terça-feira, 12 de agosto de 2014

2. A manicure que não deixa a filha cortar o cabelo

Livremente inspirado nesse blog genial aqui

Quando eu morava em São Paulo e resolvi que iria fazer unha regularmente, comecei a frequentar o salão da minha rua. Era um salão minúsculo e ficava somente a alguns 30 passos do meu prédio. Tinha 2 cabeleireiros e 2 manicures, todos parentes entre si e, aparentemente, o meu prédio inteiro (de 80 apartamentos) era cliente do lugar.

Foi ali que eu aprendi que manicure sempre sabe de tudo. Se eu passava 1 hora fazendo unha, era 1 hora que eu passava descobrindo sobre todos os babados nos quais meus vizinhos estavam envolvidos e, inocente que era, obviamente contava todos os meus dramas de adolescentes E confusões com os vizinhos para ela, que com quase toda certeza passava a ficha completa para a próxima que ocuparia a minha cadeira. O negócio era tão quente que tinha gente que aparecia sem nem ter unha marcada: só para fofocar mesmo.

Quando me mudei para Curitiba, fiquei um tempão sem fazer unha toda semana. Depois acabei conhecendo uma manicure carioca muito engraçada que me animou, e eu voltei a brincar disso. E funcionava muito bem quando eu fazia a unha de sexta-feira a tarde, na minha vida de estudante burguesinha que podia voltar da faculdade e passar a tarde de pernas para o ar (inclusive, sdds). Depois que eu comecei a trabalhar, ela acabou mudando de salão. Como eu tinha preguiça de ir ao outro salão, que era longe, ela se ofereceu para fazer minha unha em casa, nas segundas-feiras, que é o dia que o salão não abre. O papo não é sobre ela, e por isso acabarei com esse causo por aqui, contando apenas que não rendeu muito tempo porque segunda-feira ao meio dia, entre meu horário de faculdade e o de trabalho, eu morria de sono e não tinha o menor pique para as conversas que a gente batia na sexta-feira, módisque fui virando uma chata que não sabia conversar e acabamos, lentamente, desistindo uma da outra. Eu não ligava pra marcar, ela não ligava pra me lembrar de marcar. Foi bom enquanto durou.

Sem manicure e comendo tudo o que me restava das unhas (e da dignidade), aprendi a me aventurar no shopping. Sempre tive preconceito com salão de shopping, mas aquilo só poderia ser o paraíso. Não precisa marcar hora: é só aparecer. E tem no mínimo umas 30 manicures correndo de um lado para o outro com carrinhos atrás de você, enquanto você fica sentada bem linda em uma poltroninha macia. E nessas, fazendo unha cada semana com um ser humano diferente, você aprende que tem gente que arranca bife e gente que não, gente que pinta certo e gente que não, gente que é rapidinha e gente que não, e o mais interessante: várias formas diferentes de convívio social.

Tem as que fazem a sua unha forçando um papinho tosco com você, tem a que sabe bater um papo legal com você, tem a que se apresenta e depois não abre a boca, tem que a nem se apresenta e tampouco abre a boca, e tem a mais irritante, na minha concepção: a que fica o tempo todo batendo papo com a colega manicure do lado, sobre algum assunto aleatório, e de vez em quando ainda quer colocar a sua opinião no meio. Foi assim que eu conheci a manicure que não deixava a filha cortar o cabelo, e não era nem ela que estava fazendo a minha unha.

Acontece que a moça que estava fazendo a minha estava a horas num papo com essa outra, papo esse que ia desde cliente que roía até unha de gel (?) até estilos de cabelos, e foi aí que ela começou a contar que a filha dela, de uns 15 anos, inventou que queria cortar o cabelo. A mulher estava tão absurdada com a vontade da filha de cortar o cabelo que isso parecia realmente um crime. E nem era questão de religião, era porque ela achava feio mesmo. “Pode pintar, pode alisar, pode tudo o que ela quiser, mas cortar, DEUS ME LIVRE”. A cliente dela perguntou o porquê de tudo isso, mas ela era tão turrona que o único argumento dela era de que cabelo curto era horrível e complementou dizendo que uma vez ela própria havia inventado de cortar e odiado completamente o resultado: “Vai levantar da cadeira do cabeleireiro, chorar, e não vai ter volta, porque não adianta chorar sobre o cabelo cortado, ele não volta de novo para a cabeça”.

