sexta-feira, 15 de junho de 2012

Amor? O que a gente faz com isso?

O ser humano é engraçado, né. Deveras cômico, na realidade. A gente vive reclamando que o amor dói, que paixão só da trabalho, que o coração anda calejado e cansado de não ser correspondido. A gente se olha no espelho com os olhos embargados de lágrimas e jura que nunca mais vai amar. E no próximo momento já temos certeza absoluta de que o mundo não existiria sem amor, e que tudo o que a gente quer é dançar conforme a música dos apaixonados. Afinal de contas, ah, o amor!

Hoje a tarde, numa breve pausa no espaço-tempo loucura que andam esses dias com a estreia próxima de “Estado”, renovamos a energia numa sala de aula diferente, com professora antiga, e texto aleatório. Se não me engano, o texto se chamava O apocalipse segundo João Domingues. Aposto que estou bem enganada, mas sei que pelo menos o começo está certo. Era o apocalipse segundo alguém. Mas isso não vem ao caso. O que vem ao caso é que eles falavam coisas tão inusitadas e interessantes, que acabamos dando risada, discutindo, e anotando no bloco de notas do celular. O texto falava, nesses trechos mais analisados, que Deus fez a vida certinha, com tudo encaminhado, direto, e reto, e aí veio o homem estragar tudo quando resolveu inventar o amor. Porque o amor bagunça e tira tudo dos trilhos.

Ele dizia que as pessoas morriam, e a causa mortis era só uma: Infecção Amorosa. Porque o amor é um vírus muito perigoso. E ele ainda disse que sobre a paixão, só de pode afirmar duas coisas: “Que é eterna enquanto dura, e que não dura!”. Depois disse que devia-se matar o amor, e que isso não seria um crime, pois não é crime acabar com uma ilusão. Além disso, ele diz que pra complicar tudo, todo “amante” ainda contrai uma doença básica chamada ciúme. Junta uma dose de amor, um tanto de ciúme, e pronto! Eis o Caos!

Será? Será mesmo o amor algo tão caótico? Eu ainda acho que dói, que machuca, mas que completa e nos motiva a viver! Damos risada, xingamos, reclamamos, mas precisamos. Então continuo com a baboseira de viver proclamando “Mais Amor no Mundo”, sendo o amor uma ilusão ou não, uma invenção do homem ou não. E como indicam a lateral da Revista Tpm de junho, e o meu mais novo filho livro…

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Só o amor salva e Preciso dizer que te amo

Com uma inspiração dessas dentro do quarto, não tem como dizer que o amor podia não existir pra bagunçar menos. Digamos que ele seja a bagunça que dá sentido a tudo. E fiquemos felizes assim!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Querido namorado que eu não tenho.

Porque uma amiga minha disse que em mais um dia 12 de junho estando solteira, só resta escrever sobre drama. Ou sobre nada. Eu acho que quando eu tendo a escrever alguma coisa dramática sempre fica meio sem sentido. Ou seja: Um nada. Então isso aqui vai acabar sendo uma compilação perfeita para um dia dos namorados sem um namorado: Drama. E nada.

Observem que a situação e o horário já não são aconselháveis. Madrugada gelada de um 12 de junho curitibano. Músicas românticas e poéticas tocando no ambiente, porque eu sou chegada a um sado-masoquismo. Nesse momento eu já lembrei de Camões a Vinícius, de Caio a Florbela, e até de “A dona da história” eu lembrei. Sim, porque uma Débora Falabella proclama docemente no filme que é muito mágico o amor de sua vida aparecer exatamente na sua vida. E eu vivo com medo do meu ter caído de gaiato na vida de outra.

Caio diz que “preciso de você, que eu amo tanto e nunca encontrei”, e isso é tão latente e orgânico dentro do meu coração que nem sei. Porque amar eu amo. Eu só não encontrei o dono desse amor todo, sabe assim? É. Porque Camões disse lá que “amor é fogo que arde sem se ver”, e realmente, queima. E Vinícius disse que “não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”, e apesar de morrer de medo de não durar, eu sei que mesmo assim é eterno. E ainda teve um africano que disse que “amar é verbo sem passado”, e eu não sei se acredito ou não. Airen disse, sobre isso, que “uma vez tendo amado, nunca mais se deixa de amar”. Eu sou extremamente tendenciosa a acreditar. E enquanto isso os autores citados andaram otimistas, mas aí aparece a Florbela pra me jogar na cara que:

“Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!”

e Deus me livre né. Muito desaconselhável pra data e pro horário a moça vir colocar na minha cabeça que talvez alguém nunca me encontre. Afinal de contas, Lucão disse uma vez que “Viver sem te conhecer seria morrer de saudade desconhecida”, e eu assino embaixo. Então, Florbela, entenda que não dá. Não enfie essas ideias erradas na minha cabeça a essa altura do campeonato! Até porque, Lucão também disse que “Seja o que for, se já não tiver sido, o que tiver que ser vai ser, até se não tiver sentido”, e pra fechar as citações do moço, querido namorado que eu não tenho, devo avisar que: “Sei que a gente ainda não se conhece, mas saiba que eu já te amei desde o primeiro dia que soube que um dia eu ia encontrar alguém como você”.

