segunda-feira, 30 de abril de 2012

Daqueles de aquecer o coração

Sábado amanheceu com chuvinha e frio. Saí pra almoçar, fui a uma reunião, cheguei em casa e cacei direto o rumo do chuveiro, de onde saí quente, com meia e moletom, e obviamente, fui direto para debaixo do edredom. Devia ser umas 16h. Eu não sou cinéfila, você sabem, mas começou a me dar vontade de ver uma porção de filmes, que eu nem sabia quais eram. Aí me deu vontade de me enfiar numa locadora e ficar namorando as estantes de DVDS decidindo o que eu ia levar. Pra isso eu precisaria levantar da cama, mudar de roupa, sair no frio (e talvez na chuva)e descer as 4 ou 5 quadras que me separam da locadora. Muito empenho.

Achei que minha irmã não ia topar, então resolvi chamar ela pra ir comigo. Ela obviamente não iria topar, então eu teria a minha desculpa para não ceder aos meus impulsos: Não teria companhia. Acontece que ela topou. Então só me restou levantar da cama, calçar o tênis, pegar guarda-chuva, celular, cartão do papai dinheiro, e descer. Sim, desisti de trocar de roupa, e fui de moletom mesmo.

Me senti ‘a cinéfila do pedaço’, entrando na locadora de moletom em um sábado a noite. Ta, agora, escrevendo, me senti uma forever alone, mas na hora me senti feliz. A locadora estava lotada. Tinha tudo o quanto era tipo de gente e agrupamentos. Fui caçar um filme ali, outro aqui, acabei conhecendo um atendente fofinho e tímido, que mal olhava no meu olho, mas que saiu me indicando uma porção de dramas. Quase trouxe os dramas e ele, pra assistir junto comigo.

No fim das contas, minha “criteriosa” seleção estava cheia de filmes fofinhos e pouco dramáticos. Saímos da locadora e fomos pro supermercado comprar bala, pipoca, e leite condensado. Olha o naipe da programação para o feriado.

Minha amiga veio aqui pra casa, e acabou-se que eu, Helena e ela, depois de comermos pizza até explodir (eu, principalmente) nos jogamos no sofá com edredom e pacotes de bala. O saldo da madrugada foi Amélie Poulain, 500 dias com ela e Diário de uma paixão. Domingo de tarde assistimos Sexo sem compromisso.

Não tenho muita paciência pra Nicolas Sparks, e confesso que dei umas cochiladas no Diário de uma paixão. Mas o post todo era pra falar sobre Amélie e Nino, Summer e Tom, Emma e Adam. Porque gente, foi muito açúcar pro meu coração em um final de semana só. E eu nem estou falando das balas.

Comecei com Amélie, que eu já tinha visto. Me derreti como se fosse a primeira vez, e estou ouvindo a música até agora. O filme tem todo aquele jeitinho doce de ser, que parece ser devagar quase parando, mas as coisas acontecem sem que a gente nem perceba, e de repente, lá estão Amélie e Nino com os ouvidinhos colados um de cada lado da porta. Me arrepio todinha. Quando ele entra, e então, os dois, sem falar uma palavra, se amam tão lindamente que meu coração só falta pular do peito e entrar na tela daquela televisão. Pra mim, esse filme é dono da “cena de sexo” mais pura da história do cinema. Nino deitado no peito de Amélie, com os olhinhos fechados e o semblante sereno, enquanto ela acaricia seu cabelo e sorri de forma tão leve me colocam no rosto um sorriso de orelha a orelha. Mais acolhedor e doce impossível.

Então vieram Summer e Tom, que, podem arremessar pedras e dizer que de doce não tem nada, mas pra mim, tem. Dá um pouco de dó do Tom, mas ainda assim, eu acho que uma relação não tem que ser eterna para dar certo. E eu acho sim que os dois foram lindos enquanto duraram, sendo cada um do seu jeitinho. Não consigo resistir a sorrir com toda a alegria de Summer, que parece não conseguir parar de se mexer um segundo. Acho lindo ela ter encontrado em um homem aquilo que nunca tinha procurado, mesmo esse homem não sendo o Tom. Eu acho a Summer verdadeira com si mesma como poucas pessoas que vemos por aí. E sempre vou me encantar quando ela disser, com toda a sinceridade do mundo e aquele sorriso de olhos e lábios, que o que acontece com os namoros que deram errado é a mesma coisa que sempre acontece: A vida.

Hoje chegaram Emma e Adam, esses sim, no meu caso, inéditos. Me apaixonei como nunca pelo Ashton, e achei o filme uma graça. A relação dos 2 me apontava a de Summer e Tom em grande parte do tempo, só que, de forma diferente, esses me davam calafrios no sofá enquanto eu via o filme e tinha a certeza de que se eles não terminassem juntos eu ia me revoltar. Porque ela diz que não sabe se relacionar, mas ama. Ama e resiste. E dá pra ver aquilo nos olhos dela enquanto ele faz de tudo pra encantá-la, entregando um buquê de cenouras só porque ela não queria flores de jeito nenhum. Passei nervoso com as idas e vindas, o choro veio quente na minha garganta quando ela chega na casa dele e fica escondida atrás do arbusto vendo ele entrar com outra, mas meu coração ficou acalentado como se eu tivesse derrubado uma xícara de chocolate quente nele a hora que eles se dão as mãos e o filme acaba. DOCE.