Na hora não abri a minha boca: se em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, imagina em briga de mãe e filha. Agora, minha opinião sincera, e que eu espero que chegue a ela por telepatia, é: deixa a menina cortar o cabelo, nega, deixa.

Cortar o cabelo é bacana. Muda o visual. E não gostar do corte faz parte da vida! Já saí chorando algumas vezes da cadeira do cabeleireiro, estou vivinha da silva e ainda acho que é um enorme aprendizado. Não se chora o cabelo cortado porque ele não volta para a cabeça, e quer situação mais apropriada para a gente entender que toda ação tem sua consequência e que nem sempre ela tem volta? De mais a mais, ficando bom ou não, sua filha saindo do salão feliz ou não, cabelo cresce de novo! Vou te dizer mais: Acho que aprender a ser maleável com nosso próprio cabelo é uma grande lição de como enfrentar os próprios medos, ou você acha que minha perna não bambeou quando eu sentei na cadeira, em 2012, e disse: “corta chanel”? Fechei até o olho para não ver o meu cabelo indo para o chão. Quando saí de lá com a cabeça pensado um tanto menos, pensei que me sentiria nua, mas me senti foi leve e quase dona do mundo. É uma ótima experiência.

Phoebe aprova esse post
Monica tem lá suas dúvidas

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sorvete de bolo de aniversário

Ou: Isso não é um publieditorial

Eu amo pizza e eu amo sorvete. Minha irmã não gosta de nenhuma das duas coisas, o que me faz pensar em como on earth nós carregamos a mesma carga genética, mas isso agora não vem ao caso. O fato é que eu amo pizza e eu amo sorvete, mas não sou muito chegada em invenções de moda que envolvam essas duas coisas.

Vejam bem, tem no mínimo uns 10 anos que toda vez que eu peço pizza (coloque aí uma média de uma vez a cada 15 dias) eu escolho calabresa com catupiry porque, entendam, eu sei que isso é maravilhoso, que não tem como dar errado, então ninguém vai me convencer a cogitar outra coisa. Sorvete? Morango e creme/baunilha. Em qualquer sorveteria. Amo sorvete de morango, amo sorvete de creme, a junção dessas duas coisas é sensacional e meu sonho seria o sorvete napolitano vir sem a parte de chocolate.

São poucas as situações nesse mundo (e as pessoas que me conhecem sabem bem disso) que me deixam à vontade para largar meu favoritismo e experimentar alguma outra coisa, por conta própria. E eu juro que isso não é mesmo um publieditorial mas se eles quiserem me presentear com um vale infinito de sorvetes eu não vou reclamar: Abriram uma ColdStone no meu shopping.

Pra quem não faz a menor ideia do que é ColdStone: uma sorveteria  ~diferenciada~ que já tinha em algum outro lugar aqui em Curitiba e da qual eu já tinha ouvido falar um bocado, mas não conhecia de fato ainda. Acontece que ela abriu no shopping que fica no quintal do meu trabalho, por isso entenda shopping no qual eu resolvo tudo o que se precisa de um shopping pra resolver: almoçar de vez em quando, sacar, comprar presentes, olhar roupas novas, comprar uns livros, fazer unha, ir ao cinema e agora, pelo visto, tomar sorvete.

A tal da sorveteria estava para abrir há um século. Eu ia almoçar no shopping e lá estava ela, fechada para obras antes da abertura. No painel externo, 3 casquinhas de sorvete gigantes e uma frase: “pena que não dá para lamber o painel”. E eu SEMPRE, e eu digo SEMPRE, lia aquilo e, mentalmente, endossava: “realmente é uma pena!”.