Partindo do princípio técnico e calmante de que você de fato existe, vamos às constatações: Tudo bem, você ainda não chegou. Eu te perdoo, juro! Te perdoo pela demora, você deve chegar com um bom motivo. Ou com um colo tão bom e um sorriso tão brilhante que nem vai precisar das desculpas. Quando você vier, venha doce. Venha amando. Venha com um pequeno buquê de margaridas. São as minhas preferidas, sabia? Venha com olhos que olhem pra mim na certeza de que foi por mim que eles sempre procuraram. Porque é assim que eu vou olhar pra você quando você chegar. Afinal de contas, como costuma dizer a Clara, se eu “nunca namorei, só vou namorar quem eu ame”. E veja só, eu amo você! Meio caminho andando? Só basta me amar de volta! Seria assim tão impossível? Airen fez tudo parecer doce e simples quando disse que enquanto ficamos aqui pensando no assunto, “a lua continua despencando lá fora! E nós aqui dentro, esperando que a recíproca se torne verdadeira!”.

Por hora é isso. No dia 12 de junho do ano que vem, espero que a gente já tenha se esbarrado. E então, nesse capítulo do livro, você já tem certeza absoluta que minhas flores preferidas são margaridas, e que a única fruta que eu como é morango. Isso porque eu já terei te perdoado por fazeres essas mil perguntas que em vidas que andam juntas ninguém faz. Finalmente nossas vidas terão começado a andar juntas. E aí ao invés de ficar escrevendo cartinhas solitárias e fazendo compilações de autores pela madrugada a fora, nós vamos deitar juntos numa toalha de piquenique, com uma cesta de margaridas e palitinhos de morango com chocolate! Só nós dois, no embalo da rede. Matando a sede na saliva. Enquanto todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Antes não doesse…

Os sentimentos. Eles mesmos, sabem. Aqueles que fazem um milhão de reviravoltas na nossa simples rotina diária. Aquele nervoso que faz gelar o estômago. A felicidade que faz encher o peito. A emoção que faz arderem (de forma bela) os olhos. E aqueles que fazem cortar o peito, como ciúmes, saudade e amor.

É isso mesmo. Depois de bancar a cara-de-pau e vir contrariar Sartre publicamente em pleno novembro, hoje, essa que vos fala, resolveu contrariar Camões. Porque, gente. Necessário. E não. Eu não estou sofrendo por amor. Porque se eu estivesse, ah, se eu estivesse, esse post sairia muito mais dolorido e rabugento.

A questão é que Camões foi lá e escreveu aquele poema maravilhosamente clichê, que todo mundo conhece, e que eu sempre suspiro só de lembrar dos versos. Porque amor é fogo que arde sem se ver. É contentamento descontente. É um não querer mais que bem querer, e sim, é querer estar preso por vontade. Agora. Não é dor que desatina sem doer. O amor definitivamente não é dor que desatina sem doer.

Dói, Camões. Dói. Dói de uma forma que não dá pra explicar. Dói de um jeito que te faz pensar e respirar fundo pelo menos umas 3 vezes antes de levantar da cama para mais um dia. Dói enquanto a gente rola no travesseiro madrugada a fora, momento onde se torna ainda mais insuportável e a gente jura por qualquer coisa que preferia uma enxaqueca. Pois no caso da enxaqueca, alguns comprimidos iriam resolver.

O amor dói sim. Quando é correspondido, dói a saudade da madrugada interminavelmente distante. Quando não correspondido, dói o desespero da falta do abraço verdadeiro. Tá bom, que o correspondido dói quilos a menos, e junto com a dor tem aquele calor aquecendo e acalmando. Mas quanto ao não correspondido, ah, gente. Dói e pronto! Parece que parte o peito ao meio, que nem mil sopros ou mil band-aids resolveriam. Sabemos que o remédio é o tempo, mas ao mesmo tempo parece que o tempo nunca passa e que nós acabamos náufragos dessa ilha de minutos doloridos que parecem infinitos.

A boa notícia? Um belo dia passa. Sem que percebamos. A gente acorda, e, de repente, vê que não está doendo. Sim, pode ser apenas uma oscilação momentânea. Pode voltar a doer em 1 dia ou 2. Mas entre idas e vindas, uma hora, não dói. Mas nem dá pra se animar: Esse tempinho de refresco são somente férias. Se você der sorte, de verão. Se não, de julho mesmo, das bem curtinhas. Mas nunca passam de férias. Porque assim que você se cura de uma, lá aparece o amor de novo, pra fazer tudo doer de volta. E aí, como diz uma amiga minha, só nos resta pedir pra ser recíproco, pelo amor de Deus!

E isso tudo foi só pra dizer que, mesmo com todos os meus suspiros e saltitos ao lembrar de cada centímetro do famoso poema de Camões, eu sempre vou franzir a testa ao lembrar do tal do trecho citado: “É dor que desatina sem doer?” Francamente, Camões! Sem doer? Sei que você quis dizer que a dor é metafórica, coisa de nossa cabeça, e que, fisicamente, não está ali. E racionalmente, até dá pra pensar que ela não está ali. Mas não tem como se pensar racionalmente falando de amor. Então, sendo assim, eu friso: Dói, Camões. O amor é dor que desatina e dói.

