segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Acordem a blogosfera quando setembro acabar–31/31

Muito provavelmente eu deveria começar esse texto em cima de um pódio, com as minhas migas tudo, tomando um belo banho de champanhe para comemorar o campeonato vencido, a glória alcançada, o título adquirido: CUMPRIMOS O BEDA. Mas como acabei falando sobre esse assunto antes e a Couth, hoje, fez isso muito melhor que eu (LEIAM!), hoje vou fazer só um parágrafo de resumo geral e curtir a minha link party!

Bom, como foi? Foi escrevendo todos os dias durante 31 dias, isso vocês já sabem. Foi martelando a cabeça e tentando tirar água de pedra para colocar algo decente aqui, acontecimento que nem sempre se concretizou: foi colocado algo aqui todos os dias, se foram decentes já é outra história. Teve texto que eu odiei antes de publicar, teve lista que eu não queria fazer, teve mixtape que já ouvi rumores de que ficou pela metade porque eu tive preguiça de conferir música por música. Teve de tudo. Teve, inclusive, muita disposição e muita paciência no início e muita falta de vontade no final, mas acho que cada sentimento foi importante para eu fixar que dá pra escrever mesmo quando eu acho que não dá, e que às vezes um texto feito meio nas coxas é, sim, melhor que texto nenhum. Como costuma dizer a Anna, uma linha escrita já é melhor que uma folha em branco.

A melhor parte disso tudo além de eu mesma ter conseguido? A oportunidade que tive de acompanhar de perto um monte de blogs que também acreditou que era uma boa ideia essa história de BEDAr e que encheu o meu feed por 31 dias com um monte de textos ótimos. Cilada só tem graça quando a gente está bem acompanhado. Uma andorinha só não faz verão e uma doida só não faz BEDA, e é por isso que eu agradeço às minhas amigas que estiveram coladas comigo em todos esses dias, à Passarinha que sugeriu a loucura toda, e às outras blogueiras que eu já conhecia ou conheci esse mês e que, atualizando seus cantinhos diariamente e passando aqui para dar um alô também tornaram o sonho possível. Acordei piegas, vamos às fias de fato.

mafia

A Anna provou de uma vez por todas que já saiu do útero escrevendo quando conseguiu manter assustadoramente a qualidade de seus textos MESMO escrevendo todos os dias no meio da correria e praticamente por obrigação. Se vocês não acreditam, deem uma olhada aqui, onde ela fala sobre ser da Corvinal. Ou aqui, onde ela esmiuçou a long list of ex-lovers de nossa melhor amiga famosa com direito a análise dos relacionamentos e fotos dos casais com os rostos trocados. Aqui ela falou sobre gente que escreve e, aqui, me convenceu a começar a fazer Blogilates (se eu não levantar da cama amanhã de tanta dor muscular podem botar na conta dela). Aqui ela falou sobre o casamento da Couth e sobre A Gente e aqui respondeu a uma entrevista de emprego sincera. Se ainda falta um dedinho de prosa para que você esteja apaixonado tudo o que ela escreve assim como eu é só clicar aqui e descobrir porque ela foi o melhor texto de abertura possível para o BEDA.

A Sharon arrasou elencando vilãs da Disney, mas mandou melhor ainda quando escreveu uma carta para ela mesma daqui a 10 anos dizendo que se ela colocar a cabeça no travesseiro no fim do dia e tiver certeza de que é feliz, então tá tudo bem. Ela contou também de quando fomos para a balada de coroa na cabeça e de quando um cara falou para ela que ela iria para o inferno por estar de shorts.  Mas nada superou o texto emocionante e sincero que ela fez para dizer que seu pai nunca foi um herói, mas é seu pai mesmo assim e ela o ama. Espero de coração que um dia ele tenha a oportunidade de lê-la.

A Couth comemorou o aniversário da filha canina mais amada desse mundo e encheu meus olhos de lágrimas mais uma vez falando do Tatau. Depois disso ela ainda arranjou um jeito de me matar de rir contando o causo da estante do Renne e me fez voltar a chorar quando falou da vovó. Também escreveu um desabafo sobre a fase da vida em que está e que se encaixa muito bem para todos nós, de 20 e poucos, chorarmos umas pitangas juntos. Lá no primeiro parágrafo do meu texto eu mandei vocês largarem o que quer que estivessem fazendo e lerem o texto que ela fez hoje para finalizar seu BEDA. Portanto, caso ainda não tenham feito isso, corrão.

A Passarinha viajou para Kansas no meio do BEDA e virou blogueira de viagem por um dia, eu adorei. Ela também usou seus 31 dias de texto para escrever coisas tipo uma ode às havaianas que eu acho que todo mundo deveria ler porque acho que o mundo seria um lugar muito melhor se todo mundo andasse só de chinela por aí. Ela ainda conseguiu deixar todo mundo com a pulga atrás da orelha achando que tinha errado a crase em algum momento (leiam os comentários e morram de rir) e pariu uma resenha belíssima para um livro que eu ainda não li,  mas lerei em breve por causa dela. Ah sim, ela também falou sobre a Po, sua cacatua de estimação que ela chama de pássaro mimado e que é um bichinho incrível.

A Iralinha presenteou a internet com várias pérolas durante esse mês, incluindo o melhor vídeo de resposta para a tag 50,5 que alguém podia ter feito, um texto sem pé nem cabeça onde ela não conseguiu explicar porque 29 é seu número favorito, uma bronca para os pais malucos de seus alunos e uma carta para a Gabriela de 30 anos pedindo que ela esteja viva. Endosso esse pedido com muito apelo porque não sei viver sem essa menina.

A Rafinha não chegou até o fim, mas foi até onde aguentou e nem por isso deixou por menos. Escreveu um texto lindo sobre seu pai, falou sobre representatividade usando uma selfie da Kim Kardashian como mote e chutou a cara da sociedade resenhando um livro que eu não faço ideia de por que ainda não li. 

A Alê falou sobre uma coisa que eu adoro: o pertencer. Ela também escreveu um conto lindo sobre um casal apaixonado e me fez rir um tanto com sua indignação direcionada às pessoas que não ligam em sair passando o CPF delas por aí – eu super sou uma dessas pessoas, ué. Quando perguntam nosso CPF para cadastro a gente não tem que passar? Segundo ela, não.

A Nana se declarou lindamente para a avó de seu marido, que ela adotou. Ela também escreveu uma carta para sua futura filha e inovou no projeto 1001 pessoas falando de alguém que ela não conhece assim, pessoalmente, mas que não deixa de ter marcado sua vida.

A Ana Cláudia mandou muito bem respondendo o meme das 5 coisas que ela nem tchu, escreveu uma ode às batatas (!!!!!) e lembrou à galera de parar com essa palha assada de dizer que mulher tem que ser rival de mulher. Somos amigas, não vadias.

A Amanda falou sobre Infinitos (outro assunto que eu amo), crises sem sentido que geralmente fazem todo o sentido na nossa cabeça e narrou sua primeira experiência com uma baladinha, já que recém completou 18 anos.

Para completar, a Yuu, fofíssima, que eu conheci durante o BEDA mesmo, nos apresentou à arte de “introduzir mesmo estando no meio”, escreveu uma carta para sua melhor amiga e falou também sobre seu amor aos seus felinos

FOI ISSO, galera. O BEDA acabou e foi ótimo e cansativo enquanto durou. Se sobrou fôlego de alguém para escrever em setembro é uma pergunta que eu não estou preparada para responder, mas podemos usar esses próximos dias para botar as pernas por alto e dar uma cochilada – outubro pode até tardar, mas não há de falhar. Até mais e obrigada a todo mundo que acompanhou!

domingo, 30 de agosto de 2015

As músicas que embalaram o BEDA - 30/31

Quando começamos a debater possíveis postagens coletivas para o BEDA, a Passarinha veio com a proposta de, dia após dia, anotarmos a música que estivesse em nossa cabeça para que no dia 30 postássemos essa coletânea musical de agosto. Acontece que foram pouquíssimos os dias em que eu lembrei de anotar e em muitos deles aparecia na minha cabeça uma música repetida, de forma que o que vou oferecer aqui é uma Playlist de músicas que eu me lembro de ter ouvido no mês, seja por que motivo foi.

Aviso de antemão que metade é Taylor Swift e que não completei 30 músicas porque o 1989 não está no Rdio e eu ouvi bastante música desse CD também durante o mês. Faltou também uma música da Colbie Caillat que não tinha no site, mas o que deu para fazer está a aí! Apertem o play e naveguem pelo que andou tocando durante agosto, mês em que eu passei escrevendo todos os dias




> Não se esqueçam de conferir também as playlists das migas Anna, Sharon, Palo, Iralinha e Couth!

sábado, 29 de agosto de 2015

Amiga dos texugos, sim senhor - 29/31

Quando eu comecei a ler Harry Potter eu era bem novinha. Aos 8 anos eu não entendia direito que poderia existir essa coisa de querer fazer parte de alguma história fictícia sem ser um dos principais. Se eu tivesse que ser dali, eu certamente gostaria de ser da Grifinória, a casa mais poderosa, a casa mais legal. Foi por isso que eu acabei passando boa parte da leitura enfiada no armário: eu sentia que não era da Grifinória, mas podia jogar para debaixo do tapete a vontade de ir para a cozinha comer brigadeiro com os elfos enquanto o povo ia para a floresta proibida perguntar para a Aragogue sobre a câmara secreta. Ninguém descobriria.