Duas das três casquinhas da foto pareciam ser exatamente o meu tipo de sorvete. Mas ainda assim eu não sabia como funcionava o negócio, e estava indo pelo visual. Acontece que, dia desses, eu cheguei lá inocentemente para almoçar e a sorveteria estava funcionando. Almocei olhando para lá e sonhando com o minuto em que acabaria aquele macarrão e voaria rumo à minha orgia sorvetística já há tanto tempo aguardada.

Na fila, peguei o cardápio e rapidamente decidi qual casquinha da foto seria a minha: a de morango com caramelo, farofa e mais algumas coisas envolvidas. A outra que parecia ser incrível chamava Birthday Cake Remix e, além de ter brownie dentro do sorvete, o próprio sorvete era sabor massa de bolo. Pensei: Jamé. E fui me divertir com meu Our Strawberry Blonde.

Óbvio que pedi o tamanho médio ao invés do pequeno e mais óbvio ainda que escolhi a casquinha waffle com cobertura de chocolate. Porém, acostumada eu estava com as míseras bolinhas de sorvete que são servidas nas sorveterias comuns e, atentem-se bem para isso, não consegui chegar ao fim do meu sorvete. Era bom. Mas era MUITO sorvete e, ao jogar, chateadamente, um tantinho fora por não conseguir chegar ao fim, decidi que aquela sorveteria não era para comer sobremesa. Era para comer sorvete quando você não tinha comido nada antes e estivesse com muita vontade de encher a barriga com algo não recomendado. Guardei a ideia.

De terça para quarta-feira eu tive um sonho que não lembro direito como era. Só sei que nele eu devorava uma casquinha de, adivinhem, Birthday Cake Remix. Mas gente, eu juro que no sonho eu estava completamente apaixonada por aquilo, como se fosse a melhor coisa que eu já tivesse comido na minha vida. Sorvete sabor massa de bolo! Não era possível, que sonho errado. Mas fiquei com ele na cabeça.

Ontem, quinta-feira, 19h, e eu pensando no que poderia fazer com minha 1 hora de intervalo no trabalho. Resolvi juntar as duas ideias que me martelavam: 1. Tomar um sorvete daqueles em uma hora imprópria e com estômago vazio; 2. Experimentar o tal sorvete de bolo de aniversário e descobrir se era bom como no sonho.

Foi com esse espírito que levantei da minha cadeira e enfrentei o frio lá fora,  sozinha, de noite, para ir até o shopping comer uma casquinha enorme (com cobertura de chocolate!) do tal sorvete de bolo de aniversário e, gente, é bom.

Esqueçamos o fato de que o atendente (que faz MALABARISMO com sua bola de sorvete [e estou falando LITERALMENTE]) teve a pachorra de olhar para minha cara de louca por uma casquinha com cobertura de chocolate e dizer, como se fosse a notícia mais normal do mundo, que só tinha casquinha aos fins de semana. Nunca vi isso na minha vida, juro, e fico magoada só de lembrar que minha gordice não ficou completa devido a essa falha mas, mesmo assim, fiquei realizada por ter sonhado com algo que eu deveria muito experimentar. Não foi como no sonho: faltou a casquinha e o sorvete não é assim a décima maravilha do mundo, mas é a nona, pelo menos. Gente, sorvete de massa de bolo. Isso tem cara de que pode dar errado, mas não dá. Dá muito certo. E agora eu estou lascada na minha vida, pois toda vez que pensar em tomar um sorvete vou imaginar aquele mundo maravilhoso com pedaços de brownie e cobertura e confeitos coloridos e, gente. Não tenho mais palavras para explicar esse sorvete. Vocês vão ter que descobrir por conta própria

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

- Mas mãe, fui eu que peguei o controle!

Esse post faz parte da Blogagem Coletiva de agosto do Rotaroots 

Que eu me lembre bem, nunca fui uma criança de televisão. Preferia as bonecas, os gibis e o pátio do prédio. Minha frustração, aliás, era a tal da hora do Pokemon, onde todas (e eu disse todas) as crianças subiam do pátio de volta para seu apartamento para assistir o tal do negócio e eu subia também, contrariadíssima por ninguém mais querer brincar. Até tive a fase de achar o Pikachu fofinho, mas para tirar essa conclusão eu me baseava apenas em imagens dele que apareciam em propagandas, adesivos, pacotes de salgadinhos e quem sabe até mochilas. O desenho em si, se eu tentei assistir meia vez já foi muito.