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DÓI.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Batom vermelho, o tabu.

Oi, meu nome é Ana Luísa e minha boca é grande. Desde pequena que minhas tias olhavam pra mim recitando a piada do pobre compadre jacaré, que não poderia ir à festa do céu porque tinha a boca grande demais. Eu vejo minhas fotos de neném e morro de rir: Certamente, a boca já era do tamanho atual. A criança cresceu em volta.

Então eu tenho a boca grande, é isso. Sendo assim, eu aprendi a vida toda que eu tinha que disfarçar a coitadinha. Festa de casamento, balada, baile de formatura? Maquiador, realça os olhos e dá um jeito de sumir com essa boca! E lá ia eu, saltitante, com delineador, sombra, 2 quilos de rímel, e um batonzinho bem do básico. Os olhos aumentavam, a boca ficava menorzinha, e eu ficava contente.

Mas a gente sempre guarda umas vontades da infância dentro da gente. E quando eu era mais novinha e não entendia nada sobre tamanhos de boca, meu sonho era passar batom vermelho. É óbvio que minha mãe não deixava. E quando eu cheguei na idade onde eu poderia decidir sozinha a cor do meu batom, eu já tinha encafifado que a pobre da minha boca grande jamais poderia ser pintada de vermelho, e assim era a vida.

Até que uma vez eu brinquei de Marilyn Monroe na aula de maquiagem e o professor tacou um vermelhão naquela boca. Meu racional ficava gritando: Tire isso daí que está ridículo! Mas no fundo eu tinha gostado de olhar no espelho. Uma outra vez, para se vestir de rockeira em um LipDub, minhas amigas tacaram um vermelho na minha boca e eu fiquei com a mesma sensação: “Preciso tirar essa coisa logo mas até que está bonitinho”. Em uma outra tarde comum, minhas amigas de teatro decidiram fazer um motim do batom vermelho. Eu fingi que passei. Enquanto elas abusaram do vermelhão eu passei de leve, e deixei só vermelhinho. Mas a pulguinha da vontade já estava enorme atrás da orelha.

Aí, numa inocente quarta-feira, uma colega que vende AVON veio empurrar a revistinha pra cima de mim, e eu comecei a folhear com a maior falta de espírito do mundo. Até que achei. Um batom vermelho chamado maçã-do-amor. E custando 6 reais. Sim, porque gente. Eu não ia me arriscar de cara num Make B. da Boticário e gastar meu rico dinheirinho num batom vermelho pra deixar encostado no armário. Comprei o batom.

Na sexta-feira, dia de balada marcada para comemorar o aniversário da amiga, peguei o batom. Abri, olhei a cor, e ri na minha própria cara: “Ana Luísa, você é uma fraude! Comprou esse batom só pra fazer graça. Nunca vai ter coragem de usar”.

E eu vim pra casa com 3 amigas e o batom na mão. É claro que a primeira parte das festas sempre começa aqui no meu quarto, onde todas nós nos arrumamos juntas, jogando 1928193 roupas no chão, testando 102813 pares de sapato, trocando perfumes, decidindo brincos e ouvindo música na maior altura mesmo depois das 22h. E então, já vestida, pronta pra cair no sertanejo, com vestido de renda, bota, unhas douradas e rímel, segurei na mão o meu rosinha brilhante de sempre e o tal do batom vermelho. Já estava prestes a amarelar, mas a Letícia falou logo: “Então me empresta isso aí que se você não tem coragem uso eu”. Ah, agora tinha virado questão de honra. Eu comprei o batom vermelho e eu ia usar. Passei. Bem de leve. Ficou um vermelho escondido, eu achei bonitinho, e passei o batom pra Letícia. Que passou bem forte. E pra Rafaela, que fez a mesma coisa. E então eu olhei pra cara das duas, mais novas que eu, e decidi que se elas podiam eu também podia e não ia ser uma boca grande que ia me impedir. Passei a mão no tal do maçã-do-amor e tasquei na minha boca. Não olhei muito no espelho pra não me arrepender. Já no carro, peguei o celular na mão e resolvi tirar uma foto inocente, usando o retrovisor do carro pra guiar a câmera. Afinal de contas, eu ainda não passei dos 15 e desde que escutei “Velha e Louca” da Mallu Magalhães que estou morrendo de vontade de postar uma foto com a legenda: “Que hoje eu passei batom vermelho”. E assim eu fiz. Tirei a foto, postei, e caí no sertanejo.

Quando voltei pra casa, às quase 6h da manhã, depois de ter dançando horrores e voltado pra casa sem batom nenhum porque eu também sou filha de Deus, passei o removedor nos olhos, escovei os dentes, me atirei na cama e fui dar aquela facebookeada básica antes de apagar os olhos. 34 pessoas tinham curtido a tal da foto. Tive que me render. Acho que o tal do batom vermelho, no fim das contas, funciona. Até na minha boca grande.

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Se a Angelina pode, eu também posso.