Ronald Weasley entende o apelo

Acontece que o tempo foi passando, os livros acabaram e eu ficava furiosa toda vez que via alguém falando por aí que a Lufa-Lufa era a casa dos bobalhões ou, pior, dos figurantes: "quando tem alguém que não vai ter importância nenhuma na série, jogam a pessoa na Lufa-Lufa". Nunca consegui me conformar com isso. Hoje, me conformo menos ainda, e penso que tendo como base esse tipo de comentário dá para a gente fazer uma rápida análise da nossa sociedade: sempre tem aquela galera que vai insistir em disseminar a ideia de que justiça, lealdade e amizade não são assim tão importantes. Melhor ser audacioso, ambicioso ou inteligente. Os lufanos só ocupam espaço... assim como ocupam espaço demais no mundo as pessoas que são adeptas desses valores.

Durante a adolescência eu devo ter feito por aí um milhão desses testes para saber de que casa de Hogwarts eu era e, como toda boa adolescente fazendo teste de revista, roubada horrores porque sabia bem onde me levaria qualquer coisa que eu falasse e eu queria ser da Grifinória. 

Até que um dia, depois de muito ouvir falar do Pottermore e nunca ter entrado, comecei a me sentir uma péssima fã. Sei que faz uns 2 anos, e já era madrugada, e não lembro direito como isso aconteceu, mas de repente eu e Iralinha estávamos abraçadas na cilada folia, comprando varinhas, corujas e livros no Beco Diagonal, ansiosíssimas para a noite da seleção. E quando eu abri a primeira pergunta do teste eu jurei solenemente não fazer nada de bom que dessa vez eu ia falar a verdade. E foi assim que eu caí na Lufa-Lufa (e ela também, caso vocês estejam mal informados). 

Se eu tive alguma dúvida até ali, esta se dissipou rapidamente quando eu li a carta e chorei em cima do teclado [caso você ache que no alto da minha segunda década de vida eu já devia ter "crescido" e parado de me importar com Harry Potter disque 1 o X vermelho no canto da tela é cortesia da casa]. Porque era eu. Era pra mim. Quando eu li aquela carta, não só eu senti que eu tinha encontrado mais um dos meus lugares do mundo como tive mais certeza ainda de quem eu era - e de quem eu podia ser. Querem um spoiler? Nunca na história desse país tivemos registro de um lufano das trevas. Concordo plenamente que eles não saiam todos da sonserina (acho esse pensamento bem infantil, inclusive), mas o fato é que podem sair de qualquer lugar, mas da Lufa-Lufa certamente não saem. 

Com isso eu não quero dizer que é a melhor casa de todas porém é rssss, mas somente que a gentileza e a lealdade podem levar as pessoas a lugares incríveis e que eu devo lembrar disso sempre que a grosseria falar mais alto e que eu cogitar resolver que a ambição é maior que qualquer relação humana que eu tenha construído. Tenho que honrar a casa na qual o chapéu seletor acreditou que eu merecia estar. 


"O que mais você precisa saber? 
Ah, sim, a entrada para a sala comunal 
está escondida em uma pilha de barris 
em um canto na ala direita 
do corredor das cozinhas." 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O que eu aprendi em 28 dias de BEDA - 28/31

Inspirado no texto da Anna

Quando eu e minhas amigas resolvemos começar a brincar dessa história de BEDA eu deixei bem claro que acreditava piamente que a palhaçada não passaria do dia 5 de agosto. Mas o fato é que de vez em quando acontecem plots twists na nossa vida. Hoje é dia 28 de agosto. Faltam só 3 dias para acabar. E eu ainda estou aqui. Não está fácil.

Como bem disse a Anna no post dela, mais ridículo do que desistir na primeira semana só seria desistir agora, na última, a pouquíssimos dias de cruzar a linha vermelha gritando VITÓRIA CHUPA HATERS. Não se enganem: eu só estou aqui agora tentando escrever mais esse texto por esses minutinhos de glória que eu terei ao colocar minha cabeça no travesseiro depois que o post do dia 31 foi ao ar. Aí eu terei conseguido cumprir o primeiro BEDA da minha vida e nada paga o gostinho de champanhe que a gente sente na boca quando consegue fazer o que se propõe.

Durante todo esse mês eu e minhas amigas passamos juntas por diversas sensações e estados de espírito. Na euforia do começo chegava a ser melancólico quando eu já tinha lido e comentado em todos os blogs do dia. Queria logo que chegasse o dia seguinte para brincar mais. Na euforia do começo eu lembrei que eu podia SIM escrever sobre qualquer coisa que eu quisesse, e, com isso, cheguei a ter nove (eu disse NOVE) posts programados. Sabe a sensação de deitar para dormir tendo post pronto para os nove (eu disse NOVE) dias seguintes? Então, eu não sabia. Descobri.

Durante o meio do BEDA, enquanto os posts programados iam sumindo sem que novos ocupassem o lugar e eu ficava me varrendo à procura de ideias que não fossem resenhas nem memes nem listas pelo amor, eu refleti bastante sobre o assunto. E enquanto eu bufava por achar difícil demais escrever um dos textos que minhas amigas tinham encomendado foi que eu lembrei de “O Diabo Veste Prada” e internalizei uma frase que agora tenho usado para a vida: Ana, you’re not trying, you are whining. E foi refletindo sobre isso que eu percebi que eu passo muito mais tempo do que devia choramingando ao invés de tentar.

No caso desse texto, eu tinha passado mais de vinte (eu disse VINTE) dias de BEDA empurrando o para debaixo do tapete. Ia ser difícil demais escrever, eu não ia conseguir. Até a hora que eu resolvi que estava ridículo, abri o word, fiz umas caretas e, em meia hora tinha uma lauda e meia escrita.

Esse BEDA serviu para lembrar que choramingar nunca será a melhor das soluções, e que enquanto você choraminga, olha só que coisa, você não está escrevendo. Se eu tinha que manter isso aqui atualizado por 31 dias seguidos, era melhor eu abrir a folha em branco e tomar atitudes melhores do que pensar que “impossível que minha birra com a propaganda do Bombril renda um texto”. Rendeu.

Não só de experiências positivas se faz um BEDA: posso dizer para vocês que, na altura desse 28° dia, eu estou exausta. Parece que fui atropelada por um caminhão, não aguento mais ver um blog na minha frente e muito menos o meu. Amo ler o que as minhas amigas escrevem (leria até as listas de compras delas) mas cada hora que vejo MAIS um blog atualizado eu tenho vontade tacar o computador pela janela de tanta agonia. Isso é cansaço mental nível master. Nunca pensei que chegaria em um dia da minha vida em que eu torcesse para ninguém ter postado, e sei que isso vai passar logo, mas é nesse pé que eu estou agora.

Não vejo a hora de cumprimentar setembro e ver tudo entrando nos eixos, mesmo que não tenha nenhuma dúvida de que, quando o dia 1° chegar, vai ser muito esquisito não ter nada para ler. Vai sobrar alguém com fôlego nessa blogosfera quando o BEDA acabar? Espero que sim, mas por enquanto fica a dúvida.

O que eu aprendi em 28 dias de BEDA? Que é bom lembrar que a gente, geralmente, pode mais do que sabia que podia. Que qualquer coisa mesmo pode render tema para um texto se você sentar e escrever ao invés de resmungar. Que escrever todos os dias no estilo maratona é muito interessante no começo, mas que tudo o que é demais cansa e que não é bacana transformar texto (e hobby) em linha de produção, mas que é sempre bom experimentar.


Se eu, um dia, terei coragem de entrar nessa de novo? Provavelmente sim. Se antes de encarar pela primeira vez eu já achava que era cilada, agora que não sou mais principiante e tenho certeza absoluta disso estou com a maior vontade de ter uma segunda participação no currículo para ver como as coisas rolam – mas vamos esperar agosto do ano que vem ou de 2017. Um BEDA bienal deve estar bom para a cabeça, né?  

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Meme literário sempre vai bem - 27/31

Sexta-feira algumas das meninas da Máfia marcaram de postar coletivamente o meme sobre hábitos literários. Como a brincadeira já rolava na blogosfera há tempos, acabou que eu e a Anna já tínhamos respondido certa vez em vídeo, de forma que pulamos  fora dessa vez. Só que eu estava sentindo que não era justo postar todos os dias por 31 dias e não responder um meme literariozinho que fosse, já que né, sempre bom pelo menos para ocupar espaço e coisa e tal  indicar mais uns livros e/ou ser obrigada a pensar um pouquinho neles.

Acabei encontrando esse aqui no blog da Del. Ela respondeu em texto (e assim farei também) mas ele foi originalmente criado no YT, no canal Livro e Café. Trata-se da “Tag As Ondas” e cada uma das categorias é baseada na descrição de um personagem do livro homônimo da Virginia Woolf que eu ainda não li, hehe. Vamos lá.


1. Bernard sentia amor à literatura (Um livro sobre livros)
Pensei automaticamente em várias opções, tipo A Sombra do Vento, A Vida do Livreiro A. J. Fikry ou ainda A menina que não sabia ler, mas no fim das contas resolvi que vou de O clube do livro no fim da vida que é bem menos conhecido que os outros. Trata-se de um romance de não-ficção, no qual o autor fala sobre sua relação com sua mãe, o desenvolvimento da doença dela, e o combinado que eles fizeram de ler os mesmos livros e comentar sobre eles enquanto a mãe ainda estivesse viva. Bonito, emocionante, sincero, acaba nos dando dicas de vários livros e propondo reflexões interessantíssimas sobre a vida e as relações pessoais que construímos.