Mesmo assim, tive minhas paixões televisivas infantis e foi pensando nelas que eu resolvi escrever esse post. Talvez nem tanto pelos próprios programas, mas porque lembrar deles me fez pensar na rotina envolvida; daquilo que, há anos atrás, era repetido todo dia sempre igual. E imediatamente me veio gosto de cream-craker na boca. E imediatamente me veio a imagem do copo de Toddy gigante. E imediatamente me veio aquela certeza de saber que o dia seguinte seria exatamente igual: e não havia nenhuma crise em relação a isso.

1. Castelo Ra tim bum
Eu tinha 4 anos e já escutava da minha família: “essa menina parece neta do Sr. Ildeu, faz 20 coisas ao mesmo tempo”. E sempre foi assim mesmo. Sendo a criança elétrica que era e que vivia de canelas roxas, só assistia televisão deitada no sofá quando estava com febre. Fora isso, assistia inventando alguma outra moda. Em relação ao Castelo Ra tim bum me lembro muito de estar desenhando em quanto assistia. Por desenhando entenda uma casa sempre igual, com uma árvore de um lado, um sol do outro, uma chaminé e uma caixa d’água em cima do telhado, sempre na mesma posição. Devo ter feito esse desenho mais de 100 vezes na vida. Intercalava apenas quando resolvia desenhar bonequinhas enfileiradas com roupas diferentes. Me frustrei uma vez quando resolvi desenhá-las em um contexto praiano e desenhei a parte de cima do biquíni colada no pescoço. Minha mãe disse que pareciam binóculos. Desisti da carreira de estilista antes mesmo de pensar no caso, portanto. Mas isso não importa. O que importa é que se eu tive um verdadeiro amor televisivo na vida, esse amor foi (e é) Castelo Ra Tim Bum. E um episódio sem enquanto isso no lustre do castelo era um episódio perdido: ficava profundamente chateada quando Lana, Lara e seu mundo brilhante não apareciam. Incluo na categoria dessa fase da infância: X Tudo (minha parte preferida era a dele ensinando a cozinhar!) e No mundo da Lua (Lucas Silva e Silva, gente! Uma vez o pai dele disse “não é todo dia que se faz 10 anos” e eu, como boa criança filósofa que era, queimei miolos pensando “mas ué, nunca se faz uma idade todos os dias”. Sim. Eu era dessas.).

2. Hey Arnold!
Mudamos para São Paulo e com a mudança veio a tal da tv a cabo. Descobrimos o Cartoon Network e passamos a viver disso, afinal, era novidade. Com essas, aprendi a amar Laboratório de Dexter e tentar assistir Meninas Super Poderosas só porque elas eram fofas. Nunca consegui gostar do desenho. De manhã, passava O Pequeno Scooby Doo ou algo do tipo. Não lembro direito do título, mas era a turma do Scooby Doo criança e eu, que nunca gostei do desenho oficial do Skooby Doo, gostava bastante desse. Além disso, pensando, nos dias de hoje, metaforicamente, é um baita ensino o fato dos Monstros sempre serem pessoas, não? Na época eu não acreditava como eles caiam TODA santa vez no conto do monstro até que ele se revelasse. Mas essa é a mais pura realidade da vida, não? Antes desse, passava outro que eu não lembro direito o nome, mas era como uma Olimpíada com personagens. Não era a corrida maluca, mas tinha personagens de lá também. Eu SEMPRE amei competições/gincanas, então absolutamente amava esse desenho. Assistia durante o toddy da manhã: se tudo tivesse dado certo, no melhor lugar do sofá. Se a Helena tivesse acordado antes, no lugar reserva. Era triste. Quando, de tarde, chegávamos da escola, assistíamos Chaves tomando o toddy da tarde, antes do banho. De noite, na hora da janta, passava Johnny Bravo às 20h e Laboratório de Dexter às 21h. Lembrar disso chega me dar o gosto do miojo de tomate na boca (miojo de tomate este que jamais falta em meu armário até hoje). Mas falei, falei, falei e não citei o título do tópico. Demoramos um pouco mais para descobrir a Nickelodeon. Eu, quando descobri, fiquei encantada: existia outro canal para crianças. Minha irmã, apegada às raízes, não queria saber de outra coisa que não fosse o Cartoon. Acontece que eu fui pesquisar e comecei a gostar justamente de Hey Arnold. Qual era o problema? Ele passava exatamente no horário do Johnny Bravo, modisque ficou decidido que era um dia o Johnny, um dia o Arnold (~le mãe fazendo o possível para agradar gregas e troianas). Tudo o que é difícil é mais gostoso, e talvez seja por isso que eu tenha me apegado tanto ao Arnold. Só de pensar escuto “Se manda, seu cabeça de bigorna”, quase morri de alegria quando descobri que tem no netflix, e foi com esse desenho que eu aprendi também a diferença entre gostar de alguém ou gostar gostar de alguém. E, vocês sabem, isso faz toda a diferença.

