Daí que essa semana eu me peguei no twitter na maior conversa de decidir quem era o Beatle preferido de cada uma das envolvidas no papo. E eu estava me divertindo com os argumentos e com nossa babação em cima dos quatro rapazes e de suas músicas, e enquanto eu cantarolava “Lucy in the sky with diamonds” mentalmente, eu pensei, de novo, em como o teatro é algo fantástico.
Estar no palco é maravilhoso. É mágico. Entorpece e dá forças. Ao mesmo tempo que dá pra se pensar que nos tornamos vulneráveis, lá em cima também somos intocáveis. Porque sim. Só quem vive isso consegue explicar. Ou melhor, não consegue explicar. Consegue sentir, que é o importante.
Mas é incrível também o mundo que existe atrás e antes do palco! São tantas experiências, tantas “vidas”! Nessa minha “curta brincadeira” de estar no meu 4º ano de teatro, já fui uma criança que pedia histórias, já estive em lua de mel na Transilvânia perdida na casa mal-assombrada de um maluco, aprendi que meias arrastão pinicam, descobri que quando sua personagem tem que estar morta no palco você consegue se desligar tanto de si mesma que pela primeira vez na vida alguém fica sacudindo sua barriga e você não sente cócegas nenhuma vez. Semestre passado então foi recheado. Me apaixonei por Caio F., descobri Heiner Müller e seus corações, me encantei com o doce, e ao mesmo tempo, forte, jeito de Tennessee Williams contar suas histórias, e comecei a abrir um sorriso só de ver um vasinho de margaridas. Nesse semestre, não mais que de repente, me pego cantarolando Beatles por aí a torto e a direito, além de ter passado um dia inteiro camelando atrás de tecidos para o nosso figurino: Agora eu sei o que é tricoline e Oxford, gente. E nem vou mencionar o repertório que vem com a peça dos outros, só vou dizer um nome: Florbela Espanca.
E é por isso que o teatro é meu infinito particular. Porque é um mundo vasto demais para não ser chamado de infinito. E é particular porque cada um tira dali o que precisa, o que quer. Dumbledore disse que Hogwarts sempre estará lá para os que precisarem dela. Foi mais além, se corrigindo e reinteirando: “Ou melhor. Hogwarts sempre estará lá para aqueles que a merecerem”. Eu tenho que parafrasear o sábio bruxo e dizer que o teatro sempre estará lá para aqueles que o merecerem e precisarem dele. Para aqueles que souberem desvendar o infinito que existe ali. No palco, e atrás dele.
E terça feira começa a Mostra de Teatro do Cena Hum! E daqui a 13 dias estreia Submarino Amarelo! Merda Merda para todos nós! Que se faça a mágica, que se acenda a luz!