2. Susan sentia paixão pela natureza e a maternidade (Um livro que fale sobre ser mãe)
Ah não, né? DE NOVO não. Vem aqui que tem.

3. Rodha se sente diferente em relação aos outros (Um livro com um personagem diferente dos padrões)
Em Mar da Tranquilidade somos apresentados a Nastya, uma protagonista cheia de issues secretas e que tem infinitos problemas de relacionamento. Sabemos que algo aconteceu em seu passado e que ela nunca mais foi a mesma desde então, parando de falar, inclusive. Aos poucos vamos entendendo melhor sua cabeça e chegando perto de descobrir o que rolou, mas enquanto esses desdobramentos vão acontecendo o incômodo de lidar com a personagem é grande.

4. Neville tinha inquietações sociais e ideológicas (Um livro que após a leitura dá vontade de fazer algo pelo mundo)
Olha, não sei se ter vontade de fazer algo pelo mundo é a descrição exata dos meus feelings, mas Americanah virou minha cabeça de white people que enxergava o racismo como algo distante e me tirou totalmente do lugar comum ao me mostrar como ele acontece todo santo dia debaixo do meu nariz, o quanto atinge às pessoas que são vítimas dele e o quanto deveria indignar a sociedade mais do que indigna. Então, primeiro, eu queria que todo mundo no mundo lesse esse livro para levar na cara também. Aí, depois, todo mundo teria lido e entendido e não haveria, finalmente, mais racismo no mundo, que tal?

5. Jinny era uma mulher sensual, preocupada com a aparência e com namorados (Um livro chick lit)
Mais uma vez eu podia tirar várias cartas da manga e citar a estante inteira da Sophie Kinsella, mas vou apelar por um menos conhecido que talvez possa servir melhor aos interessados em dicas literárias. Desde o primeiro instante é um catatau da Novo Conceito com uma capa meio duvidosa, mas acabou me entregando mais do que eu esperava e eu guardei ele no coração por causa disso. Não é um livro maravilhoso e está cheio de erros de edição e revisão mas me diverti enquanto lia, acreditei nos personagens, me envolvi nos dramas e torci muito para tudo dar certo. Numa era onde todo mundo acha que é fácil escrever um livro e nos enfia guela a baixo um monte de personagens rasos com histórias completamente inverossímeis, acho que só de eu ter conseguido me relacionar empaticamente com eles já foi um grande ganho, com o bônus da protagonista ser jornalista e eu ter conseguido super entender os enroscos em que ela acabou se metendo por ser “mais ética” do que deveria ser e confiar demais nas pessoas. Rachel, toca aqui, miga.

6. Louis era inseguro por ser estrangeiro (Um livro de sua estante numa língua que você não entende)
Juro que acho curioso o fato de alguém conseguir responder a essa pergunta, porque a menos que fosse um livro onde as imagens importassem realmente mais que o todo eu jamais gastaria dinheiro com um livro que eu não entendesse o idioma. Por que as pessoas fazem isso?

7. Percival é o único personagem que não tem fala direta. Os outros apenas comentam sobre ele (Um livro que todo mundo leu, mas você ainda não)
Memórias Póstumas de Brás Cubas é um dos meus grandes tabus literários. Não vou nem dizer que nunca peguei no coitadinho, porque uma vez me deu 5 minutos, eu baixei e devo ter lido metade em uma tarde, mas depois nunca mais abri o arquivo, nunca terminei e já me esqueci de tudo que eu li, inclusive do nome dos personagens, OU SEJA. O fato é que eu já falei isso antes umas mil vezes li Dom Casmurro na época errada da vida graças ao nosso maravilhoso sistema educacional que quer empurrar classicões para adolescentes e peguei birra do Machado de Assis. Depois disso, mesmo que eu já tenha amadurecido e passado a me encantar com suas histórias quando ouço pessoas entendidas falando delas, criei um certo receio e morro de medo de pegar qualquer obra de novo para tentar ler e achar um saco. Um dia sei que vamos viver nosso momento, Brás brother

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

10. O menino das mil facetas - 26/31

Livremente inspirado nesse blog genial aqui

Eu comentei rapidamente aqui nesse texto aqui sobre o semestre em que passei fazendo monitoria em uma turma das crianças pequenas na escola de teatro. Então, o meu xodó era a Mariana mesmo, mas uma coisa que você descobre convivendo semanalmente com o mesmo grupo de crianças é que você pode se apaixonar por várias delas diversas vezes porque se tem uma coisa que criança não faz é abraçar a monotonia da rotina, coisa que nos adultos fazemos muito bem e que não tem a menor graça. Crianças são cheias de histórias. Uma vez eu li alguém falando que crianças são aqueles seres que mudam as perguntas quando a gente pensa que encontrou as respostas, e eu achei essa definição genial.

Crianças, em suma, inventam moda. Se elas dão a sorte de ter pais que estimulam as invencionices, aí é um prato cheio. O Rodrigo é um desses.

Primeiro dia de aula e chega na sala um garotinho vestido de Capitão América. O corpo docente se derreteu no ato, mas ainda nem sonhávamos com o que encontraríamos sábado após sábado – e encontramos muita coisa.

Durante todo o semestre em que eu acompanhei de pertinho, Rodrigo apareceu de Jack Sparrow, de diretor de cinema com claquete e tudo, de “adulto” e, pasmem, de CUPIDO, com asas nas costas e carregando uma flecha na mão, só porque era a semana do dia dos namorados. Neste dia inclusive, coitado, ele teve que flechar metade da escola, porque não tinha um só adulto que não se derretesse ao olhar para aquela figura.

Rodrigo tinha 5 ou 6 anos na época e cada conversa que até Deus duvidava. Era nítido o quanto ele tinha acesso à cultura, ao cinema e aos livros desde pequenininho, e era a gente que ganhava com sua criatividade e as histórias que ele contava. O tempo passou.

Eu parei de ser monitora, Rodrigo passou para a turma dos “gigantes” de 7 a 9 anos e vez ou outra eu via o menininho passar fantasiado de alguma coisa, mas tinha tempo que eu não conversava com ele. Até o sábado retrasado.

Sábado retrasado era eu que estava responsável pela escola e sua mãe chegou para fazer sua matrícula. Ele estava de paletó e chapéu na cabeça e falava com um ar misterioso, algo que me soou como uma mistura de James Bond com Poderoso Chefão, sabe assim? Só faltou o bigode.

Enquanto a mãe fazia a matrícula na secretaria, me ofereci para levar o garotinho para a sala de aula e aproveitar para matar as saudades enquanto subíamos as escadas. “E aí cara, você cresceu hein? Tá tudo bem? Como foi de férias” e blablabla, seguia eu com meu papinho de tia chata enquanto ele concordava com a cabeça e dizia pouquíssimas palavras. Até que de repente ele me solta um: “Você lembra de mim?”.

Eu, chocada com o fato do menino cogitar que eu tivesse esquecido dele, soltei rapidamente um “Mas é claro, menino! Fui sua professora!”, ao que ele, abaixando levemente a cabeça, levantou uma das sobrancelhas e me veio com essa: “Mas mesmo com esse chapéu?”. BA DUM TS.

Eu estava subindo a escada lépida e faceira conversando com o Rodriguinho que eu achava que conhecia, enquanto ele estava, para variar, em outro plano existencial, provavelmente chefiando a máfia italiana e ficou incomodadíssimo que eu batia um papo aleatório com ele sem nem saber quem ele era. Enquanto eu perguntava das férias ele pensava “Vem cá, eu te conheço” e eu não entendia porque ele estava tão quieto. Era óbvio, eu tinha esquecido mesmo, Rodrigo nunca é apenas quem aparenta ser. Às vezes ele é o Dom Corleone e as pessoas é que tem que se adaptar ao babado.

Quando eu retornei à secretaria gargalhando e contando a história, a mãe dele gargalhou com aquela cara de “mais uma do Rodrigo” e rapidamente foi para a casa sem pensar mais uma vez no acontecido. Enquanto isso, eu e o meu colega da secretaria estamos trabalhando há 10 dias sem acidentes olhando um para a cara do outro toda hora e perguntando: “mas hein, MESMO com esse chapéu?”. Crianças. 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

I couldn't care less - 25/31

Ontem a Anna definiu no twitter, de forma muito exata, o que estão sendo esses últimos dias de BEDA:

Está tanto parecendo o fim do ano que veio, inclusive, com todas as fases. A terceira semana estava mais ou menos como outubro: quando as decorações de natal começam a aparecer e você quer lutar contra elas, mais ou menos aqueles feelings de "COMO ASSIM JÁ TÁ NO FINAL AINDA TENHO MUITA COISA PRA FAZER" misturados com uma boa dose de nostalgia. Mas aí como todo outubro passa e novembro também, chegamos rapidamente àqueles últimos dias de dezembro antes das férias que ninguém aguenta mais e a gente não sabe nem que dia é hoje porque nem entende mais de calendário, de tão cansada, sabe? E foi mais ou menos esse mal que me assolou hoje, quando acordei às 9h30 da manhã e fui conferir se meu post estava no ar e... nothing.