3. Carinha de Anjo
É claro que as novelinhas para crianças do SBT não poderiam ficar de fora. Assisti partes de Chiquititas, ainda em Vitória, porque minha melhor amiga amava, ela falava sobre o assunto e eu me forcei a ver porque precisava saber conversar. Lembro do dia que decidi começar a assistir: liguei a televisão, sentada no sofá, me forçando a prestar atenção enquanto na realidade, pensava “meu Deus, estou vendo novela, e estou gostando, como sou adulta!”. Não estava gostando, mas acabei aprendendo a gostar. Assisti também Luz Clarita, Diário de Daniela e, gente, Carinha de Anjo. A melhor de todas. A menina chamava Dulce Maria, morava num internato, usava boina pink, a cachorrinha falava, a tia usava uma peruca diferente cada dia para combinar com a roupa, e ao invés de responder “sim”, ela sempre respondia “simpirilim”. Não tinha como ser mais perfeito que isso e achei no netflix e quando lembro assisto um capítulo. Achava que essa novela era eterna quando lembrava dela, mas na realidade ela só tem uns 120 capítulos. 120 capítulos de pura devoção infantil: acho que essa foi a primeira novela que me fez perder noites de sono com o coração apertado, pensando se o casal conseguiria ficar junto no final. Depois que aprendi, foi ladeira a baixo.

4. Kenan e Kel
Daí que depois do Hey Arnold mudávamos para o Cartoon de novo para assistir o Dexter e, por causa disso, não consigo me lembrar como foi que descobrimos Kenan e Kel na ordem da vida. E ainda mais: não me lembro como descobrimos que era bom, porque meu eu de 8/9 anos de idade jamais pararia a televisão num canal com dois moços whatever. Acontece que paramos. E de repente estávamos eu, Helena e mamãe chorando de rir daqueles dois pirados. O primeiro episódio que assistimos foi o que o Kel procura um tratamento de hipnose para se curar do vício em refrigerante de laranja e acaba pensando que é um cachorro porque o Kenan trocou os prontuários. Costumávamos ir para cama às 22h, mas depois que descobrimos Kenan e Kel, combinamos com mamãe que passaríamos a ir dormir às 22h30, e aposto que isso só deu certo porque ELA gostou de Kenan e Kel também. #parcialidades #abusodepoder

Engraçado. Fiz toda uma introdução para dizer que não era uma criança de televisão e de repente listei mil programações. Mesmo assim, como eu disse, assistia a todas essas coisas enquanto desenhava, montava lego, lia gibis, amamentava uma boneca ou outra (sim) e coisa e tal. O meme dizia para listar 5, mas como eu não tenho limites, falei de vários em cada um dos tópicos e vou terminar a contagem no 4 mesmo, não sem antes deixar bem claro que tive uma infância recheada de Disney e que me orgulho de ter visto a quase todos, modisque fico deveras surpresa quando encontro amigas (corto o meu pescoço mas não digo quem é) que nunca assistiram a Bela  e a Fera, por exemplo. Meus pais, minha tia e meus avós adoravam nos dar VHS de presente e nós tínhamos milhões delas e eu tenho certeza que minha vida seria muito incompleta se eu não tivesse chorado tantas vezes vendo Dumbo ou Rei Leão, ou rido tantas outras vezes com Mulan e Monstros S.A. Obrigada, Walt Disney. 