E assim eu estou agora, ainda curtindo um moletom, um edredom, uma musiquinha de Amélie Poulain, e, claro, sonhando acordada, né, gente, porque eu sou praticamente a última das românticas e ainda acredito que posso esbarrar com meu Nino/Tom/Adam pelas esquinas dessa vida. Ao contrário do que diz aquela quote mais famosa do filme, para mim…

7

… times are NEVER hard for dreamers.

sábado, 28 de abril de 2012

“Mas nem negros nem azuis…

E se eu disser que a viagem dos meus sonhos seriam seus olhos? Porque seriam, você sabe. Ah, sabe. Sabe que me aninha naqueles abraços, que me irrita profundamente quando fala aquelas bobeiras, que me deixa meio fora do eixo e que me põe sentada sozinha só pra poder pensar em você em paz.

E se eu disser que o melhor dos meios de transporte seriam seus braços? Ah, como seriam. Um na cintura, um no cabelo. Minha cintura, meu cabelo, só pra deixar claro. O encosto de cabeça poderia ser seu ombro. Mas eu sou miúda, então acho que serve o peito mesmo. Encaixar nos seus braços, deitar no teu peito, isso seria descansar de pé, sonhar acordada. E aí, aí chega o destino.

O destino é quando seus braços me puxam pra cima. Nós dois sorrimos com os olhos, que se encontram feito mágica! É! O melhor destino do mundo seriam seus olhos. De preferência, fechados. Com os cílios se misturando nos meus. Céus, quem consegue sonhar com Paris frente a um destino destes?

Vamos deixar os olhos fechados por mais tempo, quem sabe assim os cílios se entrelaçam e não se soltam nunca mais? Segundo a Phoebe, é isso que as lagostas fazem. Você tinha tudo pra ser ‘o meu lagosta’ mesmo assim. Sabe, as lagostas? Elas se apaixonam e não se soltam nunca mais! Passam o resto da vida de garrinhas entrelaçadas.

Mas seus cílios não quiseram se enrolar nos meus. Eu abro o olho, e puft, os seus desapareceram! Era sonho, de novo. Acordada, de novo. Quer saber de uma coisa? Nos meus sonhos seu olhos sorriem mais e brilham mais. Porque pelo menos quando eu sonho, eles brilham pra mim. Nos meus sonhos, você segue direitinho o script das cenas que eu imaginei pra nós dois e nossos olhos. Nos meus sonhos, os meus sonhos não seriam apenas sonhos. E seus olhos não precisariam ser castanhos, nem verdes, nem azuis. Seriam meus. E só.

… são teus olhos, meu amor.
Seriam da cor da mágoa.
Se mágoa tivesse cor.”

Florbela Espanca

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Uma piada de muito mau gosto.

Porque a gente acha que está acostumado, né? Com a morte? A gente sabe que todo mundo um dia morre. Aí a gente senta pra esperar o tempo passar e fica se imaginando lá, velhinho, deitado em uma cama, fechando os olhos para nunca mais abrir. Sereno, pronto para voar. Não que dessa forma morrer deixaria de ser ruim para ser lindo. Mas seria poético. E talvez parecesse mais justo.

Mas não é assim. Bial disse uma vez, e eu sou obrigada a concordar. A morte é uma piada de péssimo gosto, que em pelo menos 98% das vezes não aparece quando você tem 120 anos e está deitadinho esperando o céu te abraçar. Ela acontece de repente, no meio de uma semana em que você já marcou cabelereiro, cinema e passeio no parque. Eu sei disso. Todo mundo sabe disso. Vive acontecendo por aí, e a gente respira, agradece por não ter sido a gente, e continua vivendo, o que podemos fazer? Só que aí ela acontece relativamente perto da gente. E a gente toma um susto tão grande que te coloca com a cabeça parada no travesseiro, os olhos arregalados, e a cabeça Deus sabe onde.

Porque eu estava em um dia nada mais que normal. Acordei morrendo de sono, reclamando do frio, fui pra faculdade, fiz prova, voltei, cochilei, até sonhei que estava no dia do casamento da minha prima, e eu, que sou madrinha, ainda não tinha arrumado vestido. Levantei pra almoçar, peguei o prato e resolvi abrir o facebook do celular antes da primeira garfada, e foi aí que eu perdi o apetite. Porque, graças a Deus, o meu dia estava normal demais, e foi duro perceber que o de muita gente não estava assim tão trivial.