Levei o maior susto quando vi, corri para ver o que tinha programado e descobri que fazia todo o sentido do mundo não ter nem post hoje, simplesmente porque eu não tinha escrito. Salvem a blogueira doida, eu fui engolida pelo calendário. Tenho posts programados para amanhã e quarta (amém) mas não tinha nada para hoje porque fiquei um mês inteirinho pensando nesse meme e, adivinhem, não consegui as respostas, de modo que estou começando o texto de forma totalmente randômica e enrolando todo mundo na cara dura, hehe.

Olha só, a proposta bedística coletiva que eu e minhas amigas tínhamos para o dia 25/08 era aquele meme de elencar 5 coisas para as quais não damos a mínima. Só que eu acho que eu tanto não dou a mínima que não consigo nem lembrar que coisas são essas para que possa elencar de verdade, de modo que vou tentar pensar aqui, agora, ao mesmo tempo que faço a lista, e ver no que dá.

1. Filmes
Não é que eu não goste de filmes, eu gosto. Meu filme favorito da vida tem mais de 3 horas e eu já assisti umas 20 vezes. Fui em todas as estreias de Harry Potter que pude e fico esperando ansiosa cada vez que sei que está para sair um filme que eu estou louca para assistir. Mas de um modo geral eu não ligo muito para o assunto. Sei que é uma falha de caráter, ainda mais para alguém formado em comunicação, mas não tenho muito repertório cinematográfico e não é raro que eu fique boiando enquanto minhas amigas falam de filmes antigos e/ou fazem suas previsões para o Oscar. Não ligo.

2. Álcool
Mais uma vez, não vou falar que eu não bebo - mas quase não bebo. Sempre fui muito fresca pra comer e não gosto do gosto da maioria (para não dizer de todas) as bebidas alcoólicas possíveis. Meu sonho é encontrar um vinho bem doce que toque fundo no meu coração, mas por enquanto a regra geral é que prefiro mil vezes um suco de uva fraquinho, sabe assim? Acontece que eu acho divertido beber de vez em quando numa festa, mas se eu não beber está tudo bem também. Me divirto muito bem sem esses artefatos, nunca serei o tipo de pessoa que vai fazer bico porque acabou a cerveja, sabe? Em reuniões de amigas eu acabo sendo a chata do rolé que pede pelo amor de Deus para não estragarem o brigadeiro colocando vodca na sua composição. Desculpa, miga, mas brigadeiro já é perfeito sendo chocolate com leite condensado, sabe? Me ama mesmo assim?

3. Que me vejam de lingerie (?)
Calma. Isso não significa que vou sair andando de lingerie por aí para que as pessoas assistam, nem que vou tirar foto e colocar na internet. É só que não me importo se alguém, por ventura, me ver trocando de roupa ou algo do gênero. Acho quem dos paradoxos mais bizarros que existem na sociedade é essa diferenciação que as pessoas insistem em fazer entre os biquinis e as lingeries. Não consigo enfiar na cabeça que está tudo bem desfilar de roupa de banho por aí e que é o fim do mundo se alguém te vê de calcinha e sutiã. Na época que eu fazia teatro tinha vezes que a gente tinha que trocar tão rápido de roupa que todo mundo se ajudava e de repente, quando eu parei para pensar, eu tinha um colega abotoando o vestido e outro ajudando a subir a meia calça, sabe? E nesse entre-meio, sim, eu estava de calcinha e sutiã na frente de dois seres do sexo masculino (JULGUEM). Sou do tipo que tanto não se importa com o babado que nunca lembro de fechar a janela na hora de trocar de roupa e se por acaso eu tiver um vizinho curioso ele está feito na vida. Outro dia meu primo entrou no meu quarto para guardar o edredom e esqueceu de bater na porta. Eu estava me vestindo. Ele se assustou e ficou todo sem graça enquanto eu segui parada, olhando pra cara dele com o semblante mais plácido que poderia fazer. Era só calcinha e sutiã, gente. Meus biquinis cobrem menos que aquilo, sabe? Desse susto eu não morro.

Sério mesmo que vocês acham esses robozinhos amarelos TÃO sensacionais assim? Me contem mais sobre isso. 

5. Calorias
Pode ser porque eu nunca tive problemas com peso, mas a verdade é que eu nunca fui dessas que olha número de calorias nos rótulos das coisas ou deixa de pedir uma sobremesa no restaurante por medo de engordar. Nunca fiz dieta na vida e acho que a vida é muito curta para a gente não comer algo que está com vontade só para porque é gordice. O apelo de ser saudável é totalmente justificável, inclusive tenho que melhorar muito nisso, mas fico consternada com gente que tem corpão e, para mantê-lo, nunca sai da salada e malha até se estiver em um hotel fora do país em um feriadão, sabe? Vamos abraçar o equilíbrio e a sanidade, pessoal. Faz bem de vez em quando. 

I'll just gonna shake shake shake shake shake

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Uma filosofia de botequim inesperada ou quase - 24/31

Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu fui uma criança e tanto. Nem tanto na minha visão, vejam só. Eu era meio besta, não tinha quase nenhuma inteligência emocional não que agora eu tenha rs e vivia sofrendo bullying, mas aos olhos dos adultos eu era a menininha simpática e educada que sabia conversar quase feito gente grande e só tirava nota alta. Meus pais nunca precisaram esquentar a cabeça com meu boletim e eu rapidamente descobri que, se eu tinha um charme nessa vida, era esse. Eu era inteligente. Eu conseguia fazer as coisas. Eu era aprovada em tudo o que eu me predispunha a fazer... até que eu fui reprovada pela primeira vez.

Era um teste da universidade de Cambridge que a maioria dos alunos da Cultura Inglesa, hora ou outra, acabavam fazendo. Eu devia ter uns 16 anos quando tentei o meu - e eu não passei. Vamos contextualizar aqui rapidinho: eu não reprovei por 10 pontos, nem por 5. Eu reprovei por 1. Uma questão a mais que eu tivesse acertado e eu teria um certificado de proficiência em língua inglesa nas minhas mãos. Por 1 ponto. Foi nesse dia que eu descobri que o "quase" não existe.

O "quase" não existe de fato, mas se a gente pensar a fundo no conceito dá para concluir que ele é uma ótima invenção de linguagem para nos servir de consolo quando algo que tentamos não deu certo ou, também até quando escapamos por pouco de alguma desventura: QUASE caí de bicicleta mas consegui frear a tempo, ufa.

Quando eu paro para analisar a humanidade (!) e suas particularidades penso que talvez tudo o que alguém se preocupou em criar em algum momento seja para nos amenizar de alguma forma; para facilitar. A roda facilita a locomoção que, por sua vez, faz de tudo para amenizar as distâncias que devemos percorrer. Não seria diferente com as criações mais metafóricas e linguísticas. O ser humano precisava de um conceito que ajudasse a definir essa sensação de "não conseguir" ou "conseguir" por pouco. Mas é só consolo mesmo. É um afago mentiroso. O "quase" não existe.

Uma bola que bate na cesta e não entra não conta ponto. A que bate na trave não é gol se não balançar a rede e os quase gols não valem décimos de pontuação no placar da Copa do Mundo. Quando a gente quase beija alguém que ama a gente infelizmente não guarda o gosto dela na boca - e quanto a gente tira 59 numa prova cuja média era 60 a gente quase garante o certificado de inglês, mas não dá para colocar no currículo.

É duro encarar a realidade, mas às vezes é necessário receber uma epifania ou outra, mesmo que seja só para pensar sobre o assunto e depois guardar na gaveta de novo. O "quase conseguir", na verdade, apesar de nos parecer mais perto do "conseguir" do que do "não conseguir" sempre foi a mesma coisa que o segundo, sem tirar nem por. Quem quase consegue não consegue. Quem quase cai de bicicleta não cai. Quem começa a divagar sobre um advérbio de intensidade no meio de uma tarde de sexta-feira quase consegue escrever um texto decente - mas, vocês sabem, quem quase escreve um texto decente não escreve de fato, e então vou postar isso aqui mesmo porque foi o que deu para fazer. 

domingo, 23 de agosto de 2015

A maternidade por aí - 23/31

Confesso: fui eu mesma que dei a sugestão dessa “postagem temática coletiva” quando eu e minhas minas estávamos debatendo possíveis ideias para o BEDA. E fiz essa confissão antecipadamente só para falar que, assim que a dei me arrependi amargamente porque todas as meninas se empolgaram e eu passei os 25 dias desde que a sugestão foi dada de cabelo em pé tentando pensar em algum tema que surgisse do óbvio.

Vou parar de elucubrar internamente aqui sozinha enquanto vocês assistem com cara de tacho e contextualizá-los de uma vez. A ideia dessa postagem é escolher um tema que te agrade e sugerir mídias que tratem do assunto de forma interessante, sejam essas mídias livros, canais no Youtube, filmes, reportagens, o que for. E nos 25 dias que eu passei matutando tema eu não consegui pensar em nada que não fosse, tcharam, maternidade & filhos. Me internem.

Eu juro que não sou louca, mas é que eu gosto desse tema desde que sou pequena e a gente acaba querendo sempre descobrir mais sobre os assuntos que gosta, de forma que a Analu de 13 anos ligava a televisão para assistir “Maternidade” e “História de um bebê” no finado Discovery Health que hoje virou Discovery Home & Helf e fala mais de culinária, moda e reforma que qualquer outra coisa enquanto a galera falava sobre a MTV. Aliás, um segredinho, eu meio que entrei no universo dos blogs por causa disso. Quando eu tinha 12 anos e meu primeiro afilhadinho nasceu, minha prima criou um blog para falar dele. Foi futucando nesse blog que eu descobri um maravilhoso e infinito blogroll com mais UM MONTE de blogs de mães falando sobre seus bebês e suas aventuras na maternidade e eu lia todos eles incansavelmente e enfim.

