tenho vergonha na cara). O notebook é essa coisa cor de rosa enorme ligada em um fio. A tela era do meu antigo computador, mas hoje só serve como televisão. Deve ser ligada só nas férias, a coitada. Ou quando eu resolvo fazer maratona de Friends, utilizando o aparelho de DVD que está escondido atrás dos livros e os dvds de friends que também estão escondidos atrás dos livros.

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Aproximando mais de um dos lados, tem o porta-retrato maravilhoso que ganhei de formatura da minha amiga, ao lado da minha caneca metida a porta-lápis, cheia de lápis de cor dentro. Eu resolvi que ia desenhar (?) e minha tia me deu uma caixa de 48 cores da faber castell ostentação. Rapidamente lembrei que não sabia nem fazer bonequinhos palitos e desisti da brincadeira, mas minhas priminhas vão ao delírio quando vêm pra cá. Logo atrás da caneca, mais livros não lidos e meu copo da Starbucks. Ao lado dele são os livros bonitos e/ou que tem tamanho diferenciado e não cabem na estante, junto com meu vasinho de tulipas de pano e minha coleção de marcadores de página de papel (os de pano ficam em uma caixa), que ficam dentro de uma outra caneca, do Ió, da turma do Puff, sabe. Sou adulta.

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Aproximando ainda mais, minha canequinha linda das princesas que é a casa das minhas parcas 4 stabilos (uma estava em outro lugar) e da caneta mais linda que eu já vi no mundo, que eu ganhei do meu primo de formatura. E claro, do lado da caneca, minha Instax mini 8 maravilinda que tem o nome de Lexie por motivos de Grey’s Anatomy.

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Um pouco em cima disso, colado com fita crepe porque eu tenho muita classe, um desenho que a Anna Beatriz me deu de presente. Somos eu e ela, com vestido igual, passeando num dia de sol. Por favor, gente <3 .="" p="">

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Do outro lado, meu quadro incrível de Friends que minha prima me deu, que fica em cima dos DVDS das 10 temporadas. Na frente dele, o desenho que a Couth mais linda do mundo me deu de presente. Do ladinho, sentadas no sofá de Friends, duas fotinhos tiradas com a Lexie. Eu chego mais perto:

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Eu e meu Riquinho de um lado, e do outro, eu e meus primos na torre panorâmica da OI, aqui em Curitiba.

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Logo ao lado, em cima de mais uma pilha de livros não lidos, a caneca mais fofa do mundo, que meu afilhadinho delicioso me deu de presente de formatura. Dentro dela, guardo as fotos da Instax enquanto eu não compro fio para prendê-las em um varalzinho.

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Last but not least, minha estante fica em cima da escrivaninha, e são quatro andares cheios de coisas fofas. Mas como essas duas coisas são as que eu imediatamente olho quando olho para cima, resolvi que seria bacana mostrar. Mesmo porque, são lindas demais: O calendário mais lindo do universo, todo cheio de Rico, e a Nala, minha elefantinha cor-de-rosa que a minha prima fez para mim. E aí? O que acharam?