Morreu uma menina que estudou comigo no prézinho. Uma menina que fez 20 anos apenas dois dias depois de mim. Uma menina nova, bonita, festeira, cheia de amigos, que eu vi pouquíssimas vezes depois que paramos de estudar juntas, e ainda assim, por uma coincidência. Não éramos amigas, mas isso pouco importa. Ela era uma menina de 20 anos que estudou comigo no prézinho, e agora eu não consigo parar de lembrar da cena dela me emprestando a boneca dela, um dia, lá no parquinho da escola. Porque é muito bizarro pensar que um dia desses a gente estava com 6 anos no parquinho da escola, cheias de sonhos e futuro pela frente, e, de repente, ainda tão no começo da festa, ela se foi.

É susto demais, gente. Susto demais pra família, susto demais pros amigos, susto demais pra mim, que pouco tenho a ver com isso, mas que quase virei da cadeira quando descobri. É aquele susto que a gente é obrigado a levar quando nos jogam na cara a fragilidade da vida, enquanto a gente está simplesmente morrendo de sono e reclamando do frio. É aquele momento em que a gente para pra pensar, agradece um milhão de vezes por estar vivo, e implora pra não nos levarem também embora tão no comecinho da festa.

Ana Carolina, que você esteja com Deus, menina. E que esteja bem.

domingo, 22 de abril de 2012

Agora eu tenho a minha história.

Eu tinha por volta dos meus 5 anos quando o mundo parou pra falar de Titanic. O famoso navio naufragado que tinha virado filme. Todo mundo despencava para ir ao cinema, e eu brincava de bonecas. Como essa febre durou. Saiu do cinema, lançaram o VHS, e meus pais compraram, super animados. Eu nunca tinha visto, obviamente. Ouvi a música e me apaixonei. No alto dos meus 6/7 anos, ficava ouvindo a música no Repeat, abraçada na caixa do VHS, sem nunca ter visto o filme. Só achava mágica aquela capa, daquele navio, com Jack de um lado, Rose do outro.

Por volta dos 8 anos, eu brincava de desenhar um navio em alto mar. O nome dele sempre seria Titanic. E eu passei a vida ouvindo a música e achando poética aquela capa com Jack, Rose, e o navio no meio. Mas nunca tinha visto o filme.

Em 2008 ou 2009, sei lá, meus pais compraram o DVD. E eu fui acabar com a lenda que girava em torno da menina que nunca tinha assistido Titanic. Eu não tenho paciência pra filmes grandes. Sentei no sofá, e tudo bem. Achei o filme bonito, mas as longas horas me deram faniquito, eu lembro que estava mais preocupada em levantar do sofá pra ir fazer qualquer outra coisa do que em ver o filme. Terminei dizendo que era bem bonito, mas que não veria de novo nos próximos 10 anos. Precisaria de pique.

Só que aí inventaram de lançar o 3D, e eu vi o cartaz e me animei sutilmente com a possibilidade. Mas bem sutilmente mesmo, do tipo: “Se por acaso eu não tiver mais nada pra fazer, eu vou.” Só que a dona Mayra aqui se animou de verdade, e quis mover o mundo pra irmos assistir o filme. Combinamos, inicialmente, de ir assistir em 7 pessoas. No fim das contas fomos eu, ela, e minha irmã.

Compramos uma quantidade absurda de pipoca, e depois de bons 30 minutos paradas na fila, entramos na sala, e colocamos os óculos. Quando a tela se iluminou, me preparei para um mundo de trailers, mas de repente, apareceu um navio gigante em tons sépia, com pessoas abanando seus chapeuzinhos, e… sem preliminares, bebê. Não tem trailer. E eu nem tinha me preparado psicologicamente.

Sei que, se daquela vez, no sofá de casa, tudo o que eu queria era que o filme não acabasse, dessa vez eu torcia para que ele demorasse anos para acabar. Me apaixonei por cada minuto. Me emocionei toda vez que surgia ao fundo o instrumental daquela música. Gargalhei de verdade com cada minuto descontraído do filme, me arrepiei com cada vento no cabelo, me aninhei na cadeira em cada desespero. Eu senti. Senti tanto o filme que precisei tirar o celular da bolsa pra tirar uma foto da tela do cinema naquela cena. Só pra eu poder ver a foto de novo e lembrar de como eu estava me sentindo naquele momento. Porque eu estava sentindo. Sentindo a emoção daquela criança de 5 anos que nem sabia o que era isso. A emoção daquela criança de 7 anos que, sem saber direito o que era, se arrepiava abraçada na capa de um VHS que ela nunca tinha assistido. A emoção da coincidência do navio ter afundado na data do meu aniversário, exatos 80 anos antes de eu nascer. Sentindo raiva da menina que teve faniquito pra levantar do sofá quando assistiu o filme pela primeira vez.

Saí do cinema cantando junto com Celine Dion, sem medo de passar vergonha. Aquele era o meu momento. Eu finalmente estava ouvindo a música, enquanto os créditos subiam, na sala de cinema. Eu. Assisti. Titanic. No. Cinema. Exatos 100 anos e 7 dias depois do naufrágio. Aos meus 20 anos e 7 dias. Agora eu tenho a minha história.

MSDTITA EC070

You jump, I jump. Remember?