Dos blogs eu fui passando para reportagens, artigos, tomando partindo silenciosamente em discussões do tipo “criação com apego”, “BLW”, “amamentação prolongada”, “cama compartilhada”, “fraldas de pano em pleno 2015” e mais um enorme leque de assuntos. Dizem que conhecimento nunca é demais, né? Então tá bom. Por outro lado, nem sou mãe ainda e já concordo demais com aquela frase que diz “Eu era uma ótima mãe até pegar meu filho nos braços” porque se tem uma coisa na qual eu tenho certeza nessa vida é a de que na prática a teoria é sempre outra. ANYWAY, tentei fugir desse assunto mas minha postagem temática vai ter que ser essa mesmo, galera. Não tem nada a ver com a ~linha editorial~ desse blog e nem com meu momento de vida e nem com nada, mas tem a ver com a pessoa maluca que eu sempre fui e é isso que tem para hoje.

LIVROS

- Vou começar indicando logo uma autora. Na verdade ainda não conheço sua obra completa, mas os três livros da Jodi Picoult que eu li falam, em suma, de amor – colocando esse foco no amor materno e até que ponto uma mãe é capaz de ir para defender a vida de seus filhos. Os que eu li foram A Guardiã da minha irmã, A menina de vidro e Um mundo à parte e todos os retratam mães em situações bem diferentes umas das outras, mas que, igualmente, beiram a loucura e a total falta de ética e discernimento quando se trata de lutar pela sua cria. As três histórias me deixaram em total estado de mindfuck enquanto eu lia, sem saber se eu concordava plenamente ou se queria dar na cara daquelas mulheres e mandar elas serem menos, mas o fato é que elas amavam os filhos sem nenhuma medida e talvez amor de mãe seja isso mesmo. Quando eu descobrir eu volto e conto.

- Vale indicar livro que eu não li ainda? Deve valer, mas só porque nem eu mesma sei porque não li esse livro ainda. Estou falando de Para Francisco, da blogueira Chris Guerra de quem muitos de vocês já devem ter ouvido falar. Para resumir, Chris estava grávida quando perdeu o namorado por morte súbita. O moço de repente estava morto dentro de casa e, segundo ela própria, seu coração só não parou junto porque tinha outro batendo dentro dela. Só por essa quote a gente já imagina a quantidade de dor transformada em poesia que a gente vai encontrar quando abrir esse livro, né? Enrolei tanto para ler que até o próprio Francisco, que na época do lançamento não devia ter mais de 3 anos, já deve ter lido a própria história enquanto eu continuo dizendo que “desse ano não passa”. Me cobrem.


TELEVISÃO

- Sou a pior organizadora de indicações que vocês conhecem, porque agora vou indicar um episódio de Grey's Anatomy que nem sei ao certo qual é, mas é entre o 7x19 e o 7x23, tá bom? Não preciso ser específica porque sei que 1) se vocês assistem à série vocês chegarão nele por conta própria 2) se vocês não assistem vocês não vão caçar um específico para assistir. Agora vem spoiler, então fujam se não quiserem saber: após os dias de agonia que vieram após o acidente da Callie e o nascimento da baby Sofia, as duas finalmente tem alta e Callie está com absoluto pavor de ir embora para casa. Ela tem medo de que sofra um novo acidente de carro e coloque a bebezinha em risco. Bailey, então, sempre ela, aparece com um discurso incrível sobre ela ter que vencer esse medo porque após ele virão inúmeros outros. Ela diz que ser mãe é, basicamente, morrer de medo para sempre porque a qualquer minuto pode acontecer alguma coisa com seu filho e você tem que aprender a lidar com isso da melhor forma possível. 

- Qualquer coisa que eu venha a falar sobre Friends não é spoiler né, gente? Enfim, o primeiro episódio que eu assisti inteiro (porque estava de bobeira e comecei a prestar atenção) foi a da Rachel parindo a little Emma. É sensacional, sério, gargalhadas garantidas.

- Algum noveleiro por acaso escapou de Por Amor e Laços de Família? É pensando nessas duas obras de arte que me dá tristeza de pensar que a mesma mente responsável por isso foi capaz de escrever aquela tragédia que foi Em Família, mas enfim. Com um dedinho de Jodi Picoult nas veias, Maneco nos entregou dois dramalhões sensacionais. No primeiro a mãe engravida junto com a filha e as duas têm os bebês no mesmo dia. Durante a madrugada, ao perceber que a criança da filha morreu ela não pensa duas vezes e inferniza a vida do médico amigo da família para que ele troque as crianças e o dela seja dado como morto para a filha não sofrer a perda. No segundo a mãe seduz o namorado de adolescência para engravidar de um bebê que possa salvar a vida da filha mais velha que foi diagnosticada com leucemia e só pode ser curada mediante um transplante. Amor de mãe. 

INTERNET

- Já falei dele aqui algumas vezes, mas não tenho como começar o nicho “internet de filhos” sem falar do Pedro Fonseca, um pai apaixonadíssimo que escreve cartas para os filhos e compartilha com a gente. Escorre amor de cada letra do que ele tenta contar e ensinar para suas 3 crianças, João, Irene e Teresa. Ele anda atualizando pouco o blog, mas continua postando algumas dessas cartas em seu Instagram, que é recheadíssimo de fotos dos pequenos. Sua esposa, Lua, também é super instagreira e inventou até a série #nodramamon para falar sobre suas aventuras sendo mãe de 3 e sobre como fica mais fácil quando ela consegue se distanciar das confusões e mudar “o tom da coisa”. Vão lá.

- Eu já era apaixonada pelo Instagram da Flávia Rubim, aí ela criou um canal no Youtube também. Mãe de uma menininha de 10 meses, a Cora, Flávia é aquele tipo de pessoa que parece viver envolta por uma bolha de paz e tranquilidade. Ela, o marido e a bebê moram em Campinas num condomínio cheio de áreas verdes (dá para ver pelas fotos), são veganos e super adeptos da decoração DIY. O quarto da Cora, por exemplo, é todo montessoriano e foram eles mesmos que montaram.

- A Kelle é mais uma que eu descobri pelo Instagram, até que acabei chegando em seu blog e só me apaixonando mais pela história da família linda que eu via nas fotos. O melhor post, disparado, é este aqui. Se você quiser clicar e ler sem spoiler nenhum, clique agora ali no link e volte aqui depois, porque agora vou contar: o texto é o relato de parto da filha do meio, que nasceu com Síndrome de Down sem que eles tivessem tido qualquer desconfiança da alteração genética durante qualquer exame pré natal. É uma das coisas mais sinceras e fortes que já li na vida, juro. Kelle passa por momentos intensos e diferenciados nos dias que se seguem a essa descoberta e relatou tudo sem pudor nenhum.

- A Marina tem a capacidade de dançar com as palavras (e com a vida) e transformar tudo em poesia e energia. Não tem como ler o blog dela e não sair mais leve depois da leitura. Mãe de uma boneca de 1 ano (a Agnes!) ela vai contando com naturalidade sobre as fases da vida materna, as delícias e os contratempos que vêm no pacote. 

- A Luíza é tão engraçada e tão alto astral que a bio do Instagram dela beira a completa imaturidade para alguma pessoa séria que vê de fora: “Ter filhos é divertido!”. Junte isso à cara dela de quem tem 18 anos recém-completados (mas deve estar com uns 27 já) e você vai desconfiar a primeira vista, mas ela e o Hílan são um casal bem bacana que narra as suas histórias ora com tom de humor, ora com seriedade. Ela fez um texto muito interessante uma vez sobre “escolher as batalhas” que eu levo para a vida (e certamente levarei para a maternidade também quando chegar a minha vez) porque é muito importante lembrar que se a gente resolve lutar por tudo a gente não vai lutar por nada direito. O filho mais velho deles é uma figura e a mais nova nasceu em casa! 

sábado, 22 de agosto de 2015

Clara, - 22/31

Eu podia começar essa carta te dizendo que você nem nasceu (acho que tá um pouquinho longe ainda, filha) e já é a coisa mais importante da minha vida, mas acho que isso seria romantizar demais para o momento e colocar nas suas costas um peso que você não é obrigada a carregar. Talvez, inclusive, seja a hora de eu confessar que agora, nesse momento, agosto de 2015, você não é a coisa mais importante da minha vida não – e eu nem vou pedir desculpas.

Deixa eu te explicar: eu sonho com você desde que eu descobri o que era sonhar. Você não é meu sonho de olhos fechados, é de olhos abertos mesmo. Sempre sonhei acordada com você. Desde os meus 3 anos, quando eu levantava a blusa e colocava minha boneca de cabeça-de-plástico-e-corpo-de-pano para mamar, eu sonhava com você. Quando era adolescente e achava a adolescência um saco, tudo o que eu queria era acelerar a minha vida para chegar logo no momento em que eu finalmente te pegaria nos braços. Perdia horas e horas matutando incomodadíssima de verdade com a não-passagem do tempo, queria você já-agora, tinha toda a certeza do mundo de que eu só seria realmente feliz quando tivesse você e que enquanto eu não tivesse tudo devia passar na velocidade 3 do The Sims. Eu queria, naquela época, ter o controle remoto de Click nas minhas mãos. Que bom que eu não tinha.