Passarinho, que som é esse? 

sábado, 2 de agosto de 2014

1. O livreiro apaixonado

Livremente inspirado nesse blog genial aqui

Eu já cheguei a mencionar esse moço antes, em um post que fala sobre escritores. Mas depois da minha mais recente ideia fiquei cavando a mente em busca de personagens e não demorou para que eu lembrasse dele. Lembrei de mais uns tantos que poderiam render algo e estou ansiosa pra escrever mais,  mas resolvi começar com ele mesmo.

Já falei também, algumas vezes, sobre como eu fico encantada com a paixão das pessoas. Cada paixão com seu foco, todas dignas de nota. E com esse cara não foi diferente. Ele tinha aquele olhar de quem é apaixonado por muitas coisas: apaixonado pela vida, por exemplo e apaixonado pela paixão, inclusive. Sobretudo, ele era apaixonado por livros. E uso o verbo no passado só porque esse encontro se deu há uns 2 janeiros. Espero que ele ainda use tudo isso no presente.

Eu estava passando uma semana na casa da minha amiga em São Paulo, para aproveitar um pouco as férias de janeiro. Aproveitar as férias, na nossa língua, means passar horas conversando, jogando Perfil, jogando Mario Party, tudo isso de pijamas e, por ventura, ler um pouco e, pelo menos uma vez, entrarmos juntas na livraria sem medo de cometermos um estrago.

Nosso sonho é uma de nós ganhar na loteria para podermos abrir uma filial da Livraria Cultura juntas, e nosso lema seria: “Se sobrar nóis vende”. É. Mas isso não é sobre nós, é sobre o livreiro. Encontramos com ele na Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos.

Entramos animadas, depois de um dia anterior frustrado: tínhamos ido até o shopping e a livraria deu com a porta na nossa cara: era dia de organização de estantes e estoque e sim, isso aparentemente existe. Adicionando 24 horas à nossa espera para a orgia literária em uma das livrarias mais deliciosas de todas, entramos devagar naquele ambiente, sentindo aquele cheiro de livros.

Ela, mais habitué que eu naquele ambiente específico, me puxou pelo braço e me levou para frente de uma estante onde ficam aqueles livros em edições de ouro. Manjam aquelas edições originais, com um milhão de páginas, capas duras, folhas fininhas com lateral dourada? Então, essas aí. E era uma estante comprida e relativamente estreita, mas era cheinha dessas edições. Ela então me disse, com os olhos brilhando: – Amiga, bem vinda à estante dos sonhos.

Foi aí que ele apareceu. Dois segundos depois de estarmos petrificadas com caras completamente abobadas na frente da estante uma voz masculina repetiu exatamente o que ela tinha dito, nos tirando do transe momentâneo: “A estante dos sonhos de todos nós”, e riu. Riu e saiu pegando os livros e falando deles enquanto nós olhávamos sem piscar para aquele moço que tinha brotado do nada para nos convencer ainda mais de que a obra completa da Jane Austen em folhas douradas era um excelente negócio. O moço falava tão apaixonadamente da coisa que eu, mesmo sem gostar de ler inglês, fiquei a 2 passos de sair daquela livraria levando a coletânea da Jane, um combo de contos de fadas e Moby Dick. Só de lembrar fico pensando em como conseguir me manter firme e colocar tudo de volta na estante e procurar algo que eu realmente fosse ler, e não só olhar e babar.

Vire mexe quando estou em alguma outra livraria Cultura, frente a frente com a estante dessas edições, eu pego alguma na mão, faço carinho na capa, decido que algum dia na vida eu compro e lembro do moço. Poucas pessoas tem a chance de trabalhar com o que tanto amam e tão perto do próprio ouro – ainda que tão longe de uma mina.

bp