Naquela época, Clara, no alto dos meus 13 anos que eu não tinha vontade nenhuma de aproveitar, eu teria passado o tempo sem nem pensar duas vezes caso tivesse tido a chance. Mas eu não tive a chance, é claro, e que bom. Hoje, 10 anos depois, eu já aprendi que o tempo passa sozinho se a gente se distrair – e que a gente se distrai bem mais do que devia, e que por isso ele passa mais rápido ainda.

Hoje eu tenho 23 anos. Eu não sei quando você vem (mas você vem) e eu ainda sonho acordada com você praticamente todo dia, mas como eu disse lá em cima, você não é a coisa mais importante da minha vida – e que bom. Imagina se eu estivesse, até agora, emburrada como a menina de 13, achando que a vida não tem graça porque você não existe, que grande merda seria?

Filha, eu sempre quis ser mãe. Eu sempre brinco que a maternidade é meu maior sonho de carreira e que você vai ser o meu melhor projeto de vida. E aí eu dou muita risada da minha cara se paro para colocar as coisas em perspectiva. Fico pensando na minha mãe, sua avó. Fico pensando nela aos 10, aos 15, aos 20 anos, brincando com as irmãs e os sobrinhos, sonhando com o momento que pegaria a própria filha no colo. Imagino ela sonhando comigo com a mesma ânsia com a qual eu sonho com você e dou muita risada porque, sério, é bizarro se colocar nessa posição de ser o sonho de alguém.

Fico me imaginando feito esse sonho que minha mãe sonhava. Aí eu faço uma varredura rápida da minha vida e lembro que eu não gosto de brócolis, sou de humanas e morro de medo de agulha. Captou? Não, né, foi super abstrato mesmo. Vou explicar. Joguei 3 características aleatórias minhas só para mostrar que, olha só que curioso, eu não sou o sonho da minha mãe. Eu sou um outro ser humano que tem uma porção de particularidades e faz uma outra porção de coisas. Sou um outro ser humano, que vive com as próprias barreiras, questões e monstros para enfrentar. Um outro ser humano, que vive com os próprios sonhos para realizar. Não é engraçado isso?

Eu sempre digo que eu sonho com você, mas às vezes é bom lembrar que o máximo que eu posso fazer é sonhar com qualquer vaga ideia que eu possa ter de você – e que você vai ser completamente diferente de tudo o que eu vier a imaginar e que a mágica é justamente essa. E é exatamente por isso que você não pode ser a coisa mais importante da minha vida, ao menos não agora. Não é justo comigo e muito menos com você.

Eu imagino nosso primeiro encontro de várias maneiras, e não tenho dúvidas de que o dia que botar meus olhinhos em você pela “primeira vez” eu vou dizer “que saudades, filha” ao invés de “olá”, porque sempre tive pra mim que nossa relação vem de outras vidas. Quero muito te pegar no colo e te encher de beijos e ver as nossas vidas acontecendo lado a lado, aproveitando cada minuto da chance desse tempo-espaço que teremos para compartilhar.

Aqui dos 23, onde estou agora, a vista está uma loucura. Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida, mas me divirto um bocado tentando aprender como as coisas funcionam e acho que foi muito interessante essa epifania que bateu, de que o máximo que eu posso fazer por enquanto é esperar ansiosa pelo dia em que vou começar a te (re)conhecer, de fato. O dia em que eu pegar você nos meus braços e ter a certeza de que estou realizando o maior sonho que já tive na vida até então, e que a partir dali começa uma fase totalmente nova. Sim, porque por mais melancólico que isso pareça, quando a gente realiza um sonho a gente acaba por perdê-lo. Quando a gente realiza, já não é mais sonho, e que bom. Porque quando ele não for mais sonho, vai ser somente você. E aí, filha, aí talvez você se torne, de fato, a coisa mais importante da minha vida – mas prometo que mesmo aí, quando isso acontecer, eu vou tentar lembrar o tempo todo que você é um ser humano com uma vida toda sua antes de ser somente parte da minha, e que você pode ser (e fazer) o que você quiser, desde que você seja do bem (e isso vai acontecer se eu cumprir a minha tarefa direitinho).

Enquanto você é o meu sonho, você é só o meu sonho. Quando você for VOCÊ, aí sim vai ser realidade, Aí sim vai ser a coisa mais importante da minha vida. Aí sim vai ser muito mais difícil, mas vai ser muito melhor e vai ter muito mais graça. Se ainda tão antes de te ver eu já te amo, quando eu te encontrar vai ser paixão. Do jeito que você for, do jeito que você quiser ser, saiba que terá, para sempre, uma parte da minha alma e o meu coração por inteiro. Eu juro. 

PS: Se você for um menininho, desculpa desde já. Como eu disse, tudo o que tenho até agora são as mais vagas ideias e é com elas que eu trabalho. Apenas troque o gênero de algumas palavras da carta, conforme necessário, imagine o seu nome ali no título provavelmente Benjamin, e saiba que o amor, a saudade, o sonho e a epifania são os mesmos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Só mais um texto panfletário - 21/31

Deixa eu contar uma historinha rápida para vocês: eu não sou publicitária (ah jura?) mas já cogitei ser. Devia ter meus 16 anos e teve um concurso na Ana Maria Braga (rsssss) onde 5 estudantes de publicidade cumpriam tarefas e no final um deles ganharia alguma coisa. Eu estava de férias e foi a única semana da vida que acordava cedo só para assistir o “Mais Você”. Achei tudo aquilo muito divertido e decidi que ia ser publicitária, só que logo depois joguei essa ideia no fundo daqueles baús, junto com os outros milhares de “quando eu crescer serei *insira aqui*”. Enfim.

Eu não sou formada em publicidade e nem sou entendedora do meio. Também não sou formada em marketing e não tenho nada técnico a dizer sobre o assunto – e eu só queria afirmar que, na minha humilde opinião, se EU que não tenho conhecimento oficial nenhum sobre essa área específica fico emburrada assistindo televisão, tem alguma coisa bem errada acontecendo.

Tem um bordão que eu criei para mim mesma que é “publicitário dificilmente acerta, mas quando acerta, ACERTA”, e eu repito isso instantaneamente quando vejo algum comercial que me faz querer abraçar bem apertado os seres humanos responsáveis por ele, porque olha, É DIFÍCIL.

Li bem por alto outro dia um artigo de algum blog falando que era triste e errado utilizar as minorias como forma de apelo comercial, se referindo à tão comentada propaganda da Boticário. Concordo? Em termos. É aquela velha história do “o preconceito nem deveria existir e então você não ganha um biscoito por reduzi-lo”, sabe? Assino embaixo dessa máxima, mas quando se trata de indivíduos. Nenhum de nós merece biscoitinho por não ser um idiota, mas talvez, só talvez, dou um crédito maior do que deveria às empresas que tem coragem de dar a cara a tapa.

A sociedade é capitalista e de uma forma ou de outra, tentando ser poética ou não, tudo o que uma empresa precisa atingir através da propaganda é o apego do público para que ele compre o seu produto (ah, sério?) e não deve ser assim tão tranquilo optar por pisar em um caminho não tão seguro. Por isso, não digo que a empresa merece um biscoito por mostrar que não tem preconceito, por exemplo, mas acho que merece sim um docinho por se colocar no fogo rapidão sem saber exatamente no que vai dar, porque enquanto isso, ENQUANTO ISSO, tem marca muito grande e conceituada por aí que segue falando que a magia dos produtos de limpeza está na mulher.,

E aí eu fico consternada na frente da televisão mesmo que eu já tenha visto a mesma propaganda 10 milhões de vezes. Não consigo conceber Mônica Iozzi, Dani Bananinha e Ivete Sangalo na frente de uma tonelada de produtos de limpeza falando que as mulheres são divas e brilham porque conseguem DAR CONTA DA LIMPEZA DA CASA enquanto os homens jamais seriam capazes disso. E aí eu franzo a sobrancelha e fico gritando internamente VAI BOMBRIL, ISSO MESMO, QUE ÓTIMO SERVIÇO VOCÊ ESTÁ FAZENDO PARA A SOCIEDADE.


Dez segundos depois acontece o que? Isso mesmo, uma propaganda de cerveja, daquelas bem maravilhosas do-jeitinho-que-a-gente-gosta, com uma mulher praticamente nua sendo chamada de verão e servindo a bebida do mascu – que ainda faz o favor de frisar para sua namorada que cerveja boa é a servida pela Verão, se for servida pelo garçom não vale.


É por isso que eu vou voltar rapidinho a bater na tecla do: a galera que está, ao menos, se esforçando para fazer direitinho e se “atualizando” nos novos modelos sociais não devia merecer um biscoito, mas merece. Merece por fazer o mínimo – que a maioria ainda insiste em não fazer. Merece por botar a mãozinha na consciência e pensar que dá pra gente fazer propaganda de dia dos namorados jogando nas fuça da sociedade que amor é amor e pronto.

Sonho com o dia em que alguma santa empresa de produtos de limpeza vai fazer a mesma coisa e passar a propaganda toda pregando que a magia ESTÁ NOS PRODUTOS e não na mulher. Não é difícil, vai. É só colocar um homem dando conta do serviço inteiro, reiterando que essa história de que “lugar de mulher é no tanque” já acabou tem tempo. E na propaganda da cerveja, que tal colocar as mulheres de boa batendo papo com as amigas no boteco e tomando umas também?

Já que resolvi brincar de ser panfletária hoje e me enfiar no vespeiro, vou aproveitar para comentar rapidamente também que achei um grande ganho essa proibição de publicidade infantil. Quando começaram os babados a respeito do assunto, confesso, fiquei plantadinha em cima do muro. Algo me dizia que a publicidade infantil era errada, mas eu não entendia direito o que, e martelava na minha cabeça que hoje em dia a galera exagera querendo proteger as crianças de tudo. Eu explico: passei a vida sendo bombardeada por publicidade infantil na televisão e sim, morria de vontade ter muitas das coisas anunciadas, e foi, também, por causa disso, que aprendi desde pequena que eu não podia ter tudo o que eu queria. Nunca morri por não ganhar todas as Barbies anunciadas, mas perdi alguns minutos da minha vida bitolada pela ideia de que só seria completamente feliz quando as tivesse. Fiquei pensando se “cortar o mal pela raíz”, ou seja, acabar com as propagandas, não seria mais um dos artefatos contemporâneos para manter as crianças em uma bolha de falta de frustrações, sabe?

Mas mesmo com todos esses argumentos internos (que eu de fato considero até hoje), descobri de repente o que era aquele “algo” que me dizia com tanta ênfase que era errado: criança não tem poder de compra. Ponto final. Não existe absolutamente nenhum sentido em liberar uma enxurrada de publicidade em pessoas que não são responsáveis pelas compras, the end. A gente pode continuar tirando as crianças da bolha ao ensinar que ela não pode ter tudo quando ela quiser o brinquedo do amiguinho e não for ganhar. Pronto.

Uma conclusão a respeito disso? Se a galera do nicho de mercado infantil foi obrigada a se reinventar e deve estar conseguindo (não ouvi falar de nenhuma falência ainda) é porque não é impossível. Vamos clamar pela “REFORMA PUBLICITÁRIA JÁ”? Quem vai para as ruas comigo?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

a leveza é uma dádiva - 20/31

sabe aquela história da gente se irritar quando percebe os nossos próprios defeitos estampados em outras pessoas? então. ao mesmo tempo que isso é realmente enlouquecedor e que a humanidade poderia gastar horas debatendo esse assunto, acredito também que existe o outro lado da história: aquele de perceber no outro os seus problemas, entender demais e querer salvá-lo daquilo a qualquer custo.

eu sempre fui uma criança meio neurótica. é. dizem por aí que é tudo culpa de ter uma mãe de gêmeos [o signo mesmo, não dois filhos que nasceram ao mesmo tempo] mas nunca vamos conseguir comprovar astrologia então segue o barco. já contei um pouco sobre como era a minha neura e o nível do meu overthiking quando disse que aqui que enquanto as crianças normais tinham medo do escuro por causa de monstros, eu tinha medo de estar cega e não saber. é. mas então, em paralelo a isso eu tinha pavor de errar e de decepcionar as pessoas. se eu levava uma bronquinha aleatória na escola, era capaz de ficar meses remoendo. levei uma bronca aos 8 anos e até hoje, de vez em quando, o texto da professora esbravejando vem inteirinho na minha mente - e junto com isso, inegavelmente vem também a memória da tarde terrível que passei, chorando por causa daquilo.

eu tinha medo de tirar nota baixa, medo de machucar o colega, em suma, medo de fazer qualquer coisa que não estava no script do que esperavam de mim. eu sempre tive medo de dar qualquer passo fora da linha, e por ter passado a infância inteirinha e metade da minha adolescência baseando minha vida única e exclusivamente nesse princípio é que hoje é tão difícil aprender que quem vive de princípios não tem meio nem fim, blablabla.

às vezes brinco que queria pegar a analu pequena no colo, embalar e falar no ouvido dela que não precisa disso, sabe? a vida é bem melhor quando é mais leve e tal, mas isso não é possível. mas aí eu lembrei que uma vez eu meio que consegui. obviamente não comigo mesma, mas com uma menininha que (e isso explica o primeiro parágrafo do post) me soava exatamente como eu fui.

na escola de teatro que eu me formei tem um projeto de monitoria. é quando um aluno se interessa em acompanhar uma turma do ponto de vista do professor e participar de todo o processo do semestre. o diretor da escola sabia que eu gostava de crianças e meio que me empurrou para fazer monitoria com a turma mais tchutchuquinha da escola, e de repente não mais que de repente eu tinha comprometido todas as manhãs de sábado do meu semestre com algo que não era meu edredom, e sim uma sala com mais ou menos 8 under 7 e long story short, no meio de todas essas crianças tinha a mariana.

a mariana era uma das mais velhas, no semestre seguinte já passaria para a turma dos 7 anos, mas era miudinha. era miudinha e tímida, mas educadíssima e super empenhada. do tipo que mordia a boca para esconder a timidez mas fazia os exercícios propostos da forma que conseguisse, e aparecia para o primeiro ensaio com texto na ponta da língua.

mariana era maravilhosa, mas não era nada óbvia. no meio de crianças como a fafá e a isabelle, que viviam alegres, saltitando e soltando pérolas, não é difícil entender porque que ninguém se encantava com a mariana, logo de cara. mas eu entendi tudo e adotei ela com meu coração antes mesmo que percebesse: mariana era pesada. como eu fui. como eu vivo tentando deixar de ser.

ela tinha pavor de errar. pavor de não corresponder às expectativas. pavor de passar vergonha. em suma, tinha pavor de viver, porque para viver a gente tem que, vez ou outra, pisar fora da reta, né? e eu estava sempre ali, observando, chamando ela para bater um papo de boa, fazendo um carinho na cabeça e tentando ensinar que estava tudo bem se não desse certo, que ela era uma grande garota e não deixaria de ser. 

um dia ela pisou no pé da isa sem querer. doeu. eu não entendi direito o que aconteceu, mas de repente tinha duas criaturinhas chorando na minha frente, e enquanto a que tinha sido machucada gritava que tinha doído eu só conseguia sentir empatia pela mariana, que chorava silenciosa, mas chorava de soluçar, com um desespero que não cabia em olhinhos tão novos. óbvio que a isa nunca entenderia, mas eu sabia, de cara, que a dor da mariana em ter causado mágoa em alguém era infinitamente maior que a dor no pé da outra.

pedi calma, senti com as duas, acalmei a isa que, diga-se de passagem, em 10 segundos já estava óóóótima, desculpou a mariana e voltou a brincar. enquanto isso, a mari, mesmo depois de ter sido desculpada, não conseguia parar de chorar e não tinha coragem de voltar pra brincadeira. perguntei se ela precisava de mais carinho antes de se sentir pronta, ela fez que sim com a cabecinha enquanto seguia soltando lágrimas e lágrimas silenciosas. sentei ela no meu colo e fiquei ali, fazendo cafuné, dizendo que a isa já estava bem e que eu entendia o quanto era dolorido quando a gente errava, mas que a maioria dos erros tinha reparação e que ela não precisava se martirizar por ter pisado num pé sem querer.

depois de uma meia hora ela levantou, tentando limpar o rosto e participar da brincadeira, mas passou o restinho da aula cabisbaixa. quando saiu, passou por mim quietinha para encontrar os pais, mas eu não aguentei. puxei ela de volta, pedi meu abraço, abaixei, olhei bem pra ela e disse:

- mari, querida, às vezes a gente erra. e é chato mesmo. mas tá tudo bem. [a vida é mais que isso]

ela ouviu e tentou concordar. eu me ouço toda hora dizendo isso para mim mesma e sigo tentando concordar também. ainda. segue o barco!

> Esse é o meu texto para o meme "Se eu fosse você", criado pela Brendha Cardoso. A proposta é tentar escrever como alguém que você admira, tentando imitar os trejeitos da escrita, a pontuação, a forma da narrativa, enfim. Na mesma hora que ela me convidou para fazer eu não pensei em nenhum autor de livros, decidi que ia tentar ser a Júlia Porto rapidão. A Júlia é maravilhosa, totalmente o tipo de pessoa que eu gostaria de ser quando crescer, e escreve um dos meus blogs favoritos da vida inteira. Já li de cabo a rabo umas 4 vezes (sou doente) e cada vez me apaixono mais pelas escritas dela e pela sua visão da vida. Me encantei tanto com o jeito dela escrever que acho até charmosa essa ideia de nunca usar maiúsculas. Nesse texto, narrei uma história real, vivida por mim, mas que podia facilmente ser uma das histórias dela (e que ela com certeza narraria bem melhor que eu). Usei expressões que ela usa, colchetes ao invés de parêntesis, frases emblemáticas do diálogo em itálico e, enfim. foi divertido. Agora corrão vocês também ler o blog dela inteirinho porque ela faz isso infinitamente melhor que eu. Beijos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

À procura de Sophie - 19/31

Não consegui resistir a esse título infame quando pensei em fazer a resenha de “À Procura de Audrey”, novo livro da Sophie Kinsella, sua estreia no universo dos YAs. Não consegui resistir e na verdade nem fiz esforço, porque foi isso que fiz durante a leitura inteira: procurei Sophie.

Procurei, página após página, me agarrar a qualquer registro que me provasse que o livro era da Sophie Kinsella e até agora não achei. Não que eu tenha gostado de tudo o que ela escreveu até agora. Já achei que a autora errou feio a mão em “Lua-de-mel”, mas ainda assim parecia ela mandando mal mesmo. Dessa vez absolutamente não pareceu que era ela escrevendo.

O livro conta a história de Audrey. Ou será que não? Fiquei em dúvida. Os personagens são rasos e mudam de ideia como quem muda de roupa: a mãe é completamente maluca, o pai é um pastelão que só acena para tudo o que a mãe diz e a Audrey tem transtorno de ansiedade severo mas de repente decide que ficou boa e que pode voltar e encarar o mundo só porque conheceu um garoto. Sim.

Sophie propôs abordar uma diversidade de assuntos e foi desistindo de todos eles. No final, inclusive, parece que ela ficou com preguiça e achou melhor largar mão, porque resolveu tudo tão mal e porcamente que me deu vergonha. Foi algo do tipo: vamos juntar todos os conflitos dos personagens aqui no último capítulo e resolver tudo com uma única solução, olha que maravilha, olha que lindo, fechou.

Peguei esse livro sem pensar muito no assunto, na verdade. Estava morrendo de vontade ler em inglês (fui picada pela mosquinha, desculpa) e Sophie saltou na minha frente. Milena estava junto e resolvemos bichar: bichamos tão bem dessa vez que começamos e terminamos o livro no mesmo dia e depois, de quebra, ainda pudemos ficar falando mal juntas. Amo quando minhas amigas acabam um livro com a mesma opinião  que eu.

No fim das contas, valeu mais por isso mesmo. Me diverti porque li em inglês e estava bem acompanhada pela minha amiga, senão teria sido dinheiro jogado fora. Mas comprar livro é isso, né? É comprar uma promessa. Uma promessa que ninguém prometeu mesmo. Próximo?

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O fim de uma era - 18/31

Eu nunca fui de dar nome para objetos inanimados. Quero dizer, bonecas e bichinhos de pelúcia são imitações de seres vivos, então a vida toda foram nomeados, mas estou falando dos demais objetos. Tipo, sei lá, câmeras, computadores, celulares.

Só que aí a Taryne apareceu na minha vida um belo dia e rapidamente eu aprendi que tudo dela tinha nome. A câmera, chamada Luli, foi a que mais me marcou – e acabou sendo por causa dela que minha câmera ganhou nome antes mesmo de eu tê-la de fato. Elizabeth ela seria, Elizabeth ela é. Depois disso, minha outra câmera ganhou nome também mas eu nunca consegui nomear o notebook, já era demais para mim.

Quando comprei meu IPhone, em 2013, estava fuçando a parte dos ajustes, sentada na minha cama, e de repente descubro que ele podia ter um nome. Assim, de fato. Não apenas coisa da minha cabeça, eu podia REGISTAR o nome dele lá no menu e ele realmente teria aquele nome. Que prato maravilhoso puseram na minha frente, meus queridos. Fiquei horas olhando para aquela lacuna ali, pensando em como iria batizar meu celular. Futuquei a minha cabeça até não poder mais e... Mark Sloan it is.

Na época eu estava no auge do meu amor por Grey’s Anatomy e achei que seria uma excelente ideia batizar meu bichinho com nome do meu muso favorito do Seattle Grace. Ridículo? Pode até ser, mas só eu vou saber mesmo, ué. Ledo engano.

Eu fui tão tapada na hora que nem imaginei que aquele nome apareceria para as outras pessoas. Ele seria o nome do Bluetooth, pra começo de conversa – e eu só descobri isso quando, um belo dia, meu chefe estava procurando minha rede para me mandar alguma coisa e reclamou: “MAS EU NÃO ACHO, SÓ APARECE AQUI UM TAL DE MARK SLOAN” e eu olhei para ele com a maior cara de pastel do mundo e falei: Epa, pera aí, acho que esse sou eu, rssss.

Depois que descobri isso passei minutos a fio pensando em mudar. Era simples. Só entrar lá no menu e escrever “Ana Luísa” no lugar e ficaria tudo bem. Mas e a falta de coragem? Oi, meu nome é Ana Luísa e eu me apego a detalhes emocionais de uma maneira que só gente tão louca quanto eu entende, de forma que eu simplesmente não tinha forças para abrir aqueles ajustes e trocar o nome do meu Mark Sloan.

2 anos e meio se passaram, e nesse meio tempo eu vivi cenas incríveis como o irmão da minha amiga entrando no quarto pra saber se alguma de nós era o Mark Sloan que estava conectado na rede dele: hehehe, sou eu, eu sou idiota, releva por favor. Até que meu celular engravidou.

Tudo começo com uma faixa de luz na lateral que não devia estar ali. E depois a faixa de luz começou a ficar mais larga. E a tela começou a subir. E eu continuava com o celular horroroso e perigando explodir a qualquer momento só porque morria de medo de levar na assistência técnica e ter que ficar sem ele. Fui empurrando com a barriga cada vez mais (enquanto a barriga do Mark Sloan crescia) até que um dia me deu 5 minutos e eu finalmente entrei na assistência técnica, morrendo de medo do moço me dizer que tinha remédio, mas que seria um parto dolorido, custaria umas 800 dilmas e ele nunca mais seria o mesmo.

Só que o que de fato aconteceu foi que, sem preliminar nenhuma, o moço da assistência pegou meu filho na mão e me disse, como quem diz que vai até a esquina comprar chicletes, que o problema era estufamento de bateria e que a Apple não consertava isso... e que por isso me mandaria um igual, novinho, mesmo que o meu já estivesse fora da garantia há tempos.

Freud talvez explique a cara que eu fiz para o atendente. Quase fiquei esperando ele rir e falar que era mentira, ou alguém aparecer com a câmera e contar que era pegadinha mas não, o controle de qualidade da Apple é supimpa nesse nível e depois de eu ter passado longos 9 dias sem meu celular, recebi um novinho de fato e já está tudo bem obrigada.

E o novinho, apesar de vir com o Backup dos meus arquivos e meus contatos, veio sem aplicativos e... sem nome. E foi assim que, sem sofrimento nenhum e uma grande dose de emponderamento eu abri os ajustes e escrevi lá “Analu”. E esse é o nome do meu celular, agora. Agora não tem mais vergonha e nem sorriso amarelo quando alguém tenta achar a minha rede.  That’s all, folks. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

50,5 perguntas - 17/31

Desde que decidimos que íamos BEDAr que eu e minhas amigas anotamos no calendário que dia 17 seria dia de vídeo. Que vídeo? Isso deixaríamos para decidir depois. Pensamos um pouco, decidimos, e depois, por força das circunstâncias ou da falta de circustância (rsssss) mudamos de ideia mas enfim, assistam aí embaixo. Só vou avisar desde já que continuo sem desenvoltura para os vídeos e que eu não tinha lido a TAG antes de gravar, de forma que estou lendo e pensando nas respostas enquanto gravo o vídeo mesmo, o que acabou gerando uns momentos bizarros. Enfim, para me ver pagando mico, para variar, é só clicar no play.


domingo, 16 de agosto de 2015

Sobre o corrão e a minha mãe - 16/31

A Anna Vitória comentou certa vez sobre a teoria de seu pai. Ele diz que você está oficialmente ultrapassado quando surge uma nova onda na internet que você não apenas não faz a menor ideia do que ela seja ou como ela funciona, mas você simplesmente não entende o propósito daquilo. Não consegui não lembrar disso enquanto travava um diálogo com a minha mãe, dia desses.

Tudo começou quando eu fiz um post na página do blog sobre o post das 7 coisas e escrevi lá: corrão para ler. No mesmo momento em que postei pensei que em 10 minutos a minha tia subiria na minha janela do chat para avisar que eu tinha escrito “corram” da forma errada.

Minha tia é um ótimo fiscal de português e erros de digitação. Grande entusiasta do blog, sobe a janela imediatamente após perceber algum errinho de texto que eu possa ter deixado passar. Ao assumir meu corrão da página, internalizei que ela certamente viria reclamar e que eu ia penar para convencê-la de que ia ficar daquele jeito e pronto, com apenas um argumento idiota: é piada da internet, aprenda a lidar.

Acontece que dessa vez nem foi tia Malu que apareceu, foi a minha mãe mesmo. Subiu minha janela do site praticamente esbaforida para pedir que eu corresse (hehe) lá corrigir a dita da palavra. Acompanhem vocês mesmos alguns lances de como a situação se deu:

Mãe: Filha, corrige lá onde você postou o seu blog
Eu: kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
M: é “corram” e não “corrão”
E: Isso é meme da internet, mãe.
É “corrão” mesmo.
A galera sempre usa.
É tipo corram, mas com bastante ênfase
M: Mas está feio.
E: É piada, mãe. Aceita que dói menos.
M: Filha, seje menas.

Este diálogo é verdadeiro. Eu não inventei moda para ele ficar mais divertido. Ela podia ter dito coisas como “mas eu não sou mãe da galera” e nos transportar, momentaneamente, ao início dos anos 2000. Ou podia me dar um sermão sobre o perigo profissional (?) de fazer piadinhas com português errado pela internet a fora. Ou podia, sei lá, dizer que se era piada e eu não queria mesmo corrigir tudo bem também. Mas não. Ela preferiu me mandar ser MENAS mesmo.

Se a gente escolher se basear na teoria do pai da Anna para analisar o caso, podemos assumir também que essa foi uma grande demonstração de ultrapassagem, não? Ser condescendente com uma onda piadista da internet que aparentemente está acima do português correto e tal. Mas como lidar se, na continuação da mesma conversa, menos de 5 minutos depois, a pessoa prefere jogar um “seje menas” na roda? Mães. Como não amar?